Às vezes a vida prega-nos partidas. Sem explicação, e por causa de uma ou outra escolha insignificante errada, acaba por acontecer um chorrilho de eventos inúteis e frustrantes que depois já não têm volta. E tudo aquilo em que investimos perde-se nas malhas da nossa solidão, do nosso desconforto, da nossa desilusão.Foi isso que me aconteceu.
Rock in Rio. Barcelona. Foi tudo INCRÍVEL!... Eu é que não estive à altura.
Suponho que as expectativas eram tão grandes que não podiam ser concretizadas. Ou antes, pela primeira vez, eu não tive medo de criar expectativas (achava que já tinha conquistado o direito de as ter e de as ver superadas), mas a vida – mais uma vez e como sempre – deu-me uma bofetada! Ou duas… E pôs-me no meu lugar!
Não digo que tenha corrido MAL. Eu ainda prefiro ter ido. O concerto dos Bon Jovi no Rock in Rio foi MÁGICO! (Estou TÃO orgulhosa da minha banda e do meu país!) Barcelona é uma cidade fantástica. E a companhia foi impecável. Não teria ficado bem comigo própria se não o tivesse vivido presencialmente. No entanto, TODOS os pormenores falharam. TODOS sem excepção. Eu falhei.
Acabei por ter uma experiência banal, sem grandes entusiasmos pessoais, como quem passa um fim-de-semana na praia sem ter direito a mais do que o (sim!) maravilhoso som do mar e o (sim!) doce calor do sol, (mas) que já conhece, já viveu, já não aquece o coração nem faz sonhar.
Não era isto que eu queria para a minha viagem. Eu queria mais. Muito mais.
Eu queria histórias para contar aos netos. Queria desafiar-me. Queria emocionar-me. Queria abrir a boca de espanto. Queria que os meus olhos brilhassem. Queria que o meu coração falhasse algumas batidas.
Não consigo descrever o nível de frustração em que vivo. Não consigo explicar o que falhou. Não consigo tirar lições para o futuro.
Sou uma privilegiada. Uma miúda sortuda que viaja e vê concertos e não se priva de nada do que ama. Ou antes, que luta afincadamente para não se privar de nada do que ama. Que abdica de coisas importantes por outras mais importantes. Que sabe fazer escolhas, mas que acaba por percorrer o caminho mais difícil para obter o que pretende e tirar (tão raramente!) partido da vida.
Ainda assim, não sei se tenho verdadeiros motivos para me queixar. Não sei se devo sequer pensar ou referir a minha frustração. Se tenho esse direito. Se vale a pena fazê-lo. Se encontrarei uma explicação.
Mas não consigo deixar de o fazer.
Sinto-me um lixo. Sem objectivos. Sem certezas. Sem paixões. Sem saber que caminho percorrer para atingir o perdido conforto emocional.
Sou uma privilegiada que se queixa por perceber que lutar não chega. Que sonhar não chega. Que viver não chega. É preciso ESTAR, SENTIR, AMAR. E para isso não há fórmula. Ou acontece ou não.
E eu pergunto-me… Valerá a pena procurá-lo incessantemente? Ou os custos são maiores do que os ganhos? Vale a pena repetir? Ou desisto sem olhar para trás…?

































"Os Bon Jovi vão actuar em Lisboa em 2008, anunciou a banda num ecard sobre a «Lost Highway World Tour», a nova digressão mundial de promoção ao mais recente álbum do grupo.

O "Julgamento" está ÓPTIMO! Pela primeira vez, fui ver um filme português e saí da sala sem qualquer “mas” ou “se”.


Pois é. A vida dá muitas voltas e a minha deu um triplo mortal… O que vale é que aterrei de pé!