quarta-feira, outubro 15, 2008

Diferenças de género*

_Estou preocupado. – Disse o namorado. Estavam sentados na sala da casa dele, local de esporádicos serões em conjunto. – Não sei dos meus CDs favoritos. Tinha-os num arquivo que costumava trazer no carro. E agora desapareceram... Acho que mos roubaram.
_Não estão na tua mala de viagem? Levaste-os para o Algarve, lembraste? – Respondeu ela prontamente sem dar demasiada atenção ao assunto. Na verdade, a hipótese era bastante remota. Já tinham passado dois meses desde as férias no Algarve...
Mas ele levanta-se de rompante e desaparece para o quarto sob o olhar admirado da rapariga.
_ESTÃO AQUI! – Grita eufórico do quarto! – Volta à sala e beija-a com ternura. Ela tinha-o salvo…

_ Bebé, preciso de um casaco de Inverno. Podias vir comigo dar umas voltinhas às lojas. Sabes que eu valorizo a tua opinião… Além disso, és o meu melhor amigo… - Ela tentava convencê-lo com aquele ar de garota traquina e olhar terno.
_Ohhhh. – Responde ele esparramado na cadeira. – Estou TÃO cansado hoje…
Ela não insiste. Não vale a pena…
Olha para ele enquanto passa nos lábios o baton de cieiro que comprou há dois ou três dias. Não é o da marca habitual, porque esse estava esgotado, mas, apesar de não ter visto o efeito ao espelho, ela acredita que este lhe dá o mesmo brilho – apenas brilho – aos lábios que o outro, um brilho simples que lhe é característico, uma vez que não costuma usar maquilhagem. No olhar tem um misto de mágoa e condescendência.
_Ohhh, não me odeies. – Diz ele adivinhando-lhe os pensamentos.
Não havia nada a fazer. A conversa ficou por ali. Sem mágoas.
Foi já em casa dela, sozinha, que finalmente se olhou ao espelho… O baton que ela acreditava dar-lhe apenas brilho aos lábios, deixava-lhe, na verdade, um rasto vermelhão vivo na boca, que lhe realçava todas as imperfeições da cara de pele branca. E, como não costuma usar maquilhagem, nunca teve a preocupação de delinear os lábios com cuidado, pelo que, a “pintura” era tosta e desmazelada. Andava nesta figura desde que comprou o baton e o enfiou, descontraída, na carteira HÁ DOIS OU TRÊS DIAS!
_Não acredito! – Disse para a palhaça que olhava para ela do espelho. – Não posso crer que NINGUÉM tenha achado estranho! Meu Deus! Não acredito que ELE não me tenha dito nada!...

Moral da história: As mulheres salvam SEMPRE o dia aos seus homens. Os homens mal olham para as suas mulheres.

* Post partilhado com o blog Cardos & Prosas.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Longo Inverno...

Não encaixo. Não vale a pena procurar o lado zen da vida. Ele, para mim, não existe.
Eu bem tento olhar para tudo com distanciamento, já “dando o desconto”, mas a verdade é que não tenho hipóteses nenhumas!
Não encaixo.
Ora é porque não suporto as “diferenças” entra quem chega a chefe e quem não está talhado para isso (que é o meu caso, claríssimamente!), ora é porque não suporto as superficialidades do mundo que me rodeia, ora é porque estou farta de me sentir desvalorizada, até quando tenho a certeza do que estou a fazer.

Três episódios simples…

Chove a potes. Dois guarda-chuvas descansam junto à porta de entrada da empresa. Termina uma reunião com o Presidente do Conselho de Administração. Ele chega à porta, pega indiscriminadamente num dos guarda-chuvas e pergunta:
_De quem é isto?
Uma das colaboradoras acusou-se...
Resposta do chefe:
_Bom, agora é meu. Quer dizer… Eu depois devolvo-lho… Ou antes… Na verdade, as probabilidades de lho devolver são muito escassas. …Bom, vou levá-lo.
E foi-se.
Isto é para rir? Ou para chorar?

Numa visita a uma amiga que fez uma redução de estômago, uma outra amiga esteve, como sempre, a dar-lhe dicas de dieta. É habitual. Quando alguém fica privado de comer, fala-se em comida; quando alguém fica privado de tomar banho, fala-se de higiene, etc. Mas durante toda aquela visita se falou de dicas de emagrecimento. Deram-se lições…
À noite, num jantar colectivo de gajas, a perita em dietas encheu o prato de sobremesas que eram em buffet…
Isto é para rir? Ou para chorar?
Ou devo catalogar aquilo no file “futilidades”?! …Como aquelas em que se comenta a gordura da Jennifer Lopez que está ÓPTIMA apesar de APENAS há oito meses ter tido DOIS filhos GÉMEOS! Ou como as alusões às rugas do Pierce Brosnan que eu nunca cheguei a ver, apesar de ter tido o privilégio de “conhecer” o senhor…
Talvez eu seja cega…
Eu prefiro acreditar que, em vez de ser cega, a dose normal de futilidade presente no ser humano não me foi distribuída por altura da criação!...
Mas mesmo sem a dose “regular”, queixo-me do meu rabo e dos meus dentes e recebo aplausos quando digo que quero mudar algo em mim…
Isto é para rir? Ou para chorar?

Sou RP. É o meu trabalho. E ex-jornalista. Embora por vezes duvide das minhas capacidades, sei EXACTAMENTE como funciona isto dos media e o que “vende” na Comunicação Social. Sei qual deve ser o comportamento perante quase todas as situações em que seja necessário um contacto directo com a imprensa. Em suma: é o meu trabalho. E eu SOU competente (FODA-SE!!! EU SOU competente!).
Mas o meu chefe não percebe que quando eu lhe dou um conselho que ele não segue, está a “habilitar-se”… Não percebe que, quando eu lhe digo “É assim!”, não lhe estou a dar uma opinião oca, estou a dar-lhe um conselho ESTRATÉGICO pelo o qual supostamente ele me paga um salário!
…Depois os media publicam merdas onde criticam o MEU trabalho!
Mas isso não incomoda o meu chefe, que não percebe que não é só o nome dele que está em jogo. Não percebe que o MEU nome, por pequeno que seja, também está em jogo nesta cidade que é, na verdade, uma aldeia onde ninguém se esquece dos erros dos outros.
Para o meu chefe, as críticas ao meu trabalho são fait divers. Ao passo que, quando está ele na boca do lobo, fala em processos judiciais.
Mas como todos os miseráveis deste país… Eu PRECISO do salário…
Isto é para rir? Ou para chorar?

Estou cansada.
O zen parece-me cada vez mais inalcançável.
E, batam-me, porque estou a “ser gaja” demais!
O que vale é que a maturidade nos dá para encolher os ombros em vez de chorar…
Mesmo assim… vai ser um loooooooongo Inverno….

quinta-feira, outubro 02, 2008

O stress da estrada

Já conduzo. Ainda sou maçarica, mas conduzo. Regularmente. Por aí. E não há dia NENHUM em que eu não insulte alguém. Não aos berros de fora da janela. Não, isso não!, porque não se sabe o que anda por aí dentro dos carros. Insulto, porque tem de sair! Insulto… em conversa com o meu "vermelhinho"...
_Olha-me para este f**** da p***! Olha-me bem para o gajo parado com meio carro em cima de passeio e meio carro no meio da estrada depois de uma curva, hem…?! Lindo! Quem te partisse esses dentes aos pontapés levava um beijo meu, pá!
E sigo viagem. Serena. Até à próxima rua em que já sei que vou encontrar idiotas...
_ Ora, vamos lá ver hoje quem é o caramelo que decide ultrapassar-me, a mim, que vou a 50 km/h, numa rua cujo limite é… 50 Km/h! …Ora, cá está…. Lá vai ele… Quem te amassa-se essa cara toda era o meu herói, oh boi!!! Agora cá estamos nós, meu energúmeno, meu cabrão!, todos juntinhos no sinal vermelho. O que é que ganhaste com a proeza, hem?, meu estúpido?!
À hora de almoço, normalmente lá vai mais um desabafo:
_Olha, lá vem mais uma tia de BM a buzinar atrás de mim! Oh, minha p***, não vês que o limite é setenta?! Se o teu carro voa, passa por cima, oh idiota!
Olhando para mim, ninguém diria que da minha boca podem sair tanta água de esgoto. Ninguém… quer dizer… Só se forem os transeuntes que me ouvem enquanto passo de janela aberta… Às vezes, esqueço-me que ela vai aberta…

quarta-feira, setembro 24, 2008

Mini-entrevista a Pedro Tochas

Como já saberão os que leram o meu último post, sou fã do Pedro Tochas. Ora, o Pedro Tochas tem um site muito porreiro (http://www.pedrotochas.com/) onde o pessoal se pode inscrever para receber a “Tochas News”. Na última newsletter (ou terá sido a penúltima? Anyway…), o Pedro lançou um apelo aos fãs, que passo a transcrever:

“Na semana passada recebi um pedido de entrevista de um blog, ao qual respondi, mas fiquei a pensar:
Que tal dar entrevistas a todos os blogs do pessoal que lê o Tochas News?
Humm...?

Se me quiseres fazer uma mini entrevista para colocares no teu blog, manda as perguntas por email (MÁXIMO 7, sete !!!!!!!).Eu respondo o mais rápido possível.Depois mandas o link que eu coloco no meu site.Só te peço para junto da entrevista colocar a promo do Tour.”

Pareceu-me um pedido razoável. Portanto, mandei sete perguntinhas ao Pedro, que me respondeu de um dia para o outro.

Cá fica a mini-entrevista:

GK - De que é que te orgulhas mais nesta vida?
PT - De ter seguido os meus sonhos.

GK - Qual é a tua maior frustração enquanto profissional?
PT - Ter dificuldades em divulgar o meu trabalho, mas podia ser pior.

GK - E enquanto ser humano, qual é a tua maior frustração?
PT - Ter que perder tempo a dormir, há tanta coisa que quero ler, ver e ouvir e o tempo não dá para tudo.

GK - O que é que ainda te falta fazer, enquanto profissional e enquanto ser humano?
PT - Nem sei, gosto de deixar a vida correr e ver o que acontece.

GK - Como te imaginas com 80 anos?
PT - Sinceramente acho que não passo dos 50.

GK - O "Já tenho idade para ter juízo" é EXACTAMENTE o espectáculo que queres fazer nesta altura da vida? Descreve o conceito.
PT - Yep. Porque cheguei a uma idade em que fiz essa pergunta a mim mesmo, o espectáculo é sobre isso (e outras coisas), a resposta que encontrei está no espectáculo, por isso não faltes.

GK - Define a cidade de Coimbra em comparação com outras cidades que te tenham marcado.
PT - Foi em Coimbra que nasci como Artista, onde aprendi a ver o Mundo, onde encontrei a beleza na diferença, que mais posso dizer, é a cidade que guardo no coração.

Agora, se não se importam, vão ver um dos espectáculos do Pedro Tochas para transformar esta tour num sucesso, OK?

...Ele merece.
:)

quarta-feira, setembro 17, 2008

Adoro o Tochas

Não adoro o tipo dos anúncios da Frise, nem gosto muito do que vai aos ocasionais programas de televisão dar entrevistas e fazer malabarismos. Gosto mesmo é do Tochas. O Tochas que sobe ao palco. O Tochas que responde às perguntas dos fãs. O Tochas que percorre o mundo de mochila às costas.
Acho que gosto ainda mais do Tochas que imagino a partir dos pedaços de alma que ele vai deixando transparecer.
Gosto do Tochas agressivo que faz piadas sexys nos espectáculos de stand up comedy. Gosto do Tochas romântico que despe a alma nos espectáculos intimistas. Gosto do Tochas que sente que tem algo a passar às pessoas, mais como ser humano do que como artista. E gosto muito particularmente do Tochas que inventa espectáculos para se dar a conhecer, mas que foge e põe os espinhos de fora quando lhe tentam fazem uma pergunta que lhe exija abrir realmente o coração para responder.
Para mim, o Tochas é um solitário, um tímido muito tímido e com um coração de manteiga. Um ser auto-suficiente que se cansa de estar sozinho, mas não sabe como largar a solidão que inconscientemente escolheu. Acho que o Tochas não se identifica com o mundo que o rodeia e percorre os seus caminhos em busca de algo que o sublime, que o preencha. Duvido que o tenha encontrado. Acredito que o vai encontrando nas palavras de um miúdo que lhe chama “palhaço cool” ou nos olhos de algum velhote que ri das malandrices dos seus espectáculos e acredito que isso o faz continuar. À procura.
O Tochas que imagino reagiria com agressividade se eu tivesse acertado no seu retrato íntimo e o tivesse revelado ao mundo. Tentaria encontrar uma forma de justificar a sua raiva pela invasão a que foi sujeito com uma frase que parecesse sincera para camuflar a verdadeira sinceridade de se ver exposto.
Adoro o Tochas… O Tochas que imagino a partir de pedaços de alma que ele vai deixando transparecer. Adorava que o Tochas encontrasse tudo o que tem coragem de procurar por esse mundo fora…

PEDRO TOCHAS: http:// http://www.pedrotochas.com

quinta-feira, setembro 11, 2008

Vou fazer publicidade descarada mais uma vez. Há gente que merece!

Desta vez, a “gente” a que me refiro chama-se André Vaz Pereira e é um pianista conimbricense virtuoso. Mas a melhor qualidade dele - digo eu! – é ser o meu namorado amantíssimo e irrepreensível.
Assim, venho convidar-vos (aos que ainda não convidei pessoalmente) a verem o primeiro vídeo que ele colocou no YouTube:


Quem achar que ele é, de facto, virtuoso (e que me deve dar emprego como manager!) e quiser saber mais sobre o seu vasto CV, pode visitar também o MySpace dele:

http://profile.myspace.com/andrevazpereira

quinta-feira, setembro 04, 2008

Mudança... ou nem por isso

Não sei se são os famosos 30 anos a rodopiarem no meu cérebro ou se foram as férias com a pseudo-sogra… Não sei se tem a ver com o facto de finalmente ter o ambicionado carro ou apenas com o normal processo de amadurecimento. A verdade é que tudo está a mudar…
Lembram-se de quando acordaram um dia e já tinham peito (ou voz grossa) e pelos púbicos? Pois… Suponho que estou numa fase assim. O que foi não volta a ser.
Olho para tudo com impaciência e cinismo. Já conheço todos os processos que um dia chegaram para me enganar. Já sei o resultado da maior parte das minhas acções e as consequências dos meus actos. Já conheço as razões das minhas alegrias e das minhas tristezas. E, talvez por monotonia, está a apetecer-me mudar tudo.
Ah, não gosto de espinafres? Venha uma tarte verde. Chateia-me usar amarelo? Olha que t-shirt amarelo canário tão gira! Não gosto de ginásios…? Aquela aula de pilates está a parecer-me interessante...
Não se chama puberdade, mas deve ter um nome.
É a famosa fase em que as pessoas começam a querer fazer o ninho para guardar quem mais amam, em que o que queremos já não está sujeito a negociação com pais ou amigos ou portas vão acabar por ser batidas sem dó nem piedade, e em que o vazio se apodera de nós quando olhamos para o que conseguimos até aqui e damos conta de que nada ainda nos preenche verdadeiramente. Há dias em que não temos coragem para enfrentar o mundo.
É nesta altura que muitos decidem produzir um rebento na tentativa de que esse consiga melhor… "Melhor" sendo aquilo que não conseguiram eles próprios...
Não quero um rebento (ainda), mas já quero o ninho, a autodeterminação. E, apesar de nada me preencher, já não sei revoltar-me como quando tinha 16 anos.
“Ultimamente tudo me faz chorar”, disse-me uma trintona amiga, numa daquelas discussões em que se avalia a vida inteira e se chega á conclusão de que, se calhar, até aqui ainda nada valeu a pena e que “agora” é que tudo tem de mudar. Disse-mo com a serenidade de quem já nem sequer acredita em mudanças, mas se obriga a acreditar para não se perder de vez.
“Andamos todas assim…”, respondi-lhe no mesmo tom…

terça-feira, agosto 26, 2008

Querida pseudo-sogra

Querida pseudo-sogra:

Escrevo para lhe agradecer as férias deste ano em Lagos. Gostei muito do V. apartamento, gostei muito da cidade e também gostei muito de estar convosco esta semana. São uma família muito alegre e funcional. Nunca conheci este tipo de ambiente familiar tão saudável, pelo que venho agradecer-lhe ter-me proporcionado tal experiência.
Sinto-me, no entanto, na obrigação de alertar a minha querida pseudo-sogra para algumas situações que a minha querida pseudo-sogra parece fazer questão de ignorar…
Em primeiro lugar, tenho de lhe dizer que o seu filho NÃO É um inútil. Ele sabe lavar a louça, consegue passar uma esfregona pelo chão e, pasme-se!, parece que cozinha melhor do que eu (o que, na verdade, não deve ser muito difícil!). Sabia que foi ele que baptizou o meu vulgar fusilli com peru e natas de “Strogonoff de peru em cama de pasta”? Diga lá se não de chef…?
O que quero dizer com isto é que a minha querida pseudo-sogra já não precisa de o tratar como um bebé, cortando-lhe a frutinha ou fazendo todas as tarefas domésticas por ele. Agradeço, aliás, que não o faça, porque a querida pseudo-sogra não deve ter percebido, mas ele já espera que o trate assim e, portanto, quando a querida pseudo-sogra está por perto o seu bebé acomoda-se. Ora, isso significa problemas entre nós os dois…
Quero deixar aqui bem claro – já o tentei fazer antes, mas talvez tenha suavizado demais as palavras, porque a querida pseudo-sogra parece-me que não percebeu – que o seu bebé não arranjou outra mãe em mim. Isto é, eu não lhe vou cortar a frutinha, nem tirar as espinhas ao peixe, não vou cozinhar para ele (quando muito cozinho para os dois), nem vou fazer a faxina enquanto ele fica no sofá a ver os Jogos Olímpicos. Por isso, agradeço que, de futuro, e sempre que eu estiver presente, a querida pseudo-sogra não o encoraje a acomodar-se, fazendo todas as tarefas que devia ser ele a fazer. A querida pseudo-sogra pode não ter reparado, mas o tempo passou e o seu bebé tem quase 30 anos.
Na mesma linha de raciocínio, agradeço muito que a querida pseudo-sogra pare de me segredar receitas e formas infalíveis de “o A. Comer tudo o que se lhe põe à frente” ou de “fazer a cama do A. bem feita”. Sugiro que lhe conte, a ele, estes segredos fantásticos. Sabe?, sou talvez uma idealista incorrigível, mas sempre acreditei que a auto-suficiência é uma coisa muito bonita…
Agradeço-lhe também – porque sei que vieram do fundo do coração, pelo menos acreditando no largo sorriso com que os disse – os “elogios” que me foi fazendo. Sei que significa muito para a minha querida pseudo-sogra chamar-me de “minha norinha” e dizer que serei “uma boa dona de casa”. Mas, sabe?, a minha intenção não é nem nunca foi tornar-me sua nora nem ser boa dona de casa. Talvez a comparação seja excessiva, mas espero que assim a minha querida pseudo-sogra perceba finalmente o que quero dizer: as palavras “nora” e “dona de casa” são pregos no meu caixão. E, como sabe, eu fujo da morte…
Com isto não quero dizer que as minhas intenções para com o seu bebé não sejam honestas. O que é que pode ser mais honesto do que encorajá-lo todos os dias a encontrar uma outra jovem qualquer que não se importe de lhe cortar a frutinha ou cujo sonho seja andar de branco até ao altar?
O que quero dizer é que, na minha cabeça, quando me imagino com 50 ou 60 anos, não me vejo a tomar conta de uma cozinha para monopolizar a confecção de uma refeição para oito enquanto me queixo do que fizeram mal todos os que foram tentando fazer o mesmo ou do quanto trabalho a mais para manter a família feliz. Não me vejo a chamar as “minhas norinhas” para ajudar enquanto os meus bebés ficam sentados ou deitados no sofá (sem um pingo de vergonha!) a ver TV ou a jogar computador... Mas suponho que isso é uma questão geracional, por isso nunca discuti com a minha querida pseudo-sogra…
Aos 50 ou 60 anos, espero que as minhas preocupações ultrapassem ainda o cotão que poderá existir debaixo da cama. Espero estar a fazer a mala – com ou sem esforço – para a próxima viagem… com ou sem companhia…
Compreendo, por isso, querida pseudo-sogra, se a querida pseudo-sogra não me quiser junto de vós nas próximas férias, uma vez que esta nunca será – assumidamente! – a rapariga que a vai substituir nos cuidados que tem para com o seu bebé. Para dizer a verdade, e apesar do prazer que foi passar férias com uma família alegre e funcional, eu própria não posso garantir que quererei voltar a jogar este jogo…
Despeço-me com carinho, desejando que a minha querida pseudo-sogra consiga sempre manter a sua família unida à sua volta.

Beijinhos,

GK

quinta-feira, agosto 14, 2008

Férias Cibernéticas

Estou FINALMENTE de férias! A vista da janela é o paraíso. A areia é branca e fina e o mar tem um tom transparente de verde.
As minhas preocupações deviam centrar-se na refeição seguinte, na praia a escolher para o dia e, quando muito, nos resultados dos tugas em Pequim. Mas não…
Aqui a GK resolveu trazer o portátil e a placa Vodafone para férias… Achei que 15 dias fora do mundo eram demais…
Ora, com o portátil e a placa vieram TODAS as tarefas a que eu não consegui dar atenção em dias de stress: downloads em atraso, base de dados a preencher, fotos a arquivar, vídeos a colocar no You Tube, um manuscrito para passar para Word…
Aguentei quatro dias sem ligar o maldito. Ao fim de quatro dias o mundo voltou a entrar no meu paraíso. As noites voltaram a esticar-se até às 3h da manhã, os pequenos-almoços voltaram para a frente do ecrã e ele não voltou a desligar-se…
Os ombros subiram outra vez e a paisagem inesquecível de Lagos não consegue disfarçar os alarmes ensurdecedores do meu cérebro: ainda te falta TANTO para terminar as tarefas cibernéticas que prometeste completar no relax das férias!!!
:_(

quinta-feira, agosto 07, 2008

Assalto!!!

Ex.mos(as) Senhores(as),

A Lei n.º 22A/2007 que procede à reforma global da tributação automóvel e mais exactamente ao seu “Anexo II”, que aprova o Código do Imposto Único de Circulação (IUC), é descabida, ridícula e discriminatória. Não o afirmo em nome de nenhuma associação ou instituição (ainda!), digo-o em nome próprio, por ser uma das vítimas incauta desta lei absurda.

O texto da lei refere que “O facto gerador do imposto é constituído pela propriedade do veículo”, pelo que começo por questionar, nesse caso, o seu título. Mas o que me faz dirigir a V. Ex.as é, no meu ponto de vista, bem mais grave.

Com esta lei o Governo português não distingue automóveis usados de automóveis novos no que diz respeito aos veículos importados. O que interessa é se são matrículas novas. Ou seja, todos os veículos matriculados a partir de Julho de 2007 regem-se pelos novos valores.

Exemplo concreto: Um Peugeot 206, de 2001, importado de França e matriculado em Portugal em 2008, vai pagar de IUC 125 euros. Para o Estado português trata-se de um veículo novo, uma vez que a matrícula é nova. Um Peugeot 206, de 2001, comparado usado em Portugal paga de IUC 32 euros.


A minha questão é: porquê? Qual é a justificação para esta diferença? Por acaso os dois automóveis não entraram em Portugal da mesma maneira: pagando o Imposto Sobre Veículos? Não são os dois igualmente poluentes? Da mesma idade?

Eu comprei o referido Peugeot 206 a um importador de carros que me referiu que haveria uma diferença no IUC do meu carro por ser importado, mas essa diferença “nunca seria significativa”. Para mim, pagar pelo IUC quase QUATRO VEZES MAIS do que qualquer outra pessoa que conduz o mesmo carro que eu em Portugal É SIGNIFICATIVO E ABSURDO. E, apesar de estar na lei, não o aceito pacificamente, uma vez que se trata de um encargo ANUAL e PERMANENTE. Não importei um carro de luxo. Não sou sequer coleccionadora de clássicos. Importei um carro utilitário, normalíssimo, porque gostei mais deste do que de outros que se vendiam na altura com matrícula portuguesa.

A minha luta é agora perceber melhor a razão desta injustiça e, se possível, ter uma garantia de alguém responsável de que, em breve, esta situação seja rectificada.

Por isso mesmo, enviei este meu protesto ao Parlamento Europeu, através de uma petição, à Assembleia da República – ao seu Presidente e a todos os Grupos Parlamentares -, ao Primeiro-Ministro de Portugal, ao Ministério das Finanças e à Direcção-Geral de Impostos. Aguardo feedback.

Caso V. Ex.as considerem que este assunto tem interesse para vós, estou totalmente disponível para me associar a quem queira elevar o protesto quanto a esta questão a outro nível.

Com os meus sinceros cumprimentos,

GK

quinta-feira, julho 31, 2008

Olhar altaneiro e paneleirices do género...

Irrita-me. Irrita-me solenemente aquele hábito português e, em particular, coimbrinha de que tudo está mal. Tudo. Mal.
Chegas a algum lado e já vais com cara de mordomo inglês que tem de limpar caca do rabinho do bebé porque a ama faltou. Narizinho esticado, sobrancelhas franzidas, olhar altaneiro e de esguelha. Não é precisa nenhuma provocação para pores defeitos em TUDO. É porque está chover. É porque está frio. É porque está quente. É porque tem a cor errada. É porque não foi rápido. Ou não foi lento. Ou não esteve perfeito. Ou, basicamente, porque não está nem NUNCA estará ao teu nível!!!
E se te dá para falares de alguém? Uuuii! Isso é que é destilar veneno! E não, não é o habitual “cortar na casaca” tão necessário à sobrevivência mental e que alimenta o mundo. Não! É mauzinho. É perverso. Solemnly twisted. Cheio de palavras caras e justificativas intelectualóides que levam os outros a pensar que estás cheio de razão quando estás apenas a reagir ao garfo que tens espetado no rabo e que te obriga a andar tão direitinho e com uma terrível dor de corno por não teres coragem de fazer igual ao que criticas…
CHIÇA!!! Merda para tanta paneleirice! Fosga-se!
Estou fartinha de snobezinhos da treta! Mesmo!
E o pior? O pior é que é uma praga vastíssima. Vastíssima! Às vezes até dou por mim a fazer parte dela!!!
Cruzes canhoto! Acho que vou à Bruxa buscar uma mezinha que me livre disto de vez!...

quinta-feira, julho 24, 2008

Vermelho vivo…

Hoje acordei e vesti-me de vermelho. Dei outra oportunidade aos sapatos altos que me mordem os pés e trouxe todos os meus amuletos da sorte.
Ontem chorei até adormecer, como em tantas outras noites deste que devia ser o meu ano mas que me está a beber todas as energias.
Por isso hoje vesti-me de vermelho vivo e saí de saltos altos.
Queria sentir-me bem, forte e feminina, já que por dentro perco tantas vezes este sentimento tão essencial que é estar em harmonia com a própria pele.
Não sei se resultou ou se quando tirar os olhos do computador e voltar as costas ao escritório e as tarefas do dia volto a perder o tom vermelho vivo que procurei para pintar a alma…

quinta-feira, julho 17, 2008

Às das estradas…

Ando totalmente concentrada na condução!
Já terminei as aulas de reciclagem, mas quando peguei no meu “vermelhinho”, que, ao contrário do leve Corsa da instrução é um carro nervoso a gasolina, senti-me uma perfeita idiota!
Chorei, esperneei, gritei! Pus a hipótese de não voltar a casa para não ter de responder ao “Então?” ansioso da família. Odiei o meu gajo por ter posto um ar de pânico logo na primeira vez que o carro me “fugiu” (demasiado acelerador…).
Revi a minha vida toda, desesperada!
Não há mais dinheiro. Nem para aulas, nem para paneleirices do género. Ainda tenho de pagar o que devo aos meus pais e a vida não está para covardes. Portanto, no dia a seguir ao desespero, convenci o meu gajo a voltar a entrar no carro comigo…
Passado o primeiro momento de novo pânico, a coisa deu-se...
O carro é bruto, pronto! É como eu… Tenho de ser mais bruta com ele!
Vamos dar-nos bem… Agora sei disso.
Este é o meu processo, suponho… Embarco numa aventura, cheia de coragem. Ao primeiro sinal de adversidade ponho tudo em causa, choro, esperneio, mato-me. Depois quando acredito que o mais certo é falhar e já não existe pressão para andar para a frente, avanço e cumpro objectivos!
É a história da minha vida. E cansa…!!!

quinta-feira, julho 10, 2008

Roller coaster

Estou na antecâmara do desfalecimento… Nas vésperas do suspiro de alívio. Antevejo já o dia da libertação!... Os dia em que os “pendentes” ficam, FINALMENTE, resolvidos!
Ainda faltam algumas “coisicas” para chegar “ao fim”. Mas os projectos “monstruosos” estão na recta final e eu já começo a consiguir respirar…
Já chorei. Chorei muito. Deitada à beira-mar pela primeira vez este ano, libertei o que me ia na alma até começar a dizer baboseiras incompreensíveis desenterradas sabe-se lá de onde da minha alma. Fiquei com os olhos empapados e o rosto com uma nuvem de tristeza. Mas deixei de ver aquele fantasma encovado que me olhava no espelho. Agora, embora cansada, vejo-me a mim.
Sou uma sortuda. A vida dá-me coisas lindas. E eu - como gaja que sou, como portuguesa que sou, como parva que sou - estrago. Encontro pó e cinzas onde há brilho e cor.
Mas estou a começar a ver, lá bem ao fundo, no horizonte escondido pela luz intensa de um sol que nasce devagar, o tal brilho e a tal cor que procuro para a minha vida.
Será temporário, eu sei. Como tudo é temporário. Mas passada letargia do cansaço que está a cair sobre mim, eu sei que, pelo menos durante algum tempo – pouco! – vou sorrir para cada dia. E vou ver de novo o meu anjo protector negligenciado por entre a azáfama das minhas últimas semanas e vou agradecer-lhe por mais um mês carregadinho de histórias para contar. Histórias felizes.

quinta-feira, julho 03, 2008

Quero chorar

Quero chorar e acabar com isto! Chorar mesmo! Chorar até perder a alma, para poder renascer!
Estou farta de me queixar, de não me conseguir livrar da bagagem, do que correu mal. Quero desesperar, gritar, perder a esperança, bater no fundo, para me levantar outra vez.
Esta coisa adulta de encarar as contrariedades com um encolher de ombros está a dar cabo de mim!
Não quero que a dor me seja indiferente! Não quero aceitar e andar para frente, assim, sem o reflectir, sem o perceber, sem fazer as pazes com o destino…
Não chorei ainda as maldades que vida me fez nas últimas semanas. Não consigo respirar fundo e passar à frente.
Foi isto que os 30 anos me trouxeram: uma profunda incapacidade de chorar. E, por consequência, uma postura de velha chata a queixar-se de tudo e de todos. Uma costela portuguesa elevada ao extremo pela fadiga e pelo cansaço.
Quero chorar. Chorar desesperadamente. Porque o sol brilha lá fora e o mundo está cheio de possibilidades que eu não vejo, por ter a vista turva de lascas de tragédias passadas. Quero livrar-me delas. Bate-las. Derrota-las. Esquecê-las. De vez.

P.S. – Enquanto escrevia este texto, bateram à porta do meu escritório com vista para o rio. Disseram que um cão se estava a afogar no lodo do Mondego. Liguei para os bombeiros que não sabem bem se a questão é da jurisdição deles. Na margem, ouviam-se apenas latidos desesperados, vindos do meio das canas e do lodo. Enquanto os bombeiros cruzam burocracias, corri para a outra margem para pedir ajuda ao Clube de Canoagem. No tempo que demorei a atravessar a ponte, o cão deixou de ganir. A canoagem desistiu porque nada viu nem ouviu. Aguarda-se agora um barco de um particular e uma foice para cortar as canas. O cão já não responde. E eu voltei ao escritório para não ficar na agonia da espera… E para não perder a esperança... Nem imaginar um dos companheiros, que me cumprimentam todos os dias no parque e me lambem as mãos, a sair do lodo sem vida.

quinta-feira, junho 26, 2008

(Estou demasiado cansada para pensar num título para isto…)

Este está a ser provavelmente o mês mais cansativo da minha curta vida.
Em Junho, além do Rock in Rio, fiz uma viagem a Barcelona, festejei o meu aniversário, ando em processo de legalização de um carro (importado de França) e tenho um stand da empresa aberto numa feira industrial local que acrescenta à minha equipa de três pessoas 61 horas de trabalho além do horário laboral (para não falar da montagem e desmontagem da mesma)… Mas não é tudo…
Uma das minhas melhores amigas vai casar. Ora, moi-même foi escolhida para madrinha, o que quer dizer que a festa de despedida de solteira – marcada para o próximo Sábado, bem no meio da p*** da feira – tem de ser decente! E quem é que coordena as operações nestes casos, quem é? A madrinha, ou seja, aqui a je, pois claro!
Está tudo quase pronto. Mas tal como aconteceu com Barcelona ou com o meu aniversário, a minha única dúvida é se EU estarei lá… Quer dizer, estar, estarei. Mas não sei o que vou guardar daquilo, uma vez que eu ando praticamente de rastos e cada vez que me sento numa cadeira o meu corpo desiste.
Foi, aliás, isso que descobri com os meus 30 anos… Com a idade o corpo deixa de conseguir fazer loucuras. O cérebro diz que tu podes fazer dois dias non-stop na boa, mas o corpo começa a revoltar-se e deixa-te a braços com um mau humor desgraçado devido ao cansaço. E quando olhas para o espelho perguntas quem é aquele fantasma cheio de olheiras que se parece contigo… Enfim…
No fim do mês, desmaio! …Ou talvez não… Devo andar a meio das aulas de reciclagem de condução… E depois é o casamento… E, espera!, depois ainda tenho de tirar umas (curtíssimas!) férias e estar pronta para viajar e curtir…
F***-**! Se isto é vida, corto os pulsos!

quinta-feira, junho 19, 2008

Hoje faço trinta anos...

Esta foi a minha prenda...

Mas o ponto alto da minha semana, foi ver este vídeo...



Isto foi gravado 10 dias DEPOIS do Rock in Rio. Aos 45 segundos, vejam o que está dentro da caixa de guitarras da mega-estrela...

Já sei que pode ser um açoreano que toma conta das guitarras... Ou um madeirense que lhes serve as refeições... Mas eu ESCOLHO acreditar que é dele! E, mesmo que não seja, é um pedaço de Portugal que lá permanece com carinho depois daquelas 2 horas mágicas em que eu participei...

quinta-feira, junho 12, 2008

Como nota positiva…

Há exactamente dois anos, um pouquinho apenas antes desta hora, eu “conheci” este homem fantástico! …Isso, sim, foi um sonho!
;)

Frustração

Às vezes a vida prega-nos partidas. Sem explicação, e por causa de uma ou outra escolha insignificante errada, acaba por acontecer um chorrilho de eventos inúteis e frustrantes que depois já não têm volta. E tudo aquilo em que investimos perde-se nas malhas da nossa solidão, do nosso desconforto, da nossa desilusão.
Foi isso que me aconteceu.
Rock in Rio. Barcelona. Foi tudo INCRÍVEL!... Eu é que não estive à altura.
Suponho que as expectativas eram tão grandes que não podiam ser concretizadas. Ou antes, pela primeira vez, eu não tive medo de criar expectativas (achava que já tinha conquistado o direito de as ter e de as ver superadas), mas a vida – mais uma vez e como sempre – deu-me uma bofetada! Ou duas… E pôs-me no meu lugar!
Não digo que tenha corrido MAL. Eu ainda prefiro ter ido. O concerto dos Bon Jovi no Rock in Rio foi MÁGICO! (Estou TÃO orgulhosa da minha banda e do meu país!) Barcelona é uma cidade fantástica. E a companhia foi impecável. Não teria ficado bem comigo própria se não o tivesse vivido presencialmente. No entanto, TODOS os pormenores falharam. TODOS sem excepção. Eu falhei.
Acabei por ter uma experiência banal, sem grandes entusiasmos pessoais, como quem passa um fim-de-semana na praia sem ter direito a mais do que o (sim!) maravilhoso som do mar e o (sim!) doce calor do sol, (mas) que já conhece, já viveu, já não aquece o coração nem faz sonhar.
Não era isto que eu queria para a minha viagem. Eu queria mais. Muito mais.
Eu queria histórias para contar aos netos. Queria desafiar-me. Queria emocionar-me. Queria abrir a boca de espanto. Queria que os meus olhos brilhassem. Queria que o meu coração falhasse algumas batidas.
Não consigo descrever o nível de frustração em que vivo. Não consigo explicar o que falhou. Não consigo tirar lições para o futuro.
Sou uma privilegiada. Uma miúda sortuda que viaja e vê concertos e não se priva de nada do que ama. Ou antes, que luta afincadamente para não se privar de nada do que ama. Que abdica de coisas importantes por outras mais importantes. Que sabe fazer escolhas, mas que acaba por percorrer o caminho mais difícil para obter o que pretende e tirar (tão raramente!) partido da vida.
Ainda assim, não sei se tenho verdadeiros motivos para me queixar. Não sei se devo sequer pensar ou referir a minha frustração. Se tenho esse direito. Se vale a pena fazê-lo. Se encontrarei uma explicação.
Mas não consigo deixar de o fazer.
Sinto-me um lixo. Sem objectivos. Sem certezas. Sem paixões. Sem saber que caminho percorrer para atingir o perdido conforto emocional.
Sou uma privilegiada que se queixa por perceber que lutar não chega. Que sonhar não chega. Que viver não chega. É preciso ESTAR, SENTIR, AMAR. E para isso não há fórmula. Ou acontece ou não.
E eu pergunto-me… Valerá a pena procurá-lo incessantemente? Ou os custos são maiores do que os ganhos? Vale a pena repetir? Ou desisto sem olhar para trás…?

sexta-feira, junho 06, 2008

Vida adiada

Pensava que teria milhares de coisas para dizer hoje… Não tenho. Não sei o que dizer. Se o meu cérebro me censura e me diz para estar feliz, o meu coração não consegue evitar deitar algumas lágrimas sentidas.
Acabou. O que quer que seja que me estava reservado passou. Desapareceu sem eu o sentir, sem o viver, sem a intensidade que pedi.
Passou e deixou-me aqui, assim, despida, sem alma, sem corpo, sem vida. A desejar algo diferente em que eu tivesse conseguido participar.
Não digo que não valeu a pena. Valeu. De alguma forma, valeu. Apenas ficou um qualquer sonho adiado que nem sei definir. Adiado. Como sempre. Eternamente adiado.