terça-feira, fevereiro 04, 2014

O MODELO DE COMUNICAÇÃO DO INMLCF NA RELAÇÃO COM OS MEDIA: ESTUDO DE CASO PARA UMA ANÁLISE DA COMPREENSÃO PÚBLICA DAS CIÊNCIAS FORENSES EM PORTUGAL



Dissertação apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra para obtenção do Grau de Mestre em Medicina Legal e Ciências Forenses
AUTORA: GISELA CRUZ
Orientadora: Professora Doutora Joana Lobo Fernandes
Co-orientador: Professor Doutor Duarte Nuno Vieira
Data: Setembro de 2012


Resumo:

Numa época em que o público tem acesso diário a notícias sobre crimes violentos, a comentários de supostos especialistas que dissecam investigações policiais e a séries como ‘CSI’ ou ‘Dexter’, assiste-se a um crescente interesse pela área da medicina legal e ciências forenses. Este interesse, no entanto, não se tem feito acompanhar de uma reflexão sobre os modelos e estratégias de comunicação das entidades reconhecidas como peritas neste domínio – no caso português, o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF).
Usando o INMLCF como campo privilegiado de investigação para um estudo de caso e focalizando a observação nos últimos seis anos, esta pesquisa pretende caracterizar não só a relação do público com as ciências forenses, como identificar e analisar o modelo de comunicação utilizado pela instituição, verificar se as estratégias comunicativas são usadas de forma consciente e de que forma é que, do seu ponto de vista, atingem o público.
Por fim, foi uma intenção deste trabalho deixar algumas propostas de objectivos e acções junto dos media ao INMLCF.


Abstract:

In a time when audiences have daily access to news about violent crime, to comments of supposed specialists who scrutinize police investigations and to series like ‘CSI’ or ‘Dexter’, there is a growing public interest for the area of legal medicine and forensic sciences. This interest, however, has not yet been accompanied by a serious consideration about the models and strategies of communication used by the entities recognized as experts on the subject – in the Portuguese case, the Portuguese National Institute of Legal Medicine and Forensic Sciences (INMLCF).
Using INMLCF as the privileged field of research for a case study and focusing the observation on the last six years, this investigation aims to characterize not only the relationship between the public and forensic sciences, but also to indentify and analyze the communication model used by the institution, to verify if the strategies are used deliberately and to understand in what way, in its point of view, do they affect the public. Finally, it was a purpose of this endeavor to suggest to INMLCF some goals and actions to apply in the contact with the media.


Texto integral em português:

segunda-feira, outubro 15, 2012



"Every night, heart in hands.
Every day, lost again.
Eyes closed, a life ahead,
Free falling, fighting bad.
A promise in your eyes.
Home. A life that starts.
All the way to your arms,
Rough road, aching hearts.
Tears, questions, fears,
Fairytales and dreams.
I’d do it all again, it seems."

sexta-feira, junho 15, 2012

segunda-feira, março 05, 2012

An actual dirty little secret?



I have two special little talents. I have a particular tendency to attract unconventional characters to my side and in little more than minutes I am able to make anybody tell me their deep darkest sexual secrets. It's not something I try to do. I just listen. And don’t judge.
That is probably why, out of nowhere and in the middle of a bunch of other choices, I ended up talking for an hour and a half with… a fetish photographer.
Yes, a fetish photographer… Who told me all about his social life, his sex life and his… professional life.
I didn't try to find him. I didn’t know who he was. And he wasn’t there to publicize. I didn’t ask that much, but I believe his most repeated words were “I can’t believe I’m telling this to a total stranger”. But he did.
He told me how Portuguese women are the worst dressed in bed right after the German; how his relationship was an open one; how swing clubs are now devitalized by voyeurs; how Lady Gaga democratized soft fetish parties in night clubs; how he uses “Hurricane”, by 30 Seconds To Mars, to explain some "concepts" to his models; how pet-play photos are big in Japan; how the most immoral photograph he ever took was published in Bizarre Magazine and how he is now in a deep vocational crisis because he doesn’t know if he wants to continue doing this kind of work or follow his other passion… politics!!!
I must say I had fun with that conversation. 
I wonder if he'll keep his promise... ;)

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Foda-se - por Millôr Fernandes

Foda-se - por Millôr Fernandes
(adaptado)

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela diz.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma pessoa melhor.
Reorganiza as coisas. Liberta-me.

"Não quer sair comigo?! - então, foda-se!"
"Vai querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então, foda-se!"

O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a ideia de muita quantidade que "comó caralho"?

"Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão matemática.

A Via Láctea tem estrelas comó caralho!
O Sol está quente comó caralho!
O universo é antigo comó caralho!
Eu gosto do meu clube comó caralho!
O gajo é parvo comó caralho!

Entendes?
No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".
Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.
O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto.
Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades de maior interesse na tua vida.
Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência.
Solta logo um definitivo:
"Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!".
O impertinente aprende logo a lição e vai para o Centro Comercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema, e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD (...)

Há outros palavrões igualmente clássicos.
Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba.
Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito assim, põe-te outra vez nos eixos.
Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.

E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?
Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta:
"Chega! Vai levar no olho do cu!"?
Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima.
Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!".
Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?
Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando estás a sem documentos do carro, sem carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"
Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!”

Então:

Liberdade,
Igualdade,
Fraternidade
e
foda-se!!!

Mas não desespere:

Este país … ainda vai ser “um país do caralho!”

Atente no que lhe digo!

segunda-feira, junho 06, 2011

Mars


In a time, in a place
Where I couldn’t see its face
A sorrow started growing.
Hidden, estranged
I went through life, engaged,
Forgotten, without showing.

Often I wondered, in regret,
How could I have come to forget
The girl waving in the mirror?
I searched, I sought, I prayed,
I lost the battle and stayed
Until skies became clearer.

A voice, a note, a feeling,
A rawness, a life, a meaning,
A path of emotions awaken…
I opened my eyes to see
For the first time, to me,
A new song. Unmistaken.

A promise, a cult, a greatness,
A way out of the darkness,
A shot straight through the heart;
A brotherhood of light,
Courage for the fight,
A fraternity made of art.

I left behind the scars,
I’m reaching for the stars,
I’m currently living in Mars.


@GKPortugal
(Image: Deborah Jones Silver Jewllery)

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Thirty Seconds To Mars - Hurricane (Censored Version)



This video is about freedom. And the general fear of it.
All the sexual perverts – as society sees them -, all their struggles, get mixed up with their guilt, their pleasure, their fights, the trouble going on with society outside their cocoon, other peoples’ expectations – here filmed in the eyes of young children -, other peoples’ fears and judgments, the repression of religion (it is a powerful thing watching holly books being thrown into the fire!)… And they (we) all have a key to freedom, if they (we) chose to use it...
I see a lot in this movie. Maybe too much. I regret that people see only sex in it. But maybe that’s the way to get to them, to shake them. Maybe, even, it’s not meant to be analyzed, but FELT. As it is ART. And maybe I feel too much…

quarta-feira, dezembro 08, 2010

30 Seconds To Mars - Closer To The Edge



I don't remember one moment I tried to forget,
I lost myself, is it better not said now
I'm closer to the edge

It was a thousand to one and a million to two,
Time to go down in flames and I'm taking you
Closer to the edge

No, I'm not saying I'm sorry,
One day maybe we'll meet again
No, I'm not saying I'm sorry,
One day maybe we'll meet again
NO NO NO!

(Can you, can you, can you)
Can you imagine the time when the truth ran free
The birth of a son and the death of a dream
Closer to the edge

This never ending story, paid for with pride and faith
We all fall short of glory, lost in ourselves

No, I'm not saying I'm sorry,
One day maybe we'll meet again
No, I'm not saying I'm sorry,
One day maybe we'll meet again
NO NO NO NO!
(NO NO NO NO!)

I will never forget
(NO NO!)
I will never regret
(NO NO!)
I will live my life
(NO NO NO NO!)
I will never forget
(NO NO!)
I will never regret
(NO NO!)
I will live my life

No, I'm not saying I'm sorry,
One day maybe we'll meet again
(NO NO!)
No, I'm not saying I'm sorry,
One day maybe we'll meet again
(NO NO NO NO!)

Closer to the egde,
Closer to the edge
NO NO NO NO!
Closer to the egde,
Closer to the edge
NO NO NO NO!
Closer to the edge

quarta-feira, setembro 29, 2010

“Sheila”, “Maria”, “Rosa” e eu

_ Há muita mulhé bunita em Portugau, filho. Aposto qui você vai encontrá a minina certa aqui.
A conversa decorria no maior Centro de Saúde da cidade, à porta da especialidade de Oftalmologia. Bruno tem 6 anos e começou a frequentar a escola em Portugal há 15 dias. Vê como uma águia, mas precisa de corrigir a vista. A mãe, brasileira, mineira, mestiça, gasta pelos anos e por uma trombose numa idade jovem, aturava com paciência as perguntas inesgotáveis do menino.
_ Ele deixou uma lista enorrme di mininas no Brasil. Prometeu pra todais que ais trazia prá Pórrtugau.
_ Só prometi prá uma, viu! – Ralhou, genuinamente zangado, o menino. A mãe insistiu. Havia muitas mulheres bonitas em Portugal…
_ Ou então, você vai buscá sua mulher nu Brasiu, iguau à seu pai.
“Sheila” (ou “Gislene” ou “Cassandra” ou o que for) casou com um português que a foi “buscar ao Brasil”. Desse amor nasceram três filhos. O mais velho já andava na Universidade quando ela teve a trombose que a debilitou irremediavelmente. Com corpo e mente ainda em forma, “Sheila” ficou com o lado esquerdo totalmente afectado. Agora coxeia e tem uma mão defeituosa.
_ Ele acabou não si interessando mais porr mim. – Revelou mais à frente na conversa, em tom neutro e adulto, quando explicava a razão da sua “deficiência”, como lhe chama, e como voltou para o Brasil com um menino de um ano e meio para começar a vida novamente sozinha, deixando dois filhos mais crescidos com os avós paternos, por quererem continuar a estudar em Portugal. – Homem é mesmo assim, num é? Gosta de você quando você é jovem e bonita. Doença não entra na equação.
“Maria” (ou “Gertrudes” ou “Conceição”), 73 anos, portuguesa, tesa, católica, mulher do campo, que trouxe o marido à consulta porque “ele nem queixar-se sabe, tenho de ser eu a fazer tudo por ele… mas é a mim que ele me chama analfabeta… é que eu não sei ler, sabe?” – tinha-me confessado meia hora antes, na fila do atendimento – aproveita para suspirar. Sentada directamente à frente de “Sheila”, chega-se à frente na cadeira e sussurra como se o marido não a pudesse ouvir:
_ É verdade, é. Uma vez senti-me mal durante a noite. Ele acordou, percebeu, mas nem se levantou da cama. – O marido, se ouviu, não o demonstrou.
Bruno continuou a fazer tropelias. Sempre correcto e educado, demonstrava uma força de carácter e uma inteligência invulgares para na idade. Mostrou-se chocado quando a mãe lhe revelou que era tripeiro (“Você e seu irrmão Filipe nasceram no Porrto, sim. Nasceu no Porrto, é tripêro!”). O menino não gostou do termo.
_ Eu sou porrtuguês, mais num sou tripêro, não!
Mas gosta dos Dragões e do hino português, que cantava todos os dias na escola, no Brasil, e que passavam propositadamente por ele “ser estrangeiro” logo a seguir ao hino brasileiro, que também sabe de cor. Cantou, com esmero, "A Portuguesa" para todos os presentes ouvirem.
“Rosa” (ou “Júlia” ou “Filomena”), na casa dos 50, ainda bonita, sóbria, calada, sentou-se já a meio da complicada história de vida da brasileira. Emocionou-se a ver o menino cantar o hino e continuou a olhá-lo com carinho, embora pouco tenha participado na conversa.
“Sheila” contou como foi difícil descobrir que estava grávida poucos meses depois da sua trombose. Como chorou com o veredicto de que o menino poderia nascer “com problemas”. Como, com o fim do casamento, foi para o Brasil com um filho de ano e meio nos braços e, “mesmo doentchi, consigui providenciá para eles”. “Rosa” quis saber “porque voltou”.
_ Meus sogros. Eles me trouxeram dgi volta. Nunca se conformaram que eu tivesse ido.
_ Bons sogros. Tem uns bons sogros – Disse “Rosa” num tom sincero e triste.
_ Eles sabem que o filho num mi merece. Eu e o pai deles vivemos na mesma casa, mas em andares dgiferentes. Eu num com meu filhos e ele noutro com os pais dele. Falamos, para o bem dos meninos, mas nada mais. Mas os avós… Meus filhos são loucos pelos avós!
Como num filme, em que o actor principal dá a deixa certa, um homem encorpado, de cabelo branco, distinto, chegou à pequena sala de espera. Bruno saltou-lhe para o pescoço com um grito e “Sheila” apresentou-o com familiaridade e um sorriso:
- Aí está, o avô. Meu sogro.
O tratamento entre os três era respeitoso e carinhoso. O menino “atacou”o avô com brincadeiras atrevidas e o velhote respondeu com uma paciência infinita. “Sheila” brincou, dizendo que agora que o sogro tinha chegado podia descansar das perguntas constantes do filho. “Maria” deliciava-se com a paciência e o carinho do ancião, perante a passividade do marido. E “Rosa” - vi eu - olhava a cena discretamente, mas com os olhos húmidos de lágrimas...
E eu, sentada, à espera da consulta de Oftalmologia no maior Centro de Saúde da cidade, cansada de uma noite mal dormida e dormente pela luz jovem do sol que espreitava pela janela e pela voz constante do doce Bruno, que penteava agora o avô com um carrinho de brincar, pensei de forma fugidia... que outras mágoas esconderiam aquelas mulheres…?

sexta-feira, setembro 24, 2010

Desaparecida

Andei desaparecida. Cansei-me de me expor. Cansei-me de procurar aprovação. Cansei-me de pedir solidariedade. Cansei-me de analisar, de dar opiniões, de procurar consensos. Desapareci.
Depois de um período de reclusão, acho que me encontrei.
Não sinto falta de me expor, mas sinto falta de escrever. Sinto que já não o sei fazer como antes… Mas, se voltar aqui, este blog volta a tornar-se uma obrigação e não um refúgio.
Não sei o que vou escolher…

quinta-feira, abril 08, 2010

quarta-feira, janeiro 06, 2010

A revista

Ex.mo senhor Hélder Freire Costa,
Produtor da revista “Agarra que é Honesto”,

Tive oportunidade de ver a revista “Agarra Que É Honesto” no Maria Vitória em Outubro passado. Foi a primeira vez que fui ao Parque Mayer e (tenho vergonha de o dizer, mas) foi a primeira vez que fui à revista. Para alguém que se interessa pela nobre arte do teatro em geral e pelo que é português em particular, reconheço que esta visita tardia ao género é uma nódoa no currículo da qual me penitenciarei para sempre… Em minha defesa, conto apenas que vi todos os episódios da “Grande Noite” e todas as revistas que conseguiram ter emissão televisiva… Tenho 31 anos e sempre tive um enormíssimo respeito pela revista.

Começo por dar os parabéns a toda a equipa pelo que vi. Os actores (uma ovação de pé para os magníficos Heitor Humberto, Vera Mónica e Joana Alvarenga!), os cantores (palmas para a sempre extraordinária Vanessa), os bailarinos (a homenagem ao Michael Jackson devia ser gravada e colocada no YouTube para que o mundo inteiro a pudesse ver! Excelente!), a coreografia, o guarda roupa, a música, os músicos… TODOS estão de parabéns! Acho que é um espectáculo muito, muito, muito bem produzido e que merecia o respeito e a reverência do público português, especialmente aquele que foi induzido a acreditar que a revista está morta.

Claramente a revista não está morta.

É um género teatral onde (como em tudo o que é teatro) o trigo se separa do joio no que diz respeito a actores, onde há uma dose generosa de glamour à portuguesa e onde se faz a - cada vez mais necessária e menos bem feita - crítica social. Devia ser defendida, apoiada, exaltada. Saí do Parque Mayer sem a menor dúvida sobre isso!

Durante meses debati-me com a ideia de enviar este e-mail. Aqui pretendo dizer um sentido “MUITO OBRIGADA”. Mas também não resisto ao impulso de dar algumas sugestões…

Com todo o respeito que me merecem o GRANDE (grande, grande!) Francisco Nicholson e o jovem talento (um grande talento!) da comédia João Quadros, que fizeram um trabalho de louvar, sinto-me obrigada a juntar a minha voz às de alguns actores de revista que por aí vão deixando apelos para que… se modernize a revista!

Quando se fala em modernizar, fala-se em manter a essência. Não se fala em destruir nada do que todos gostamos na revista.

É necessário mostrar as pernas das bailarinas? Sim, claro, ou não seria uma revista. Mas então, mostre-se também uns peitos torneados de uns bailarinos, porque a sociedade já não se contenta com sexismos. Tem de haver um grande tema sobre uma novela? De certeza? Porquê novela? Já não se vêem novelas de forma tão unânime como antigamente. Então, porque não substituí-lo por uma sátira a uma série televisiva internacional de grande audiência, que mesmo os que não vêem reconhecem…?

Para viver folgada e feliz, mais do que para sobreviver, a revista tem de ser vendida não só aos portugueses, mas também aos estrangeiros. Com pequeníssimos ajustes e o investimento num equipamento de tradução, isso é possível! É caro? Sim, é. Mas se se vender a revista aos estrangeiros, os patrocínios chegam mais facilmente do que vender um produto que todos acham que está moribundo! O La Féria disse no Verão passado aos quatro ventos que a “Piaf” era traduzida para inglês. Não era. Aquilo não era uma tradução. Era um mero indicador de cenas. Dez ou doze frases a contextualizar a acção durante todo o espectáculo. Mesmo assim, o Politeama, na noite em que lá estive, estava cheio de turistas!!!

Façam a experiência.

Num Verão - e só num único Verão, se quiserem – anunciem uma revista “internacional”: adaptem os textos á realidade global (ainda há outra?); brinquem com o Obama e o Sarkosy, mais do que com o Manuel e o Joaquim; satirizem o “Dr. House” ou o Horacio Caine do “CSI Miami” em vez do “Caminho das Índias” ou do “Perfeito Coração”; coloquem bailarinos e bailarinas igualmente glamourosos; falem de ecologia e da fome em África; mantenham a homenagem ao Michael Jackson, façam outra ao Patrick Swaze ou a quem morrer entretanto (perdoem a morbidez!); continuem a apostar nos novos talentos da comédia para escreverem os textos (que tal um Nilton?) e TRADUZAM-NA! Promovam-na no Turismo e nos hotéis de Lisboa e, se houver dinheiro, na TV do metro e na RTP2.

Façam a experiência.

Quem sou eu para vos dar conselhos? Ninguém! Sou uma mera espectadora interessada, que o Sr. Hélder Freire Costa pode considerar uma pateta e ignorar sem olhar para trás. Percebê-lo-ia e, desde já lhe digo, que, da minha parte, está perdoado se o fizer. Mas acredite, pelo menos, que gosto da revista e do Parque Mayer e que nada me faria mais orgulhosa do que ter razão no que vos digo. Não por uma questão ego, mas pela felicidade de ver os jovens a voltar ao teatro e a gostar de ver este género tão português, em vez de o desvalorizarem.

Com os meus sinceros cumprimentos cheios de respeito,

GK

PS – Se decidirem inovar e eu tiver razão, convidam-me para o espectáculo? ;)

segunda-feira, dezembro 21, 2009

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Love's The Only Rule

I don't give a damn
How it's supposed to be
That might work for you
It don't work for me


You write your truth
And I’ll write mine
One man's ceiling's
Another man's sky high


Flying like an aero plane
Crying like the lonely whistle of a long black train
Dance in the pouring rain
Spit in the eye of a hurricane
Who said life has got to be so cruel
Love's the only rule


It's written in the scars
Where I fit in
It's going to hurt sometimes
You got to lose to win

You've got your sins
And I got mine
Sell your secrets
Kiss them all goodbye


Flying like an aero plane
Alive like a lonely note from John Coltrane
Run like it's a getaway
Say those things that you shouldn't say
Think about it wouldn't that be cool?
Love's the only rule


Might be a wrecking ball
Or just a wake up call
Don't matter where the pieces fall


I'm gonna fly like an aero plane
Cry like the whistle of a long black train
Dance in the pouring rain
I'm alive like a lonely not from John Coltrane
Run like it's a getaway
Say those things that you shouldn’t say
Love, love's the only rule

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Fâs dos Bon Jovi em Portugal fazem festa em Lisboa

Foi em ambiente de festa que os fãs portugueses dos Bon Jovi responderam ao apelo da Universal e da FNAC Colombo e compareceram, no passado Domingo, dia 29 de Novembro de 2009, ao lançamento do DVD “Live at Madison Square Garden”. Sempre animados, viram o concerto em primeira-mão na referida loja e, à meia-noite, hora do lançamento oficial em Portugal, adicionaram o precioso item à sua colecção privada.

O ano é especial para os Bon Jovi. Além de “The Circle”, o 11.º álbum de originais (que estreou no top americano em 1.º lugar e no top português em 5.º) e do livro “When We Were Beautiful” - a primeira biografia autorizada do grupo -, a banda lança para o mercado internacional o DVD “Live At Madison Square Garden”. Com um alinhamento que faz as delícias dos fãs (Lost Highway, Born To Be My Baby, Blaze Of Glory, It’s My Life, Keep The Faith, Raise Your Hands, Living In Sin/Chapel Of Love, Always Whole Lot Of Lovin’, In These Arms, We Got It Going On, I ’ll Be There For You, (You Want To) Make A Memory, Blood On Blood, Dry County, Have A Nice Day, Who Says You Can’t Go Home, Hallelujah, Wanted Dead Or Alive, Livin’ On A Prayer, You Give Love A Bad Name, Runaway e Bed Of Roses), este registo a vivo é o culminar da “Lost highway World Tour” e foi filmado em alta definição e surround.

Em Portugal, o lançamento estava marcado para a FNAC do Colombo. O acontecimento exigia a presença dos fãs e eles não se fizeram rogados.

Às 20h reuniram-se numa das praças do centro comercial e às 21h jantavam, unidos e ruidosos, na praça da alimentação. Entre fotos e risos, a animação continuou enquanto tomavam de assalto o auditório da FNAC para uma sessão de fotos pré-visualização do DVD.

Começado o espectáculo, por volta das 23h, o grupo fez questão de acompanhar cada canção com muitas palmas, alguns assobios e coreografias e, claro, cantando cada uma das canções que compõem o conhecido reportório da banda de New Jersey. Durante cerca de uma hora, o seu entusiasmo chamou a atenção de quem fazia compras àquela hora tardia. Sempre ordeiros e bem-dispostos, os fãs exigiram apenas que, na impossibilidade de ver o DVD inteiro, a apresentação terminasse com o mega êxito “Livin’ On A Payer”. Aos primeiros acordes, largaram as cadeiras e alinharam-se em frente ao ecrã para cantarem em uníssono a icónica canção, como se de um concerto ao vivo se tratasse.

A noite de festa terminou com um verdadeiro saque aos expositores da loja que, providencialmente, disponibilizavam todos os registos comercializados da banda.

Este foi apenas o início da loucura Bon Jovi para os fãs portugueses. A banda estará em digressão durante os próximos dois anos e os fãs preparam-se para os acompanhar… Seja onde for!

Para mais informações sobre o Clube de Fãs dos Bon Jovi em Portugal: http://www.bonjoviportugal.com/.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Late Night - Especial - Bon Jovi fãs


Apresentação do DVD "LIVE AT MADISON SQUARE GARDEN”
Dia 29 de Novembro - 23H
FNAC Colombo

A Fnac Colombo e a Universal Music Portugal prepararam uma noite especial para os fãs dos Bon Jovi:

Visionamento exclusivo do DVD “LIVE AT MADISON SQUARE GARDEN” e a possibilidade de o adquirirem em primeira-mão, logo a partir da meia-noite.

“Live at the Madison Square Garden” é o culminar da digressão 2008 Lost Highway World Tour. Perante uma audiência extasiada a banda executou alguns dos maiores êxitos da sua carreira como “Have A Nice Day”, “Always”, “Wanted Dead Or Alive” ou “Livin’ On A Prayer”. O concerto é filmado em alta definição e surround.

Dia 29 de Novembro, 23h00, Fnac Colombo, esperamos por ti!

Sabe mais sobre o Clube de Fãs dos Bon Jovi em Portugal e as suas iniciativas em: http://www.bonjovi.web.pt.

ALINHAMENTO:
1. Lost Highway
2. Born To Be My Baby
3. Blaze Of Glory
4. It’s My Life
5. Keep The Faith
6. Raise Your Hands
7. Living In Sin/Chapel Of Love
8. Always
9. Whole Lot Of Lovin’
10. In These Arms
11. We Got It Going On
12. I’ll Be There For You
13. (You Want To) Make A Memory
14. Blood On Blood 15. Dry County
16. Have A Nice Day
17. Who Says You Can’t Go Home
18. Hallelujah
19. Wanted Dead Or Alive
20. Livin’ On A Prayer

TEMAS EXTRA
i. You Give Love A Bad Name
ii. Runaway
iii. Bed Of Roses
.

quinta-feira, novembro 19, 2009

Roma 2009 (9)






O último dia na cidade eterna não teve sabor a despedida. Roma parecia-nos incontornável e, portanto, iríamos, sem dúvida, voltar. A nossa juventude garante-o e, na dúvida, garante-o também as moedas que atirámos à Fontana di Trevi.
E foi à Fontana di Trevi que nos dirigimos assim que concluímos o check out. O meu gajo queria porque queria voltar ao restaurante onde tínhamos almoçado no célebre dia em que dei cabo dos meus óculos de sol e, portanto, foi lá que fomos almoçar na nossa última refeição pelas terras dos imperadores. “L’Allegro Pachino” deve ter o melhor serviço da cidade eterna, já que, mais uma vez, fomos recebidos com sorrisos e a comida demorou pouco a chegar à mesa. Delicioso o meu ravioli com spinaci e ricotta.
Depois de almoço fizemos o périplo dos souvenirs. Aquela é a zona ideal para encontrar copos com a cara do Papa, porta-chaves com o Coliseu ou aventais com estátuas romanas de nus. Eu, fazendo jus à fama das mulheres, já tinha comprado imensas coisas. Mas o meu gajo deixou tudo para o último dia. E não acredita que poupei mais ao comprar com calma…
Não resistimos a voltar à Piazza di Spagna, ali tão perto, e, estando lá, exigi percorrer novamente a Via Condotti, de cujas fotos tinham sido escassas.
Sempre a correr (o meu gajo é um stressado), apanhámos o metro de volta à zona do Vaticano e depois o autocarro até ao hotel. Pedimos as malas e tentámos encaixar as novas aquisições na bagagem já apertada. Foi difícil, mas aconteceu…
Despedimo-nos do hotel e ainda tivemos tempo para ir beber um café no botequim do lado enquanto esperávamos pelo nosso chiquíssimo serviço transfer VIP. Sim, porque pagámos 50 euros por um transporte privado para o aeroporto! E porquê? Porque os transferes do hotel estavam esgotados. Aparentemente tínhamos de os ter reservado logo à chegada. Obviamente, havia um outro serviço recomendado pelo Grand Hotel Tibério, mas o recepcionista da noite anterior “esqueceu-se” de o referir proporcionando ao meu gajo uma noite em claro!
Era quase meia-noite do dia anterior e nós estávamos a ligar a todos os serviços de táxis que havia nos guias. Nenhum atendeu. O meu gajo, passado, não acreditava que o hotel pudesse resolver o nosso problema. Eu, mau feitio, garantia-lhe que num hotel de quatro estrelas, aquele problema iria ficar resolvido na manhã seguinte. E assim foi. O hotel recomendou-nos um serviço. O serviço “de limusinas” (como lhe chamavam) custava 50 euros para transportar alguém para o aeroporto, quer leva-se duas pessoas ou cinco. Levava duas. Fomos de Mercedes para o aeroporto. Mas no banco de trás e com motorista privado!
O motorista - vestido de fatinho cinza e sapato preto pontiagudo - era suíço! Quando ouviu dizer que éramos de Portugal começou logo a falar de todos os amigos portugueses que tinha na Suiça! “Os Oliveira. Os Martins. O José. Há sempre um José!”, tagarelava. Demos-lhe corda, mais para esquecer a estrada – ele conduzi como um italiano! – do que por acharmos a conversa interessante. Com telefonemas e algumas apitadelas pelo meio, o homem fez questão de nos levar à porta de embarque da TAP e lá nos deixou, sãos e salvos, no Leonardo DaVinci.
Seguiram-se cerca de três horas de espera (da próxima vez mato o meu gajo e o seu medo de perder o voo!). Dramas de aeroporto, portas de embarque, terminal minúsculo e um voo fabuloso até Lisboa, coroado com uma aterragem ao cair da noite. Estava tudo a correr bem até o piloto resolver fazer corta mato até ao aeroporto e, em vez de vermos o Cristo Rei do lado certo, mergulhámos na cidade de supetão. Correu tudo bem, mas não desejo aquela aterragem atrevida a ninguém!
Malas, táxi, Expresso, Coimbra, cama. THE END!

quarta-feira, novembro 11, 2009

Roma 2009 (8)








No penúltimo dia que passámos em Roma, já não tínhamos imaginação para muita coisa… Ou antes, o que ficava por ver era ainda TANTO, que onde íamos naquele dia não tinha grande relevância. O meu gajo já não falava de tanto cansaço e arrastava-se pelas ruas e eu estava a entrar num perigoso período de mau feitio. (Nota para o futuro: Lembrar que a exaustão me leva ao delírio!)
Arrastei o meu gajo até à Basílica de San Giovanni in Laterano (http://en.wikipedia.org/wiki/Basilica_of_St._John_Lateran) basicamente porque o bilhete do Vaticano nos dava direito a visitar o museu lá existente, que tem um famosíssimo baptistério, onde, conta a lenda, o imperador Constantino foi baptizado… Ele parece que não foi baptizado ali, mas aquele foi durante muito tempo o único baptistério de Roma e modelo para muitos outros. Só que os horários do museu são bastante estranhos e, portanto, acabámos por não ver baptistério nenhum! Mas vimos a basílica! E que basílica!
A Basílica de San Giovanni in Laterano é a catedral de Roma, ou seja, é a “casa” do Bispo de Roma… que é o Papa! Confusos? Então lembrem-se de que o Vaticano é um Estado independente. Assim, já dá para perceber que, lá por estar tão perto de São Pedro, uma coisa não anula a outra… Embora nesta igreja também seja o Papa que dá a missa... Mas adiante!
A Basílica de San Giovanni in Laterano é absolutamente colossal (onde é que eu já ouvi isto…?). Os tectos, as estátuas, as enormes capelas, o órgão de tubos e, claro, o trono papal em destaque no fundo da nave principal… tudo é digno de monarcas! Só ficar junto à porta faz-nos sentir formiguinhas pequeninas. Tem estátuas gigantes dos 12 apóstolos esculpidas por alguns dos escultores mais importantes da época barroca e vários túmulos papais. Tudo, como é habitual em Roma, com a marca de obra de arte extraordinária!
Foi durante o período do Papado de Avignon que a Basílica de San Giovanni in Laterano e o palácio com o mesmo nome entraram em declínio. Tendo funcionado como residência de papas até àquela época, a mudança para França, deixou o património à sua sorte. E, no regresso do papado a Roma, o local foi considerado indigno para acolher o chefe máximo da Igreja Católica devido aos estragos acumulados. Até à construção do Palácio do Vaticano, os papas viveram nas Basílicas de Santa Maria in Transtevere e di Santa Maria Maggiore. A reconstrução foi finalizada em 1735.
Ao lado da basílica está uma atracção turística ainda maior… Embora nós não a tenhamos conseguido achar… achámos o edifício, mas não a famosa “Escada Santa”! Diz-se que, naquele local, estão as escadas de mármore do palácio de Pôncio Pilates que Jesus Cristo terá pisado em Jerusalém aquando da sua Paixão. A transladação da escadaria para Roma terá sido da responsabilidade da mãe do Imperador Constantino I. Na Páscoa, o Papa celebra a missa na Basílica e os fiéis sobem as escadas de joelhos.
Já com umas 60 fotos da Igreja e arredores e cheios de mau humor, almoçámos (mal!) numa pizzaria take away. Depois, a custo, apanhámos um autocarro para um dos sítios que o meu gajo queria ver desde início: o Estádio Olímpico de Roma!
O guia nada dizia sobre aquele que, sabemos agora, é chamado de Stadio dei Marmi. Inaugurado em 1932, fica situado no Foro Italico, um complexo desportivo construído entre 1928 e 1938 e inspirado pelos fóruns romanos. O seu desenho é apontado como uma das primeiras marcas da arquitectura fascista instituída por Benito Mussolini.
De facto, foi com a marca do Duce em paredes e passeios que fizemos o caminho desde a estrada onde o autocarro nos deixou, até ao arvoredo que cerca o estádio novo, inaugurado em 1990, para o Campeonato mundial de Futebol. Aí, depois de fotografado o estádio (com algumas semelhanças aos novo Wembley), que parecia abandonado, deitámos a descansar nos bancos de jardim. Terminado o descanso e, sem dúvida, com um humor mais consentâneo com a época de férias, aventurámo-nos a explorar as redondezas. E, ao lado do novo, lá estava ele: o Stadio dei Marmi.
Incrível! Vazio e imponente. À frente dos nossos olhos tínhamos um relvado enorme, com bancadas em volta e, no topo das bancadas, a toda a volta, dezenas de estátuas em mármore! Cada uma (são 59) foi, pelos vistos, oferecida por uma província italiana. E umas tinham sido mutiladas, outras não… Ou seja, umas eram nus e tinham os pénis intactos, outras tinham os membros coberto com parras… Vá-se lá saber qual o motivo da descriminação!
Passámos bastante tempo no Stadio dei Marmi. Parecia-nos difícil imaginar que, em pleno século XX, alguém tinha conseguido reproduzir um pouco da grandeza do império romano! Sentámo-nos nas bancadas, explorámos a tribuna de honra - onde vimos, fechados, os túneis que levariam Mussolini ao interior de algum edifício – descemos até à pista de tartan, percorremos o túnel de entrada e, à despedida, fotografámos mais um pouco.
Era ainda cedo, quando saímos do Foro Italico. Por isso, apesar de o cansaço nos aconselhar a ir simplesmente dormir, rumámos a outra parte da cidade ainda inexplorada: o Campo di Fiori. Em caminho (é perto da Piazza Navona), admirámos finalmente de perto o Largo Argentina (http://en.wikipedia.org/wiki/Largo_di_Torre_Argentina), que alberga os restos de quatro templos romanos e do Teatro de Pompeia, em cujos degraus Júlio César foi morto. Outra curiosidade acerca do Largo Argentina é que é um santuário de gatos abandonados. Nas ruínas, é possível ver dezenas de gatos de todas as raças. Lindos!
O Campo di Fiori é o local onde se realiza, todas as manhãs, desde 1869 um mercado de frescos. Vegetais, flores e peixe fresco vendem-se ali para gáudio dos turistas. Obviamente, nós chagámos ao fim da tarde… quando já não havia mercado. Mas os cafés, as esplanadas e as fontes estavam cheios de gente na mesma.
Logo ao lado, na Piazza Farnese, aparece-nos um edifício imponente chamado Palazzo Farnese (http://en.wikipedia.org/wiki/Palazzo_Farnese,_Rome), que funciona como embaixada da França em Itália. Ora, contava o guia (e contavam também os mostradores que estavam junto à porta da embaixada) que o palácio data de 1515 e foi mandado construir por Alessandro Farnese, um cardial ordenado aos 25 anos - graças à sua irmã, amante oficial do Papa Alexandre VI (Borgia) – que veio a tornar-se o Papa Paul III. E contava o guia (e os mostradores que estavam à porta da embaixada) que Michelangelo redesenhou todo o terceiro andar do edifício. Lá dentro, há frescos do famoso pintor, escultor, arquitecto, poeta e engenheiro renascentista.
Foi sentados nos bancos de pedra que ladeiam a fachada do palácio que ligámos á família a dizer a que horas chegaríamos a casa no dia seguinte. E foi lá, que, já o sol se tinha posto, decidimos dar o dia por terminado e regressar à zona do Vaticano para jantar e ir dormir.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Roma 2009 (7)









Naquela Terça-feira, o plano primordial era encontrar o Pontifico Instituto de Música Sacra. O meu gajo estava a trabalhar para o Mestrado em Música, que girava em torno do compositor português Manuel Faria. Ora, Manuel Faria, nos tempo idos, estudou em Roma… no Pontifico Instituto de Música Sacra!
Cheios de coragem, enfrentámos o calor abrasador e dispusemo-nos a fazer uma caminhada logo de manhã. O meu gajo tinha na cabeça o mapa do local exacto onde a sede do instituto se encontrava sabíamos que íamos ter de andar um bom pedaço, já fora do centro da cidade eterna.
Foi fácil encontrar o Instituto. No entanto, como estava em período de pausa lectiva, os enormes portões estavam fechados a sete chaves. As poucas pessoas que foram aparecendo, não tinham autoridade para nos deixar entrar e, portanto, restou-nos deambular um pouco por ali e fotografar o edifício de todos os ângulos possíveis debaixo de um sol opressivo. Ao fim de uma hora e qualquer coisa, a escorrer suor e sem coragem para fazer o caminho de volta, a pé, até à estação de metro, aguardámos um autocarro em sofrimento. A custo, encontrámos o caminho de volta “à cidade”.
Foi a São Pedro que nos dirigimos. Sempre São Pedro. Ainda não tínhamos visto as criptas nem a cúpula e, definitivamente, se há sítio que vale a pena explorar em Roma é aquela fabulosa Basílica.
Comprámos bilhetes para as criptas e, solenemente, fizemos o curto caminho até às grutas do Vaticano. Lá em baixo, cheirava a suor e humidade. Mas à medida que os túmulos e outros vestígios do Cristianismo antigo apareciam, a sensação de desconforto ia dando lugar a admiração. Um após outros, sem ordem cronológica definida, mas bem identificados com a foto e descrição do “reinado” do seu habitante, as criptas iam desfilando em frente aos nossos olhos, algumas fabulosas, algumas despidas e simples.
João Paulo II. Dizem que será canonizado em breve. Não sou católica. Não rezo junto de túmulos por acreditar que falar com os mortos, onde quer que se sinta a falta deles, é uma solução mais apropriada. Mas João Paulo II estava lá. Não o túmulo – em pedra branca, sóbrio, com linhas duras e simples e três rosas em metal precioso depositadas na pedra nua, que, embora fossem deslumbrantes, pareciam não pertencer àquele lugar humilde, ornamentado de origem apenas com uma cruz de metal austera. O túmulo servia para o achar digno de mais. Era João Paulo II estava lá. Sentia-se nos arrepios da pele.
Não sou católica. Não rezo. E mesmo assim ali parei, como a multidão que, de olhos húmidos, murmurava suplícios e lhe atirava flores e bilhetes perante o olhar inflexível dos guardas. Era o único túmulo com direito a vigilância. Nenhum outro a pedia. Nenhum outro tinha uma multidão à frente a rezar de olhos húmidos. Nenhum outro se sentia assim. Ali fiquei, tentada a contrariar o sinal de “Fotos Proibidas”, mais para guardar a ideia do momento do que a sua imagem. Fiquei lá, também eu de olhos húmidos, a rezar sem o saber fazer e sem saber porquê. Uma oração por João Paulo II. …Tenho a certeza que será canonizado em breve.
Comprámos, depois, bilhetes para visitar a cúpula da Basílica de São Pedro. “Tens a certeza que consegues ir lá?”, perguntava o meu gajo, conhecedor da ansiedade que me surge nas grandes alturas. “Não sei.” – Dizia-lhe. – “Mas vou tentar.”
Começámos a subir. Primeiro de elevador até ao topo da igreja, bem atrás dos apóstolos que se vêem no topo da fachada a partir da Praça de São Pedro, depois por escada, até ao interior da cúpula. No pátio por cima da igreja, tirámos fotos á Capela Sistina vista de fora, discreta, no seu tijolinho castanho. Dentro da cúpula, observámos a nave da igreja, o baldaquino visto de cima e deslumbrámo-nos com a folha de ouro bem à frente dos nossos olhos. Causava vertigens olhar lá de cima…
Eu continuei a subir. O meu gajo, nauseado, ficou-se pelo interior da cúpula.
Continuei a subir, cheia de coragem e confiança. Mas, á medida que o caminho se tornava mais tortuoso e menos amplo, a minha bravura foi-se desvanecendo. Em breve, era eu que seguir nauseada atrás e à frente de uma fila interminável de pessoas. Escadas tortas e altas, corredores inclinados, túneis em escadaria de caracol. MEDO!
Várias vezes tentei parar. Mas não havia como. Se parasse, ninguém mais passava. Lutando contra o pânico que me trazia a sensação de estar fechada, no escuro, a centenas de metros do chão firme e a ser “empurrada” para a frente por dezenas de pessoas fui avançando com passos inseguros. Falhei ao encontrar mais uma escada em caracol mais estreia, mais escura, mais íngreme e com uma corda no meio que ajudava a subida. Recuei. Enfiei-me no único espaço livre ao lado a boca escura da passagem. Não saber onde estava, se faltava muito ou pouco, se o restante caminho ia ser mais fácil ou mais difícil, ou se ia haver chão debaixo dos pés suficiente para albergar toda aquela gente estava a deixar-me fraca.
Um grupo de rapazes parou atrás de mim, gentilmente dando-me passagem. Falaram-me em italiano. Em inglês meio soluçado tentei explicar que talvez não fosse mais longe. “I’m not sure I can do this!” – Disse-lhes. Com um ar brincalhão, todos puseram uma cara triste. E se uns passaram por mim escada acima, outros ficaram para trás e, de mãos esticadas para o escuro, insistiram para que eu continuasse. Respirei fundo e subi.
Subi. Subi. Subi. E cheguei ao topo. Antes de sair para a paisagem, agradeci a quem me obrigou a subir... Depois, já com a luz do dia a inundar-me os sentidos, fiquei, a tremer, encostada à parede interior da cúpula. Estive lá até a respiração se tornar menos ofegante. Não sei se era cansaço da subida ou puro pânico, eu estava de rastos!
Não parei de tremer. A altura. A quantidade de gente enfiada num varandim minúsculo que circundava o topo da velha cúpula. O movimento constante das pessoas. Estava tonta. De olhos fechados, lá recuperei a compostura e, passados uns minutos, tive coragem de me aproximar da grade do varandim minúsculo.
A paisagem era deslumbrante. Roma aos nossos pés. O Tibre. O Monumento Victorio Emanuelle. A Praça de São Pedro com as formigas que por lá deambulavam. Que espectáculo incrível deve ser vê-la cheia dali!
Fotografei. Filmei. Admirei.
Quando seria normal eu ir embora?
As pessoas circulavam em torno da cúpula de máquinas na mão. Famílias inteiras sorriam para a câmara. Miúdos de 5 ou 6 anos inclinavam-se sobre a frágil estrutura de metal. E eu virava a cara para não ver. Concentrava-me na paisagem. Tremia ainda. Ganhei coragem e pedi a um francês, pai de família, que me tirasse uma foto com a praça de São Pedro lá em baixo. Na posse da prova de que tinha estado no topo do mundo, corri pelas escadas abaixo à procura dos braços do meu gajo! Descer foi infinitamente mais fácil. Já conhecia os caminhos tortuosos e corria em direcção ao chão firme.
Encontrei-me com o meu gajo junto aos apóstolos, no terraço da Igreja. Fotografámos as costas de pedra dos homens santos e descemos até à nave. Voltámos a deslumbrar-nos com o interior da Basílica de São Pedro. E depois com a Praça de são Pedro.
Exausta, decidi que ainda conseguia ir até Transtevere (traduzindo, o nome do bairro quer dizer “para além do Tibre” e, atravessando o rio Tibre, fica do lado oposto ao Vaticano). Ansiava por esse passeio. Desconfiava que era no bairro daqueles que se auto-intitulam “os romanos autênticos” que ia encontrar a Itália dos filmes e não me enganei.
Plantas a cair das janelas, scooters encostadas às paredes, raios de sol a banharem as ruas empedradas. Transdevere é doce, boémio e melancólico. É um cenário de um filme antigo. A alguns pode impressionar um certa pobreza que paira nas ruas que não vêm no mapa. Mas é também fora das ruas assinaladas nos mapas que está a autêntica Roma. Aliás, em Transteve não há nada para ver. Não há grandes monumentos com nomes conhecidos (exceptuando Santa Maria de Transtevere onde não chegámos air), nem piazzas memoráveis. São as ruas, é o próprio bairro que vale a pena sentir. Delicioso.
Passeámos pelo bairro mais romano de Roma até o cansaço nos vencer. Depois, atravessámos a Ponte Cestio até à Isola Tiberina, onde fotografámos o Convento de São Bartolomeo, e atravessámos novamente o Tibre, pela Ponte Fabricio, para Lungotevere de Cenci, onde queríamos ver a Sinagoga de Roma.
Depois de um passeio arrastado em torno da Sinagoga, decidimos arrastar-nos até Teatro Marcello – o teatro inaugurado por Augusto em 12 a.C, com uma que construção muito semelhante ao Coliseu e que ao longo dos séculos chegou a ser transformado por Baldassare Peruzzi em residência da família Orsini - onde esperávamos encontrar um bom espectáculo de música clássica, que faz as delícias do meu gajo. E havia, efectivamente um espectáculo. No entanto, a olhar para as pessoas fantásticas que desciam a rampa até ao local do concerto, esmorecemos e desistimos. Tínhamos meia hora para jantar e estávamos imundos e exaustos. Não havia ânimo para uma hora de piano. Eu, sem dúvida, teria adormecido nos primeiros dois minutos da performance.
Jantámos uma deliciosa lasagna na Piazza del Risorgimento a muito custo – o ar quente de Roma estava sufocante depois de terem alcatroado toda a zona – e voltámos ao hotel, onde desmaiámos de cansaço.