terça-feira, dezembro 11, 2007

Criminosa intelectual


Num letreiro lia-se “Não se copiam livros”.
Espantei-me. Uma série de pensamentos passaram, a correr, pelo meu cérebro: “Não se copiam livros?! Venho aqui há uma data de anos e agora é que vejo isto?! Será que eu estou doida ou já me fartei de copiar livros aqui?”
De testa engelhada considerei desistir. Uma amiga tinha-me emprestado um livro de marketing (que, por tradição, são caríssimos!) que eu nunca compraria. Mas, como ela mo deixou trazer para casa, acabei por descobrir pontos de interesse. Pedi-lhe e ela permitiu que eu o copiasse. Era isso que lá ia fazer.
Mas agora sentia-me uma criminosa. Eu, que até defendo com unhas e dentes os direitos de autor! Sentia-me uma prevaricadora sem moral! Um verme sem espinha dorsal…
Vermelha de vergonha, duvidei ter coragem para perguntar à habitual menina se aquilo era mesmo verdade.
Quando estava quase a capitular, a doce melodia da voz da loura lá do sítio, olhando-me nos olhos e apontando para o livro que eu abraçava, perguntou-me:
_É para deixar ficar? – O tom era baixo e cheio de intenções…
_Sim… - Respondi timidamente.
_Só um bocadinho que eu vou ver se o meu patrão pode levá-lo para casa. – Disse aquilo como se o verdadeiro significado daquelas palavras estivesse relacionado com um segredo de estado…
Voltou passado meio segundo, pegando no livro, que eu larguei de imediato como se me queimasse as mãos.
_O meu patrão pode levá-lo.
Fê-lo desaparecer debaixo de uma série de folhas brancas na primeira das quais começou a tirar notas: o meu nome, o tipo de trabalho em abreviatura, etc.
_É para encadernar também? – Continuou baixinho e de forma despachada.
_Sim… - Respondi igualmente em surdina.
_OK. Em princípio amanhã está pronto a esta hora. Dá-me o teu número de telemóvel para o caso de acontecer algum imprevisto...
Dei-lhe o número como se aquela cena fosse normal.
Saí da loja com uma sensação estranha de ter acabado de cometer um crime. Parecia que tinha ido comprar droga ao dealer habitual enquanto a polícia rondava o local… E tenho a sensação que agora vai ser sempre assim…

10 comentários:

Gata Verde disse...

Mas que grande embrulhada!
;)

Beijinhos

[não conheço Aspen...]

Carracinha linda! disse...

Não te sintas assim. Antes este "crime" que outro qualquer.

Mas já lá tinhas ido antes. Desta vez atenderam-te de maneira diferente? Ou foi o facto de teres visto o aviso que te deixou assim?

Beijocas!

SoNosCredita disse...

nada disso!
basta que, no caso de usares matéria desse livro ou o citares, faças a respectiva referência bibliográfica ;)

(se é q percebi o post...)

mixtu disse...

estás feita...
um crime...
marca no psicanalista
yayaya

ps, twisted?!

Gata Verde disse...

Olá "criminosa"...venho deixar-te um beijinho Natalício!!!

Bom fds

Canephora disse...

Nice!!
Vou cometer o maior crime que aluém podia cometer...
copiar um livro. E depois?
Será que matei à facada o autor?
E se afinal o uso até é o mesmo, e o autor muito provavelmente, já nem recebe a sua percentagem...
Eu tb defendo os direito sde autor, mas se niguém usar um comentário meu... um texto que escrevi, de que servem os meus direitos?

Tozé Franco disse...

Lá vai metade do país preso!!!...
Então o pessoal da Universidade já estva todo de cana. Incluindo os responsáveis pelos serviços que fazem as cópias.
Um abraço.

GK disse...

LOL
Eu até "brinquei" com a situação, mas, em Coimbra, este aviso está em todo o lado!
Defendo os direitos de autor, mas não teria feito os cursos se tivesse de comprar os livros todos que "usei". E eu não estudei Medicina nem Arquitectura...
Nem quero pensar no acontece aos estudantes (pelo menos a alguns...)se esta proibição passar a ser a sério...

The Star disse...

Ora se os livros até já na net andam a circular... Comparo este "crime" ao download ilegal. Todos sabem que é ilegal, que é crime, mas ninguém se coíbe de o praticar.
Está certo que os livros caríssimos é que nos levam a fazer uma coisa destas, mas se os preços fossem mais acessíveis em tudo, as pessoas talvez respeitassem mais os direitos de autor.

Nilson Barcelli disse...

Ah sua criminosa...! Até que enfim que te apanho num defeitinho...
Mas deixa-me dizer-te que Coimbra está muito atrasada nas novas tecnologias. Pois, já quase todos os que colocam esses letreiros não tiram cópias directamente dos livros porque os têm em ficheiro, imprimindo-os para a fotocopiadora a pedido dos clientes. Até já há quem tenha lista...
Beijinhos.

PS: eu trabalho na ASAE, mas como somos amigos vou fazer de conta que nem li o teu post...