quinta-feira, janeiro 31, 2008

Amanhã...

_ Oi. Estou a ligar para te dizer que o Conselho de Administração aprovou o teu contrato. Começas amanhã. – O tom era baixo e sussurrante, como quem partilha um segredo.
_ ... - *Choque!*
_ Ouviste? O Conselho de Administração aprovou esta manhã o teu contrato a full-time com duplicação de salário! – Impaciência…
_ Ouvi. Sim. Então…começo amanhã a full-time??? – A voz saiu-me fria…
_ …Não me pareces muito entusiasmada… - Estava furioso.
_ Não, é que… Tinha pensado em usar o tempo que ainda tinha para me organizar antes de começar a full-time… - A voz continuou-me fria, bolas!
_ …Pode-se sempre adiar. Podes começar mais tarde. Um mês ou assim… - O tom era de desprezo. Senti-o.
_ Não, tudo bem. Não tenho nada marcado. Não tenho prazos. Não consigo dar um prazo. Tudo bem. Começo amanhã… - Bolas! Bolas! Bolas! Eu estava zangada, essa era a verdade! #(

…Pus a pata na poça, eu sei. Mas nunca tinha pensado na possibilidade de começar tão cedo e a única coisa que me passava pela cabeça era: “Então e agora? Vou procurar o meu futuro carro QUANDO??? Quando é que vou poder fazer as aulas de reciclagem de condução... QUANDO?!”. :(

…Mas suponho que é tudo uma questão de (re)organização…
...É claro que estou contente! :)

terça-feira, janeiro 22, 2008

Enough!!!

Potência, quilometragem, cilindrada. Correia de distribuição, faróis de nevoeiro, volante desportivo. 1.2, 1.5, 1.7. Duas portas, dois lugares; três portas, cinco lugares; quatro portas, cinco lugares. Auto rádio, auto rádio com K7s, autorádio com CD!
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!
Enough!
Mas porque é que o meu pai não é rico e não me ofereceu o carro?! Porque é que não tenho um qualquer tio solteiro que me deixe a fortuna e o descapotável? Porque é que ainda não ganhei o Euromilhões?!!!
Tantos anos a antecipar este momento e dou-me conta de que a luta pode bem não valer o resultado!
Procurar o primeiro carro perto dos 30 e com pés no chão é uma BELA MERDA!!!
Não, digam-me! Qual é o carro que não sendo último modelo não esteja absolutamente ultrapassado? Qual é o carro que me permite amá-lo por ser fantástico e ainda assim sobreviver com mais do que uma raspas na conta bancária ao fim de um ano de salário? Ou, mais importante ainda: Qual é o carro que me permite derrubar caixotes do lixo sem morrer de terror de estragar a pintura, mas que ao mesmo tempo se encaixe no estatuto de “Senhora Dra.”?
Já sonho com Corsas B! Faço contas aos Alfa Romeos. Vejo a minha vida dentro de um Ibiza. …Mas continuo a andar de autocarro. :(

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Procuro Carro

Eu gostava de ter um destes:

Mas acho que vai ter de ser uma coisa mais deste género:


PROCURO

Carro Usado
Citadino
5 lugares
Diesel
Não fumador
Estimadinho
Baratinho
:)

domingo, janeiro 13, 2008

Partilhar…

Sentada à frente do ecrã branco, resisto a escrever um texto com alma. Não me apetece elaborar palavras ou pintar sonhos. Queria apenas partilhar pensamentos sem ter de os reproduzir em texto. Canso-me de me repetir.
Hoje estou bem. O futuro não me perece difícil nem doloroso. Há uns meses que assim é e, mesmo assim, não me habituo a este sentimento confortável de quem anda em direcção a casa.
Talvez por isso não queira escrever. Porque estou bem. Porque não choro. E o belo das palavras mais vezes se encontra na tristeza do que na serenidade.
Mas queria partilhar. Partilhar que, pela primeira vez na minha vida, um patrão meu cumpre as suas promessas. Partilhar que, onde trabalho, as pessoas são respeitadas, incentivadas e olhadas como contribuidores válidos. Partilhar que, agora sim, rodeada de pessoas que esperam mais de mim (em vez de menos), tenho-me sentido preparada para levar a minha vida para a frente.
Por isso tenho um livro quase escrito, um guião a ser lido nos Estados Unidos (sem grandes perspectivas, na verdade, mas em breve seguirá para Londres…) e o meu projecto de loja de artesanato em marcha em http://drops-of-dream.blogspot.com/.

...2008 vai ser um GRANDE ano! ;)

sábado, janeiro 05, 2008

Voa

Quero que grites. Quero que me insultes. Quero que te zangues com o mundo ou o abraces.
Quero que entres em depressão ou te apaixones perdidamente. Quero que sofras e recuperes de um acidente grave. Ou que te saia a lotaria.
Quero que te percas para te encontrares. Porque estou cansada de te ouvir sonhar. Já não acredito nos teus devaneios. Já não posso ficar a ouvir-te voar.
A tua voz já me fere quando acaricia de mundos que te são estranhos em vez de afagar os que te são próximos.
Sei que um dia vais voar alto. Sei-o e espero-o ansiosamente. Adorava voar contigo então. Mas prefiro não te acompanhar e poder aplaudir-te de pé do que perder-me nesta longa espera ao teu lado.
Só te desejo o mundo nas mãos. Quando o tiveres, abre-as e lá estarei, dentro delas, envergonhada, mas orgulhosa de ti.

(Sabes, muitos também não esperarão por mim…)

quarta-feira, janeiro 02, 2008

HAPPY NEW YEAR 2008

No mínimo, desejo-vos a todos esta energia e esta vontade de celebar a vida! ;)

sábado, dezembro 22, 2007

Um clássico

Boas festas para todos. Muitos sonhos em 2008. ;)

BOAS FESTASSSSSSSSSS!

Digo-vos isto com tristeza, este ano não vai haver presépio:

- A vaca está louca, não se segura nas pernas...

- Os reis magos não podem vir porque os camelos estão no governo...

- Nossa Senhora e S. José foram meter os papéis para o rendimento mínimo...

- O Tribunal de Menores ordenou a entrega do menino Jesus ao pai biológico...

- A ASAE mandou fechar o estábulo por falta de condições

Pelo sim, pelo não, passo já para a “segunda parte do filme”: BOM ANO NOVO!!!!

;-)

Bom, OK… Just in case: Feliz Natal!

:)

sábado, dezembro 15, 2007

Coimbra

Homenagem à minha amadíssima cidade.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Criminosa intelectual


Num letreiro lia-se “Não se copiam livros”.
Espantei-me. Uma série de pensamentos passaram, a correr, pelo meu cérebro: “Não se copiam livros?! Venho aqui há uma data de anos e agora é que vejo isto?! Será que eu estou doida ou já me fartei de copiar livros aqui?”
De testa engelhada considerei desistir. Uma amiga tinha-me emprestado um livro de marketing (que, por tradição, são caríssimos!) que eu nunca compraria. Mas, como ela mo deixou trazer para casa, acabei por descobrir pontos de interesse. Pedi-lhe e ela permitiu que eu o copiasse. Era isso que lá ia fazer.
Mas agora sentia-me uma criminosa. Eu, que até defendo com unhas e dentes os direitos de autor! Sentia-me uma prevaricadora sem moral! Um verme sem espinha dorsal…
Vermelha de vergonha, duvidei ter coragem para perguntar à habitual menina se aquilo era mesmo verdade.
Quando estava quase a capitular, a doce melodia da voz da loura lá do sítio, olhando-me nos olhos e apontando para o livro que eu abraçava, perguntou-me:
_É para deixar ficar? – O tom era baixo e cheio de intenções…
_Sim… - Respondi timidamente.
_Só um bocadinho que eu vou ver se o meu patrão pode levá-lo para casa. – Disse aquilo como se o verdadeiro significado daquelas palavras estivesse relacionado com um segredo de estado…
Voltou passado meio segundo, pegando no livro, que eu larguei de imediato como se me queimasse as mãos.
_O meu patrão pode levá-lo.
Fê-lo desaparecer debaixo de uma série de folhas brancas na primeira das quais começou a tirar notas: o meu nome, o tipo de trabalho em abreviatura, etc.
_É para encadernar também? – Continuou baixinho e de forma despachada.
_Sim… - Respondi igualmente em surdina.
_OK. Em princípio amanhã está pronto a esta hora. Dá-me o teu número de telemóvel para o caso de acontecer algum imprevisto...
Dei-lhe o número como se aquela cena fosse normal.
Saí da loja com uma sensação estranha de ter acabado de cometer um crime. Parecia que tinha ido comprar droga ao dealer habitual enquanto a polícia rondava o local… E tenho a sensação que agora vai ser sempre assim…

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Shhhhhhhh!

Não ousava sussurrá-lo. Nem sequer me sentia confortável a pensá-lo. Mas, um dia, não resisti e partilhei. Partilhei o que sentia: estou óptima, a vida corre bem, sinto-me no caminho certo. O sucesso existe e – surpresa! – também pode ser para mim!
…Agora vivo com medo. O meu bem-estar é um bem público. Tornou-se real. É comentado… E, por isso, sinto-o vulnerável… Como se a bolha que me elevava no ar estivesse prestes a explodir com os impulsos complacente de um público pouco anónimo e bem intencionado. Temo, aliás, as boas intenções…
O caminho não mudou. E eu sei que estou nele, no certo, e não vou desviar-me tão cedo. Mas já não rio sozinha. E quando esperava rir com os demais, sinto-me tímida. Como se esta partilha fosse uma violação. Como se, depois de tantos anos a estudarem a minha tristeza, os que me rodeiam fossem incapazes de perceber a minha felicidade. … Ou serei eu que não a entendo, que a temo, que me intimido com tudo o que é bom nesta vida…?

segunda-feira, novembro 26, 2007

Não durmo

Eu não durmo há muito tempo. Não durmo em todos os sentidos. Sinto-me alerta. Preparada. Em constante actividade. Tenho milhões de coisas para fazer. Centenas de coisas pendentes. E não me organizo. As coisas vão andando, correndo. Os sucessos vão-se sucedendo. É tudo novo para mim. Novo e enervante, excitante. Sinto-me pronta para voar. Sinto-me preparada para, amanhã, apanhar um avião para qualquer grande cidade europeia. Sinto que o posso fazer. Que devo. Sinto que essa é a minha vida. Que esta é a minha vida. Que estou no caminho certo. Sem desvios. Como se, ao estender a mão, o que quero agarrar me surgisse na sua palma. Tenho tantas coisas a acontecer. Tantas, tão aguardadas. Tantas, que duvido ser eu quem veste esta pele. Mas sou. Sou eu. E vivo. Bem. É novo. É estranho. É bom. É cansativo correr. Não parar. Cansa não escrever. Não desabafar. Por isso aqui estou, neste texto corrido, a dizer… que estou bem… :)

segunda-feira, novembro 19, 2007

No comments

No final da semana passada, ao fim de 10 anos, foram adjudicados os 4Km que ligam a Buraca… à Pontinha!

(Eu não sei o que passou pela cabeça dos alfacinhas quando ouviram esta notícia… Agora quanto ao que passou pela cabeça do pessoal do resto do país, bom… no comments… LOL)

terça-feira, novembro 13, 2007

Bon Jovi em Portugal em 2008

Lisboa está entre as cidades da «Lost Highway World Tour»
"Os Bon Jovi vão actuar em Lisboa em 2008, anunciou a banda num ecard sobre a «Lost Highway World Tour», a nova digressão mundial de promoção ao mais recente álbum do grupo.
O nome da capital portuguesa surge no vídeo da banda, onde aparece a lista dos locais que fazem parte da digressão. Os elementos da banda anunciam: «Vamos a todas estas cidades fantásticas».
No entanto, ainda não aparece nenhuma data no ecard, nem é apresentado o local onde terá lugar o concerto em Portugal.
O IOL Música tentou confirmar a notícia junto da Universal Music, editora portuguesa da banda, mas não obteve resposta.

Vê aqui o Ecard."


Quanto a Lisboa, não sei, mas Barcelona, para mim, já está garantida! ;)

quarta-feira, novembro 07, 2007

Boa tarde, doutora

_Bom tarde, doutora. – disse.
Não lhe liguei. Fosse pelo cansaço ou pelo hábito de ouvir saudações corteses que nada significam, nem a ouvi.
No dia seguinte, novamente me calha a mim entregar a chave do escritório. Com um sorriso, voltei a ouvir o “Então, tenha uma boa tarde, doutora”.
Perguntei-me, então, há quanto tempo eu a ouvia sem a ouvir realmente. E descobri, enterrado na minha memória, o seu constante sorriso em diversas ocasiões. Era uma pessoa da confiança da administração. Fazia já parte da estrutura daquele edifício onde entram e saem doutores - reais e imaginários - a toda a hora.
Supôs, por isso, que a sua saudação era já uma “gravação” da memória e que nada significava.
Mas, todos os dias, aquela voz submissa me assombrava a caminho da casa.
_Boa tarde, doutora. - Ouvia-a na minha mente a outras horas do dia. – Doutora!
Numa dessas tardes perdidas no meio de tantas outras, ia já preparada para a ouvir.
Coloquei a chave em cima do balcão da recepção e olhei bem para ela. É mais velha do que eu, trabalha lá há mais tempo do que eu e tem a confiança daquelas pessoas todas.
_Boa tarde, doutora. - Disse previsivelmente.
_Não me chame doutora. – Disparei com convicção – Não é preciso. Sou muito jovem para ouvir esse título tão pesado. – Sorri-lhe. Coloquei-lhe a mão num ombro. Disse-lhe para me chamar pelo meu nome próprio.
Arrependi-me logo.
O sorriso esmoreceu-lhe, pôs os olhos no chão e eu li-lhe o pensamento: “Pronto, mais uma falsa armada em gaja porreira!”
Deixei a minha mão escorregar-lhe do ombro e também eu pus os olhos no chão.
_Boa tarde. – Disse-lhe timidamente.
E fugi dali.
Agora temo-lhe o olhar, porque sei que ao ouvir-lhe a voz simpática vou sempre adivinhar-lhe os pensamentos.

domingo, novembro 04, 2007

Corrupção Vs Julgamento

O "Corrupção" frustrou TODAS as minhas expectativas! Agora já conheço mais uma razão para o realizador não querer assinar o filme. É que é TUDO mau!
Primeiro, não vi NADA que não conhece dos noticiários escandalosos de há uns tempos. Depois, a Margarida tentou, mas não conseguiu fazer uma Carolina convincente. E, por fim, tudo o resto é falso, mau, mal feito! Uma fantochada, com localizações em Lisboa a quererem representar o Porto, com prostitutas que parecem saídas da fábrica dos horrores e com personagens a terem diálogos teatrais e poses absurdas.
Não há uma única cena que pareça real. Quiseram fazer tão bom e fizeram tão mau! É mesmo inacreditável a merda pretensiosa que se consegue ainda produzir neste país.
…Desculpem o desabafo. É da frustração!

O "Julgamento" está ÓPTIMO! Pela primeira vez, fui ver um filme português e saí da sala sem qualquer “mas” ou “se”.
Sem ser uma obra-prima, está tudo bom: guião, actores (um Júlio César soberbo!), som, imagem, realização, banda sonora, guarda-roupa, adereços, localizações...
NADA de mau a apontar (bom, excepto, talvez, a caca de interpretação da Fernanda Serrano… Mas não chega para estragar o resultado final) a uma história que começa no tempo da clandestinidade e traz à luz os legítimos rancores daqueles que sofreram nas mãos da PIDE e se sentem injustiçados neste país de brandos costumes.
Recomendo-o absolutamente!
Assim, sim, há esperança para o cinema português!

terça-feira, outubro 30, 2007

O meu companheirinho deixou-me…

Pavarotti

Chegou a casa a arrastar-se. Mal conseguiu chegar à porta. Subir o degrau exigiu-lhe forças que parecia não possuir. Mas chegou. Entrou. E, como sempre, pediu colo.
Faltou um ritual antes de se deitar para dormir nas pernas de quem estivesse disponível: não pediu comida. Deitou-se sem comer.
Algo se passava. Estava muito triste. Triste demais. Estava doente.
Não tinha nada no corpo. Não vomitou. Não se queixou. Apenas não comeu e parecia custar-lhe deslocar-se.
Os veterinários já estavam fechados e, o que quer que fosse, não parecia ser uma emergência…
Demos-lhe um remédio que devia funcionar como analgésico, um suplemento de vitaminas para substituir “o jantar” e, à ceia, obrigámo-lo, com jeitinho e uma seringa, a beber um pouco de leite.
Ao outro dia pouco comeu, mas quis sair com as gatas. Saiu. Até brincou. E à noite, até petiscou. Por precaução, foi ao veterinário, mas nada foi detectado.
Suspirámos de alívio.
Só quatro dias depois notámos um papo no lombo. Um papo enorme. Anormal. Assustador. A sensação que dava era que metade das tripas tinham mudado de sítio, já que a barriga tinha diminuído até desaparecer…
Corremos novamente ao veterinário.
O diagnóstico, desta vez, foi claro: hérnia. Suspeitava-se que o intestino tinha saído da bolsa que o envolve e passado para junto da pele.
Era uma situação perigosa. Tinha de ser operado.
Era o caçula da casa. Se ele estava a sofrer, então a questão teria ser resolvida o quanto antes. A operação ficou marcada para Segunda-feira de manhã.
No Domingo acarinhei-o como sempre, mas desta vez fiz questão de passar o serão com ele ao colo.
Tinha o coração apertado. Uma sensação horrível de que, se o abrissem, o meu bebé não ia voltar como estava até ali: de pé.
Acarinhei-o, sussurrei-lhe, confortei-o. Sei que ele o sentiu. Acreditámos juntos que a operação tinha de acontecer e que, depois, aquele ar triste com que voltou naquele dia já longínquo e que não o largou mais ia finalmente passar.
Mas não passou. Ele não voltou.
Ligaram-me do veterinário a dizer que o meu companheirinho tinha morrido durante a cirurgia. Que ele estava todo pisado por dentro. Que a situação era mais grave do que pensavam. Que apesar de terem resolvido a hérnia diagnosticada, não tinham conseguido contornar a hérnia diafragmática que encontraram e que se rasgava enquanto a suturavam.
Uma paragem cardíaca. E ele deixou-me.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Um Coração Poderoso

Quem é que consegue ficar indiferente a uma história que se sabe ser verdadeira até ao mais pequeno detalhe?
"Um Coração Poderoso" (A Mighty Heart") retrata ao pormenor os dias vividos por Mariane, esposa de Daniel Pearl, aquando do rapto do jornalista do Wall Street Journal em Karachi, no Paquistão, pouco depois da guerra (também mediática) no Afeganistão.
O final trágico da história já quase todos o conhecem. O que não conhecem é o dia a dia caótico de uma cidade vizinha da guerra, onde a diferença entre estar vivo e estar morto pode residir na nacionalidade ou na religião da família.
Esta é uma obra triste e densa, sem quaisquer pretensões políticas, que filma pormenores sem pudor e deixa brilhar, talvez demais, uma Angelina Jolie morena e sempre perfeita no papel de esposa grávida atormentada, mas racional. O retrato, sem julgamentos ou condenações, das diferenças culturais e das consequências reais da "guerra ao terror" é talvez o melhor deste filme. O pior será o facto do espectador nunca conseguir esquecer que Angelina… é Angelina e a falta de profundidade de todas as personagens secundárias.

segunda-feira, outubro 22, 2007

A vida às vezes...

Pois é. A vida dá muitas voltas e a minha deu um triplo mortal… O que vale é que aterrei de pé!
Ainda eu estava em Londres quando recebi um telefonema, algo enigmático, de uma amiga a dizer que “tinha uma proposta para mim”… Mas combinámos conversar quando eu regressasse de férias.
Regressei. Recebi a proposta. Ainda em férias, fui à entrevista de emprego e, quando voltei ao trabalho, foi para denunciar o meu contrato temporário que terminava daí a uma semana.
Deixei o jornalismo.
A decisão foi tão emocional e radical que não tive qualquer dúvida em assinar contrato de avença (traduzindo: passo recibos verdes!) e entregar a carteira profissional de jornalista.
Quando tentei juntar a minhas coisas no jornal da vila descobri que NADA tinha acumulado! Seis meses e não havia nada de supérfluo na minha gaveta. No fundo, eu sempre soube que aquele era um local de passagem…
Agora trabalho em part-time como responsável da área da Comunicação & Marketing de um projecto estruturante para a Região Centro e Coimbra em particular.
O salário – por ser um part-time e ter os descontos que tem – obriga-me a passar mais dificuldades do que passava antes, ao mesmo tempo que repenso o meu guarda-roupa para incluir peças mais clássicas e adultas. E, se algo falhar agora, fico SEM NADA: nem carteira, nem subsídio de desemprego. Mas, em cerca de um mês de trabalho, consegui mais resultados do que em quase 10 anos de jornalismo!
…A vida às vezes consegue ser uma ganda puta!

segunda-feira, outubro 15, 2007

London 2007 (7)

Na minha cabeça, naquela Quarta-feira, eu já fazia o count-down. O dia seguinte, era o dia da partida…
Tínhamos vários imperativos antes de deixar Londres: ir à Tate Britain, à Virgin, ao teatro e comprar chocolates no Harrods para oferecer à Eileen, a “santa” que me ajudou a encontrar a mala. Havia ainda a possibilidade de nos encontrarmos com um amigo meu, que trabalhava em Oxford, mas que tinha prometido vir ver-me naquele dia. Era um programa ambicioso, mas olhando para os itinerários dos dias anteriores… era possível!
Começámos pelo puro turismo: Tate Britain.
É um colossal museu de pintura. Sabemos agora que o Tate Modern é um bocadinho mais divertido. (Dizem!) Mas, mesmo com a aversão que tenho a estar fechada no mesmo espaço durante muito tempo, consegui passar QUATRO HORAS dentro da Tate Britain!!! A ver pintura!!! Não sei se é mérito do museu, se dos pintores, se da minha paciência. Mas estive quatro horas a olhar para quadros! E vi alguns fabulosos. Também vi aqueles que me fazem sentir gozada: precisamente os de arte moderna…
Saímos do museu tardíssimo.
Às sete e meia devíamos estar em Tottenham para ver o musical “We Will Rock You” no Dominium Theatre. Por isso, entre todas as escolhas possíveis, tomámos difícil decisão de “correr” até ao Harrods para comprar os chocolates à Eillen e deixá-los em Victoria, o local onde se situa o escritório dos autocarros Greenline onde ela trabalha.
Assim fizemos, em tempo recorde.
Voltámos a Earl’s Court para comer e mudar de roupa. E conseguimos estar em Tottenham bem antes da hora marcada. Ainda deu para, finalmente, irmos tomar um café a uma das lojas Starbucks, que infestam Londres como uma praga. Até há um Starbucks numa igreja!!!
O meu “amigo inglês” ligou-me antes da peça. Vinha no comboio oriundo de Oxford e queria confirmar o jantar. Combinámos encontrar-nos à porta do teatro no fim da peça.
Ver um musical em Londres faz parte do misticismo da cidade. E agora percebo porquê.
Mais uma vez, não consegui reprimir o sentimento de que andamos todos a brincar deste lado da Europa. Brincamos ao futebol… E brincamos ao teatro. Ali, o bilhete é caro, mas o espectador “leva com” um espectáculo brutal!
Tudo é bom: os actores, a história, o cenário, o guarda-roupa, o som, tudo. Deslumbrante. Emotivo. Bem conseguido. Apoteótico! Fantástico!
A história do “We Will Rock You” exulta o rock e os Queen em particular (não podia estar mais “na minha praia”), mas qualquer pessoa que ali entre não pode deixar de se sentir identificada com aquelas personagens futuristas, pouco ortodoxas e prisioneiras do “establishment”. Era impossível não rir ou não chorar exactamente nos pontos previstos pelo hábil autor. Fui manipulada com mestria. E adorei!
Para tugas como nós, o programa tinha um aliciante extra: o under-study da personagem principal é um actor português! Ricardo Afonso passou pelo teatro Aberto e pelo Politeama. Este é a sua estreia no West End. E que grande estreia!!!
Depois de rir e chorar com as aventuras de Galileo e Scaramouche, dirigimo-nos a Picadilly para jantar com o Moji.
O meu amigo é um jovem iraniano que viveu em Londres cinco anos antes de se mudar (temporariamente, diz ele) para Oxford. Conheci-o numa longa noite ao relento em Milton Keynes, quando ambos esperávamos por um mega-concerto dos Bon Jovi. Foi há um ano e, à custa de sms’s, cartas, e-mails e telefonemas, rapidamente o Moji se tornou num querido amigo. Eu não poderia passar por Inglaterra sem o ver.
A prosa soube melhor do que o jantar. Falámos de música e honestidade, de expectativas e frustrações, numa conversa que ficou a meio, como ficam sempre aquelas que são francas e ambicionadas. Foi MUITO bom ver o Moji e adorei o facto que ele e o meu namorado se terem dado bem. Já tenho saudades da sinceridade do olhar do meu jovem amigo e da sua voz despretensiosa e característica.
É tão agradável encontrar almas compatíveis e perceber que não estamos sós quando nos sentimos deslocados no mundo. A Galileo Scaramouche, Britney e Robbie da peça juntaram-se mais três nomes no mundo dos revoltados: os nossos.
Já passava da meia-noite quando, por sorte e a contra gosto, nos deixaram entrar nos túneis do metro para apanhar as últimas composições. Pensávamos que o metro fechava à uma da manhã, mas enganámo-nos! Íamos ficando em terra… o que em Londres… à noite… é MUITO grave…
Todos chegámos são e salvos “a casa”. Mas, para mim, a noite tornou-se subitamente triste… Era altura de fazer a mala. :(

No dia seguinte, só tivemos tempo de ir a Picadilly gastar “uma pipa de massa” em livros e CD's à Virgin Megastore e à HMV. Depois apanhámos o comboio para Luton e, lutando com malas, transfers e bagagem pouco ortodoxa, conseguimos meter-nos no avião.
Em Lisboa, a nossas malas foram as primeiras a sair na passadeira rolante e chegámos a Coimbra em tempo recorde, sempre em transportes públicos.

Cheguei da “minha terra prometida” à minha cidade natal para mudar de vida.
Uma semana depois, a minha existência tinha dado uma cambalhota brutal.
O que dizer?...
…Londres faz-me bem!... :)