quinta-feira, março 19, 2009

Carta de motivação

Ex.mos(as) senhores(as),

Escrevo esta carta, não porque ma tenham pedido, não em resposta a qualquer anúncio, nem sequer por sugestão de qualquer amigo poderoso (até porque não os tenho). Escrevo-a porque sim. Porque me parece que já nada tenho a perder.

O meu nome é GK, sou de Coimbra e tenho dois cursos superiores. Foram dois porque o primeiro não me satisfez e o segundo continua por me satisfazer. Talvez não seja a formação académica que importa, mas habituei-me a referi-la ou não tenha eu crescido na “Cidade dos Doutores”… Digo que a formação não importa porque me parece que a maior parte das empresas escolhe os funcionários atirando ao ar todos os CVs recebidos e vendo qual deles cai no caixote do lixo. Não digo isto para ofender quem quer seja, é mais porque, na minha (já interessante) vida profissional, me deparei com mais incompetência do que com gente capaz. E quanto mais importante é o cargo mais incompetência encontro… Em geral, quero dizer… Claro que há excepções. Não as há sempre?

Mas minto. Também encontrei gente capaz e dedicada... Normalmente isso passa-lhes num instante: ou desistem de remar contra a maré e passam a fazer apenas o que é estritamente necessário por não encontrarem retorno no seu investimento e empenho... ou são cilindrados e tão vergados pela falta de atenção e de incentivo que acabam por deixar de ter capacidade para se auto-motivarem e começam a acreditar que são uma corja igual aos que os avaliam.

Mas não é disso que vos queria falar. Queria falar-vos de mim. Queria dizer-vos como sou boa profissional, que enfrento desafios de cabeça erguida, que sou sociável e falo bem em público e todas essas tretas que colocamos no CV e que não significam nada se estivermos na semana do SPM. Ah! Que pecado!!!!

Perdoem-me. Não devia referir o SPM... Aliás, não devia sequer referir que sou mulher. Devia dissimula-lo, escondê-lo o mais possível com frases competitivas e tiradas jocosas, talvez a atirar para o brejeiro, em suma, devia fingir que apesar de ter mamas, também tenho tomates, como qualquer membro do Conselho de Administração da V. prestigiada empresa. Bom, assim será daqui para a frente. Perdoem-me este pequeno deslize… Tomates terei. Sempre. Embora desconfie que não chegam para esconder as mamas... Bom...

Procuro, então, o emprego dos meus sonhos. Para dizer a verdade, esta é a décima nona carta de motivação que escrevo hoje. Mas vamos lá ver se ainda consigo encontrar palavras bonitas para vos convencer de que sempre quis trabalhar na V. empresa.

...Faz mesmo o quê, a V. empresa? Ah! Desculpem… Já são muitos googlanços hoje… Já estou a confundir tudo…

Ah! Sim. Já sei o que fazem. Mas, esperem lá… Porque é que eu estou a enviar o CV para uma empresa que produz palitos em Vila Nova da Barquinha?

Ah! Já sei… Já tentei tudo o resto. Pois… Bom… O que posso dizer…? Hum… Querem mais motivação para trabalhar na V. empresa do que a conta bancária a zero? Do que sentir-me inútil e desesperada à espera de alguém que me dê uma oportunidade? Do que ter o pai e mãe a perguntarem-me todos os santos dias porque é que eu continuo de roupão sentada ao computador em vez de andar de blazer a entregar CVs de porta a porta (não entendem que os tempo mudaram…). Aliás, querem maior motivação para trabalhar seja para quem for que me dê um salário decente do que ter 30 anos e ainda viver em casa dos pais enquanto se acaba de pagar o primeiro carro em segunda mão, à custa de um mini-subsídio de desemprego arrancado a ferros no fim de seis meses de miséria num barracão qualquer registado como empresa, depois de cinco ou seis anos de vida profissional a recibos verdes???

Por isso, envio o CV em anexo. É Modelo Europeu. Lindíssimo. Cuidado. Elogioso. Eu diria que é perfeito. Só espero que ele tenha também o mérito de cair dentro do V. caixote do lixo na V. próxima consulta aos arquivos com o intuito de preencher uma vaga.

Com os melhores cumprimentos,

GK

quinta-feira, março 12, 2009

Eu sou um homem

As evidências iam-se acumulando e eu fingia que não via. Não achava piada nenhuma aos vídeos de três minutos com bebés a rir que as minhas amigas de trinta e pouco me enviavam frequentemente. Não me emocionava quando via um pedido de casamento. Não vivia para as dietas. Algo de errado se passava comigo...
Agora, está tudo bem. Descobri que sou um homem. As peças do puzzle encaixaram.
Porque é que sou um homem?
Apesar de não ter uma pila, falta-me, pelos vistos, o glamour próprio de uma mulher.
Não, não sinto falta dos olhares masculinos. Tenho alguns. Talvez com menos interesse do que gostaria, talvez com menos respeito, talvez com menos delicadeza, mas eles ainda existem. Sinto é falta dos olhares femininos. (Evidência de que sou um homem?)
São as mulheres que nos “validam”. São as opiniões das amigas e conhecidas que nos dão confiança. São os olhares de inveja que nos dizem que “estamos bem”. E esses faltam-me.
Ao que perece, eu devia estar MUITO preocupada com a minha dieta. Sou uma criminosa por comer um bitoque. No entanto, já não aguento que me julguem por isso. Falta-me a paciência para estas conversinhas de merda em que as opiniões saem directamente das revistas de moda. Por isso, proibi-as.
Deixai-as ser miseráveis. Eu vou continuar a deliciar-me com os meus fritos e doces de vez em quando - que não como quando tenho uma crise emocional, mas sim, lá está, de vez em quando, porque gosto! - enquanto reduzo e tonifico o meu rabo (já de si não muito grande) paulatinamente nas aulas de Corpo & Mente, em vez de procurar o caríssimo Liposhaper, que proporciona um corpo lindo em três semanas e te deixa continuar a ser a “falsa magra” do costume. (“Falsa magra” é outro termo que aprendi nestas conversas da treta...)
Ao que parece, o facto de eu não borrar a cara todos os dias com cores berrantes faz com que eu fique “linda” quando me visto de Amy Winehouse” no Carnaval, apenas porque “nunca ninguém te viu com tanta maquilhagem”… Bom, se eu preciso de me vestir de Amy Winehouse para ficar “linda”, alguém precisa de usar óculos. Definitivamente.
A maquilhagem é também, pelos vistos, o motivo único pelo qual um homem olha para uma mulher. Só pode. Já que só eu e outra amiga de cara lavada é que nunca entramos na equação quando alguém do outro lado de um bar olha para a nossa mesa cheia de gajas.
A roupa também não me deve assentar lá muito bem. Não visto marcas. Ninguém inveja os meus tops da Zara, as minhas calças da Bershka ou os meus casacos da Stradivarius, embora eu os encha sem recurso a artifícios e os combine com reconhecido cuidado.
Em resumo, ou eu não tenho um conceito distorcido do que é ser MULHER (com M grande, com TUDO grande!) ou gaja não sou.
...Por isso, devo ser homem. ...Até já estou a pensar mudar o meu nome para Camões…
;)

quinta-feira, março 05, 2009

10 anos depois

Passaram 10 anos. E, se me perguntarem o porquê de tudo aquilo, eu nem sei responder. Não era o meu género de música. Nunca me derreti perante homens bonitos. E, sei-o agora, não conheci aquelas cinco pessoas assim tão bem. Mas, na altura, bastou um encontro, uma entrevista, para não conseguirmos esquecer cinco personalidades que, por muito que se tentassem mostrar seguras e confiantes, cativaram-nos mais pelos seus medos e pelas suas inseguranças - que transpareciam através das palavras feitas que debitaram durante toda a entrevista - do que pelas suas falsas certezas e ambições.

Seguiram-se três anos numa montanha russa de emoções. Viajámos pelo país, chamámos a maior parte do staff pelo seu primeiro nome e conhecemos dezenas de jovens apaixonadas pelos cinco rapazes ou apenas pela sua fama. No fim, queimámo-nos, derretidas contra a chama de uma celebridade excessiva e com os limites, os enganos e as frustrações que ela trouxe, que, mesmo depois de não podermos entrar nos camarins, nos atingiam a cada olhar das “nossas” estrelas.

Reflectimos, chorámos, amámos à distância e trouxemos para casa, acabado o circo, um sentimento de injustiça, de tristeza, de algo belo caído por terra, destruído, espezinhado pela falta de experiência de uns e a falta de escrúpulos de outros que exploram até à exaustão a vida de pessoas que tiveram a ousadia de sonhar.

É abstracto, talvez, este texto. Como abstracto continua a ser aquilo que sinto quando penso na época que percorri o país à boleia, a viver uma adolescência tardia que não sei justificar. Mas se me perguntassem se valeu a pena eu diria que, sim, valeu a pena! E, se me perguntassem se conseguiria repeti-lo eu diria que não, não poderia repeti-lo, porque a ingenuidade partiu e os olhos abriram-se. Mas se me perguntassem se gostaria de tentar repeti-lo eu diria que sim, gostaria de os ver juntos outra vez, porque estamos todos mais crescidos, a vida tem outro sabor e era engraçado ver como nos portávamos todos outra vez.

As lágrimas seriam certamente menos, as emoções mais contidas, as histórias deixariam de ser abstractas e confusas e passariam a ter um toque consciente de rebeldia, de teimosia. Seríamos apenas uns doidinhos em busca de um passado que já não se agarra. Um grupo de fãs poderosos, que diz ao chefe, com um sorriso desafiante, exactamente onde vai nesse fim-de-semana, em vez de fugir de casa pela janela ou de dizer à mãe que vai dormir a casa da amiga, apenas do outro lado da cidade, quando na verdade vai correr para o Norte para se enfiar, durante horas, em mais uma discoteca, em mais um hotel, na esperança de obter uma palavra, um olhar que justifique tudo aquilo.

Agora já não precisamos de justificações. Já não inventamos desculpas. Já não exigimos respeito quando duvidamos do respeito que temos por nós próprios. Vamos, sim, ver os Excesso mais uma vez. Vamos porque queremos. Vamos porque nos faz sentir bem. Vamos porque gostamos deles sem reservas e quem não quiser perceber ou aceitar isso, quem exigir justificações e respostas crescidas e racionais, pode ir plantar batatas ou dar uma voltinha ao bilhar grande...
…Iríamos ver-vos outra vez… se vocês quisessem…

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Alma gémea

Há dias em que o sol brilha fora da janela e a escuridão aniquila o coração dentro do peito. Dias em que o olhar não encontra repouso, em que os sinais não são lidos e os pedidos de ajuda ignorados. São dias em que a solidão toma conta do corpo e da alma e a capacidade de resistir vai diminuindo até ficar totalmente prostrada aos pés de quem caminha sem olhar para trás, sem estender a mão, sem perceber que o outro se está a perder nas entrelinhas de uma vida que lhe passa ao lado, de uma longa e eterna luta para manter a esperança, em suma, de uma enorme perda de tempo.
Se existe solidão tão grande também tem de haver o antídoto.
Suponho que a alma gémea é isso: é nunca mais estar abandonado(a) na solidão.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Ricardo Afonso - Portuguese actor in London

Ricardo Afonso é o protagonista do musical dos Queen ,"We Will Rock You", em cena no West End, em Londres, mais exactamente no Dominion Theatre, em Tottenham Court Road. Fui ver o espectáculo (que é fabuloso) e fiquei MUITO impressionada com o actor principal (e com todo o elenco, para dizer a verdade!). Só depois descobri que É PORTUGUÊS!
Durante bastante tempo escrevi e-mails a recordar o Ricardo Afonso cada vez que a Comunicação Social falava de portugueses bem sucedidos no estrangeiro e se esquecia dele. Recentemente, fui vingada! A RTP deu esta reportagem.
Parabéns, Ricardo Afonso! Sou tua fã.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Escrever

A modos que… não me apetece escrever hoje…
Quer dizer, apetecia-me passar estes dias de chuva aninhada numa casa que fosse um lar a escrever, sim, ficção, longa, em prosa. Um romance, um filme, um livro, grande, interminável, saído da minha imaginação.
Já não acredito nas minhas obras adolescentes. Não foram escritas nos teen years, mas são adolescentes, sim, com motivações adolescentes e pensamentos adolescentes e desenvolvimentos adolescentes.
Preciso de me dedicar a uma obra de que não me envergonhe. Grande, sólida, completa. Que me esgote e me faça renascer.
Quero voltar aos sonhos privados e pecaminosos de pôr no papel estórias que revelam mais de mim do que os meus desabafos. Quero sentir-me desafiada pela minha própria imaginação, quero deslumbrar-me no que descubro sobre mim quando penso que ninguém está a olhar. Quero arrancar, lá bem do fundo da alma, uma história grande que me envolva e me transporte para outra realidade… para conseguir continuar a suportar esta. Quero conhecer novas personagens, atirá-las ao mundo e deixar que ganhem vida própria e que sejam elas a decidir o seu destino.
Quero passar novamente por esse processo atroz e devastador que é criar.
…Mas esse não é o meu day job e a criatividade exige disponibilidade que eu não tenho…
Por isso, hoje não me apetece escrever. Cansei-me de escrever ninharias com os desabafos do costume (por muito que eu tente, os desabafos saem iguais aos do costume) e que sei serem escritas para serem lidas. Cansei-me, serenamente, de pôr frases sem consequência no papel. Cansei-me de mim dos meus desabafos.
Por isso, hoje não. Escrever. Não quero.

(Nota do autor: Respondi aos comentários do post anterior. Obrigada a todos.)

sexta-feira, janeiro 30, 2009

The gym

Tinha de me mexer, gastar energia e tonificar o corpinho que já se sentia à beira de um ataque cardíaco, portanto, inscrevi-me num ginásio. Nada mais normal nos dias que correm. No entanto, eu nunca fui normal…
Toda a vida me rebelei contra os ginásios. Detestava-os. Perdoem-me a franqueza, mas, para mim, salvo raríssimas excepções, eram armazéns de pedaços de chicha mais preocupados com a estética do que com a saúde, onde se juntavam um monte de máquinas inúteis que serviam para reproduzir “in vitro” tudo aquilo que se podia fazer no mundo, caso estas pessoas de palas nos olhos decidissem explorá-lo. Mas, claro, no mundo real, a arte do engate é bem mais complicada, até porque as vítimas se espalham mais, em vez de ficarem ali à espera das abordagens alheias.
Claro que esta minha forma de ver as coisas foi sujeita a enormes evoluções. À medida que a vida adulta ia tomando conta do pessoal que anteriormente fazia piqueniques no Choupal ou marcava tardes na piscina municipal, tornei-me menos radical e percebi que tinha de existir um lugar, concentrado, onde os workaholics, normalmente pessoal sedentário com vidas feitas em escritórios, se pudessem mexer um bocado. Mas eu não queria fazer parte desse mundo. Para mim, mexer era lá fora e sem rotina!
Pela boca morre o peixe e chegou a altura da minha vida em que tenho um emprego fixo e em que me sento ao computador sete ou oito horas por dia. Quando levanto o rabo da cadeira do escritório, sento o rabo no carro para conduzir até algum sítio onde o meu rabo se volta a sentar, seja no auditório do cinema, nas cadeiras do restaurante ou no sofá de casa. As tardes na piscina deixaram de existir, bem como os piqueniques no Choupal e até as maratonas de compras na Baixinha ou os passeios à Mata de Vale de Canas. Ao fim de semana, em vez de correr na praia, ou fazer caminhadas em centro históricos, a maior parte dos programas incluem apenas pôr-do-sol, jantar e café.
Ora, o meu rabo começou a refilar quando o enfiava dentro das calças habituais, os espelhos da lojas de roupa já se riam de mim quando era obrigada a mostrar-lhes as pelezitas caídas dos braços, barriga e outros sítios mais emblemáticos. E eu comecei a não gostar nada de mim. Não comer e não dormir também não me pareceu natural. Não o fazia por querer, mas como não gastava energia NENHUMA, simplesmente não tinha apetite e rebolava na cama à noite. E não vale a pena falar dos problemas acrescidos que a falta de auto-estima traz às pessoas…
Rendi-me.
Máquinas, cardio funks, racings e aeróbicas não fazem o meu género. Eu não preciso de me cansar ou de me desafiar. Eu preciso de me mexer, de respirar e de ter tempo para me encontrar. Por isso, dei Graças a Deus pela moda do Pilates e do Corpo & Mente. São coisas que sempre fizeram sentido para mim e só lamento estarem associadas ao espaço confinado e culturalmente questionável do ginásio…
Inscrevi-me.
E depois chorei.
Chorei que me matei. Porquê? Porque apesar de saber que os benefícios serão imensos e mesmo conseguindo passar por cima das desvantagens de andar a correr para o outro lado da cidade duas vezes por semana, com horários e saídas apressadas, e embora até consiga encarar com coragem o facto de esta ser mais uma merda que exige disciplina (é que eu tenho disciplina DE SOBRA, não pedi - nem queria - TANTA DISCIPLINA na minha vida!), não consigo apagar a ideia de que esta é mais uma daquelas situações que me obriga a admitir que sei exactamente onde vou estar semana após semana após semana após semana... E essa é maior sensação de fracasso que tenho memória.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Barack Obama

Resisti. Coloquei entraves mentais. Justifiquei que seria um ser humano como outro qualquer, não um santo. Coloquei sempre um “mas” antes de lhe gabar os feitos. Mas não consegui manter-me firme.
Sou fã de Barack Obama. Essa pop star americana que nasceu perante os nossos olhos, vindo sabe-se lá de onde, e que ascendeu ao poder sem que nada o fizesse prever. Um negro na Casa Branca. Um homem que fala de liberdade e comove quem o ouve. Um ser sublime que se expressa com a pose de um rei, destilando palavras queridas ao povo.
Sentada à frente do computador, com o cérebro no sítio, pergunto-me ainda: será que devemos depositar a nossa esperança num político? Será que não aprendemos nada? Será que a perda da inocência não nos abriu os olhos? Ou somos ainda inocentes? Acreditamos ainda que há um profeta, surgido das cinzas de um mundo vil e viciado, que nos virá salvar? Esse Jesus Cristo negro terá de fazer milagres em todo o mundo para conseguir sarar as feridas deixadas por anos de perversões, disputas e maldade…
Mas é isso que Obama promete. Ou antes. É isso que ele pede que o ajudemos a fazer: agarrar com as duas mãos a responsabilidade que lhe atiramos e fazer dela nossa também, para podermos curar os vícios de um mundo que cada vez temos mais dificuldades em amar.
Barack fala da América e comove o mundo. Fala como só conseguíamos, até aqui, sonhar ver um político fazer. Cada frase, sem dúvida mil vezes discutida e alterada com a ajuda de um staff profissional, atinge-nos, a todos, como um raio. Parece que nos lê os pensamentos. Aqueles que já temos vergonha de partilhar por serem utópicos, estúpidos de tão ingénuos. Diz-nos o que queremos ouvir. Mas fá-lo como se lhe saísse da alma, em vez de nos dar uma daquelas mensagens ensaiadas e falsas a que tantos outros nos habituaram e que aprendemos a ignorar. E, a mim, esmagou-me o facto de tantos, tantos, tantos no mundo quererem ouvir o mesmo que eu!
Estamos todos FARTOS! TODOS! FARTOS!
Estamos fartos da guerra do petróleo e dos vícios da bolsa, da clivagem anormal entre ricos e pobres e das injustiças sociais, dos valores impostos por tiranos legitimados por grandes democracias e das mensagens vazias dos que nos matam quando prometem proteger-nos. Estamos fartos de cinismos e mentiras, de vícios e falsidades, de esquemas e promessas, da vergonha, do crime e do medo.
Será Obama capaz de nos libertar? Conseguirá manter-se firme nas suas mensagens e propósitos? Poderá ele sobreviver ao cargo que tanto lutou para obter e às expectativas dos que o olham como herói? E aos que o odeiam pelo mesmo motivo?
Não consigo explicar porque fiz questão de ver a tomada de posse em directo na TV, quando não o faço pelo meu país. Não sei porque devoro os discursos que circulam na Internet desta Fénix negra que nos devolveu a esperança. Não entendo como, não sendo ingénua ou inocente, me aparecem lágrimas nos olhos quando o ouço falar.
Será mérito ou apenas carisma? Será o renascer ou a morte certa? A vitória ou a derrota?
Quero acreditar que, sim!, será ele a dar-nos o sonho de que Martin Luther King falava. Será ele o tal Jesus Cristo novo que irá salvar o mundo. Será ele a conduzir-nos a uma nova era. Mas não será isso demais para esperar de um homem?

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Revolução

Estou no meio de uma revolução pessoal. De repente, uma mulher que eu não conhecia, nem sabia que existia, saiu de dentro de mim. Saltou cá para fora cheia de certezas e seguranças. Sabe o que vestir, o que dizer, como falar e como viver.
Não sei quanto tempo vai ficar, mas estou a deixá-la mudar tudo o que quiser. Ela, determinada, anda revolucionar o meu guarda-roupa e todo o meu armário da casa de banho, além do meu sótão escuro.
Dia-a-Dia, eu surpreendo-me. De onde veio esta MULHER? Digo MULHER, porque existe uma diferença entre a mulherzinha que antes habitava o meu corpo e esta, que já compra cremes anti-rugas e decidiu levar-se a sério. Já não ri das piadas acerca do seu aspecto físico, prefere investir em mudá-lo. Já não espera por companhia para fazer o que quer fazer quando o quer fazer. E, principalmente, já não perde tempo com sonhos nem quimeras, antes faz a triagem do que se pode transformar em projectos e esquece o resto.
Não sei quanto tempo isto vai durar. Não sei se ela vem para ficar ou está só de visita e até me assusta um pouco o dia em que for verificar o que resta do passado. Mas, para já, ela tem carta-branca para me reinventar. Talvez seja esta a chave da felicidade…

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Ano Novo

Não há resoluções de ano novo. Desta vez, as passas foram engolidas de forma mecânica e desapaixonada. Não há nada que eu tenha consciência de querer além dos banais saúde, amor, dinheiro e, porque não?, viagens.
Não tenho planos, nem sonhos e estou muito assustada com isso. Parece que o meu mundo estagnou e eu já não tenho energia para correr atrás de sonhos e quimeras. Estou triste e aborrecida de morte e não vejo o que posso fazer para contrariar isso.
Será tarde demais para encontrar outra vida? Onde está ela? E porque é que me aparece sempre como uma promessa não definida, uma fantasma na noite e depois desaparece sem deixar rasto…?

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Natal

Época estúpida esta do Natal. Quem se declara católico fala do aniversário do Menino Jesus, tentando convencer os outros da divindade desse homem extraordinário, como se devêssemos festejar um aniversário de um homem, apenas por ele ter sido extraordinário. Quem se declara anti-espírito natalício não consegue, mesmo assim, deixar de se empanturrar de fatias douradas e broinhas e Bolo Rei e de mandar as 5000 mensagens a dizer que detesta o Natal, mas que, mesmo assim, pensa em quem ama, não vá o chefe ou o ex ou a tia pensarem que é uma pessoa sem sentimentos. Quem embarca em todo o espírito, abraçando as frases da época e as campanhas de solidariedade, cheio de sorrisos e sinceridade no coração, depara-se com as filas do supermercado, com a falta de tempo para escolher prendas ou cozinhar os desejados petiscos da época, com a rede de multibanco e os servidores sobrecarregados, fanados com tanta “gente de boa vontade” a comprar prendas e a mandar e-mails natalícios cheios de desejos que esquecemos nos restantes trezentos e tal dias do ano.
Detesto as prendas só porque sim, sem terem em atenção a quem se destinam. Mas também odeio que alguém se esqueça que, neste dia, embrulhe-se o que se embrulhe, convém estar algo debaixo da árvore de Natal, para que todos saibam que foram lembrados. Já não encontro significado nos cinco milhões de e-mails que recebi, mais as oito mil mensagens, não as distingo umas das outras, não sei a quem escrevi ou quem me escreveu. E, mesmo assim, prefiro esta balbúrdia ao esquecimento. Odeio as lojas e os shoppings e os cafés da esquina fechados no dia de Natal, porque não deixam outra alternativa a quem quer/precisa por todos os meios ignorar que é Natal para não cortar os pulsos. Mas, ao mesmo tempo, comove-me este tentativa geral de sossegar, de recolhimento, de silêncio, esta grande pausa universal que todos os anos somos obrigados a abraçar e que é tão marcante que, mesmo que se tente, não se consegue fugir de se sentir alguma coisa.
Detestei o meu Natal, na sua rotina idiota e embrutecedora, igual aos outros dias, mas com pausa para pensar nela. Odiei não ter comprado prendas para a minha verdadeira família, composta por seis ou sete mulheres minhas amigas que significam mais para mim do que elas sequer imaginam. Cortou-me o coração ficar em casa, sentada, dormente, em frente à televisão, sem um telefonema, uma mensagem, um encontro com qualquer delas, porque os telefonemas nestas datas fazem-se para a família-família, as mensagens mandam-se enquanto as operadoras não as taxam e os encontros com “os amigos” guardam-se para os dias em que não é Natal.
Sinto-me dormente. Tenho vontade de odiar o Natal e as suas luzes e os seus sentimentos genuínos e os seus presentes e as suas campanhas, mais o homem de vermelho e o próprio Menino Jesus, as suas obrigações e obrigatoriedades não negociáveis. E, mesmo assim, por momentos, ocorre-me o pensamento de que, na verdade, sou eu, de todos os que conheço, quem deposita mais esperanças nestes dias de pausa da humanidade, quem mais procura a perfeição dos pensamentos e as mãos dadas, quem mais espera a ternura e o carinho prometidos que insistem em escapar-me (escapar-nos…?) por entre os dedos…

segunda-feira, dezembro 22, 2008

BOAS FESTAS

CARTA AO PAI NATAL

Original: All I Want For Christmas is You
Letra: Vasco Palmeirim, el Maestro

Escrevo-te mais uma vez
Meu querido Pai Natal
Este ano portei-me bem
Nao tenho registo criminal
E há uma coisa que não esqueço
e é isso mesmo que te peço
Quero um Natal
Com a Rádio Comercial!

Quero ver o Natal nas ruas
Faça frio ou faça sol
Quero encher-me de rabanadas
Sem afectar o colestrol
Quero conhecer o Obama
e cantar com a Lenita Gentil
Quero ver a selecção
a não levar seis do Brasil
E há uma coisa que não esqueço
e é isso mesmo que te peço
Quero um Natal
Com a Rádio Comercial!

Quero sonhos e azevias
E bacalhau com pouco sal
Quero ver a Heidi Klum
Vestida de Mãe Natal
Quero a família reunida
E os presentes do costume
As peúgas, as cuecas, as meias, as agendas
E o belo do perfume
E há uma coisa que não esqueço
e é isso mesmo que te peço
Quero um Natal
Com a Rádio Comercial!

Quero visitar os meus primos de França
E eu não quero saber o quanto marca a balança
E por todo o Portugal
Ouve-se a Comercial
Não há outro som que seja mais bonito
Bonito, bonito... são as canções do Tozé Brito

Desejo sorte e saudinha
Para si e para os seus
Pra mim, quero discos de platina
E tocar nos Coliseus
E há uma coisa que não esqueço
e é isso mesmo que te peço
Quero um Natal
Com a Rádio... Comercial!!!

Bom Natal com a Comercial!!!

PS - Ouço-os todas as manhãs. Achei que era uma boa forma de desejar umas BOAS FESTAS a todos. :)

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Síndrome do Patinho Feio

No dia em que postei as flores (com uma murcha: EU!), um evento que estávamos a planear teve de ser cancelado. Era uma visita aérea, o tempo piorou muito e os jornalistas começaram a desistir. Eu assumi todas as culpas, desesperei, disse ao meu chefe que o meu lugar estava à disposição, porque o que eu sabia fazer já tinha feito para colocar a empresa nos títulos dos jornais. A televisão nunca nos deu atenção. Esse é um dos objectivos que nunca consegui concretizar.
Chorava compulsivamente, sozinha no escritório, enquanto falava com ele pelo Skype.
“Você tem a síndrome do Patinho Feio!”, escreveu por fim. E depois tentou convencer-me de que eu via o mundo sempre nos meus ombros e as coisas não eram bem assim. Disse-me que eu tinha de parar de assumir culpas que não eram minhas ou que, no mínimo, eram partilhadas e que tinha de deixar de ser tão dramática. Garantiu que aquela era a última vez que me ia dizer que confiava em mim e que eu tinha de arranjar maneira de ter mais confiança em mim própria. “Confiança é tudo!”, reforçou, “Olhe para mim!”.
O meu chefe é uma espécie de Mourinho, mas em afável. Um tipo cheio de genica, que pinta sempre quem é, o que faz e aqueles com quem trabalha com uns pozinhos de optimismo a mais do que a realidade. E a verdade é que resulta. As pessoas tornam-se aquilo que ele espera, os acontecimentos quase sempre acabam por lhe ser benéficos e aos quarenta e poucos é uma das pessoas mais conceituadas da área em que trabalha NO MUNDO! E garante-me que só chegou onde chegou porque NUNCA duvida dele próprio.
Na altura acho que acabei por não lhe responder. Ou, se respondi, foi com algum smiley banal. Ontem voltei a lembrar-me do que ele me disse....
A verdade é que, sim!, eu tenho a Síndrome do Patinho Feio. Na vida profissional, na vida pessoal e na vida amorosa. Assumo as culpas de tudo o que corre mal. Não raras vezes, analiso algo que correu bem de forma enviesada e imagino que, na verdade, não foi perfeito e assumo que é culpa minha! É esse o meu padrão.
Analiso e analiso-me tentando encontrar formas de fazer com que não se repita. Sinto que as pessoas todas me julgam no mau sentido, quando, na maior parte das vezes, esse julgamento só existe na minha cabeça. Sinto inúmeras vezes que falhei ou que não estive à altura e preparo-me para as consequências… que raramente chegam. E, como não chegam, ponho os espinhos de fora. Desmotivo-me. Imagino que estão à espera de um momento mais oportuno para me dizerem o que pensam. Ou, pior, nunca o dirão. Mas acredito que a minha falha foi notada e anotada e, por isso, aguardo o dia do “julgamento final” com impaciência.
A minha relação com o meu namorado também é assim. Sinto que o negligencio, embora ele não se queixe. Prometo mudar, embora ele não mo peça. Juro que serei melhor, embora ele garanta que existe em mim algum tipo de perfeição idílica que eu não identifico nem nunca vi existir.
Ontem, após mais uma mensagem com todos estes juramentos, lembrei-me das palavras do meu chefe...
Será que é tudo ilusão da minha cabecinha? Será que eu sou boa namorada? Boa profissional? Boa amiga? Será? Não sei porquê, por mais respirações zen e sessões de relaxamento em que participe, acho que vai ser preciso o mundo virar do avesso para que eu acredite nisto. Eu, para já, só consigo acreditar que tento, que me dedico-me, que invisto, às vezes demais, já que me consome de self pity por sentir que nunca chego onde quero ou a ser quem quero… É tudo uma questão de objectivos, ou não?
Deus, se existes, que tal uma formatação nova aqui ao cérebro da menina como prenda de Natal…?

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Programa de ontem...

NO CASINO DA FIGUEIRA DA FOZ
CANTORA DE COIMBRA ACTUA EM NOME PRÓPRIO*

Aos 29 anos, Ana Sofia Gonçalves vê cumprido um sonho antigo: cantar, em nome próprio, para uma plateia do seu distrito. Já com um vasto currículo na área e uma carreira construída maioritariamente na zona de Lisboa, esta noite, Ana Sofia actua no Casino da Figueira da Foz, juntando-se, na agenda de Dezembro, a nomes como Vânia Fernandes ou Denisa, conhecidas pela participação no programa televisivo “Operação Triunfo.

Foi a ver os grupos juvenis como os “Onda Choc”, os “Ministars” ou os “Malta Pop” que Ana Sofia Gonçalves decidiu que ia ser cantora. A determinação era tal que os pais acabaram por se render e deslocaram-se a Lisboa frequentemente para que a menina participasse em castings da área. O esforço valeu-lhe a primeira oportunidade: conseguiu entrar nos “Malta Pop”.

Este foi o primeiro passo de um longo caminho. Determinada a ser cada vez melhor, a jovem cantora de Coimbra nunca virou as costas a um desafio, nem perdeu qualquer oportunidade para aprender. Terminado o curso de Comunicação Social na Escola Superior de Educação Coimbra e após uma passagem pelo curso de Canto no Conservatório de Coimbra, Ana Sofia tomou a difícil decisão de se mudar para Lisboa. Acreditava que era lá que iria encontrar novas oportunidades. Para trás ficavam muitas actuações, em nome próprio e em grupo, em festas de rádios, galas e espectáculos de solidariedade.

“Trabalhar, trabalhar, trabalhar" era o seu lema. E o caminho foi-se fazendo… Entre 2001 e 2003, foi vocalista do grupo de Dance Music “TWT”, com um álbum editado em 2002 e actuações ao vivo por todo o país, rádios e TV. Foi um dos elementos do coro do espectáculo do cantor Luís Filipe Reis, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, em Fevereiro de 2005, que teve uma edição em DVD. Em 2004 e 2005, foi a voz feminina dos “FEEL”, actuando em bares da zona de Lisboa, actividade que passou a desempenhar um pouco por todo o país desde Março de 2006. É, desde 2005, um dos elementos do coro da banda do cantor Marco Paulo, tendo actuado ao vivo por todo o país e em inúmeros programas de TV. Foi também elemento do coro da canção vencedora do Festival RTP da Canção 2007, “Dança Comigo (Vem Ser Feliz)”, que representou Portugal em Helsínquia, na semi-final do Festival Eurovisão da Canção 2007. Teve ainda uma breve passagem pela banda Hip Hop/R&B “Soulmates”, de Março a Agosto de 2007. Actualmente, além dos espectáculos de Marco Paulo, integra dois projectos musicais, os “32Be” (http://www.myspace.com/32be) e os “Feel It” (http://www.myspace.com/feelit2008),%20formações com músicos experientes que começam agora a introduzir alguns originais nos espectáculos ao vivo que fazem em festas e bares um pouco por todo o país.

Durante este percurso, Ana Sofia Gonçalves nunca deixou de apostar na formação, quer como cantora, quer como actriz, actividade que mantém em paralelo com as cantigas. Frequentando sucessivamente cursos e workshops, teve a oportunidade de participar em dois musicais - “Peter Pan” (no qual desempenhou a personagem de “Wendy”) e “High School Musical” -, que estiveram em cena, em Lisboa e no Porto, durante os anos de 2007 e 2008. Conseguiu ainda dar vida à personagem “Odete” em “Fascínios”, a recente novela da TVI.

No Casino da Figueira da Foz, Ana Sofia Gonçalves (http://anasofiagon.hi5.com/) é acompanhada por Pedro Brito (http://www.myspace.com/peterbrite), na guitarra, e Luís Runa (http://www.myspace.com/lruna), nos teclados, músicos que integram os “32Be” e os “Feel It”. De entre o vasto reportório preparado pelo grupo (que vai do Hip Hop ao Rock, da Pop aos grandes clássicos da música portuguesa), a escolha para esta noite caiu sobre temas românticos e velhos êxitos, quer da música portuguesa quer da anglo-saxónica. Uma aposta sóbria para o ambiente requintado do Casino da Figueira da Foz, local onde actuam hoje, pela segunda noite consecutiva.

* Minha querida e talentosa amiga! Fiquem de olho nela... :)

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Hoje não vou escrever nada...

Seria redundante e estúpido...
.
Tenho de me encontrar. Com urgência...

quinta-feira, novembro 27, 2008

Pressa de viver

Não ando triste, nem “amarga”. Ando impaciente. Não é por dizer que me sinto presa e em espera, como sempre, que estou triste ou deprimida. Não é por avaliar a minha vida com os pés no chão e por assumir verdades, que essas verdades me abalam. Eu aguento. Estou é com pressa de viver.
Admito que andei aí uns tempos em me era difícil parar para respirar sem sentir as lágrimas à espreita. Mas já não chamo a isso “andar deprimida”. É a vida. A minha, pelo menos. Ciclicamente é simplesmente assim.
Agora ando impaciente. Deve ser este sol fresco de Inverno que me ilumina a alma com promessas ténues que tenho de correr para agarrar. E hoje corro.
Ando cheia de vontade de mudar de objectivos. Pouco a pouco, tenho concretizado aquilo a que – agora sem pressas – me proponho e isso tem sido, na verdade, uma surpresa. Sabe bem ser “certinha”, quer em tarefas a terminar, quer em dívidas a saldar. Agora anseio por outras tarefas e outras dívidas. Tenho pressa em chegar ao fim destas obrigações e arranjar novos desafios. Preciso de novidades. E, ao contrário do habitual, acredito merecê-las. Acredito que posso tê-las.
Aguardo o novo ano com expectativa. Algo está a mudar.
Mal posso esperar para poder começar a poder gastar dinheiro em mim. Para sentir que estou a tornar-me aquilo que quero ser. Por chegar ao computador e escolher um destino longínquo e ir… Preciso de ir. E, desta vez, sinto que posso ir…


And now for something completely different… Aqui fica um desafio que fui convidada a aceitar. :)

Desafio da Isa e da Yargo

1 - O desafio consiste no seguinte:
1º temos que mencionar as regras,
2º escrever uma lista de 8 coisas que sonhamos fazer,
3º desafiar 8 cobaias para responder ao desafio,
4º fazer um comentário no Blog que nos desafiou,
5º e último avisar os desafiados para que saibam que foram desafiados...

O primeiro ponto cá está, mas aviso já que não vou cumprir as regras todas!!! :)


2 - Ora, então… Oito coisas que queira fazer? Hum…

1. Viajar para um país diferente a cada dois anos, give or take, até chegar a Vancouver, no Canadá;
2. Descobrir a minha vocação e ser feliz perseguindo-a;
3. Ter um ninho próprio. A casa dos pais já não chega;
4. Publicar qualquer coisa em nome próprio (e não me refiro a notícias de jornal ou blogs. Had enough of those!);
5. Continuar a ir a MUITOS concertos, em Portugal e no estrangeiro;
6. Fazer os possíveis por me manter saudável física e emocionalmente, melhorando de dia para dia;
7. Lutar por ter sempre estabilidade financeira;
8. Saber amar quem me ama (Podia ter posto o ponto final em "Saber amar.").

Nota de rodapé - Aqui diz coisas que queremos fazer. Deduzi que são coisas que dependem de nós… Eu também gostava de ganhar o Euromilhões, mas, apesar de meter o boletim de vez em quando, isso não depende de mim…

3 – Não vou desafiar oito cobaias! Sou sempre a favor da liberdade. Quem quiser aceitar o desafio, pode fazê-lo! ;)

4 - O resto já fiz antes de escrever isto… :)

quinta-feira, novembro 20, 2008

Tanto e tão pouco

Tanto que fazer e nada feito. Tanto para dizer e tão pouca vontade. Tanto para acreditar e nenhuma fé. Se o sol me brilha hoje, amanhã é tímido. Se me perco por caminhos desconhecidos, logo me tento encontrar. Se me encontro, procuro perder-me.
Não sei o que tenho hoje. Não me apetece pensar.
Apetece-me escrever palavras sem nexo e sem alma, para que não me conheçam mais do que eu conheço a mim própria.
E o que sei, afinal?
Sei que espero. Espero sempre. Dia após dia. Semana após semana. Espero. Espero pelo fim ou pelo princípio? Não sei. Aguardo sabê-lo também.
Não sei em que acredito nem se quero acreditar. Sei que estou cansada e que queria arrancar esta frustração de dentro de mim. Esta sombra permanente que me espreita como se eu não pudesse ter nada sem duvidar. Canso-me e luto ou penso que luto por algo melhor. Mas a sombra não me deixa. Dá-me tempo para me entusiasmar e depois volta e arranca-me a vida pela base. Volta sempre. Negra.
Canso-me de chorar e para não chorar deixo de dormir para continuar dormente. Canso-me de me queixar e quando me calo rebento de solidão. Canso-me de viver e morrer. E canso-me de esperar. De esperar sempre.

quinta-feira, novembro 13, 2008

O legado

Um dos fantasmas que mais me atormentam na vida é o que é que ando aqui a fazer, qual vai ser o meu legado, o fim da minha luta. Esta questão, para mim, está intimamente ligada ao trabalho, ao que faço 8 horas por dia, já que não sobra muito tempo para outras actividades que me preencham. Ora, ontem apercebi-me de que o que estou a fazer ainda não é o fim da minha viagem exploratória.
Entreguei a carteira profissional de jornalista e virei-me para as Relações Públicas / Assessoria de Imprensa. Não me arrependo. Mas também é verdade que, ao fim de um ano, já não acordo todos os dias à espera de desafios. E, ontem, já à tardinha, depois de um dia de sol simpático que se pôr bem em frente à vidraça da porta do meu escritório junto ao rio Mondego e deu lugar à escuridão, tive uma conversa com o meu chefe pelo Skype.
Voltámos a digladiar-nos sobre coisas básicas. Aparentemente, encaramos o meu trabalho de forma diferente: ele acha que a minha função é tráfico de influências (não é surpreendente, eu própria temi que fosse esse o dever de um RP); eu, ingénua, acho que é tornar o projecto interessante o suficiente para não ter de mover influência nenhuma. Tenho-o conseguido… Até porque não tenho influência nenhuma sobre ninguém e não quero ter. Aí reside a minha ingenuidade.
Por isso, vou ter de mudar de profissão yet again. Porque deixar de ser ingénua não quero, nem consigo.
Na mesma conversa, por brincadeira e a propósito de um evento que estamos a organizar e que envolve aviões, falámos da possibilidade de eu, um dia, vir a ter um avião. Eu, meia a brincar, meia a sério, disse-lhe que me desse 15 anos e eu teria um avião! Para o meu chefe, se isso um dia acontecesse, seria porque eu daqui a 15 anos estaria a dirigir um grande grupo de media. Para mim… A verdade é que não sei porque seria.
O que é que, na realidade, eu estou a fazer para ter um avião daqui a 15 anos?
Já cheguei à conclusão que esta profissão também não é para mim (atenção ao “também”!). Não estou a fazer nada em paralelo que me faça subir a escada social e económica… Ou antes, até estou. Mas se nessas “coisinhas” existisse talento, já alguém teria tido interesse nelas. Não lhes dedico sequer tempo suficiente (não o tenho!) para que melhorem, para que se “refinem” ou para que me dêem a satisfação que procuro.
Os arquitectos, os escritores, os músicos, os académicos… Esses deixam legado. É garantido! Com ou sem aviões ao fim de 15 anos, ficará na Terra a prova de que existiram. Perdoem-me a imodéstia, mas também eu procuro uma forma de cá ficar, de dar significado à minha vida, de deixar algo que produza um efeito no mundo ou apenas em parte dele. Não a achei ainda.
Não acredito já que o meu trabalho diário, o filme que escrevi, o livro que esbocei, ou a peça que planeio me dêem a imortalidade. Nem os cursos de teatro e de fotografia ou os de ciências forenses… Nem sequer as viagens e loucuras que faço todos os anos… Duvido vir a ter coragem de efectuar uma mudança verdadeiramente drástica de rumo e começar tudo de novo. Já não tenho fé para isso. Farto-me de lutar, recuso resignar-me, mas não tenho ainda resposta para a amiga que me pergunta incessantemente: “Estamos a ficar cotas, quando é que fazemos alguma coisa pela nossa vida?”…
…É que houve alturas em que eu tinha a certeza que estava fazer exactamente isso: algo pela minha vida!… Afinal…

quinta-feira, novembro 06, 2008

Remains

Apesar de querer fechar este “capítulo” da minha dolorosa história com o meu pai, pelo menos no blog, sinto que tenho de fazer uma última referência ao assunto, porque acho que o devo, pelo menos a quem teve uma experiência semelhante…
A minha história está discutida, analisada, assumida. Não há muito mais a fazer a não ser enfrentá-la e esperar que algo mude, uma vez que eu já mudei. O meu pai já não me intimida, já não me assusta, já não me consegue humilhar… Mas consegue ainda magoar. E muito.
Mesmo com as coisas “resolvidas” dentro de mim (ou talvez exactamente por isso!), há uma verdade à qual eu não posso fugir: TUDO o que eu sou vem dali. TUDO.
Eu sou agressiva quando estou a defender as minhas ideias, porque só na base do conflito é que eu conseguia levar a melhor. (“A melhor” sendo fazer o que me apetece. Mas sem apoio de ninguém…)
Eu não acredito no casamento, porque nunca o vi funcionar.
Eu não quero ter filhos porque não quero dar cabo da vida de ninguém, como deram cabo da minha. E porque há sempre algo que os filhos não perdoam aos pais. E eu não conseguiria viver com isso. Muito menos com o facto de um dia de mais stress, inevitavelmente, tratar o meu puto como o meu pai me tratou a mim.
Eu sou independente, porque nunca contei com a verdadeira ajuda dos meus pais para nada.
Eu sou solitária e tenho dificuldade em pedir ajuda pelo mesmo motivo.
Eu sou desconfiada, descrente e cínica perante as coisas boas da vida, porque o meu pai me ensinou que este mundo existe para te lixar e provou-o.
Eu oscilo entre a humildade excessiva e o orgulho e a auto-confiança, porque vivi sempre com medo e, por fim, tive de aprender a reagir sozinha e conseguir coisas sozinha a acreditar que “sim, é possível” sozinha… E a ter vitórias sozinha. Isso torna-nos estupidamente orgulhosos, porque nos tornamos sólidos. Mas acabamos por não aprender a partilhar tristezas ou vitórias. E não há forma maior de solidão nem maior castigo do que não saber partilhar vitórias.
Eu, bem no fundo, acho que nunca vou ser mais do que uma miserável que nunca vai conseguir nada de bom na vida, porque o meu pai me ensinou a olhar para mim assim e acredita que quando olhamos para nós próprios e achamos que merecemos mais do que o que temos é soberba.
Quando tudo está mal, eu não penso em matar-me. Penso em fazer a mala e partir. Porque sempre sonhei desaparecer da vista do meu pai para sempre, não castigar-me sem retorno.
Claro que ele também me conseguiu transmitir bons valores.
Eu já referi que o meu pai é um bom homem. Humilde, trabalhador, moral. Sou tudo isto. E mais.
Mas ninguém me tira da cabeça que foi ter este pai que determinou QUEM eu sou. E isso não lhe perdoo. Não lhe perdoo porque não o posso esquecer.

quinta-feira, outubro 30, 2008

O meu pai - The sequel

Uma vez que o texto anterior causou tanta consternação, eu vou lançar mais “achas para a fogueira”. Não tanto porque me chocam as soluções simples e conselhos básicos que me deram (perdoem a agressividade! As minhas reacções a quente tendem a ser agressivas… Deve ser influência do meu pai…), mas mais porque EU preciso de lidar com isto de vez. E, assumir o problema sem pudor, é sempre uma boa maneira de o fazer.
Eu não suporto o meu pai. E, sobre isto, disseram-me: “tenta”, “se queres fazer algo sobre o assunto, é agora que tens de o fazer”, “eu não conseguia viver assim” e até houve uma amiga que me perguntou se isto era mesmo verdade...
Pois bem, são 30 anos de tentativas falhadas. O que é que é suposto eu fazer? Humilhar-me? Suplicar? Auto flagelar-me? Digam-me por favor, se é que conhecem soluções mágicas. Porque francamente, ao ponto a que as coisas chegaram, a minha luta é por não lhe dar importância o suficiente para que continue a conseguir magoar-me. Esta é a MINHA solução. E já sei que, desta forma, se houver uma próxima vida (porque nesta já não se resolve nada, trust me!), vou “levar com ele” outra vez. Eu sei disso!
Quanto a “não conseguir viver assim” é bonito. Mas digam-me, o que fariam então? Sairiam de casa? Com que dinheiro? Lembrem-se que o papá não vai ajudar! Deixavam a vossa mãe de 74 anos à mercê da estupidez do marido? Ou obrigavam-na agora a sair também? Vá! Digam lá, por favor.
Quanto a perguntarem-me se é verdade… Sim, é verdade. É verdade desde que me lembro. Desde que me lembro o meu pai confunde o conceito de respeito com o de medo. Só que agora EU já não os confundo.
Diz-me, Ka, tu que duvidaste, porque é que achas que eu não procuro ninguém quando preciso de ajuda? Eu tenho uma teoria... Quando era miúda e procurava os meus pais com um problema próprio da idade tinha duas respostas possíveis: 1. Uma ameaça. 2. “Shhh! Não digas isso que o teu pai pode ouvir!”. É isto que eu sempre tive. E, portanto, habituei-me a resolver tudo sozinha.
Um exemplo? Tinha 11 anos no dia em que pela primeira vez confessei à minha mãe que sentia algo mais do que amizade por um colega. Tive a infelicidade de o meu pai ouvir. Antes de a minha mãe me responder, o meu pai disse-me que eu tivesse juízo, porque se eu me transformasse numa puta, punha-me na rua e eu teria de trabalhar para viver em vez de viver no bem bom às custas dele e andar a estudar. Vou repetir: eu tinha 11 anos. Nem sequer conhecia muito bem o conceito de sexo…
Mas não me interpretem mal. O meu pai é um bom homem. Um homem trabalhador e honesto e moral. Muito moral. Com uma moralidade à prova de bala. Tão à prova de bala que confunde sentimentos com depravações. E não sabe amar. Amar, para ele, é manter sob controlo. Quem não lhe obedece, não o ama. E, por isso, uma ou outra ameaça física ou uma ou outra surra ao longo da vida não foi culpa dele. Foi nossa.
Ora, uma criança não sabe que nas outras casas é diferente. Mas uma adolescente começa a perceber que sim. E uma mulher adulta não tem dúvidas.
Portanto, por favor – e mais uma vez, PERDOEM-ME a agressividade – não me dêem lições se não passaram pelo mesmo, OK? Não tenham ideias românticas de que com uma conversa séria tudo se resolve, se nunca se ajoelharam em frente ao V. pai a pedir, por amor de Deus, uma consulta de terapia familiar e receberam um empurrão trocista e uma ameaça em troca, OK? Não me digam o que fazer, se nunca viram a vossa mãe levar um estalo à vossa frente, OK?
Ah! Desculpem. Isto também foi culpa minha. Quando eu era miúda, o meu pai mandava-me sempre sair da sala quando ia… hum… chatear-se (?) com na minha mãe. Eu é que, dessa vez, por acaso, voltei para lhe pedir desculpa por qualquer coisa que tenha feito. Afinal, a culpa de ele estar tão zangado era seguramente minha. Logo, eu é que tinha colocado a minha mãe em maus lençóis, como sempre. Eu tentei pedir desculpa para o evitar… Parece que não cheguei a tempo…
Na verdade, não sei quantas vezes não pedi desculpa nem quantas vezes eles me mandou sair da sala. Demorei um bocado a perceber o que se passava quando eu saía da sala. Esse é um dos meus fantasmas… Quantas vezes? Era frequente? Não era? Eu podia tê-lo evitado…?
Sei que, agora, não saio da sala nem ele me manda sair. Mas dou graças a Deus por sair todas as manhãs de casa. Porque estive desempregada um ano e meio e perdi a conta às vezes em que acordava com o meu pai a insultar a minha mãe. Mas não interpretem mal, por favor! Não são cenas desagradáveis. Não. Ele CONVERSA com a minha mãe. Muito. Ele conversa dando-lhe ordens e dizendo que ela é estúpida e inútil e gorda e etc. Nada de gritos. Até porque a minha mãe não responde. Não há motivos para gritar. E também não há motivos para eu interferir. Ele não me manda sair da sala, mas eu não sei o que se passa quando saio de casa. Por isso, não vale a pena enervá-lo mais. Bastava mostrar que estava acordada e a ouvir e ele calava-se. Até à vez seguinte. Talvez amanhã. Talvez apenas quando eu não estivesse a ouvir.
Mas digam-me, devemos sair de casa (Para onde? Para alguma instituição de acolhimento? E depois vou trabalhar para o meu emprego altamente qualificado, de gente a quem isto não acontece, no dia seguinte, certo?) e deixar um velho de 73 anos totalmente dependente a viver sozinho, inundado de merda e fome? Sim, porque ele é COMPLETAMENTE dependente da minha mãe. Não por necessidade, mas por criancice. Não conseguiria estrelar um ovo, mesmo que a vida dependesse disso. Não lavaria uma camisa, não pegaria numa vassoura. Nem tão pouco sabe que comprimidos toma e para quê! Deixariam AGORA um velho inútil, que já não tem força para concretizar as ameaças que faz, sozinho, à sua mercê? Agora?
Por favor… Não me dêem, por isso, lições. Não me façam sentir que não fiz o que podia fazer e até mais do que isso. Não me digam que algo pode mudar porque é essa merda dessa crença que me apanha desprevenida de vez em quando e me faz continuar a chorar, agora não de tristeza ou culpa, como tanta vezes em miúda, mas de raiva pura por deixar que ele ainda tenha a capacidade de me magoar. Como no dia em que deu entrada no hospital e estava um cordeirinho totalmente dependente da opinião da mulher e da filha que tanto ama…
Esse é outro fantasma. O meu pai é um senhor muito simpático para a maior parte das pessoas. As minhas amigas acham-no um porreiraço. É difícil explicar que as moedas também têm duas faces. Até eu tenho dificuldade em ver isso às vezes. E é isso que eu não me perdoo. Não sou burra. Mas às vezes pareço. Porque, como vocês, às vezes também quero acreditar…