quinta-feira, junho 12, 2008

Frustração

Às vezes a vida prega-nos partidas. Sem explicação, e por causa de uma ou outra escolha insignificante errada, acaba por acontecer um chorrilho de eventos inúteis e frustrantes que depois já não têm volta. E tudo aquilo em que investimos perde-se nas malhas da nossa solidão, do nosso desconforto, da nossa desilusão.
Foi isso que me aconteceu.
Rock in Rio. Barcelona. Foi tudo INCRÍVEL!... Eu é que não estive à altura.
Suponho que as expectativas eram tão grandes que não podiam ser concretizadas. Ou antes, pela primeira vez, eu não tive medo de criar expectativas (achava que já tinha conquistado o direito de as ter e de as ver superadas), mas a vida – mais uma vez e como sempre – deu-me uma bofetada! Ou duas… E pôs-me no meu lugar!
Não digo que tenha corrido MAL. Eu ainda prefiro ter ido. O concerto dos Bon Jovi no Rock in Rio foi MÁGICO! (Estou TÃO orgulhosa da minha banda e do meu país!) Barcelona é uma cidade fantástica. E a companhia foi impecável. Não teria ficado bem comigo própria se não o tivesse vivido presencialmente. No entanto, TODOS os pormenores falharam. TODOS sem excepção. Eu falhei.
Acabei por ter uma experiência banal, sem grandes entusiasmos pessoais, como quem passa um fim-de-semana na praia sem ter direito a mais do que o (sim!) maravilhoso som do mar e o (sim!) doce calor do sol, (mas) que já conhece, já viveu, já não aquece o coração nem faz sonhar.
Não era isto que eu queria para a minha viagem. Eu queria mais. Muito mais.
Eu queria histórias para contar aos netos. Queria desafiar-me. Queria emocionar-me. Queria abrir a boca de espanto. Queria que os meus olhos brilhassem. Queria que o meu coração falhasse algumas batidas.
Não consigo descrever o nível de frustração em que vivo. Não consigo explicar o que falhou. Não consigo tirar lições para o futuro.
Sou uma privilegiada. Uma miúda sortuda que viaja e vê concertos e não se priva de nada do que ama. Ou antes, que luta afincadamente para não se privar de nada do que ama. Que abdica de coisas importantes por outras mais importantes. Que sabe fazer escolhas, mas que acaba por percorrer o caminho mais difícil para obter o que pretende e tirar (tão raramente!) partido da vida.
Ainda assim, não sei se tenho verdadeiros motivos para me queixar. Não sei se devo sequer pensar ou referir a minha frustração. Se tenho esse direito. Se vale a pena fazê-lo. Se encontrarei uma explicação.
Mas não consigo deixar de o fazer.
Sinto-me um lixo. Sem objectivos. Sem certezas. Sem paixões. Sem saber que caminho percorrer para atingir o perdido conforto emocional.
Sou uma privilegiada que se queixa por perceber que lutar não chega. Que sonhar não chega. Que viver não chega. É preciso ESTAR, SENTIR, AMAR. E para isso não há fórmula. Ou acontece ou não.
E eu pergunto-me… Valerá a pena procurá-lo incessantemente? Ou os custos são maiores do que os ganhos? Vale a pena repetir? Ou desisto sem olhar para trás…?

sexta-feira, junho 06, 2008

Vida adiada

Pensava que teria milhares de coisas para dizer hoje… Não tenho. Não sei o que dizer. Se o meu cérebro me censura e me diz para estar feliz, o meu coração não consegue evitar deitar algumas lágrimas sentidas.
Acabou. O que quer que seja que me estava reservado passou. Desapareceu sem eu o sentir, sem o viver, sem a intensidade que pedi.
Passou e deixou-me aqui, assim, despida, sem alma, sem corpo, sem vida. A desejar algo diferente em que eu tivesse conseguido participar.
Não digo que não valeu a pena. Valeu. De alguma forma, valeu. Apenas ficou um qualquer sonho adiado que nem sei definir. Adiado. Como sempre. Eternamente adiado.

quinta-feira, maio 29, 2008

Friozinho na barriga

Já ando com aquele friozinho na barriga, aqueles arrepios no estômago. Acordo a sorrir sem razão aparente. É uma espécie de inebriamento parecido com aquele sentimento de paixão a nascer que toma conta de mim por saber que Sábado volto a partir à aventura.
Mal posso esperar para estar com o gang outra vez. Apesar de não nos vermos há dois anos, fazemos parte da mesma família, uma família que conversa e partilha sentimentos todos os dias. Além disso, viajar e conhecer estrelas de rock são coisas que deixam marcas indeléveis, coisas que unem um grupo…
Estou louca por voltar a vê-los e por voltar a sentir agitação da chegada ao recinto, o nervoso miudinho das horas que antecedem um concerto, a azáfama natural de quem prepara um grande espectáculo…
E desta vez estamos preparados. A “nossa” banda vem a Portugal ao fim de 13 anos e vai sentir que esperámos por ela! Vai sentir-se em casa. Fizemos por isso. Estamos mais unidos do que nunca com um único objectivo em mente: fazer daquela noite especial.
Vamos conseguir.
E por isso ando com os passos uns três centímetros acima do chão. Adoro este sentimento: o de regressar a casa ao fim de um longo período de luta intensa.

sexta-feira, maio 23, 2008

Numa manhã rotineira...

Numa destas manhãs, estava eu na minha vidinha normal, dentro do autocarro número 7, a caminho do trabalho, quando ouço uma musiquinha familiar. Um som leve e alegre, de (sei lá!) gaita-de-beiços? Um som doce que me leva directamente à minha infância ou talvez até a algum período anterior.
Numa das ruas mais movimentadas da cidade, no passeio, com a sua tradicional bicicleta, seguia o vulto sempre íntimo de um amolador.
Olhei-o, subitamente feliz, até o autocarro me fazer perder no trânsito daquela artéria, àquela hora sempre caótico. Mas, mesmo depois de os meus olhos o perderem, consegui continuar a ouvir as notas mágicas que ecoam eternamente à passagem do homem que afia facas e tesouras de porta em porta.
Não sei porque é que aquela melodia me leva directamente para um lugarzinho quente e familiar. A minha infância já não coincide com a época destes profissionais. Mas sempre que ele aparecia na minha rua, eu pedia por favor à minha mãe que arranjasse uma qualquer faca moribunda para ele afiar e para eu poder ir ter com ele e vê-lo tocar aquele estranho e aconchegante instrumento. E não era a única. Toda a rua se encontrava no largo, com facas e tesouras que já não usavam nem usariam, nos já raros dias em que por lá passava o amolador.
Não sei se será o mesmo. Não sei quantos existem em Coimbra. Julgava que nenhum. Não sei se foi necessidade ou nostalgia que o fez sair à rua naquela manhã rotineira de Terça-feira. Sei que, apesar da loucura dos dias, amanhã e depois ainda o vou recordar. E todas as vezes que passar na dita rua... Todos os dias, portanto…

quinta-feira, maio 15, 2008

Countdown

Estou em pleno countdown. Cada vez que a Carolina Patrocínio aparece no ecrã com aquela energia toda eu dou um salto da cadeira e admiro-me! Faltam TÃO POUCOS dias!!!
Tenho cinco dias de idílio planeados. Rock in Rio… Avião… Barcelona… Outro concerto... E mais três dias de ócio e aventura na cidade de Gaudí!
Nem acredito!
Claro que vou andar ROTA de cansaço. Sexta trabalho. Sábado Rock in Rio. Directa na noite de Sábado para Domingo. Mais um concerto. E depois três dias de visitas e descobertas. Avião a chegar a Lisboa na noite de Quarta-feira. Trabalho às 9h da manhã de Quinta. Puff! Puff!!
…Mas vai valer a pena. I’m sure.
Objectivamente, não tenho grandes expectativas. Subjectivamente, elas são ENORMES como sempre… Essencialmente, acho que quero bom tempo, uma recordação memorável e um final para o livro que ando a escrever.
(Destaque, se calhar, para a parte do BOM TEMPOOOO!!!)
:)

quarta-feira, maio 07, 2008

Liberdade ou a falta dela

Há já alguns dias acompanha-me um sentimento incontornável de sufoco. Ao fim de semana, em que é suposto o corpo relaxar e a mente viajar, é ainda pior. É uma terrível noção de falta absoluta de liberdade.
Não me refiro à falta de liberdade dos tempos de ditadura. Não a vivi, mas sei que estou a experimentar algo novo. Algo mais complexo do que o objectivo impedimento a uma identidade, à liberdade de expressão. É algo mais subtil e talvez mais perverso, por não ser geralmente consciente. O que faz com que à frustração dessa falta, se junte uma enorme solidão.
O meu sufoco surge do assumir da minha identidade quando analisada juntamente com a falta de possibilidades de autodeterminação. Isto é, existo, sou, penso, sonho, ambiciono e faço. Tudo me é possível. Tudo me está ao alcance… Teoricamente.
Na realidade vejo-me a assumir quem sou, mas a não ter autonomia nas atitudes, por falta de oportunidades… financeiras, sociais, pessoais. Não sei.
Sinto-me sufocar. Quero e não posso. Sonho e não voo. Projecto e não concretizo.
Não por falta de emprenho ou vontade. Falta tudo o resto.
Não me consigo livrar desta bola de trapos que trago dentro do peito.

domingo, maio 04, 2008

História DeVida

Amanhã, dia 5 de Maio de 2008, será lido, no programa "História DeVida", da Antena 1, um texto meu já publicado neste blog.
O actor Miguel Guilherme lerá o texto "O meu companheirinho deixou-me..." às 17h20, às 21h20 e às 00H20.
Mais tarde será possível fazer o download do programa no podcast da RTP.
Esta é a segunda vez que tenho a honra de ver um texto escolhido para ser lido neste programa. A primeira vez aconteceu em Junho de 2006.
:)

quinta-feira, abril 24, 2008

Vou auto flagelar-me!

Olho em volta e está tudo louco. Deve ser da idade. Está toda a gente a casar-se, a comprar casas… De grávidas então parece que existe uma verdadeira epidemia.
É assustador.
Eu, GK, faço 30 anos em Junho e, aqui, perante vós, declaro: Não quero nada dessas merdas para mim! Pela menos para já!
Há TANTOS sítios onde ainda não fui, TANTAS pessoas que ainda não conheci, TANTAS coisas que não experienciei… Vou lá assumir compromissos do tamanho de camiões TIR?! Como posso garantir que isto que decido agora é o que quero PARA SEMPRE?! Ainda não vi NADA da vida. Ela ainda está só a começar!
Cruzes, credo!
Eu vejo estas pessoas todas, corajosas, à minha volta, a lançarem-se em coisas que julgam definitivas e seguras com um sorriso nos lábios e fico espantada! Olho-os e vejo gente de olhos vendados! Gente que julga ter descoberto o sumo da vida e ainda nem foi à esquina, mas acredita, de punhos serrados, que vai ficar naquele sítio, com aquela pessoa e fazer o que faz hoje para o resto da vida! Será?!
É verdadeiramente inacreditável!
Mas, claro, como sempre, a inadaptada sou eu. Pelo que, depois deste sentido desabafo, me remeterei ao silêncio e, cada vez que sentir o meu cérebro a congeminar questões ao ter perante si estes seres inconscientemente felizes, vou censurar-me e auto flagelar-me até sentir que tudo isto é normal!

quinta-feira, abril 17, 2008

Main-stream…

Não se pode ser diferente. Não se pode, mesmo! É um imperativo social. A diferença está em vias de extinção!
Ao mesmo tempo que a liberdade, na privacidade das nossas casas, cresce - acompanhando o acesso a nichos de produtos que outrora não estavam disponíveis e que agora o estão à distância de um clique -, nas “coisas públicas” a pressão é para a uniformização.
Ai do homem que usar meia branca. Ai da mulher que não usar fio dental. Coitada daquela que procura calças SEM cintura descaída. Pobre daquele que ousa vestir o fato de treino dos anos 90…
Estes assuntos discutem-se, mas o vencedor já está definido: é como a sociedade quer. E existem cinco mil razões formatadas para nos pressionarem a ser como todos os outros.
A minha constatação deste facto surgiu porque eu quero comprar uma mochila.
Uma mochila. Uma coisa simples, pequena, digna de ser usada todos os dias. Passo o dia sentada e as minhas costas não gostam que eu coloque todo o peso da minha “mala de gaja” apenas num dos ombros. Decidi por isso ir comprar uma mochilita.
Parece simples, não?
Pois não é. Porque NÃO HÁ! Nem na Internet!
TODAS as lojas decentes vendem, neste momento, malas GRANDES de senhora (ou bolsas ou carteiras ou como lhes quiserem chamar). TODAS sem excepção.
Claro que posso ir correr a Baixa da minha cidade e ver se, naquelas lojas em que a “modernidade” é um termo estranho, há uma mochila que me agrade. Mas para isso, tenho de me desviar do meu caminho normal e iniciar uma busca assumida. Uma missão.
Isto está a tornar-se verdadeiramente um problema…
Os shoppings e a maior parte das lojas “in” SÓ vendem produtos giríssimos e formatados aos gostos das massas. É o estilo main-stream...
O problema é que as unanimidades sempre me enervaram…

quinta-feira, abril 10, 2008

Vidas bonitas

Até aqui, eu olhava à minha volta e, na sua maioria, via vidas “sujas”, como a minha. Vidas cheias de adversidades e batalhas e inseguranças sobre o futuro. Vidas “sujas”, mas funcionais.
Agora, fruto talvez da experiência e da capacidade de lidar com o desconhecido, que chega com a maturidade, tenho-me dado conta de que há para aí muitas vidas “bonitinhas”, daquelas de poster de cinema (ou nem isso, por serem isentas de percalços…).
Nasces numa família abastada. Cresces a estudar nas boas escolas. Fazes Erasmus e o estágio do ICEP no estrangeiro. Apaixonas-te pela única pessoa saída da faculdade de um daqueles cursos de cães danados que arranja emprego à primeira na melhor firma do ramo e que – surpresa! – fica logo com um lugar efectivo. Trabalhas toda a vida em empresas privadas que fazem questão de nunca te pagar menos do que os 1000 euros da praxe (e tu queixas-te, claro!). Tens o carro, a casita (pequena, mas cuja renda não se atrasa!) partilhada com o amor da tua vida e esperas a tua oportunidade - que já asseguraste – de fazer as malas e ir viver para um país melhor, trabalhando no topo do mundo da tua profissão…
Que lindinho!
…Descobri que as vidas “bonitinhas” me fazem vomitar.
Podia ser inveja. Fazia até sentido que fosse. Mas não é.
Eu já não poderia ter uma vida “bonitinha”. Não posso apagar o que vi e o que já vivi, portanto sei que este percurso “limpo” nunca poderia ser meu. Até por não ter chama.
Não digo que não exista sofrimento numa vida assim. Claro que existirá. Mas também existe uma certa ingenuidade, com a qual eu definitivamente não sei lidar e me enerva solenemente…
Eu evacuo para as vidas “bonitinhas”. E desejo muita sorte aos que as têm. Espero que a vida os mantenha de olhos fechados por muitos e longos anos.

quinta-feira, abril 03, 2008

Os portugueses estão a tornar-se europeus

Calor. Primeiros dias de Primavera a sério. Anoitece às 20h. E a malta está “em pulgas” para sair do trabalho e curtir o sol.
Foi isso que aconteceu ontem. 18h30 e um sol radioso. Saí do meu posto de trabalho, situado estrategicamente à beira rio, dentro de um parque emblemático da cidade, e dirigi-me, como é óbvio, à margem do “meu” rio para sentir a calma do cair do dia, em vez de fazer o caminho pelos parques de estacionamento junto à estrada.
A calma existia de facto. Sentia-se, no ar, uma atmosfera plácida, serena, de comunhão com a natureza. Mas o parque estava CHEIO de gente.
Estendidos no chão, sentado à beira rio, abraçados ou displicentes, grupos e grupos de gente jovem enchiam o relvado. Conversavam, namoravam, liam. Molhavam os pés nas margens do rio. Corriam atrás de cães simpáticos. Trocavam ideias de forma pacífica. Olhavam o sol do fim da tarde, com aquele sentimento familiar de querer para o tempo.
Ao passar, absorvi aquele cenário, algo cinematográfico, com um misto de surpresa e alegria. Dantes era tão raro ver um português pisar a relva! E agora, ali estavam, junto aos alunos de Erasmus, estendidos na relva a desfrutar da proximidade da água e a palrar calmamente em várias línguas, como de se tratasse do St. James ou do Hyde Park.
Adorei este fim de tarde, doce e tranquilo na minha cidade. Um fim de tarde em que percebi que os portugueses se estão a tornar europeus.

segunda-feira, março 24, 2008

Estou viciada, agarrada e outras coisas terminadas em "ada"!!!

HBO presents Entourage, the hit comedy series executive produced by Mark Wahlberg that takes a look at the day-to-day life of Vincent (Vince) Chase, a hot young actor in modern-day Hollywood, and his entourage. He's brought with him from their hometown in Queens, NY: manager Eric, half-brother Drama, and friend Turtle. The series draws on the experiences of industry insiders to illustrate both the heady excesses of today's celebrity lifestyle, as well as the difficulty of finding love and success in the fast track of show biz. Now that the boys are getting used to the perks of stardom, Eric, along with superagent Ari, keep Vince's star rising while making sound decisions for a long-lasting career in a world of fleeting fame.
Adrian Grenier ("Drive Me Crazy," "Hart's War") stars as Vince. Kevin Connolly ("Antwone Fisher," "John Q") plays Eric, Vince's closest confidant who's learning the rules of the business as he tries to help Vince make the right choices and keep his trajectory aimed high. Kevin Dillon ("The Doors," "Platoon") plays Vince's half-brother Drama, whose own acting aspirations have been eclipsed by Vince's success. Jerry Ferrara ("Grounded for Life," "Leap of Faith") plays Turtle, the house manager, who's always up for a good time. Jeremy Piven ("Old School," "The Larry Sanders Show") plays Ari, Vince's aggressive, high-powered agent, who clashes with Eric over his client's decisions.
Also appearing in ENTOURAGE are Debi Mazar ("Goodfellas," "The Tuxedo") as Vince's publicist Shauna and Rex Lee as Lloyd, Ari Gold's much-maligned assistant.

quarta-feira, março 19, 2008

Test drive

Ia céptica. Já tinha feito aquilo antes e tinha acabado mal. O carro era horrível. Não o comprei.
Desta vez, o escolhido era o eleito de entre dezenas e muito mais elegante que o anterior. Tinha-me apaixonado por ele e, sinceramente, esperava que aquele passasse a ser o MEU carro, mas não estava demasiado confiante.
O meu tio mecânico lá espreitou para debaixo do capot com um ar desconfiado. Gostou do que viu. Fomos dar uma volta. Adorou o que sentiu.
Ainda estava eu na dúvida, já ele tinha dito ao dono do stand que o carro estava comprado!
Apalavrei o negócio. Deixei cópia de BI e NIF, etc. Não dei sinal porque não levava o livro de cheques, mas ficou acordado que passaria a totalidade do valor na entrega e o carro não seria vendido a mais ninguém. Combinámos que daí a quatro dias ele seria entregue, limpo, revisto e inspeccionado, em minha casa.
O dia chegou e recebi um telefonema a pedir para adiar a entrega. Havia “muitos carros para serem inspeccionados" naquele dia "no Centro de Inspecções da área”, queriam adiar “para amanhã”. Tudo bem.
No dia seguinte, não houve telefonemas, pedidos ou justificações. Nem resposta às minhas tentativas de contacto. Nada.
Ao terceiro dia de espera, recebo a bomba.
À vinda da inspecção, por causa de um suposto parafuso mal apertado, o óleo espalhou-se pelo motor e o motor gripou!
É para acreditar???!
Não sei. Sei que o negócio acabou.
...E a desilusão ficou.

quinta-feira, março 13, 2008

EU

Fui desafiada pela Carracinha Linda! para explicitar aqui para deixar aqui 6 características sobre mim própria. Apesar de me auto analisar TODOS os dias (defeitos de filha única), a minhas conclusões alteram-se à medida que vou “limando” aquilo que considero defeitos de personalidade. Assim, suponho que a análise que aqui vou fazer vale para este momento, porque amanhã é outro dia…
;)

Ora, então…

Sou demasiado auto crítica. É o resultado de me analisar demais. TUDO o que me corre bem ou mal é alvo de escrutínio. TUDO é assumido como MINHA responsabilidade. A verdade é que o meu tema favorito de conversa é analisar-me e pedir opiniões. Mas não no sentido “me, me, me!”. É mais na tentativa de “melhorar” se é que isso existe na vida humana. Gostava que as pessoas tivessem sempre coragem de me dizer na cara exactamente o que pensam de mim e dos meus actos. Procuro isso. E embora fique um pouco abalada quando as críticas não são favoráveis, consigo sempre distinguir o que vale do que não vale, o que é para aceitar e mudar e o que escolho ignorar. Mas é cansativo. ;)

Sou extremamente intuitiva. Os meus problemas são pesados intelectualmente, mas as decisões são quase sempre emotivas. Às vezes sei a resposta desde que coloquei a pergunta e só procuro uma justificação racional para aquilo que já decidi com o coração. Normalmente acerto. É por isso que, no fundo, tenho alguma sorte na vida. Porque a deixo guiar-me.

Sou muitíssimo impaciente. Sou geneticamente incapaz de ter um problema ou uma tarefa para fazer durante muito tempo. Pesa-me. Incomoda-me. Envelhece-me. Se é para decidir, decide-se. Se é para comprar, compra-se. Se é para fazer, faz-se. Às vezes precipito-me…

Sou organizada e metódica. Esta vem do ponto anterior. Como tive de encontrar forma de resolver questões rapidamente para não me “passar”, quando fiz um workshop de gestão de tempo, já tinha todas as noções base enraizadas. :)

Tenho os pés na terra e o coração nas nuvens. Não sei sonhar, sei projectar. A realidade é algo MUITO presente para mim. Talvez porque não a tema. Não sou pessimista, mas sou realista. E as minhas conjecturas de futuro são as POSSÍVEIS, nunca as desejadas. Sei que posso chegar longe, mas nunca “por sorte”. O sucesso é algo que se constrói e isso exige tempo e paciência. É por isso que sei que NUNCA vou ganhar o Euromilhões. A minha “sorte grande” é reconhecerem algo de valor que eu faça e que me dê a casa com piscina e o Ferrari. É possível, mas vai sair-me do corpo.

Tenho um anjo da guarda. Não sou religiosa, nem esotérica, nem sequer Wika. Sou uma céptica em relação a qualquer doutrina religiosa, mas acredito em tudo o que fizer as pessoas “andarem para frente”. Quero com isto dizer que esta minha certeza não se baseia em qualquer seita ou religião. No entanto, chame-se”anjo da guarda”, “espírito guia”, “alma gémea” ou o que quiserem, sei que tenho “alguém” que me acompanha. Descobri-“o” há pouco tempo e a minha vida mudou radicalmente. Sei agora que existe um propósito em tudo e que não estou sozinha. E isso acalma-me, anima-me e dá-me uma segurança como nunca tive. Por isso, coisas boas estão a acontecer. Apesar de “ele” ter um sentido de humor que me tira do sério, sei que me quer bem e que, de momento, “existe” apenas para me proteger. :)

quinta-feira, março 06, 2008

As pessoas são más

As pessoas são más. Tento não o perceber. Olho sempre para a parte boa de alguém. Justifico. Arranjo desculpas. Mas a verdade é que as pessoas, no seu íntimo, são más. E eu também.
Achamos sempre que a razão está do nosso lado. Julgamos que conhecemos a maneira certa de viver. Temos cada vez menos tolerância para o que é diferente e nenhuma paciência para o que dá trabalho.
Livre-se alguém de ter um estilo de vida distinto. Coitado daquele que “não encaixa”. Vai sofrer horrores. E é bom que não acredite que tem amigos, porque a hipótese mais segura é que esteja equivocado.
Chamamos amigos a estranhos nas páginas da Internet e quando falamos de pessoas que conhecemos há anos apertamos o crivo até justificarmos a nossa crueldade ao não estendermos a mão a alguém que sabemos que vai dar trabalho.
Estou MUITO cansada deste ciclo vicioso.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

A minha vida está em espera

Sei que estou no caminho certo. Olho para a frente e só consigo ver coisas boas. Mas as noites ainda são longas demais porque o meu forte nunca foi esperar.
Há um MILHÂO de coisas incríveis que estão programadas para este ano. Um casamento, uma viagem, dois concertos, o carro... Mas nada disto é para já… O que me desespera!!!
Estou ansiosa por VIVER. Já esperei demais e agora, um mês que seja de placidez, parece uma eternidade!
O que é que se pode fazer? Se não tem motivos para se queixar, um português arranja-os! E o que dizer de uma portuguesa sujeita aos ímpetos do SPM…? … Uuuuuuii!!!
;)

domingo, fevereiro 24, 2008

Dormir...

Durmo pouco durante a semana. O normal é deitar-me entre as duas e as três da manhã e acordar antes das 8h. Obviamente, à Quinta ou Sexta-feira estou de rastos.
Ora, ao Sábado e Domingo, a minha vontade é vingar-me, ficando na cama até horas obscenas. Mas acontece-me sempre uma coisa esquisita…
Ao fim-de-semana, faço questão de dormir até às 1 ou 2 da tarde e, quando isso é difícil, luto para o conseguir! Nas boas noites, consigo passar mais de 10h na cama, convencida de que, ao levantar, estou nova. Mas isso não acontece!
Além de estar sempre com uma cara de quem morreu e não sabe, sinto-me pessimamente! Apesar de ter a memória no seu auge – ou talvez por isso mesmo – passa-me pela cabeça tudo aquilo que não me afecta durante a semana: a rotina, os sonhos ainda por cumprir, o que tenho para fazer e ainda não fiz, os amigos que se afastam, a casa que precisa de ser arrumada, o tempo que já passou sem uma escapadinha com o namorado… :(
Começo a pensar que sou mais feliz quando não durmo!
Isto será normal?!!!

domingo, fevereiro 17, 2008

EU VOU

12.02.08
Bon Jovi confirma presença no Rock in Rio-Lisboa

Os Bon Jovi acabam de confirmar a sua presença no Rock in Rio-Lisboa. A banda encabeça o cartaz do palco Mundo de dia 31 de Maio, o segundo dia do evento.
O regresso de Bon Jovi é aguardado com entusiasmo pelos inúmeros fãs portugueses que, desde 1995, não têm a oportunidade de assistir ao vivo a um concerto da banda.
Durante mais de duas décadas os Bon Jovi mostraram que são uma das melhores bandas de Rock and Roll de sempre. Em 2008 vão encher estádios de todo o mundo, provando mais uma vez que ocupam uma posição de destaque entre as lendas do rock.
Ao todo, os Bon Jovi venderam mais de 120 milhões de álbuns e deram mais de 2.500 concertos em cerca de 50 países para mais de 32 milhões de pessoas - e Jon Bon Jovi, Richie Sambora, David Bryan and Tico Torres mostraram a todos o que é o verdadeiro rock!
O último álbum "Lost Highway" (lançado a 19 de Junho de 2007) levou-os, pela primeira vez, directamente ao 1º lugar do top 200 americano, ao 1º lugar do top de álbuns de Rock e do top 100 europeu da Billboard.No Canadá, Alemanha, Suíça, Holanda, Aústria, Tailândia e Japão, este foi o 4º álbum dos Bon Jovi que entrou directamente para o 1º lugar do top, ultrapassando o recorde até agora detido pelos Beatles de três álbuns.Influenciado pelo fascínio de Jon Bon Jovi por Nashville, uma cidade de músicas e compositores, este trabalho tem doze novos originais e é definido pelo líder e vocalista do grupo como «um olhar para a natureza do amor e da vida em toda a sua glória».
Para Richie Sambora foi uma catarse para uma altura complicada da sua vida: «Há lágrimas em todo o álbum mas também há alegria, esperança e antecipação acerca do que virá quando se começa um novo capítulo de vida».Dos muitos sucessos alcançados ao longo da carreira dos Bon Jovi, destacam-se "Runaway", "You Give Love a Bad Name", "Livin' on a Prayer", "Wanted Dead or Alive", "Bad Medicine", "I'll Be There for You", "Keep the Faith", "Bed of Roses", "Always", "It's My Life", "Everyday", "Have a Nice Day", "Who Says You Can't Go Home," "(You Want to) Make a Memory" e muitos mais.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Ainda bem que não foi o Xanana!

É triste, mas o primeiro pensamento que me ocorreu quando soube da situação de Timor anteontem à noite foi: “Ainda bem que não foi o Xanana! Graças a Deus, ele está bem!”.
Devia, talvez, ter-me preocupado com uma vida humana, fosse ela qual fosse, qundo era claro que a situação não estava “tão bem” quanto “eles” diziam… Mas não me preocupei com Ramos Horta. A minha preocupação vai, hoje e sempre, para Xanana.
Não sei se alguma vez o disse aqui, mas Xanana veio a Coimbra quando eu era uma estagiária da Antena1. Fui fazer a reportagem no meio de milhares de pessoas e… NUNCA senti nada assim.
Eu sou pequena. Nas reportagens com multidões é certo e sabido que “vou levar porrada”. E assim aconteceu.
Ninguém me viu, sequer. Excepto Xanana.
Numa altura em que se duvidava que ele fosse um herói, eu tive a oportunidade de o olhar nos olhos. Ele, no meio de uma multidão que o queria levar em ombros, encontrou-me atrás de uma porta, estendeu-me a mão e apertou as minhas, olhando para a minha fragilidade momentânea com os olhos cheios de lágrimas.
Soube, ali, daquela forma improvável, que não tinha de temer pela sua honestidade. Xanana é um herói. Dos verdadeiros.
…Ainda bem que não foi o Xanana.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Madrinha!

Uma amiga minha vai casar. Suponho que é normal numa idade em que o casamento é uma espécie de ponto intransponível de uma longa lista de tarefas obrigatórias.
Esta amiga é uma daquelas amigas com quem se partilhavam segredos antes de eles existirem e bem antes de se saber ser um ser humano completo. Uma amiga amiga, portanto.
Esta amiga amiga convidou-me para ser a sua madrinha de casamento.
Fê-lo mesmo sabendo que eu sou a pessoa que mais odeia casamentos no planeta. Fê-lo conhecendo a minha absoluta falta de vocação para ser competente no papel. Fê-lo mesmo tendo como certo o risco de decidir tudo sozinha, recebendo apenas os ocasionais telefonemas ou e-mails de cuidado e controlo.
E fê-lo com lágrimas nos olhos. E eu não soube e não quis recusar.
Não me arrependo. Mesmo sentindo-me culpada até à estupidez por não lhe segurar na mão a cada passo. Não me posso arrepender, porque quero estar com ela naquele momento… Apenas por não ter estado em tantos outros.
Não mereço a honra. Menos mereço as constantes declarações de que sou “uma boa amiga”, já que as regras da nossa amizade foram estabelecidas antes de eu sequer saber sê-lo e é tão difícil quebrar padrões com tantos anos.
Não somos as típicas amigas das confidências cabeludas e dos cuidados excessivos. Não éramos assim. Não precisávamos de ser. E se agora precisamos, outras pessoas ocuparam esses papéis. Sabemos, no entanto, que, se existir uma chamada a meio da noite, nenhuma de nós falhará.
Foi isso mais ou menos isso que eu sinto que aconteceu quando ela me fixou com os olhos húmidos: uma chamada a meio da noite que muito me lisonjeia e mais me atemoriza.
Mas cá estou. Bem ou mal, cá estarei sempre.

domingo, fevereiro 03, 2008

Hábitos! *

Muitos são os hábitos irritantes do sexo feminino. Apontam-nos, talvez com alguma razão, a mania da fofoca, o facto de demorarmos a arranjar-nos, o excessivo drama com que avaliamos as relações, etc.
Mas está na altura de falarmos das manias do sexo oposto…
Alguém me diga, POR FAVOR, porque é que os homens têm uma incapacidade ABSOLUTA para ler instruções e para pedir direcções? Isto vem de onde??? Qual o motivo?
Porque é que vale mais olhar durante horas para fios e roscas, mesmo quando NÃO SE FAZ PUTO IDEIA de como funciona o aparelho do que ler meia dúzia de palavras impressas num papel que normalmente são a chave da coisa e que deram tanto trabalho a produzir a alguém?
Porque é que é mais aliciante andar UMA HORA às voltas numa vila do que parar, baixar o vidro e pedir a alguém que nos diga para onde ir. Mesmo correndo o rico de ouvir o “segue, segue, segue”, uma informação mal dada leva-nos mais perto e em menos tempo do que fazer a caça ao tesouro sem o X marcado no mapa!!! Ou não?
Grrrrr!!!

* Post partilhado com http://www.cardosyprosas.blogspot.com.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Amanhã...

_ Oi. Estou a ligar para te dizer que o Conselho de Administração aprovou o teu contrato. Começas amanhã. – O tom era baixo e sussurrante, como quem partilha um segredo.
_ ... - *Choque!*
_ Ouviste? O Conselho de Administração aprovou esta manhã o teu contrato a full-time com duplicação de salário! – Impaciência…
_ Ouvi. Sim. Então…começo amanhã a full-time??? – A voz saiu-me fria…
_ …Não me pareces muito entusiasmada… - Estava furioso.
_ Não, é que… Tinha pensado em usar o tempo que ainda tinha para me organizar antes de começar a full-time… - A voz continuou-me fria, bolas!
_ …Pode-se sempre adiar. Podes começar mais tarde. Um mês ou assim… - O tom era de desprezo. Senti-o.
_ Não, tudo bem. Não tenho nada marcado. Não tenho prazos. Não consigo dar um prazo. Tudo bem. Começo amanhã… - Bolas! Bolas! Bolas! Eu estava zangada, essa era a verdade! #(

…Pus a pata na poça, eu sei. Mas nunca tinha pensado na possibilidade de começar tão cedo e a única coisa que me passava pela cabeça era: “Então e agora? Vou procurar o meu futuro carro QUANDO??? Quando é que vou poder fazer as aulas de reciclagem de condução... QUANDO?!”. :(

…Mas suponho que é tudo uma questão de (re)organização…
...É claro que estou contente! :)

terça-feira, janeiro 22, 2008

Enough!!!

Potência, quilometragem, cilindrada. Correia de distribuição, faróis de nevoeiro, volante desportivo. 1.2, 1.5, 1.7. Duas portas, dois lugares; três portas, cinco lugares; quatro portas, cinco lugares. Auto rádio, auto rádio com K7s, autorádio com CD!
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!
Enough!
Mas porque é que o meu pai não é rico e não me ofereceu o carro?! Porque é que não tenho um qualquer tio solteiro que me deixe a fortuna e o descapotável? Porque é que ainda não ganhei o Euromilhões?!!!
Tantos anos a antecipar este momento e dou-me conta de que a luta pode bem não valer o resultado!
Procurar o primeiro carro perto dos 30 e com pés no chão é uma BELA MERDA!!!
Não, digam-me! Qual é o carro que não sendo último modelo não esteja absolutamente ultrapassado? Qual é o carro que me permite amá-lo por ser fantástico e ainda assim sobreviver com mais do que uma raspas na conta bancária ao fim de um ano de salário? Ou, mais importante ainda: Qual é o carro que me permite derrubar caixotes do lixo sem morrer de terror de estragar a pintura, mas que ao mesmo tempo se encaixe no estatuto de “Senhora Dra.”?
Já sonho com Corsas B! Faço contas aos Alfa Romeos. Vejo a minha vida dentro de um Ibiza. …Mas continuo a andar de autocarro. :(

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Procuro Carro

Eu gostava de ter um destes:

Mas acho que vai ter de ser uma coisa mais deste género:


PROCURO

Carro Usado
Citadino
5 lugares
Diesel
Não fumador
Estimadinho
Baratinho
:)

domingo, janeiro 13, 2008

Partilhar…

Sentada à frente do ecrã branco, resisto a escrever um texto com alma. Não me apetece elaborar palavras ou pintar sonhos. Queria apenas partilhar pensamentos sem ter de os reproduzir em texto. Canso-me de me repetir.
Hoje estou bem. O futuro não me perece difícil nem doloroso. Há uns meses que assim é e, mesmo assim, não me habituo a este sentimento confortável de quem anda em direcção a casa.
Talvez por isso não queira escrever. Porque estou bem. Porque não choro. E o belo das palavras mais vezes se encontra na tristeza do que na serenidade.
Mas queria partilhar. Partilhar que, pela primeira vez na minha vida, um patrão meu cumpre as suas promessas. Partilhar que, onde trabalho, as pessoas são respeitadas, incentivadas e olhadas como contribuidores válidos. Partilhar que, agora sim, rodeada de pessoas que esperam mais de mim (em vez de menos), tenho-me sentido preparada para levar a minha vida para a frente.
Por isso tenho um livro quase escrito, um guião a ser lido nos Estados Unidos (sem grandes perspectivas, na verdade, mas em breve seguirá para Londres…) e o meu projecto de loja de artesanato em marcha em http://drops-of-dream.blogspot.com/.

...2008 vai ser um GRANDE ano! ;)

sábado, janeiro 05, 2008

Voa

Quero que grites. Quero que me insultes. Quero que te zangues com o mundo ou o abraces.
Quero que entres em depressão ou te apaixones perdidamente. Quero que sofras e recuperes de um acidente grave. Ou que te saia a lotaria.
Quero que te percas para te encontrares. Porque estou cansada de te ouvir sonhar. Já não acredito nos teus devaneios. Já não posso ficar a ouvir-te voar.
A tua voz já me fere quando acaricia de mundos que te são estranhos em vez de afagar os que te são próximos.
Sei que um dia vais voar alto. Sei-o e espero-o ansiosamente. Adorava voar contigo então. Mas prefiro não te acompanhar e poder aplaudir-te de pé do que perder-me nesta longa espera ao teu lado.
Só te desejo o mundo nas mãos. Quando o tiveres, abre-as e lá estarei, dentro delas, envergonhada, mas orgulhosa de ti.

(Sabes, muitos também não esperarão por mim…)

quarta-feira, janeiro 02, 2008

HAPPY NEW YEAR 2008

No mínimo, desejo-vos a todos esta energia e esta vontade de celebar a vida! ;)

sábado, dezembro 22, 2007

Um clássico

Boas festas para todos. Muitos sonhos em 2008. ;)

BOAS FESTASSSSSSSSSS!

Digo-vos isto com tristeza, este ano não vai haver presépio:

- A vaca está louca, não se segura nas pernas...

- Os reis magos não podem vir porque os camelos estão no governo...

- Nossa Senhora e S. José foram meter os papéis para o rendimento mínimo...

- O Tribunal de Menores ordenou a entrega do menino Jesus ao pai biológico...

- A ASAE mandou fechar o estábulo por falta de condições

Pelo sim, pelo não, passo já para a “segunda parte do filme”: BOM ANO NOVO!!!!

;-)

Bom, OK… Just in case: Feliz Natal!

:)

sábado, dezembro 15, 2007

Coimbra

Homenagem à minha amadíssima cidade.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Criminosa intelectual


Num letreiro lia-se “Não se copiam livros”.
Espantei-me. Uma série de pensamentos passaram, a correr, pelo meu cérebro: “Não se copiam livros?! Venho aqui há uma data de anos e agora é que vejo isto?! Será que eu estou doida ou já me fartei de copiar livros aqui?”
De testa engelhada considerei desistir. Uma amiga tinha-me emprestado um livro de marketing (que, por tradição, são caríssimos!) que eu nunca compraria. Mas, como ela mo deixou trazer para casa, acabei por descobrir pontos de interesse. Pedi-lhe e ela permitiu que eu o copiasse. Era isso que lá ia fazer.
Mas agora sentia-me uma criminosa. Eu, que até defendo com unhas e dentes os direitos de autor! Sentia-me uma prevaricadora sem moral! Um verme sem espinha dorsal…
Vermelha de vergonha, duvidei ter coragem para perguntar à habitual menina se aquilo era mesmo verdade.
Quando estava quase a capitular, a doce melodia da voz da loura lá do sítio, olhando-me nos olhos e apontando para o livro que eu abraçava, perguntou-me:
_É para deixar ficar? – O tom era baixo e cheio de intenções…
_Sim… - Respondi timidamente.
_Só um bocadinho que eu vou ver se o meu patrão pode levá-lo para casa. – Disse aquilo como se o verdadeiro significado daquelas palavras estivesse relacionado com um segredo de estado…
Voltou passado meio segundo, pegando no livro, que eu larguei de imediato como se me queimasse as mãos.
_O meu patrão pode levá-lo.
Fê-lo desaparecer debaixo de uma série de folhas brancas na primeira das quais começou a tirar notas: o meu nome, o tipo de trabalho em abreviatura, etc.
_É para encadernar também? – Continuou baixinho e de forma despachada.
_Sim… - Respondi igualmente em surdina.
_OK. Em princípio amanhã está pronto a esta hora. Dá-me o teu número de telemóvel para o caso de acontecer algum imprevisto...
Dei-lhe o número como se aquela cena fosse normal.
Saí da loja com uma sensação estranha de ter acabado de cometer um crime. Parecia que tinha ido comprar droga ao dealer habitual enquanto a polícia rondava o local… E tenho a sensação que agora vai ser sempre assim…

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Shhhhhhhh!

Não ousava sussurrá-lo. Nem sequer me sentia confortável a pensá-lo. Mas, um dia, não resisti e partilhei. Partilhei o que sentia: estou óptima, a vida corre bem, sinto-me no caminho certo. O sucesso existe e – surpresa! – também pode ser para mim!
…Agora vivo com medo. O meu bem-estar é um bem público. Tornou-se real. É comentado… E, por isso, sinto-o vulnerável… Como se a bolha que me elevava no ar estivesse prestes a explodir com os impulsos complacente de um público pouco anónimo e bem intencionado. Temo, aliás, as boas intenções…
O caminho não mudou. E eu sei que estou nele, no certo, e não vou desviar-me tão cedo. Mas já não rio sozinha. E quando esperava rir com os demais, sinto-me tímida. Como se esta partilha fosse uma violação. Como se, depois de tantos anos a estudarem a minha tristeza, os que me rodeiam fossem incapazes de perceber a minha felicidade. … Ou serei eu que não a entendo, que a temo, que me intimido com tudo o que é bom nesta vida…?

segunda-feira, novembro 26, 2007

Não durmo

Eu não durmo há muito tempo. Não durmo em todos os sentidos. Sinto-me alerta. Preparada. Em constante actividade. Tenho milhões de coisas para fazer. Centenas de coisas pendentes. E não me organizo. As coisas vão andando, correndo. Os sucessos vão-se sucedendo. É tudo novo para mim. Novo e enervante, excitante. Sinto-me pronta para voar. Sinto-me preparada para, amanhã, apanhar um avião para qualquer grande cidade europeia. Sinto que o posso fazer. Que devo. Sinto que essa é a minha vida. Que esta é a minha vida. Que estou no caminho certo. Sem desvios. Como se, ao estender a mão, o que quero agarrar me surgisse na sua palma. Tenho tantas coisas a acontecer. Tantas, tão aguardadas. Tantas, que duvido ser eu quem veste esta pele. Mas sou. Sou eu. E vivo. Bem. É novo. É estranho. É bom. É cansativo correr. Não parar. Cansa não escrever. Não desabafar. Por isso aqui estou, neste texto corrido, a dizer… que estou bem… :)

segunda-feira, novembro 19, 2007

No comments

No final da semana passada, ao fim de 10 anos, foram adjudicados os 4Km que ligam a Buraca… à Pontinha!

(Eu não sei o que passou pela cabeça dos alfacinhas quando ouviram esta notícia… Agora quanto ao que passou pela cabeça do pessoal do resto do país, bom… no comments… LOL)

terça-feira, novembro 13, 2007

Bon Jovi em Portugal em 2008

Lisboa está entre as cidades da «Lost Highway World Tour»
"Os Bon Jovi vão actuar em Lisboa em 2008, anunciou a banda num ecard sobre a «Lost Highway World Tour», a nova digressão mundial de promoção ao mais recente álbum do grupo.
O nome da capital portuguesa surge no vídeo da banda, onde aparece a lista dos locais que fazem parte da digressão. Os elementos da banda anunciam: «Vamos a todas estas cidades fantásticas».
No entanto, ainda não aparece nenhuma data no ecard, nem é apresentado o local onde terá lugar o concerto em Portugal.
O IOL Música tentou confirmar a notícia junto da Universal Music, editora portuguesa da banda, mas não obteve resposta.

Vê aqui o Ecard."


Quanto a Lisboa, não sei, mas Barcelona, para mim, já está garantida! ;)

quarta-feira, novembro 07, 2007

Boa tarde, doutora

_Bom tarde, doutora. – disse.
Não lhe liguei. Fosse pelo cansaço ou pelo hábito de ouvir saudações corteses que nada significam, nem a ouvi.
No dia seguinte, novamente me calha a mim entregar a chave do escritório. Com um sorriso, voltei a ouvir o “Então, tenha uma boa tarde, doutora”.
Perguntei-me, então, há quanto tempo eu a ouvia sem a ouvir realmente. E descobri, enterrado na minha memória, o seu constante sorriso em diversas ocasiões. Era uma pessoa da confiança da administração. Fazia já parte da estrutura daquele edifício onde entram e saem doutores - reais e imaginários - a toda a hora.
Supôs, por isso, que a sua saudação era já uma “gravação” da memória e que nada significava.
Mas, todos os dias, aquela voz submissa me assombrava a caminho da casa.
_Boa tarde, doutora. - Ouvia-a na minha mente a outras horas do dia. – Doutora!
Numa dessas tardes perdidas no meio de tantas outras, ia já preparada para a ouvir.
Coloquei a chave em cima do balcão da recepção e olhei bem para ela. É mais velha do que eu, trabalha lá há mais tempo do que eu e tem a confiança daquelas pessoas todas.
_Boa tarde, doutora. - Disse previsivelmente.
_Não me chame doutora. – Disparei com convicção – Não é preciso. Sou muito jovem para ouvir esse título tão pesado. – Sorri-lhe. Coloquei-lhe a mão num ombro. Disse-lhe para me chamar pelo meu nome próprio.
Arrependi-me logo.
O sorriso esmoreceu-lhe, pôs os olhos no chão e eu li-lhe o pensamento: “Pronto, mais uma falsa armada em gaja porreira!”
Deixei a minha mão escorregar-lhe do ombro e também eu pus os olhos no chão.
_Boa tarde. – Disse-lhe timidamente.
E fugi dali.
Agora temo-lhe o olhar, porque sei que ao ouvir-lhe a voz simpática vou sempre adivinhar-lhe os pensamentos.

domingo, novembro 04, 2007

Corrupção Vs Julgamento

O "Corrupção" frustrou TODAS as minhas expectativas! Agora já conheço mais uma razão para o realizador não querer assinar o filme. É que é TUDO mau!
Primeiro, não vi NADA que não conhece dos noticiários escandalosos de há uns tempos. Depois, a Margarida tentou, mas não conseguiu fazer uma Carolina convincente. E, por fim, tudo o resto é falso, mau, mal feito! Uma fantochada, com localizações em Lisboa a quererem representar o Porto, com prostitutas que parecem saídas da fábrica dos horrores e com personagens a terem diálogos teatrais e poses absurdas.
Não há uma única cena que pareça real. Quiseram fazer tão bom e fizeram tão mau! É mesmo inacreditável a merda pretensiosa que se consegue ainda produzir neste país.
…Desculpem o desabafo. É da frustração!

O "Julgamento" está ÓPTIMO! Pela primeira vez, fui ver um filme português e saí da sala sem qualquer “mas” ou “se”.
Sem ser uma obra-prima, está tudo bom: guião, actores (um Júlio César soberbo!), som, imagem, realização, banda sonora, guarda-roupa, adereços, localizações...
NADA de mau a apontar (bom, excepto, talvez, a caca de interpretação da Fernanda Serrano… Mas não chega para estragar o resultado final) a uma história que começa no tempo da clandestinidade e traz à luz os legítimos rancores daqueles que sofreram nas mãos da PIDE e se sentem injustiçados neste país de brandos costumes.
Recomendo-o absolutamente!
Assim, sim, há esperança para o cinema português!

terça-feira, outubro 30, 2007

O meu companheirinho deixou-me…

Pavarotti

Chegou a casa a arrastar-se. Mal conseguiu chegar à porta. Subir o degrau exigiu-lhe forças que parecia não possuir. Mas chegou. Entrou. E, como sempre, pediu colo.
Faltou um ritual antes de se deitar para dormir nas pernas de quem estivesse disponível: não pediu comida. Deitou-se sem comer.
Algo se passava. Estava muito triste. Triste demais. Estava doente.
Não tinha nada no corpo. Não vomitou. Não se queixou. Apenas não comeu e parecia custar-lhe deslocar-se.
Os veterinários já estavam fechados e, o que quer que fosse, não parecia ser uma emergência…
Demos-lhe um remédio que devia funcionar como analgésico, um suplemento de vitaminas para substituir “o jantar” e, à ceia, obrigámo-lo, com jeitinho e uma seringa, a beber um pouco de leite.
Ao outro dia pouco comeu, mas quis sair com as gatas. Saiu. Até brincou. E à noite, até petiscou. Por precaução, foi ao veterinário, mas nada foi detectado.
Suspirámos de alívio.
Só quatro dias depois notámos um papo no lombo. Um papo enorme. Anormal. Assustador. A sensação que dava era que metade das tripas tinham mudado de sítio, já que a barriga tinha diminuído até desaparecer…
Corremos novamente ao veterinário.
O diagnóstico, desta vez, foi claro: hérnia. Suspeitava-se que o intestino tinha saído da bolsa que o envolve e passado para junto da pele.
Era uma situação perigosa. Tinha de ser operado.
Era o caçula da casa. Se ele estava a sofrer, então a questão teria ser resolvida o quanto antes. A operação ficou marcada para Segunda-feira de manhã.
No Domingo acarinhei-o como sempre, mas desta vez fiz questão de passar o serão com ele ao colo.
Tinha o coração apertado. Uma sensação horrível de que, se o abrissem, o meu bebé não ia voltar como estava até ali: de pé.
Acarinhei-o, sussurrei-lhe, confortei-o. Sei que ele o sentiu. Acreditámos juntos que a operação tinha de acontecer e que, depois, aquele ar triste com que voltou naquele dia já longínquo e que não o largou mais ia finalmente passar.
Mas não passou. Ele não voltou.
Ligaram-me do veterinário a dizer que o meu companheirinho tinha morrido durante a cirurgia. Que ele estava todo pisado por dentro. Que a situação era mais grave do que pensavam. Que apesar de terem resolvido a hérnia diagnosticada, não tinham conseguido contornar a hérnia diafragmática que encontraram e que se rasgava enquanto a suturavam.
Uma paragem cardíaca. E ele deixou-me.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Um Coração Poderoso

Quem é que consegue ficar indiferente a uma história que se sabe ser verdadeira até ao mais pequeno detalhe?
"Um Coração Poderoso" (A Mighty Heart") retrata ao pormenor os dias vividos por Mariane, esposa de Daniel Pearl, aquando do rapto do jornalista do Wall Street Journal em Karachi, no Paquistão, pouco depois da guerra (também mediática) no Afeganistão.
O final trágico da história já quase todos o conhecem. O que não conhecem é o dia a dia caótico de uma cidade vizinha da guerra, onde a diferença entre estar vivo e estar morto pode residir na nacionalidade ou na religião da família.
Esta é uma obra triste e densa, sem quaisquer pretensões políticas, que filma pormenores sem pudor e deixa brilhar, talvez demais, uma Angelina Jolie morena e sempre perfeita no papel de esposa grávida atormentada, mas racional. O retrato, sem julgamentos ou condenações, das diferenças culturais e das consequências reais da "guerra ao terror" é talvez o melhor deste filme. O pior será o facto do espectador nunca conseguir esquecer que Angelina… é Angelina e a falta de profundidade de todas as personagens secundárias.

segunda-feira, outubro 22, 2007

A vida às vezes...

Pois é. A vida dá muitas voltas e a minha deu um triplo mortal… O que vale é que aterrei de pé!
Ainda eu estava em Londres quando recebi um telefonema, algo enigmático, de uma amiga a dizer que “tinha uma proposta para mim”… Mas combinámos conversar quando eu regressasse de férias.
Regressei. Recebi a proposta. Ainda em férias, fui à entrevista de emprego e, quando voltei ao trabalho, foi para denunciar o meu contrato temporário que terminava daí a uma semana.
Deixei o jornalismo.
A decisão foi tão emocional e radical que não tive qualquer dúvida em assinar contrato de avença (traduzindo: passo recibos verdes!) e entregar a carteira profissional de jornalista.
Quando tentei juntar a minhas coisas no jornal da vila descobri que NADA tinha acumulado! Seis meses e não havia nada de supérfluo na minha gaveta. No fundo, eu sempre soube que aquele era um local de passagem…
Agora trabalho em part-time como responsável da área da Comunicação & Marketing de um projecto estruturante para a Região Centro e Coimbra em particular.
O salário – por ser um part-time e ter os descontos que tem – obriga-me a passar mais dificuldades do que passava antes, ao mesmo tempo que repenso o meu guarda-roupa para incluir peças mais clássicas e adultas. E, se algo falhar agora, fico SEM NADA: nem carteira, nem subsídio de desemprego. Mas, em cerca de um mês de trabalho, consegui mais resultados do que em quase 10 anos de jornalismo!
…A vida às vezes consegue ser uma ganda puta!

segunda-feira, outubro 15, 2007

London 2007 (7)

Na minha cabeça, naquela Quarta-feira, eu já fazia o count-down. O dia seguinte, era o dia da partida…
Tínhamos vários imperativos antes de deixar Londres: ir à Tate Britain, à Virgin, ao teatro e comprar chocolates no Harrods para oferecer à Eileen, a “santa” que me ajudou a encontrar a mala. Havia ainda a possibilidade de nos encontrarmos com um amigo meu, que trabalhava em Oxford, mas que tinha prometido vir ver-me naquele dia. Era um programa ambicioso, mas olhando para os itinerários dos dias anteriores… era possível!
Começámos pelo puro turismo: Tate Britain.
É um colossal museu de pintura. Sabemos agora que o Tate Modern é um bocadinho mais divertido. (Dizem!) Mas, mesmo com a aversão que tenho a estar fechada no mesmo espaço durante muito tempo, consegui passar QUATRO HORAS dentro da Tate Britain!!! A ver pintura!!! Não sei se é mérito do museu, se dos pintores, se da minha paciência. Mas estive quatro horas a olhar para quadros! E vi alguns fabulosos. Também vi aqueles que me fazem sentir gozada: precisamente os de arte moderna…
Saímos do museu tardíssimo.
Às sete e meia devíamos estar em Tottenham para ver o musical “We Will Rock You” no Dominium Theatre. Por isso, entre todas as escolhas possíveis, tomámos difícil decisão de “correr” até ao Harrods para comprar os chocolates à Eillen e deixá-los em Victoria, o local onde se situa o escritório dos autocarros Greenline onde ela trabalha.
Assim fizemos, em tempo recorde.
Voltámos a Earl’s Court para comer e mudar de roupa. E conseguimos estar em Tottenham bem antes da hora marcada. Ainda deu para, finalmente, irmos tomar um café a uma das lojas Starbucks, que infestam Londres como uma praga. Até há um Starbucks numa igreja!!!
O meu “amigo inglês” ligou-me antes da peça. Vinha no comboio oriundo de Oxford e queria confirmar o jantar. Combinámos encontrar-nos à porta do teatro no fim da peça.
Ver um musical em Londres faz parte do misticismo da cidade. E agora percebo porquê.
Mais uma vez, não consegui reprimir o sentimento de que andamos todos a brincar deste lado da Europa. Brincamos ao futebol… E brincamos ao teatro. Ali, o bilhete é caro, mas o espectador “leva com” um espectáculo brutal!
Tudo é bom: os actores, a história, o cenário, o guarda-roupa, o som, tudo. Deslumbrante. Emotivo. Bem conseguido. Apoteótico! Fantástico!
A história do “We Will Rock You” exulta o rock e os Queen em particular (não podia estar mais “na minha praia”), mas qualquer pessoa que ali entre não pode deixar de se sentir identificada com aquelas personagens futuristas, pouco ortodoxas e prisioneiras do “establishment”. Era impossível não rir ou não chorar exactamente nos pontos previstos pelo hábil autor. Fui manipulada com mestria. E adorei!
Para tugas como nós, o programa tinha um aliciante extra: o under-study da personagem principal é um actor português! Ricardo Afonso passou pelo teatro Aberto e pelo Politeama. Este é a sua estreia no West End. E que grande estreia!!!
Depois de rir e chorar com as aventuras de Galileo e Scaramouche, dirigimo-nos a Picadilly para jantar com o Moji.
O meu amigo é um jovem iraniano que viveu em Londres cinco anos antes de se mudar (temporariamente, diz ele) para Oxford. Conheci-o numa longa noite ao relento em Milton Keynes, quando ambos esperávamos por um mega-concerto dos Bon Jovi. Foi há um ano e, à custa de sms’s, cartas, e-mails e telefonemas, rapidamente o Moji se tornou num querido amigo. Eu não poderia passar por Inglaterra sem o ver.
A prosa soube melhor do que o jantar. Falámos de música e honestidade, de expectativas e frustrações, numa conversa que ficou a meio, como ficam sempre aquelas que são francas e ambicionadas. Foi MUITO bom ver o Moji e adorei o facto que ele e o meu namorado se terem dado bem. Já tenho saudades da sinceridade do olhar do meu jovem amigo e da sua voz despretensiosa e característica.
É tão agradável encontrar almas compatíveis e perceber que não estamos sós quando nos sentimos deslocados no mundo. A Galileo Scaramouche, Britney e Robbie da peça juntaram-se mais três nomes no mundo dos revoltados: os nossos.
Já passava da meia-noite quando, por sorte e a contra gosto, nos deixaram entrar nos túneis do metro para apanhar as últimas composições. Pensávamos que o metro fechava à uma da manhã, mas enganámo-nos! Íamos ficando em terra… o que em Londres… à noite… é MUITO grave…
Todos chegámos são e salvos “a casa”. Mas, para mim, a noite tornou-se subitamente triste… Era altura de fazer a mala. :(

No dia seguinte, só tivemos tempo de ir a Picadilly gastar “uma pipa de massa” em livros e CD's à Virgin Megastore e à HMV. Depois apanhámos o comboio para Luton e, lutando com malas, transfers e bagagem pouco ortodoxa, conseguimos meter-nos no avião.
Em Lisboa, a nossas malas foram as primeiras a sair na passadeira rolante e chegámos a Coimbra em tempo recorde, sempre em transportes públicos.

Cheguei da “minha terra prometida” à minha cidade natal para mudar de vida.
Uma semana depois, a minha existência tinha dado uma cambalhota brutal.
O que dizer?...
…Londres faz-me bem!... :)