
A modos que… não me apetece escrever hoje…
Quer dizer, apetecia-me passar estes dias de chuva aninhada numa casa que fosse um lar a escrever, sim, ficção, longa, em prosa. Um romance, um filme, um livro, grande, interminável, saído da minha imaginação.
Já não acredito nas minhas obras adolescentes. Não foram escritas nos
teen years, mas são adolescentes, sim, com motivações adolescentes e pensamentos adolescentes e desenvolvimentos adolescentes.
Preciso de me dedicar a uma obra de que não me envergonhe. Grande, sólida, completa. Que me esgote e me faça renascer.
Quero voltar aos sonhos privados e pecaminosos de pôr no papel
estórias que revelam mais de mim do que os meus desabafos. Quero sentir-me desafiada pela minha própria imaginação, quero deslumbrar-me no que descubro sobre mim quando penso que ninguém está a olhar. Quero arrancar, lá bem do fundo da alma, uma história grande que me envolva e me transporte para outra realidade… para conseguir continuar a suportar esta. Quero conhecer novas personagens, atirá-las ao mundo e deixar que ganhem vida própria e que sejam elas a decidir o seu destino.
Quero passar novamente por esse processo atroz e devastador que é criar.
…Mas esse não é o meu
day job e a criatividade exige disponibilidade que eu não tenho…
Por isso, hoje não me apetece escrever. Cansei-me de escrever ninharias com os desabafos do costume (por muito que eu tente, os desabafos saem iguais aos do costume) e que sei serem escritas para serem lidas. Cansei-me, serenamente, de pôr frases sem consequência no papel. Cansei-me de mim dos meus desabafos.
Por isso, hoje não. Escrever. Não quero.
(Nota do autor: Respondi aos comentários do post anterior. Obrigada a todos.)