quinta-feira, agosto 07, 2008

Assalto!!!

Ex.mos(as) Senhores(as),

A Lei n.º 22A/2007 que procede à reforma global da tributação automóvel e mais exactamente ao seu “Anexo II”, que aprova o Código do Imposto Único de Circulação (IUC), é descabida, ridícula e discriminatória. Não o afirmo em nome de nenhuma associação ou instituição (ainda!), digo-o em nome próprio, por ser uma das vítimas incauta desta lei absurda.

O texto da lei refere que “O facto gerador do imposto é constituído pela propriedade do veículo”, pelo que começo por questionar, nesse caso, o seu título. Mas o que me faz dirigir a V. Ex.as é, no meu ponto de vista, bem mais grave.

Com esta lei o Governo português não distingue automóveis usados de automóveis novos no que diz respeito aos veículos importados. O que interessa é se são matrículas novas. Ou seja, todos os veículos matriculados a partir de Julho de 2007 regem-se pelos novos valores.

Exemplo concreto: Um Peugeot 206, de 2001, importado de França e matriculado em Portugal em 2008, vai pagar de IUC 125 euros. Para o Estado português trata-se de um veículo novo, uma vez que a matrícula é nova. Um Peugeot 206, de 2001, comparado usado em Portugal paga de IUC 32 euros.


A minha questão é: porquê? Qual é a justificação para esta diferença? Por acaso os dois automóveis não entraram em Portugal da mesma maneira: pagando o Imposto Sobre Veículos? Não são os dois igualmente poluentes? Da mesma idade?

Eu comprei o referido Peugeot 206 a um importador de carros que me referiu que haveria uma diferença no IUC do meu carro por ser importado, mas essa diferença “nunca seria significativa”. Para mim, pagar pelo IUC quase QUATRO VEZES MAIS do que qualquer outra pessoa que conduz o mesmo carro que eu em Portugal É SIGNIFICATIVO E ABSURDO. E, apesar de estar na lei, não o aceito pacificamente, uma vez que se trata de um encargo ANUAL e PERMANENTE. Não importei um carro de luxo. Não sou sequer coleccionadora de clássicos. Importei um carro utilitário, normalíssimo, porque gostei mais deste do que de outros que se vendiam na altura com matrícula portuguesa.

A minha luta é agora perceber melhor a razão desta injustiça e, se possível, ter uma garantia de alguém responsável de que, em breve, esta situação seja rectificada.

Por isso mesmo, enviei este meu protesto ao Parlamento Europeu, através de uma petição, à Assembleia da República – ao seu Presidente e a todos os Grupos Parlamentares -, ao Primeiro-Ministro de Portugal, ao Ministério das Finanças e à Direcção-Geral de Impostos. Aguardo feedback.

Caso V. Ex.as considerem que este assunto tem interesse para vós, estou totalmente disponível para me associar a quem queira elevar o protesto quanto a esta questão a outro nível.

Com os meus sinceros cumprimentos,

GK

quinta-feira, julho 31, 2008

Olhar altaneiro e paneleirices do género...

Irrita-me. Irrita-me solenemente aquele hábito português e, em particular, coimbrinha de que tudo está mal. Tudo. Mal.
Chegas a algum lado e já vais com cara de mordomo inglês que tem de limpar caca do rabinho do bebé porque a ama faltou. Narizinho esticado, sobrancelhas franzidas, olhar altaneiro e de esguelha. Não é precisa nenhuma provocação para pores defeitos em TUDO. É porque está chover. É porque está frio. É porque está quente. É porque tem a cor errada. É porque não foi rápido. Ou não foi lento. Ou não esteve perfeito. Ou, basicamente, porque não está nem NUNCA estará ao teu nível!!!
E se te dá para falares de alguém? Uuuii! Isso é que é destilar veneno! E não, não é o habitual “cortar na casaca” tão necessário à sobrevivência mental e que alimenta o mundo. Não! É mauzinho. É perverso. Solemnly twisted. Cheio de palavras caras e justificativas intelectualóides que levam os outros a pensar que estás cheio de razão quando estás apenas a reagir ao garfo que tens espetado no rabo e que te obriga a andar tão direitinho e com uma terrível dor de corno por não teres coragem de fazer igual ao que criticas…
CHIÇA!!! Merda para tanta paneleirice! Fosga-se!
Estou fartinha de snobezinhos da treta! Mesmo!
E o pior? O pior é que é uma praga vastíssima. Vastíssima! Às vezes até dou por mim a fazer parte dela!!!
Cruzes canhoto! Acho que vou à Bruxa buscar uma mezinha que me livre disto de vez!...

quinta-feira, julho 24, 2008

Vermelho vivo…

Hoje acordei e vesti-me de vermelho. Dei outra oportunidade aos sapatos altos que me mordem os pés e trouxe todos os meus amuletos da sorte.
Ontem chorei até adormecer, como em tantas outras noites deste que devia ser o meu ano mas que me está a beber todas as energias.
Por isso hoje vesti-me de vermelho vivo e saí de saltos altos.
Queria sentir-me bem, forte e feminina, já que por dentro perco tantas vezes este sentimento tão essencial que é estar em harmonia com a própria pele.
Não sei se resultou ou se quando tirar os olhos do computador e voltar as costas ao escritório e as tarefas do dia volto a perder o tom vermelho vivo que procurei para pintar a alma…

quinta-feira, julho 17, 2008

Às das estradas…

Ando totalmente concentrada na condução!
Já terminei as aulas de reciclagem, mas quando peguei no meu “vermelhinho”, que, ao contrário do leve Corsa da instrução é um carro nervoso a gasolina, senti-me uma perfeita idiota!
Chorei, esperneei, gritei! Pus a hipótese de não voltar a casa para não ter de responder ao “Então?” ansioso da família. Odiei o meu gajo por ter posto um ar de pânico logo na primeira vez que o carro me “fugiu” (demasiado acelerador…).
Revi a minha vida toda, desesperada!
Não há mais dinheiro. Nem para aulas, nem para paneleirices do género. Ainda tenho de pagar o que devo aos meus pais e a vida não está para covardes. Portanto, no dia a seguir ao desespero, convenci o meu gajo a voltar a entrar no carro comigo…
Passado o primeiro momento de novo pânico, a coisa deu-se...
O carro é bruto, pronto! É como eu… Tenho de ser mais bruta com ele!
Vamos dar-nos bem… Agora sei disso.
Este é o meu processo, suponho… Embarco numa aventura, cheia de coragem. Ao primeiro sinal de adversidade ponho tudo em causa, choro, esperneio, mato-me. Depois quando acredito que o mais certo é falhar e já não existe pressão para andar para a frente, avanço e cumpro objectivos!
É a história da minha vida. E cansa…!!!

quinta-feira, julho 10, 2008

Roller coaster

Estou na antecâmara do desfalecimento… Nas vésperas do suspiro de alívio. Antevejo já o dia da libertação!... Os dia em que os “pendentes” ficam, FINALMENTE, resolvidos!
Ainda faltam algumas “coisicas” para chegar “ao fim”. Mas os projectos “monstruosos” estão na recta final e eu já começo a consiguir respirar…
Já chorei. Chorei muito. Deitada à beira-mar pela primeira vez este ano, libertei o que me ia na alma até começar a dizer baboseiras incompreensíveis desenterradas sabe-se lá de onde da minha alma. Fiquei com os olhos empapados e o rosto com uma nuvem de tristeza. Mas deixei de ver aquele fantasma encovado que me olhava no espelho. Agora, embora cansada, vejo-me a mim.
Sou uma sortuda. A vida dá-me coisas lindas. E eu - como gaja que sou, como portuguesa que sou, como parva que sou - estrago. Encontro pó e cinzas onde há brilho e cor.
Mas estou a começar a ver, lá bem ao fundo, no horizonte escondido pela luz intensa de um sol que nasce devagar, o tal brilho e a tal cor que procuro para a minha vida.
Será temporário, eu sei. Como tudo é temporário. Mas passada letargia do cansaço que está a cair sobre mim, eu sei que, pelo menos durante algum tempo – pouco! – vou sorrir para cada dia. E vou ver de novo o meu anjo protector negligenciado por entre a azáfama das minhas últimas semanas e vou agradecer-lhe por mais um mês carregadinho de histórias para contar. Histórias felizes.

quinta-feira, julho 03, 2008

Quero chorar

Quero chorar e acabar com isto! Chorar mesmo! Chorar até perder a alma, para poder renascer!
Estou farta de me queixar, de não me conseguir livrar da bagagem, do que correu mal. Quero desesperar, gritar, perder a esperança, bater no fundo, para me levantar outra vez.
Esta coisa adulta de encarar as contrariedades com um encolher de ombros está a dar cabo de mim!
Não quero que a dor me seja indiferente! Não quero aceitar e andar para frente, assim, sem o reflectir, sem o perceber, sem fazer as pazes com o destino…
Não chorei ainda as maldades que vida me fez nas últimas semanas. Não consigo respirar fundo e passar à frente.
Foi isto que os 30 anos me trouxeram: uma profunda incapacidade de chorar. E, por consequência, uma postura de velha chata a queixar-se de tudo e de todos. Uma costela portuguesa elevada ao extremo pela fadiga e pelo cansaço.
Quero chorar. Chorar desesperadamente. Porque o sol brilha lá fora e o mundo está cheio de possibilidades que eu não vejo, por ter a vista turva de lascas de tragédias passadas. Quero livrar-me delas. Bate-las. Derrota-las. Esquecê-las. De vez.

P.S. – Enquanto escrevia este texto, bateram à porta do meu escritório com vista para o rio. Disseram que um cão se estava a afogar no lodo do Mondego. Liguei para os bombeiros que não sabem bem se a questão é da jurisdição deles. Na margem, ouviam-se apenas latidos desesperados, vindos do meio das canas e do lodo. Enquanto os bombeiros cruzam burocracias, corri para a outra margem para pedir ajuda ao Clube de Canoagem. No tempo que demorei a atravessar a ponte, o cão deixou de ganir. A canoagem desistiu porque nada viu nem ouviu. Aguarda-se agora um barco de um particular e uma foice para cortar as canas. O cão já não responde. E eu voltei ao escritório para não ficar na agonia da espera… E para não perder a esperança... Nem imaginar um dos companheiros, que me cumprimentam todos os dias no parque e me lambem as mãos, a sair do lodo sem vida.

quinta-feira, junho 26, 2008

(Estou demasiado cansada para pensar num título para isto…)

Este está a ser provavelmente o mês mais cansativo da minha curta vida.
Em Junho, além do Rock in Rio, fiz uma viagem a Barcelona, festejei o meu aniversário, ando em processo de legalização de um carro (importado de França) e tenho um stand da empresa aberto numa feira industrial local que acrescenta à minha equipa de três pessoas 61 horas de trabalho além do horário laboral (para não falar da montagem e desmontagem da mesma)… Mas não é tudo…
Uma das minhas melhores amigas vai casar. Ora, moi-même foi escolhida para madrinha, o que quer dizer que a festa de despedida de solteira – marcada para o próximo Sábado, bem no meio da p*** da feira – tem de ser decente! E quem é que coordena as operações nestes casos, quem é? A madrinha, ou seja, aqui a je, pois claro!
Está tudo quase pronto. Mas tal como aconteceu com Barcelona ou com o meu aniversário, a minha única dúvida é se EU estarei lá… Quer dizer, estar, estarei. Mas não sei o que vou guardar daquilo, uma vez que eu ando praticamente de rastos e cada vez que me sento numa cadeira o meu corpo desiste.
Foi, aliás, isso que descobri com os meus 30 anos… Com a idade o corpo deixa de conseguir fazer loucuras. O cérebro diz que tu podes fazer dois dias non-stop na boa, mas o corpo começa a revoltar-se e deixa-te a braços com um mau humor desgraçado devido ao cansaço. E quando olhas para o espelho perguntas quem é aquele fantasma cheio de olheiras que se parece contigo… Enfim…
No fim do mês, desmaio! …Ou talvez não… Devo andar a meio das aulas de reciclagem de condução… E depois é o casamento… E, espera!, depois ainda tenho de tirar umas (curtíssimas!) férias e estar pronta para viajar e curtir…
F***-**! Se isto é vida, corto os pulsos!

quinta-feira, junho 19, 2008

Hoje faço trinta anos...

Esta foi a minha prenda...

Mas o ponto alto da minha semana, foi ver este vídeo...



Isto foi gravado 10 dias DEPOIS do Rock in Rio. Aos 45 segundos, vejam o que está dentro da caixa de guitarras da mega-estrela...

Já sei que pode ser um açoreano que toma conta das guitarras... Ou um madeirense que lhes serve as refeições... Mas eu ESCOLHO acreditar que é dele! E, mesmo que não seja, é um pedaço de Portugal que lá permanece com carinho depois daquelas 2 horas mágicas em que eu participei...

quinta-feira, junho 12, 2008

Como nota positiva…

Há exactamente dois anos, um pouquinho apenas antes desta hora, eu “conheci” este homem fantástico! …Isso, sim, foi um sonho!
;)

Frustração

Às vezes a vida prega-nos partidas. Sem explicação, e por causa de uma ou outra escolha insignificante errada, acaba por acontecer um chorrilho de eventos inúteis e frustrantes que depois já não têm volta. E tudo aquilo em que investimos perde-se nas malhas da nossa solidão, do nosso desconforto, da nossa desilusão.
Foi isso que me aconteceu.
Rock in Rio. Barcelona. Foi tudo INCRÍVEL!... Eu é que não estive à altura.
Suponho que as expectativas eram tão grandes que não podiam ser concretizadas. Ou antes, pela primeira vez, eu não tive medo de criar expectativas (achava que já tinha conquistado o direito de as ter e de as ver superadas), mas a vida – mais uma vez e como sempre – deu-me uma bofetada! Ou duas… E pôs-me no meu lugar!
Não digo que tenha corrido MAL. Eu ainda prefiro ter ido. O concerto dos Bon Jovi no Rock in Rio foi MÁGICO! (Estou TÃO orgulhosa da minha banda e do meu país!) Barcelona é uma cidade fantástica. E a companhia foi impecável. Não teria ficado bem comigo própria se não o tivesse vivido presencialmente. No entanto, TODOS os pormenores falharam. TODOS sem excepção. Eu falhei.
Acabei por ter uma experiência banal, sem grandes entusiasmos pessoais, como quem passa um fim-de-semana na praia sem ter direito a mais do que o (sim!) maravilhoso som do mar e o (sim!) doce calor do sol, (mas) que já conhece, já viveu, já não aquece o coração nem faz sonhar.
Não era isto que eu queria para a minha viagem. Eu queria mais. Muito mais.
Eu queria histórias para contar aos netos. Queria desafiar-me. Queria emocionar-me. Queria abrir a boca de espanto. Queria que os meus olhos brilhassem. Queria que o meu coração falhasse algumas batidas.
Não consigo descrever o nível de frustração em que vivo. Não consigo explicar o que falhou. Não consigo tirar lições para o futuro.
Sou uma privilegiada. Uma miúda sortuda que viaja e vê concertos e não se priva de nada do que ama. Ou antes, que luta afincadamente para não se privar de nada do que ama. Que abdica de coisas importantes por outras mais importantes. Que sabe fazer escolhas, mas que acaba por percorrer o caminho mais difícil para obter o que pretende e tirar (tão raramente!) partido da vida.
Ainda assim, não sei se tenho verdadeiros motivos para me queixar. Não sei se devo sequer pensar ou referir a minha frustração. Se tenho esse direito. Se vale a pena fazê-lo. Se encontrarei uma explicação.
Mas não consigo deixar de o fazer.
Sinto-me um lixo. Sem objectivos. Sem certezas. Sem paixões. Sem saber que caminho percorrer para atingir o perdido conforto emocional.
Sou uma privilegiada que se queixa por perceber que lutar não chega. Que sonhar não chega. Que viver não chega. É preciso ESTAR, SENTIR, AMAR. E para isso não há fórmula. Ou acontece ou não.
E eu pergunto-me… Valerá a pena procurá-lo incessantemente? Ou os custos são maiores do que os ganhos? Vale a pena repetir? Ou desisto sem olhar para trás…?

sexta-feira, junho 06, 2008

Vida adiada

Pensava que teria milhares de coisas para dizer hoje… Não tenho. Não sei o que dizer. Se o meu cérebro me censura e me diz para estar feliz, o meu coração não consegue evitar deitar algumas lágrimas sentidas.
Acabou. O que quer que seja que me estava reservado passou. Desapareceu sem eu o sentir, sem o viver, sem a intensidade que pedi.
Passou e deixou-me aqui, assim, despida, sem alma, sem corpo, sem vida. A desejar algo diferente em que eu tivesse conseguido participar.
Não digo que não valeu a pena. Valeu. De alguma forma, valeu. Apenas ficou um qualquer sonho adiado que nem sei definir. Adiado. Como sempre. Eternamente adiado.

quinta-feira, maio 29, 2008

Friozinho na barriga

Já ando com aquele friozinho na barriga, aqueles arrepios no estômago. Acordo a sorrir sem razão aparente. É uma espécie de inebriamento parecido com aquele sentimento de paixão a nascer que toma conta de mim por saber que Sábado volto a partir à aventura.
Mal posso esperar para estar com o gang outra vez. Apesar de não nos vermos há dois anos, fazemos parte da mesma família, uma família que conversa e partilha sentimentos todos os dias. Além disso, viajar e conhecer estrelas de rock são coisas que deixam marcas indeléveis, coisas que unem um grupo…
Estou louca por voltar a vê-los e por voltar a sentir agitação da chegada ao recinto, o nervoso miudinho das horas que antecedem um concerto, a azáfama natural de quem prepara um grande espectáculo…
E desta vez estamos preparados. A “nossa” banda vem a Portugal ao fim de 13 anos e vai sentir que esperámos por ela! Vai sentir-se em casa. Fizemos por isso. Estamos mais unidos do que nunca com um único objectivo em mente: fazer daquela noite especial.
Vamos conseguir.
E por isso ando com os passos uns três centímetros acima do chão. Adoro este sentimento: o de regressar a casa ao fim de um longo período de luta intensa.

sexta-feira, maio 23, 2008

Numa manhã rotineira...

Numa destas manhãs, estava eu na minha vidinha normal, dentro do autocarro número 7, a caminho do trabalho, quando ouço uma musiquinha familiar. Um som leve e alegre, de (sei lá!) gaita-de-beiços? Um som doce que me leva directamente à minha infância ou talvez até a algum período anterior.
Numa das ruas mais movimentadas da cidade, no passeio, com a sua tradicional bicicleta, seguia o vulto sempre íntimo de um amolador.
Olhei-o, subitamente feliz, até o autocarro me fazer perder no trânsito daquela artéria, àquela hora sempre caótico. Mas, mesmo depois de os meus olhos o perderem, consegui continuar a ouvir as notas mágicas que ecoam eternamente à passagem do homem que afia facas e tesouras de porta em porta.
Não sei porque é que aquela melodia me leva directamente para um lugarzinho quente e familiar. A minha infância já não coincide com a época destes profissionais. Mas sempre que ele aparecia na minha rua, eu pedia por favor à minha mãe que arranjasse uma qualquer faca moribunda para ele afiar e para eu poder ir ter com ele e vê-lo tocar aquele estranho e aconchegante instrumento. E não era a única. Toda a rua se encontrava no largo, com facas e tesouras que já não usavam nem usariam, nos já raros dias em que por lá passava o amolador.
Não sei se será o mesmo. Não sei quantos existem em Coimbra. Julgava que nenhum. Não sei se foi necessidade ou nostalgia que o fez sair à rua naquela manhã rotineira de Terça-feira. Sei que, apesar da loucura dos dias, amanhã e depois ainda o vou recordar. E todas as vezes que passar na dita rua... Todos os dias, portanto…

quinta-feira, maio 15, 2008

Countdown

Estou em pleno countdown. Cada vez que a Carolina Patrocínio aparece no ecrã com aquela energia toda eu dou um salto da cadeira e admiro-me! Faltam TÃO POUCOS dias!!!
Tenho cinco dias de idílio planeados. Rock in Rio… Avião… Barcelona… Outro concerto... E mais três dias de ócio e aventura na cidade de Gaudí!
Nem acredito!
Claro que vou andar ROTA de cansaço. Sexta trabalho. Sábado Rock in Rio. Directa na noite de Sábado para Domingo. Mais um concerto. E depois três dias de visitas e descobertas. Avião a chegar a Lisboa na noite de Quarta-feira. Trabalho às 9h da manhã de Quinta. Puff! Puff!!
…Mas vai valer a pena. I’m sure.
Objectivamente, não tenho grandes expectativas. Subjectivamente, elas são ENORMES como sempre… Essencialmente, acho que quero bom tempo, uma recordação memorável e um final para o livro que ando a escrever.
(Destaque, se calhar, para a parte do BOM TEMPOOOO!!!)
:)

quarta-feira, maio 07, 2008

Liberdade ou a falta dela

Há já alguns dias acompanha-me um sentimento incontornável de sufoco. Ao fim de semana, em que é suposto o corpo relaxar e a mente viajar, é ainda pior. É uma terrível noção de falta absoluta de liberdade.
Não me refiro à falta de liberdade dos tempos de ditadura. Não a vivi, mas sei que estou a experimentar algo novo. Algo mais complexo do que o objectivo impedimento a uma identidade, à liberdade de expressão. É algo mais subtil e talvez mais perverso, por não ser geralmente consciente. O que faz com que à frustração dessa falta, se junte uma enorme solidão.
O meu sufoco surge do assumir da minha identidade quando analisada juntamente com a falta de possibilidades de autodeterminação. Isto é, existo, sou, penso, sonho, ambiciono e faço. Tudo me é possível. Tudo me está ao alcance… Teoricamente.
Na realidade vejo-me a assumir quem sou, mas a não ter autonomia nas atitudes, por falta de oportunidades… financeiras, sociais, pessoais. Não sei.
Sinto-me sufocar. Quero e não posso. Sonho e não voo. Projecto e não concretizo.
Não por falta de emprenho ou vontade. Falta tudo o resto.
Não me consigo livrar desta bola de trapos que trago dentro do peito.

domingo, maio 04, 2008

História DeVida

Amanhã, dia 5 de Maio de 2008, será lido, no programa "História DeVida", da Antena 1, um texto meu já publicado neste blog.
O actor Miguel Guilherme lerá o texto "O meu companheirinho deixou-me..." às 17h20, às 21h20 e às 00H20.
Mais tarde será possível fazer o download do programa no podcast da RTP.
Esta é a segunda vez que tenho a honra de ver um texto escolhido para ser lido neste programa. A primeira vez aconteceu em Junho de 2006.
:)

quinta-feira, abril 24, 2008

Vou auto flagelar-me!

Olho em volta e está tudo louco. Deve ser da idade. Está toda a gente a casar-se, a comprar casas… De grávidas então parece que existe uma verdadeira epidemia.
É assustador.
Eu, GK, faço 30 anos em Junho e, aqui, perante vós, declaro: Não quero nada dessas merdas para mim! Pela menos para já!
Há TANTOS sítios onde ainda não fui, TANTAS pessoas que ainda não conheci, TANTAS coisas que não experienciei… Vou lá assumir compromissos do tamanho de camiões TIR?! Como posso garantir que isto que decido agora é o que quero PARA SEMPRE?! Ainda não vi NADA da vida. Ela ainda está só a começar!
Cruzes, credo!
Eu vejo estas pessoas todas, corajosas, à minha volta, a lançarem-se em coisas que julgam definitivas e seguras com um sorriso nos lábios e fico espantada! Olho-os e vejo gente de olhos vendados! Gente que julga ter descoberto o sumo da vida e ainda nem foi à esquina, mas acredita, de punhos serrados, que vai ficar naquele sítio, com aquela pessoa e fazer o que faz hoje para o resto da vida! Será?!
É verdadeiramente inacreditável!
Mas, claro, como sempre, a inadaptada sou eu. Pelo que, depois deste sentido desabafo, me remeterei ao silêncio e, cada vez que sentir o meu cérebro a congeminar questões ao ter perante si estes seres inconscientemente felizes, vou censurar-me e auto flagelar-me até sentir que tudo isto é normal!

quinta-feira, abril 17, 2008

Main-stream…

Não se pode ser diferente. Não se pode, mesmo! É um imperativo social. A diferença está em vias de extinção!
Ao mesmo tempo que a liberdade, na privacidade das nossas casas, cresce - acompanhando o acesso a nichos de produtos que outrora não estavam disponíveis e que agora o estão à distância de um clique -, nas “coisas públicas” a pressão é para a uniformização.
Ai do homem que usar meia branca. Ai da mulher que não usar fio dental. Coitada daquela que procura calças SEM cintura descaída. Pobre daquele que ousa vestir o fato de treino dos anos 90…
Estes assuntos discutem-se, mas o vencedor já está definido: é como a sociedade quer. E existem cinco mil razões formatadas para nos pressionarem a ser como todos os outros.
A minha constatação deste facto surgiu porque eu quero comprar uma mochila.
Uma mochila. Uma coisa simples, pequena, digna de ser usada todos os dias. Passo o dia sentada e as minhas costas não gostam que eu coloque todo o peso da minha “mala de gaja” apenas num dos ombros. Decidi por isso ir comprar uma mochilita.
Parece simples, não?
Pois não é. Porque NÃO HÁ! Nem na Internet!
TODAS as lojas decentes vendem, neste momento, malas GRANDES de senhora (ou bolsas ou carteiras ou como lhes quiserem chamar). TODAS sem excepção.
Claro que posso ir correr a Baixa da minha cidade e ver se, naquelas lojas em que a “modernidade” é um termo estranho, há uma mochila que me agrade. Mas para isso, tenho de me desviar do meu caminho normal e iniciar uma busca assumida. Uma missão.
Isto está a tornar-se verdadeiramente um problema…
Os shoppings e a maior parte das lojas “in” SÓ vendem produtos giríssimos e formatados aos gostos das massas. É o estilo main-stream...
O problema é que as unanimidades sempre me enervaram…

quinta-feira, abril 10, 2008

Vidas bonitas

Até aqui, eu olhava à minha volta e, na sua maioria, via vidas “sujas”, como a minha. Vidas cheias de adversidades e batalhas e inseguranças sobre o futuro. Vidas “sujas”, mas funcionais.
Agora, fruto talvez da experiência e da capacidade de lidar com o desconhecido, que chega com a maturidade, tenho-me dado conta de que há para aí muitas vidas “bonitinhas”, daquelas de poster de cinema (ou nem isso, por serem isentas de percalços…).
Nasces numa família abastada. Cresces a estudar nas boas escolas. Fazes Erasmus e o estágio do ICEP no estrangeiro. Apaixonas-te pela única pessoa saída da faculdade de um daqueles cursos de cães danados que arranja emprego à primeira na melhor firma do ramo e que – surpresa! – fica logo com um lugar efectivo. Trabalhas toda a vida em empresas privadas que fazem questão de nunca te pagar menos do que os 1000 euros da praxe (e tu queixas-te, claro!). Tens o carro, a casita (pequena, mas cuja renda não se atrasa!) partilhada com o amor da tua vida e esperas a tua oportunidade - que já asseguraste – de fazer as malas e ir viver para um país melhor, trabalhando no topo do mundo da tua profissão…
Que lindinho!
…Descobri que as vidas “bonitinhas” me fazem vomitar.
Podia ser inveja. Fazia até sentido que fosse. Mas não é.
Eu já não poderia ter uma vida “bonitinha”. Não posso apagar o que vi e o que já vivi, portanto sei que este percurso “limpo” nunca poderia ser meu. Até por não ter chama.
Não digo que não exista sofrimento numa vida assim. Claro que existirá. Mas também existe uma certa ingenuidade, com a qual eu definitivamente não sei lidar e me enerva solenemente…
Eu evacuo para as vidas “bonitinhas”. E desejo muita sorte aos que as têm. Espero que a vida os mantenha de olhos fechados por muitos e longos anos.

quinta-feira, abril 03, 2008

Os portugueses estão a tornar-se europeus

Calor. Primeiros dias de Primavera a sério. Anoitece às 20h. E a malta está “em pulgas” para sair do trabalho e curtir o sol.
Foi isso que aconteceu ontem. 18h30 e um sol radioso. Saí do meu posto de trabalho, situado estrategicamente à beira rio, dentro de um parque emblemático da cidade, e dirigi-me, como é óbvio, à margem do “meu” rio para sentir a calma do cair do dia, em vez de fazer o caminho pelos parques de estacionamento junto à estrada.
A calma existia de facto. Sentia-se, no ar, uma atmosfera plácida, serena, de comunhão com a natureza. Mas o parque estava CHEIO de gente.
Estendidos no chão, sentado à beira rio, abraçados ou displicentes, grupos e grupos de gente jovem enchiam o relvado. Conversavam, namoravam, liam. Molhavam os pés nas margens do rio. Corriam atrás de cães simpáticos. Trocavam ideias de forma pacífica. Olhavam o sol do fim da tarde, com aquele sentimento familiar de querer para o tempo.
Ao passar, absorvi aquele cenário, algo cinematográfico, com um misto de surpresa e alegria. Dantes era tão raro ver um português pisar a relva! E agora, ali estavam, junto aos alunos de Erasmus, estendidos na relva a desfrutar da proximidade da água e a palrar calmamente em várias línguas, como de se tratasse do St. James ou do Hyde Park.
Adorei este fim de tarde, doce e tranquilo na minha cidade. Um fim de tarde em que percebi que os portugueses se estão a tornar europeus.