terça-feira, setembro 25, 2007

London 2007 (5)

Segunda-feira começou com uma prova de esforço. Cheios de vontade e confiança, decidimos sair da zona 1 do Metro. Mas como o bairro para onde nos dirigíamos era logo a seguir ao nosso, poupámos dinheiro indo a pé.
O perímetro de Earl’s Court, para Sul, varia entre o deprimente e degradado e a típica paisagem de capa de disco dos Beatles. Até tirámos uma ou outra foto a atravessar a rua com as casinhas todas iguais em pano de fundo. Naquele caso particular eram casarões. Mas, até Chelsea, o nosso destino, também passámos por apartamentos de bom gosto montados em caves que nenhum português ocuparia por não conseguir ver a luz do sol.
Chegámos a Fullham Road já cansados, mas mais cinco minutos e o estádio do Chelsea surgiu do nosso lado direito.
Tudo é azul em Stamford Bridge. Azul e com cheiro a dinheiro. A primeira coisa que vimos foi o enorme hotel do clube. Mas depois há também o imponente bar “Blues”, a mega-store de merchandising e o moderníssimo “The Chealsea Club” health club.
A forrar uma das enormes paredes que ladeiam o estádio está uma foto, a perder de vista, com centenas de adeptos vestidos de azul. No meio da massa humana surge a equipa com Mourinho ao lado (assim era quando lá fomos…). Aquela foto é imponente, envolvente, arrebatadora. Faz-nos sentir mais um adepto, desejoso de vestir azul e gritar pelo clube nas cadeiras (azuis) do estádio.
Não pisámos a relva, mas fomos gastar dinheiro à mega-store, o que é basicamente a mesma coisa. É que quando saímos, de saco preto - muito fashion, tipo mochila - na mão, já sentíamos que conhecíamos os cantos à casa e tratávamos todos os elementos da equipa por tu! Resistimos à tentação de mandar gravar o nosso nome numa camiseta do clube. Isso, ali, é exequível em cinco minutos.
Saí de Stamford Bridge adepta do Chelsea e com a sensação de que, no nosso burgo, as coisas são feitas a brincar. Ainda temos TANTO para aprender em matéria de organização, sedução e conquista do público!!! Não vi NINGUÉM no estádio do Chelsea, mas, ainda assim, sinto que sei tudo o que queria saber. Fui completamente conquistada pelos Blues. (O que é que eu faço com este sentimento agora?!! LOL)
Regressámos à zona 1 do Metro num red bus de dois andares, pois claro. O almoço deu-se no “nosso bairro”, Earl’s Court. À mesa discutimos futebol… e bairros londrinos.
De alguma forma, Chelsea tinha-me desiludido. Não era nada do que eu esperava… Talvez tenhamos passado pelos sítios errados. Talvez Stamford Bridge seja longe do que deve ser visto pelos turistas em busca das ruas exultadas em canções que falam da meia-noite naquele bairro típico. O que eu vi nada tinha de típico. Jurei ir ao Google, quando regressasse a casa, para descobrir qual é, afinal, o cerne do bairro. Darei mais uma oportunidade a Chelsea. Também eu me quero apaixonar pelo seu luar...
A tarde foi bem distinta. Ninguém está preparado para ver a Pedra de Roseta ou as estátuas do Parthenon ao alcance de uma mão... Foi isso que encontrámos (sem surpresa) no British Museum.
Inspirador de muitas histórias de ficção, o enorme museu faz juz ao seu mito. É extraordinário em tudo. A arquitectura é esmagadora, de tão bela e clássica e de tão ampla e moderna. Dá para os dois tipos de gostos. É um edifício (para não destoar dos outros grandes edifícios de Londres) colossal. Mas colossal em tudo! Dentro das vitrinas tem guardadas quase todas as relíquias da humanidade.
Não vimos nem metade. Escolhemos a dedo que nos interessava e, mesmo assim, tiveram de nos pedir que abandonássemos o local porque “o museu já está fechado”…
Este é o tipo de coisa a que só damos valor depois. Impacientei-me dentro do British Museum. Estava cansada demais e fechada dentro de um edifício há demasiado tempo! No entanto, olhando para trás, nem acredito que AQUELA era A Pedra de Roseta! Que AQUELAS eram as estátuas do Parthenon!!! Enfim…
Eram 6h da tarde. Cedo demais para dar o dia por terminado.
St. Paul foi o destino óbvio. Já tínhamos escutado os sinos, vislumbrado a cúpula, mas a visita tinha de ser oficial! Tínhamos de dar a volta à catedral, sentir a sua estatura, fotografá-la de todos os ângulos. Assim fizemos. Não pudemos entrar. Fecha cedo… Mas, à sombra da sua monumentalidade, deslumbrámo-nos e… descansamos os pés.
Com as forças retemperadas, fomos até à Vestry House, símbolo da destruição de Londres durante a II Guerra Mundial e, depois, voltámos a contornar a fenomenal catedral de St. Paul para atravessar a Millenium Bridge.
O meu namorado estava estafado, mas Southwark era logo do outro lado da ponte! Ele nem se apercebeu que foi habilmente manipulado para que eu pudesse voltar ao bairro em que me sinto no ninho…
A Millenium Bridge não abana tanto quanto os ingleses dizem. Essa, se dúvidas existissem, teria sido uma das constatações. Outra foi que a luz de um pôr-do-sol londrino, no fim de um dia quente e luminoso, é única e arrebatadora. Nunca tirei fotos tão plásticas, tão “salientes”, tão bonitas… Cheguei ao “meu”bairro ao pôr-do-sol… E, novamente, o sentimento de serena e eufórica pertença caiu sobre mim.
Southwark invade-me, enche-me, preenche-me.
Debaixo do puro tom dourado deixado pelo sol que se despedia do Thames, lânguido e preguiçoso, percorri, mais uma vez, as deslumbrantes ruas empedradas, atravessei os túneis escuros e estreitos, com cheiro a humidade e a história, as praças douradas e cheias de vida. O MEU bairro continuava a acarinhar-me...
A Tate Modern, o Shakespeare Globe Theatre, o Winchester Palace, o Prison Museum, o Golden Hinde (réplica do galeão de Sir Francis Drake que, no século XVI, atracava naquela mesma doca) e, finalmente, a extraordinária Catedral de Southwark...
Não sou religiosa, mas aquela igreja fascina-me. Não parece nada um local de culto. Ao olhá-la temos a sensação de estar perante um forte, mas depois, a delicadeza e o pormenor das suas fachadas, cobertas de pequeníssimas pedras de um tom mágico entre o castanho e o violeta, leva a nossa mente a sugerir-nos que estamos perante um palacete senhorial. Mas é uma igreja. Ainda que aparentemente sem vocação, é um local de culto. E isso enternece-me. Não sei porquê.
Fiquei alguns minutos a olhá-la, a fotografá-la. Mas o meu gajo já estava farto de me aturar e nem sequer sabia deste meu absoluto entusiasmo. Para o levar até ali, tinha-lhe prometido que apanharíamos o metro em London Bridge, “a estação mais próxima”. Desisti, por ele, de ver a Hay’s Galleria (antiga doca transformada em shopping muito fashion) e de continuar o meu idílio até à Tower Bridge.
Chegámos a London Bridge quando o sol se despedia finalmente. Ignorámos a London Dundgeon e entrámos no impressionante forte de metal que era a estação.
Mais um simples jantar em Earl’s Court marcou o fim de outro dia muito cansativo.

segunda-feira, setembro 17, 2007

London 2007 (4)


O Domingo teve início onde o dia anterior havia terminado: no Speaker’s Corner, em Hyde Park. Desta vez, porém, tivemos direito ao espectáculo que lá está em cena habitualmente, ao contrário da tarde anterior. Nesta manhã, estavam quatro ou cinco oradores a disputar as atenções dos transeuntes. Um falava de socialismo, outro de guerra, outro de discriminações, etc., etc. E, com mais ou menos sucesso, todos tinham audiência. Eu, à la mercenária, lá tirei umas fotos a mais uma cena icónica londrina.
O Big Bus esperava-nos para nos levar a uma série de locais que já tínhamos visto e outros que queríamos ver melhor. Baker Street, Regent Street, Picadilly, Trafalgar Square, Downing Street, Big Ben, Westminster, Waterloo Station e Tower Bridge desfilaram à frente dos nossos olhos, ainda mais bonitas do que antes. O destino era a Torre de Londres, onde apanharíamos o ferry de volta a Westminster. Preferimos ver o rio nesse sentido…
Tive pena de não entrar na Torre de Londres. Não pelas jóias da Rainha… Acho que não tenho muita pachorra para brilhantes riquíssimos por mais de cinco minutos. O meu fascínio é pela história medieval londrina. Tenho o feeling de que já lá estive, numa vida anterior ou coisa do género… Sei o que eram os calabouços mesmo sem nunca lá ter entrado e, embora me aterrorize, gostava de ter coragem para os visitar e confirmar (ou não) a imagem que tenho. Sinto que, de alguma forma, seria um regresso… Mas a quantidade de gente que lá se via e o preço dos bilhetes, aliados ao pouco tempo que ia durar o bilhete do Big Bus, fizeram-nos passar à frente dessa oportunidade, jurando que, caso tivéssemos tempo, voltaríamos. Não voltámos…
Aguardámos o barco em Tower Pier e tivemos, mais uma vez direito um espectáculo digno de ser registado: a Tower Brigde a abrir para deixar passar um veleiro. (Estávamos em cima da ponte, no dia anterior, quando o mesmo aconteceu.) Foi-nos dito que, em tempos que já lá vão, eram precisas dezenas de homens para fazer aquele trabalho. Não me surpreende, claro. Surpreende-me, sim, o engenho de fazer aquele monumento já com essa possibilidade. Fotografada a ponte em acção, do barco apinhado, pude toda a zona de Southwark.
Southwark é, provavelmente, o sítio do mundo onde eu me sinto melhor... A primeira vez que visitei aquela parte (medieval) da cidade (um ano antes), parei, aturdida, no meio da praça perto do Shakespeare Globe Theatre. O sentimento de pertença era AVASSALADOR… Inexplicável e avassalador!...
Agora via-a ao longe, na margem do rio pardacento, com a réplica de um galeão de Sir Francis Drake a chamar por mim… Como queria lá voltar! Como quero ainda e sempre! (Escrever isto deixou-me os cabelinho TODOS em pé! Mas porquê…?!!!)
Passámos pela Tate Modern, a Millenium Bridge e a London Bridge até chegarmos, novamente, a Westminster, com o London Eye a olhar-nos de cima. O lugar continuava apinhado de turistas!
Feito “o cruzeiro”, o bilhete do Big Bus tinha pedido a validade. Por isso, satisfazendo um pedido do meu gajo, rumámos a Temple de metro. A ideia era ver a misteriosa igreja templária, chamada St. Mary’s Temple Church, que ficou famosa devido à referência no “Código DaVinci”.
Vimos Temple inteiro. Não ficou viela por explorar. Perguntámos a transeuntes e consultámos TODOS os mapas. Sabíamos que estávamos perto, tão perto que de certeza se ouviriam os sinos dali (caso os tenha)! Vimos outros turistas confiantemente perdidos de mapas na mão...
Nada.
O colossal edifício dos Royal Courts of Justice? Sim, vimos! A fabulosa estátua do dragão, símbolo de Londres, a dar as boas vindas aos transeuntes à entrada de Fleet Street, a rua dos periódicos londrinos? Sim, vimos! A igreja bombardeada na II Guerra que ainda conserva os buracos das bombas… The politician´s watch… O típico e curioso bar chamado The George… Sim, vimos tudo isso! SÓ NÃO VIMOS A TEMPLE CHURCH!!!
A igreja estava inacessível naquele dia e, pelos vistos, em muitos outros dias, já que os seus horários “são tão misteriosos como os responsáveis pela sua edificação”, diz o guia da Lonely Planet!
Nós sabíamos que a igreja estava fechada. Só a queríamos ver por fora. O que nós não sabíamos que era possível isolá-la daquela maneira. É que ela fica dentro de um condomínio privado, ainda pertença de uma ordem templária, e quando está fechada, está mesmo longe dos olhares alheios, já que a sua baixa estrutura nem sequer permite vislumbrar-lhe o telhado!
…Que há ali mistério, lá isso há!!! O Dan Brown de certeza que também andou lá perdido!!!
O fim do dia aconteceu noutro sítio fenomenal: Covent Garden. Deslumbrante ao anoitecer, com os seus artistas de rua, os seus doces mercados, os bares irrepetivelmente boémios, a sua terna praça italiana... O Museu dos Transportes, a Royal Opera House, a loja da Disney, a sede dos Stomp, The Original Dr. Martens Store… Tudo cabe naquele espaço carismático londrinho como se não pudesse caber em qualquer outro lugar… Também eu me sinto bem lá.
Seguimos o rasto dos teatros até Leicester Square e terminámos o dia com um merecido jantar no “nosso” bairro, Earl’s Court.

quinta-feira, setembro 13, 2007

London 2007 (3)

Com as ruas, becos e túneis sempre apinhados, voltámos a Westminster para apreciar a fabulosa catedral. Não valia a pena tentar entrar, a fila era proibitiva. Mas o tamanho do edifício, o detalhe dos relevos, a delicadeza das estátuas… Eram suficientes para nos fazer sentir insignificantes. Isto até chegarmos às Houses of Parliament. Aí, sim, encontra-se a verdadeira definição de beleza.
A construção é colossal e toda coberta de frisos, reentrâncias e janelas que formam um conjunto difícil de descrever, na sua placidez amarelada. A coroar o impressionante monumento, o extraordinário Big Ben.
Tivemos sorte. O sol brilhava intenso em Londres, o que fazia sobressair no Big Ben os tons dourados que poucos chegarão a distinguir debaixo do típico nevoeiro inglês. Não há foto que lhes faça jus. É um espectáculo digno de ser presenciado.
Fotografado o icon inglês em todos os seus ângulos e pormenores, estendemos a bandeira portuguesa numas escadas do outro lado da rua e fizemos um piquenique com um almoço frio que tinhamos adquirido numas das muitas loginhas de take away que existem na cidade. Não foi delicioso, mas não podíamos desejar uma vista melhor: o Thames corria à nossa frente.
O passo seguinte foi atravessar a ponte de Westminster, fotografando, claro, o London Eye, na sua eterna rotação. Pareciam formigas os milhares de pessoas que esperavam a sua vez na grande roda!
Do outro lado da ponte, enquanto passeávamos ao longo do rio, não resistimos a recolher novamente imagens das impressionantes Houses of Parliament.
O cansaço já era muito, por isso decidimos comprar um par de dispendiosos bilhete para o Big Bus, um dos autocarros que faz a tour de Londres. Era válido durante 24h e dava direito a um cruzeiro no Thames. Foi assim que vimos um guia londrino em acção, com uma enorme veia artística e um conhecimento vastíssimo sobre a história da cidade.
Aprendemos sobre a parte medieval (que me fascina), emocionámo-nos com histórias acerca da terrível peste bubónica e memorizámos a data do grande fogo que destruiu a cidade (e a peste, em 1666).
Quando o Big Bus chegou ao fim do horário de expediente (às 18h30), largando-nos, sem contemplações, em Speaker's Corner, no Hyde Park, apanhámos o Metro e ainda visitámos Notting Hill.
Não há forma justa de descrever Notting Hill. Não há palavras ou fotos que traduzam com rigor a atmosfera de Portobello Road, ainda que o mercado, àquela hora, já tivesse desaparecido. As casas comerciais com letreiros antigos; os bistros despretensiosos, mas ainda assim caros para a bolsa de um português; os bares cheios de gente descontraída, com as cervejas na mão no meio da rua; as lojinhas de objectos em segunda mão, desde roupa a louças ou livros; os vasos de flores que enfeitam os postes de iluminação; e as sucessivas casinhas baixas, todas de cores diferentes, que fazem a imagem de marca do bairro… Parece um sítio retirado de um conto infantil. É perfeito, idílico, amoroso. E, mesmo assim, traduz carácter e boémia, deixando adivinhar as festas pouco inocentes que ocorrem dentro das suas muitas casas alugadas a visitantes temporários.
O dia terminou com um travo a doçura de um bairro emblemático de Londres e um jantar tardio no Burger King de Earl’s Court, já que todos os restaurantes fecham as portas às 22h em ponto, excepto, claro, os franchisings que todos conhecemos. E vivam os franchising famosos… ;)

sábado, setembro 08, 2007

London 2007 (2)


Sábado. Não há pior dia, pelos vistos, para andar pelas ruas de Londres do que um Sábado de Agosto. É gente, gente e mais gente. Tanta gente que eu cheguei a ter pesadelos de noite, com gente que me abalroava na rua e comboios (metros) que partiam apinhados sem mim.
E nós fomos aos sítios mais apetecíveis. Saímos do hotel directinhos à zona de Westminster, para, seguindo até à Trafalgar Square, onde se situa o imponentíssimo National Gallery, chegar ao The Mall e, dali, fazer o caminho, maravilhoso, até ao Palácio de Buckingham, onde devia estar a acontecer o render da guarda.
Tudo isto fizemos. Passámos pelo N.º 10 de Downing Street, sempre bem guardado, como é possível ver – ou… não ver – na fotografia, e pelo tal imponente museu, até entrarmos no The Mall, onde nos cruzámos com os guardas rendidos, que seguimos até à Clarence House, junto ao Palácio de St. James, residência do Príncipe Carlos. Antes disto ainda tivemos tempo para descansar no plácido Parque de St. James.
Buckingham é sempre grandioso. Mas torna-se difícil vê-lo, quando à nossa volta zumbem milhares de pessoas. Para conseguir tirar uma fotografia semi-decente, tínhamos de esperar largos minutos, de máquina em riste, até não estar a passar ninguém à frente da câmara, atrás do modelo, à volta da cena... Uff! Uma canseira!
Visto, admirado e fotografado o Palácio (com a Rainha lá dentro, assim indicava a bandeira hasteada), contornámos o Parque de St. James, onde um esquilo decidiu vir indagar se tínhamos comida. E lá andou, à nossa volta, curioso, tempo suficiente para nos fazer esquecer do nosso próprio tempo e prioridades…

quinta-feira, setembro 06, 2007

London 2007 (1)


Não sei fazer um balanço. Talvez nunca saiba. Como no ano passado, sinto que muito ficou por fazer. Sinto que TENHO de voltar. Suponho que este é o maior elogio que se pode fazer a uma cidade.
Saí de Coimbra em direcção ao Aeroporto de Lisboa três dias depois do fim da greve do pessoal do handling. Naquela Quinta-feira, dia 23, o meu fantasma era que a minha mala não chegasse a Luton, onde ia aterrar… Mas chegou. Não chegou foi a Londres.
No autocarro da Greenline que apanhámos de Luton para Londres, alguém ficou com a minha mala numa das paragens anteriores à nossa. Ela viria a aparecer no dia seguinte numa estação de polícia de Covent Garden, arrombada, mas intacta e com tudo o que eu tinha levado. Mas é estranho pensar que alguma alma distante andou a remexer nas minha cuequinhas e sabe a marca dos meus pensinhos diários… YUK! ;)
A Sexta-feira foi passada entre os escritórios da Greenline, o hotel em Earl’s Court e a zona de Knightsbridge, onde, à noite iríamos a um concerto dos Proms, no Royal Albert Hall. Ah, e claro, com um saltinho à estação de polícia de Halborn, para recuperar a minha mala!
O Hyde Park. O Wellington Arch (inspirado no Arco do Triunfo francês). O Harrods, com o seu irrepetível glamour e os fantásticos chocolates comprados na loja de “take away”, porque, quando se vê Cartier’s e Tiffany’s sem preço no andar térreo do armazém, fica-se com um pouco de medo de comprar o que quer que seja lá dentro… Não vão as férias terminar por ali… O Royal College of Music, com o seu museu de instrumentos que deliciou o meu namorado. O Royal Albert Hall. Magnífico. Cheio. E com um concerto perfeito, escutado a partir de um camarote! Ah, pois é! …Mais barato do que ir ao Coliseu!
E chega, porque quem já usou o metro de Londres com frequência sabe que aquilo cansa um bocado, mesmo que seja apenas a mudar de linha! Muitas escadas, muitos andares, muitos quilómetros percorridos debaixo de chão. E gente. Muita gente. Gente de todo o lado, com todos os estilos e todas as vozes. Misturadas. Em perfeita sintonia.
A minha Londres era minha outra vez.

terça-feira, setembro 04, 2007

Voltei...

Londres é a mesma.
Mas agora real.
Menos mágica. Menos assustadora. Mais minha...
E a minha vida está prestes a mudar outra vez...

Londres faz-me bem...

quarta-feira, agosto 22, 2007

Acasos... determinantes!

No Verão de 2005, recebi uma carta da Universal, a distribuidora de música, com um convite para ir assistir, a Lisboa, à listening party de apresentação do novo álbum da minha banda favorita.
Não sei como tinham a minha morada. Não sei porque me mandaram aquela carta. Não sei como adivinharam que eu amo aquela banda.
Surpreendida, decidi imediatamente que lá estaria no dia marcado.

Mas a vida tem destas coisas e o que aconteceu foi que eu não tinha ninguém disponível para ir comigo. E, sem companhia, eu não iria - sozinha, a meio da semana e à noite - para Lisboa... A única pessoa que, sequer, pôs a hipótese de ir, disse-me, à última da hora, que não podia ir.
Mortificada, fiz birra, acho que até chorei. De alguma forma, eu senti que aquilo era mais do que uma festinha nocturna a meio da semana na minha vida. Era algo que eu não podia perder!
Não sei se foi a chantagem emocional que eu fiz ou o facto de não me querer ver infeliz, a verdade é que a minha amiga lá fez “das tripas coração” e acompanhou-me a Lisboa.

A festa foi banal. Eu não conhecia ninguém e também não conheci ninguém naquela noite. Apenas falei com algumas pessoas e trouxe o single da banda, bem como alguns panfletos promocionais do fã clube português.
Depois da “reunião”, eu e a minha amiga passamos a noite ao paleio na Estação do Oriente. Acabou por ser uma noite engraçada e o dia a seguir foi fantástico, porque, apesar da directa, eu tinha um estranho sentimento de dever cumprido…
Os panfletos serviram para eu me juntar a um yahoo group que reunia os fãs portugueses da banda e, poucos meses depois, eu já sentia que aquelas pessoas faziam parte da minha família!
As famílias têm projectos e ajudam-se mutuamente e, por isso, foi com naturalidade que eu me juntei ao grupo que decidiu ir a Londres ver a nossa banda favorita.

Em Junho de 2006, eu estava em Londres com um monte de desconhecidos que eu considerava quase irmãos. Foi a viagem mais incrível da minha vida, física e emocionalmente. Fui ao céu e vim. Tudo foi mágico. Tudo foi perfeito. Tudo excedeu expectativas.
Voltei apaixonada. Pela banda. Pelos amigos. Por Londres. Pela vida.
Jurei voltar.

Amanhã apanho um avião para Londres, onde vou passar uma semana de férias.
Estou louca por sentir o cheiro das ruas, a música do sotaque, o coração da cidade a bater debaixo dos meus pés.

E pensar que, se eu tivesse desistido de ir àquela festa em Setembro de 2005, eu amanhã não iria apanhar qualquer avião…

sexta-feira, agosto 17, 2007

Ando a contar os dias…

Não exactamente até à minha fantástica viagem. Essa ainda parece um sonho longínquo...
É mais até ao dia em que não tenha de me levantar da cama para ir trabalhar! Estou farta!!!!!

Mas é verdade que, em vez disto:
Quero isto:
Ok, pronto! Em pormenor, então…
Em vez disto:
Quero isto:
Faltam SEIS dias!

:)

…I can’t wait!!!!

quarta-feira, agosto 15, 2007

O segredo

Já descobri o segredo para ter uma vida próspera e feliz.
É não dizer que não a ninguém. Assumir responsabilidades, fazer promessas e depois executar apenas o que for possível e que não dê demasiado trabalho. Quando for altura de apresentar resultados, dá-se desculpas para o que não se fez e passa-se subliminarmente as responsabilidades para alguém que seja fraco e desprotegido, alguém que esteja no fundo da cadeia alimentar profissional e que não esteja habituado a defender-se.
É assim que se constrói uma vida profissional à prova de mácula. Todos ficam contentes. Todos dão palmadinhas nas costas de satisfação porque ninguém foi afrontado. E o pobre coitado que arca com as culpas também não precisa de benevolência porque seria sempre um capacho.
Isto vale para a vida profissional, mas também para a pessoal.
Agora que descobri esta fantástica verdade só tenho de passar da teoria à prática e ser mais um energúmeno profissional português. Aí sim, sei que vou finalmente sentir-me integrada na sociedade e a minha vida vai prosperar.
OK… Se calhar não vou conseguir dormir à noite... Mas quem é que precisa de dormir se a conta bancária começar a aumentar e o número de “amigos” se multiplicar?

domingo, agosto 12, 2007

AHHH!!!


AHHH!!! Quando é que chegam as férias?!!!
Será possível que para gozar uns míseros 15 dias de descanso tenho de me stressar ao quadrado?!!!
Ele é as férias da minha colega que me deixa sozinha a fazer um semanário de 16 páginas! Ele é o suplemento do jornal que toda a gente está a adorar fazer, mas vai sobrar para mim organizá-lo! Ele é a puta da greve no aeroporto de Lisboa que, de certeza, se vai arrastar até ao dia em que eu vou apanhar o avião! Ele é as malas que se perdem em viagens aéreas! Ele é o writer's block que não me permite escrever o meu plot point 3 como eu quero! Ele é o reviver de memórias recentes que me revelam que as coisas não foram bem assim
AHHH!!! Quando é que chegam as férias?!!!

quinta-feira, agosto 09, 2007

Recomendo

Almost Famous (2000)

Director: Cameron Crowe (the director and writter of Jerry Maguire)

Writer: Cameron Crowe
Release Date: 13 September 2000 (USA)
Genre: Drama / Music
Tagline: Experience it. Enjoy it. Just don't fall for it.
Plot Outline: William Miller is a 15 year old kid, hired by Rolling Stone magazine to tour with, and write about Stillwater, an up and coming rock band. This wonderfully witty coming of age film follows William as he falls face first to confront life, love, and lingo.
Awards: Won an Oscar and two Golden Globes and had another 42 wins & 66 nominations (http://www.imdb.com/title/tt0181875/awards)

Oscar: Best Writing, Screenplay Written Directly for the Screen for Cameron Crowe
Nominated for Oscar: Best Actress in a Supporting Role - Kate Hudson; Best Actress in a Supporting Role - Frances McDormand; Best Editing - Joe Hutshing and Saar Klein

Golden Globes, USA: Best Motion Picture - Comedy/Musical; Best Performance by an Actress in a Supporting Role in a Motion Picture for Kate Hudson
Nominated for Golden Globe: Best Performance by an Actress in a Supporting Role in a Motion Picture - Frances McDormand; Best Screenplay for a Motion Picture - Cameron Crowe

Cast:
- Billy Crudup playing Russell Hammond
- Frances McDormand playing Elaine Miller
- Kate Hudson playing Penny Lane
- Jason Lee playing Jeff Bebe
- Patrick Fugit playing William Miller
- Zooey Deschanel playing Anita Miller
- Michael Angarano playing Young William
- Anna Paquin playing Polexia Aphrodisia
- Fairuza Balk playing Sapphire
- Noah Taylor playing Dick Roswell
- John Fedevich playing Ed Vallencourt
- Mark Kozelek playing Larry Fellows
- Philip Seymour Hoffman playing Lester Bangs
- Liz Stauber playing Leslie
- Jimmy Fallon playing Dennis Hope

User Comments:

Believable and breathtaking view of rock'n'roll in the '70's., 6 April 2001
Author: http://www.imdb.com/user/ur1121302/comments from New Zealand

On a rating scale of 0 to 100; I gave Almost Famous a score of 95.One of the most critically acclaimed movie experiences of the year 2000, Almost Famous is the second feature film to come out Cameron Crowe, and he beats his first effort, Jerry Maguire by a mile. Almost Famous is a stunning, thought-provoking film that comes at you directly from the eye of the camera and hits you with a hard bang. It's a movie not only for people who love 70's rock bands, but for all movie-goer's who really love the feeling of coming out of the cinema feeling totally fulfilled.A 15 year old boy named William Miller (Patrick Fugit) gets an opportunity to travel with a rock band, Stillwater on a 1973 tour. As a younger boy, his sister (Zooey Deschanel) and his widowed mother Elaine (Frances McDormand) had fought about the mother's control over the family and her denial of rock music. The sister leaves home and leaves the young boy her record collection, which immediately seizes his attention. As a teen, he makes record reviews for an underground newspaper. He submits those to Creem magazine writer Lester Bangs (Phillip Seymour Hoffman) and gets his attention. The two become fast friends and Bangs acts as his mentor as Rolling Stone magazine comes calling. Slipping into an inner group connected with Stillwater, Rolling Stone agrees to bankroll him on a trip with the group. There he meets the "Band Aids", a group of girls that refuse to be called groupies because they are dedicated only to specific bands. "Penny Lane" (Kate Hudson), the Band Aid's leader is enamored with the group leader (Billy Crudup), but befriends the teen. He responds with complete infatuation with her, but he is equally enamored with the charismatic guitarist. While accepted by the band (other members are Jason Lee, John Fedevich and Mark Kozeleck), they nonetheless refer to him as "the enemy - a rock critic".The film is classically cool and endlessly enjoyable, making it by far one of the top 5 movies of last year. The film boasts absolutely incredible performances, Patrick Fugit is a newcomer and has terrific potential, Frances McDormand is emotionally stunning as an over-protective mother and Billy Crudup, who I underrated at first, gives a performance of believability and power. However, it comes as no surprise that the film's acting star is Kate Hudson, daughter of Goldie Hawn. Hudson gives a masterful performance as Penny Lane, she pulls off all Lane's facial expressions effortlessly brilliantly, and God knows she is one of the most stunning young performers of her current time, and she gives one of the most memorably exciting performances of 2000. Cameron Crowe gets a big pat on the back too for arranging the movie delicately and with absolute dedication.Cameron Crowe's instant classic is a hard one to beat, and is surely the closest thing we have to a perfect `rock movie' these days. Absolutely unmissable.

domingo, agosto 05, 2007

Ir à praia

Se sair à noite até é porreiro e, no fim do esforço para ficar bonita, uma gaja até consegue olhar para o espelho com um sentimento de dever cumprido, ir à praia é uma merda!
Passas o dia anterior a cuidar da depilação. Depois acordas e vais escolher o bikini. ..."Este já saiu de moda". "Este está velho." "Este… ups… está pequeno!" "Este… onde é que eu estava com a cabeça quando comprei este?!"
Se conseguires remediar a situação com o que tens em casa, já não é mau. E também já não é mau se não decidires fazer birra e desistir de ir à praia, para desespero do boyfriend que até já vem a caminho de calções e toalha na mão.
Chegas ao areal e a vida é bela! O sol brilha, o ambiente é descontraído e a tua vontade de te esticar ao sol até já é bastante grande.
Estendes a toalha e começas colocar o protector solar… E, pronto! Dás-te conta de que ÉS UM BICHO!!!
O sol é uma lupa! E o teu corpo semi-desnudado debaixo do astro-rei é um farrapo! Veêm-se os poros dilatados da depilação, as nódoas negras das batidelas contra a secretária, as picadas das melgas, as mordidelas dos sapatos e, pior que isso, A CELULITE!!! Está TÃO pior do que aquilo que pensavas!
Claro que o resto do dia é passado na toalhaa fazer comparações com as outras miúdas e a desejar que ninguém repare que tu existes! E, quando o gajo te pergunta se “queres vir à água”, quase lhe respondes: “Está parvo? E expor este rabo a toda a comunidade?! Ninguém merece tal castigo?!” Mas reprimes-te, não vá ele pensar que és louca! Dizes apenas: “Não, deixa lá, vai tu… Eu estou bem a apanhar sol!” E ele até acredita, porque até sabe - de uma resposta anterior que não conseguiste conter – que tu queres mesmo é ficar morena, a ver se as marcas todas que tens na pele e a celulite ficam a notar-se menos…
Ingénuos!

Post partilhado com o blog Cardos & Prosas.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Blog Vs Myself

Eu sei que tenho andado desaparecida. Mas o sol a brilhar na rua, o namorado de férias e o excesso de trabalho faz-me não ter paciência para estar frente ao computador por muito tempo. Aliás, quando o faço, sinto que é um prolongamento do meu dia de trabalho.
Ultimamente, quando visito os meus blogs, parece que não tenho nada para partilhar. O que não é verdade! Como todas as vidas, por mais monótona que seja, a minha também evolui. Mas, frente à página branca e na obrigatoriedade de produzir um texto coerente, eu só me lembro de ideias batidas e assuntos desinteressantes. E não me apetece fazer “o esforço”.
Ou talvez seja o facto de todos os dias ter de produzir profissionalmente textos coerentes que já não me deixa olhar para a tarefa com o entusiasmo de outrora… Ou porque ando mais entusiasmada com a ideia de me tornar uma artesã para ganhar uns trocos extra e prefiro passar o dia a tricotar do que a escrever, já que a escrever nunca fiz “uns trocos extra”. Ou pode ser que eu prefira guardar a minha criatividade literária para o livro que estou a finalizar… Ou é, tão só, a proximidade das férias que me está a deixar preguiçosa…
Bom, a verdade é que o meu blog, de momento, tem a conotação de obrigação…
Espero que passe, mas até passar é possível que eu continue a publicar textos menos interessantes (se é que algum dia o foram) e a apostar em ideias menos honestas e profundas… (Vejam lá que até pensei em pôr aqui um mail hilariante que recebi sobre uma caganeira!)
Resumindo…
Este texto serve para pedir desculpa aos que aqui vêm regularmente pela minha falta de resposta à altura. Prometo fazer um esforço por reverter a situação e prometo também continuar por aqui a ver o que se passa nos vossos cantinhos. E, entretanto… vou sempre “postando” qualquer coisita… ;)

quarta-feira, julho 25, 2007

Sete Maravilhas

Pediram-me para definir as minhas sete maravilhas. São simples:

1 - Música
2 - Cinema
3 - Escrita
4 - Praia
5 - Boa conversa
6 - Desafios
7 - Sonhar

Quem se sentir tentado a partilhar as suas está convidado a fazê-lo...
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NOTA: Em relação ao post anterior, eu AMEI rever AQUELA equipa! AMEI! Estávamos todos com muita vontade de voltar a trabalhar juntos! Daí a surpresa! Isso nunca tinha acontecido antes! Daí as perguntas: "Será que todos achámos a nossa vocação naqueles meses? Será que poderíamos voltar a reunirmo-nos? Será que deveríamos?" Eu adoraria! Tenho saudades! ...Não é estranho?! :)

quinta-feira, julho 19, 2007

Coimbra 2003

Quantos de nós fomos obrigados a ir à festa de Natal da empresa quando a última coisa que queríamos era trocar prendas com aquelas pessoas? Quantos fomos evento X promovido pelo patrão só porque tinha de ser? Quantos nunca mais comparecemos aos convívios depois de deixar “aquele” emprego?
Quando se trabalha com uma mesma equipa durante largos meses, o normal é criarem-se laços. Mas quem não está feliz no emprego raramente consegue estender as relações para lá do estatuto de colegas. Amigos fazem-se quando se está disponível para amar. É por isso que as promessas de “temos de marcar um café” ou “a ver se juntamos o pessoal num jartarzinho” ou ainda “tens de vir lá a casa um dia” são tantas vezes vazias.
Mas o que dizer quando, quatro anos depois, chega um e-mail convocatório de uma dessas reuniões saudosistas e o resto do dia é passado a recuperar contactos para que não falte ninguém? Como reagir às caras e às expressões daqueles com quem se partilhou uma vida em menos de dois anos? Como se explica o comparecimento pontual de presidente, director, técnica, motorista, secretária,…?
Estavam todos lá. E os que não estavam queriam estar. Cheios de vontade de voltar a agitar as águas…
Será que todos achámos a nossa vocação naqueles meses? Será que poderíamos voltar a reunirmo-nos? Será que deveríamos?
Sugiro a visita futura ao blog: http://coimbra2003.blogspot.com.

domingo, julho 15, 2007

O Procurador...

Na vila onde eu trabalho, foi a tribunal um caso bastante mediático. Começou por ser acompanhado por uma das minhas colegas, mas ela foi de férias e coube-me a mim a tarefa de seguir a coisa até ao fim.
Na penúltima audiência, quando todos os protagonistas já são tratados pelo nome na Comunicação Social, dei-me conta de que, nem eu, nem a minha colega, nem nenhum dos meus camaradas de outros jornais tínhamos publicado o nome do Procurador.
Vasculhei, indaguei, investiguei… mas o nome do homem não aparecia em lado nenhum!
Perguntei a todas as pessoas do jornal e até ao director, que conhece TODA a gente da vila… mas nada.
Bom, restava fazer a ligação – simples! – para o tribunal e perguntar.
E foi assim:
_ Estou sim? Olhe, eu não sei quem será a pessoa indicada para me ajudar, mas é possível que a pergunta seja tão simples que qualquer pessoa aí saiba responder. – Disse eu a quem atendeu.
_ Sim? – Respondeu a voz solícita.
_ Estou a acompanhar o caso X e dei-me conta de que nenhum jornal publicou o nome do Sr. Procurador. Pode ajudar-me? Sabe como é que ele se chama?
_ Hum… O Sr. Procurador chama-se… - Longo silêncio – Sr. Procurador! – Disse o homem com uma voz claramente hesitante.
Fiquei intrigada.
_ Desculpe, mas ele não tem nome? Tem de ter nome! – Comecei a impacientar-me! Que raio! Não estava a pedir a fórmula da “cold fusion”! Era algo que devia ser público!
_ Hum… - Mais um longo silêncio.
Ia começar a largar argumentos quando o homem suspira e diz de rajada:
_ Sabe, ele disse-me: “Se dizes o meu nome a algum jornalista ou a alguém, parto-te os cornos!”… E eu cumpro!
Passei-me!
Ri-me com o homem e prometi-lhe que não insistiria mais. Acho que lhe cheguei a dizer que não publicaria o nome do Procurador, mesmo que fosse sabê-lo ao Diário da República, só para ele não “levar nos cornos”! Não fosse o Procurador pensar que tinha sido ele a furar o bloqueio!
Mas a história não acaba aqui.
Desliguei o telefone, ainda a rir, quando a nossa administrativa entrou na sala. Comecei a contar a história e ela, antes de eu chegar ao punch line, atira:
_ O quê? Andas atrás do …?!
Calei-me. Ela conhecia-o!
Resumindo: não publiquei o nome do Procurador, embora o tivesse em exclusivo, para proteger um cidadão anónimo! Será que isso faz de mim uma má jornalista…? LOL

quarta-feira, julho 11, 2007

Blá, blá, blá…

Às vezes falas, falas, pensas que estás a ser ouvida, dizem-te expressões que te incentivam a continuar e depois descobres que… bem podias ter poupado o fôlego…
Acontece-me muitas e muitas vezes.
Quando o meu interlocutor é alguém que não me conhece bem, classifico-o de semi-idiota e fico à espera de uma oportunidade para confirmar que não interessa.
Quando a pessoa com quem falo me deve atenção, por ser amigo ou mais que isso, sou eu que me sinto idiota e acabo por pôr quase tudo em causa.
Isto de viver, às vezes, é uma bela merda! :(

terça-feira, julho 10, 2007

Blue...?

Parece que ando blue… Mas não ando… Ou talvez ande e não saiba. Ou talvez me sinta blue e me esqueça às vezes…
Não sei.
Tenho tido dias difíceis.
Continuo a não me sentir realizada profissionalmente. Olho-me e vejo-me desperdiçada. Um resto do que podia ter sido bom e não é.
Há momentos em que quero fugir.
É esse o loop. É essa a estrada infinita em 8 que se atravessa repetidamente no meu caminho. E que me cansa.
Não tenho tempo. Não tenho tempo para nada.
Canso-me para nada…
Por outro lado, isto tudo já é tão recorrente que já não dói. Só mói.
O sol brilha no céu e eu sinto-o todos os dias. Já vi o mar. E já tenho férias marcadas.
Isso, às vezes, basta para me fazer sorrir.
Vou voltar.
Vou empenhar o meu futuro imediato, mas vou voltar ao sítio onde fui feliz.
Agora, que quase já não me lembro daquele sentimento de quem está onde deve estar. Agora que já o perdi. Agora tenho mesmo de voltar!
Tenho de encontrar o fim do meu livro...
Agora… neste momento… estou a sorrir……..

quinta-feira, julho 05, 2007

Loop...

Círculo. Volta. Loop constante.
Eterno. Cansativo. Viciante.
Assumo-me. Anulo-me. Revolto-me.
Uma e outra vez.
Estou cansada.
Procuro e não encontro.
...Procuro-me e não me encontro…

segunda-feira, julho 02, 2007

Respondendo a um apelo, venho ajudar a divulgar esta instituição.

A nível mundial estão contabilizadas cerca de 7200 doenças raras, 300 das quais identificadas em Portugal. Cerca de 8% da população portuguesa tem uma doença rara, que pode ou não estar diagnosticada. Em todo o mundo são reportadas cinco novas doenças raras por semana. A Raríssimas existe desde 2002 para apoiar doentes, famílias, amigos de sempre e de agora que convivem de perto com as doenças mentais e raras.

Não peço a ninguém em particular que ajude a continuar a divulgar esta instituição. Peço, sim, a todos os que achem que ela é merecedora de atenção que o façam.
...Obrigada.