quinta-feira, abril 16, 2009

Condutora de fim-de-semana?

Situação 1:
Numa noite chuvosa, conduzi alegremente o meu gajo e uma amiga até um retail park nos arredores da cidade. Fiz o caminho e estacionei sem qualquer hesitação. Saímos todos do carro em amena cavaqueira e, quando se fecha a última porta, o carro começa a deslizar para a frente... Pergunta do gajo, quando eu já me estava a enfiar dentro do carro e a puxar o travão de mão:
_Então, não travas o carro?!
Sim, normalmente…
…Dah!!!

Situação 2:
Ao fim de dois meses a estacionar numa estrada a subir perto do ginásio, eu faço o difícil exercício de fazer uma inversão de marcha difícil no meio dessa estrada inclinada para estacionar num lugar vago logo ao início da rua. No passeio, à minha espera, está uma colega da aula de Corpo & Mente. Eu alinho o carro com o da frente e começo a manobra. Os lugares costumam ser grandes e, apesar do declive, costuma ser facílimo estacionar ali. O que eu não contei foi com a p*** da árvore que estava no canteirinho atrás do carro da frente. Escusado será dizer que teria estacionado à primeira, se a roda da frente não esbarrasse no canteiro. Ora, nas tentativas de pôr o carro direitinho e super confiante da grandeza do lugares, bato no carro de trás com um barulho condizente com a trombada...
Saí do carro para verificar os estragos, mas nenhum dos dois tinha qualquer arranhão.
Tirei o carro daquele lugar e tentei fazer uma manobra semelhante mais à frente, já sem canteiro. Mas, toda a tremer e com lágrimas nos olhos, é difícil ter atenção às referências. Não consegui…
Durante este tempo todo, a minha colega olhava para mim do passeio. Disse-lhe adeus e desisti.

Situação 3:
Chuvia a cântaros. Na tentativa de me molhar um pouco menos, à hora de almoço, decidi estacionar bem à frente da minha porta em vez de deixar o carro nuns lugares ao cimo da rua. Por isso, pela terceira vez na vida, fui fazer a inversão de marcha num larguito logo a seguir à minha casa. A rua, à entrada do largo, é estreita, em curva e tem uma inclinação de uns 35 graus (estou a exagerar, mas é bem inclinada…). Além disso, o facto de o largo ser minúsculo, ter sempre carros estacionados e não ser alcatroado (ou seja, o carro “mergulha” no largo empedrado e, para fazer a marcha atrás, sobe uma “parede” inclinada e em curva) acrescenta alguma dificuldade à manobra.
Entrei no largo, fiz a marcha atrás de volta à estrada inclinada, acertando direitinha na rua estreita e, para arrancar a subir, puxei o travão de mão, não fosse o carro bater num muro que ladeia a estrada em frente ao largo, ou pior, cair na ribanceira que existe ao lado do muro, mais abaixo. Ora, eu raramente puxo o travão de mão e enerva-me não fazer o ponto directo. Suponho que é uma questão de hábito. Mas ali, era uma questão de segurança...
Tento arrancar uma vez e o carro vai abaixo. Entretanto, um vizinho meu que vive numa das casas que dão para o largo, sai de casa e dirige-se ao carro dele (estacionado… no largo). Tento arrancar segunda vez e o carro vai abaixo. O meu vizinho entra no carro dele. Tento arrancar terceira vez e o carro… vai abaixo. O meu vizinho sai do carro dele e, junto ao meu carro, pergunta se “precisa de ajuda”… Furiosa, digo-lhe:
_Não me leve a mal, mas não, obrigada. - Na minha cabeça passam vários insultos ao macho que acha que vai salvar a dama em apuros.
Tento arrancar a quarta vez enquanto ele, lá de fora, à chuva, me diz para “virar para a esquerda”! O carro vai abaixo. Outra vez.
“Ó meu filho da puta!, obviamente que eu tenho de virar para a esquerda! Senão dou com os cornos num muro. Não te parece claro que a minha dificuldade não é virar?! F***-**! Daqui a pouco pede-me uma moedinha!” Isto passou-me pela cabeça, enquanto delicadamente lhe grito pelo vidro:
_Muito obrigada, mas eu disse-lhe que não preciso de ajuda.
“Eu sei como se faz, ó idiota! Só preciso que me deixes em Paz para o poder fazer SOZINHA!”
À QUINTA vez, arranco a grande velocidade pela rua acima, enquanto aceno um obrigado ao cromo do cavalheiro... Apenas para parar 10 metros à frente, à minha porta.
A chorar, vejo-o passar de carro por mim, estrada acima.

Não percebo qual é a mensagem do Universo. A sério que não. Estava a começar a ficar mais confiante na minha condução. É suposto eu voltar a “anhar”? Vejo idiotas na estrada todos os dias e SEI que não sou um deles. Quando estou sozinha não me acontece NADA de NADA! Mas, quando tenho testemunhas, pareço uma idiota. Se não fosse pela questão da independência, estacionava o Vermelhinho e não lhe voltava a pegar. F***-**!!! P*** que pariu esta m****!

14 comentários:

Gi disse...

Deixa estar, rapariga!
É chato que isso aconteça, mas acho perfeitamente natural, só que somos todos assim ... rimos dos deslizes dos outros.
Olha eu tenho a carta, guiei 6 meses e não me consegui habiturar; todos diziam que guiava bem e até guiava; mas tornava-me tão violenta ao volante que não me sentia eu, além disso os meus filhos eram bébés e não gostava que ouvissem as asneiras que nem eu sabia que sabia. Ahahahaha!
Não me importo de ser conduzida ... apenas viaturicamente falando.

Smily disse...

Tonta. Acontece a todos! A minha irmã também teve situações parecidas e pior... Ainda bateu com o carro uma vez!! Não te preocupes!! Eu acho que vou ser igual a ti... xD
Acontece!

Beijinhos***

Nuno disse...

Eu acho que isso até acaba por ser normal. É a pressão que te faz ficar assim. Nada de grave! Mas fartei-me de rir com este post! LOL

Beijinho,
Nuno.

Rafeiro Perfumado disse...

Pois, esta é daquelas situações que prefiro deixar um comentário diplomático. Aqui vai ele:

Não penses mais nisso, foram certamente casos isolados, que não fazem de ti uma atada igual aos milhares que andam por aí. Vá, beijinho e ânimo nessa condução.

Lamento, foi o melhor que consegui...

Carracinha Linda! disse...

Deixa lá isso! Momentos desses acontecem a toda a gente mesmo aos que se julgam ases do volante. Vais ver que com prática fica tudo mais fácil.

Beijinhos e bom fim-de-semana!

Fadinha da Sombra disse...

Oh, deixa lá isso!! Também já vivi uma situação parecida, um dia conto!!

Beijitos :)

José Manuel Dias disse...

Acontece...

Kalua disse...

Há dias assim... não te preocupes que eu tenho carta há mais de 10 anos e ás vezes também faço dessas!!! essa do travão já me aconteceu pelo menos 2 vezes, a última foi no ano passado ao pé do infantário, um sítio bem perigoso que podia ter provocado um acidente, ou simplesmente bater noutro estacionado, se não fosse uma senhora que estava no carro ao lado que se apercebeu e foi correr atrás de mim, podia ter sido mesmo grave!!! são daqueles dias em que parece que nada nos corre como devia...
Bjs

Pedro Barata disse...

Ehehehehe o que eu me ri! Tens que começar a andar sempre sozinha de carro! Lololol
Beijinhos aselhas ;)

Lu.a disse...

LOOOOOLLLL!!
Desculpa, mas uma boa gargalhada ao ler isto é inevitável, quanto mais não seja porque já me aconteceram cenas algo semelhantes. Não ficarás nervosa (mais do que desejas admitir para ti própria) ao saberes que estás a ser observada?

linguafiada disse...

Conduzir não é nada fácil. Fui ao terceiro exame de condução, passei à tangente e fiquei sem saber fazer uma simples mudança de direcção. As minhas histórias com os meus dois carros (gripei o primeiro, numa enorme fila) é incontável, chega a ser irracional. Já tenho um missal de assistências em viagem. Outro dia bati numa árvore a fazer marcha atrás junto a uma esplanada. TODA a gente a olhar. Felizmente estava acompanhada e a minha colega foi ver os estragos na árvore, porque o carro pouco me preocupa. Mais um, menos um arranhão é igual ao litro. Uma vez tive um acidente que aconteceu por travar mal. Fui despejar o lixo, deixei o carro no cimo de uma subida e só me lembro de ver o carro a descer, eu a gritar a correr atrás do carro, felizmente não bateu em mais nenhum carro estacionado. Embateu num muro e eu magoei-me numa perna. A porta ficou danificada e o dia, o mês completamente estragados. Foi este carro que eu mais tarde gripei. O meu Fiat Uno branco de 89 cá vai andando, mas digo-te, passei com ele uma cena de filme: no fim de um dia de fecho de jornal, à noite chego ao carro e vou para casa. Tudo normal. No dia seguinte, apercebo-me que me falta a parte da frente do carro, ou seja, o pára-choques (a coisa onde está a matrícula). Não entro em pânico. Vou pelas ruas secundárias da Lousã para não ser apanhada pela polícia. Estaciono o dito cujo. Como eu digo que no meio do azar tenho sempre sorte, passei pelo sítio onde tinha estacionado o carro no dia anterior. O pára-choques estava lá, encostado à parede. Eu pego no coiso, ponho-o debaixo do braço, qual livro de saramago, e percorro alguns metros a morrer de vergonha. Passou por mim um gajo podre de bom, que achou que eu era louca. Ninguém jamais em tempo algum anda na rua com um pára-choques, eu consegui a proeza. Cheguei ao carro e tentei enfiar o coiso à frente do carro à espera que aquilo fizesse um clique, tipo a dizer que estava encaixado. Não resultou, óbvio. Meto o pára-choques dentro do carro e vou trabalhar. Chego ao jornal e perguntam-me se não perdi nada. Fico doida! O meu colega viu o meu pára-choques no chão e ainda gozou comigo! Não há pachorra! Mas, como a sorte protege os audazes, eu expliquei ao senhor da oficina que não sabia o que me tinha acontecido ao carro e eles arranjaram-mo gratuitamente. E esta, hein?
Conduzir foi de facto uma enorme conquista para mim. Vale o esforço e todas as vergonhas que pensamos que passamos. Beijoca!!!!

The Star disse...

É chover no molhado, mas mesmo assim te digo que cenas destas acontecem aos melhores. Há dias melhores do que outros.
Eu própria conduzo muito melhor quando estou sozinha. Acompanhada, parece que ficamos nervosas, ou sei lá!
Agora tenho um carro muito maior do que meu anterior. Para estacionar o carro é sempre um "ver se te avias". Apesar de ser muito fácil de conduzir, devido às novas dimensões, ainda não tenho bem a noções das distâncias. Vai-me valendo os sensores de estacionamento traseiros. Bem ditos!
Tenta acalmar-te, porque quanto mais és exigente contigo própria, pior será.
Boa condução.

Ana disse...

Ehehe!
Verdadeiros momentos que dão vida à Ally McBeal que temos dentro de nós. Welcome to the club, my friend!
Bjokas,
AnaB

Ana disse...

É verdade... cheguei a contar-te que, no preciso dia em que fazia um ano que tirei a carta, bati com o carro no carro da frente, a caminho da Univ?
Rica prenda! Foi certamente para baixar a minha crista...
O meu "velhote" ficou com um pisca no chão e a frente amolgada, o outro carro não teve nem um arranhão. Menos mal. Escusado será dizer que voltei para casa a chorar e com vontade de não voltar a pôr os pés fora de casa.
Foi o único acidente até hoje, mas esta Ally McBeal lembra-se bem.
Bjnhs,
AnaB