domingo, julho 15, 2007

O Procurador...

Na vila onde eu trabalho, foi a tribunal um caso bastante mediático. Começou por ser acompanhado por uma das minhas colegas, mas ela foi de férias e coube-me a mim a tarefa de seguir a coisa até ao fim.
Na penúltima audiência, quando todos os protagonistas já são tratados pelo nome na Comunicação Social, dei-me conta de que, nem eu, nem a minha colega, nem nenhum dos meus camaradas de outros jornais tínhamos publicado o nome do Procurador.
Vasculhei, indaguei, investiguei… mas o nome do homem não aparecia em lado nenhum!
Perguntei a todas as pessoas do jornal e até ao director, que conhece TODA a gente da vila… mas nada.
Bom, restava fazer a ligação – simples! – para o tribunal e perguntar.
E foi assim:
_ Estou sim? Olhe, eu não sei quem será a pessoa indicada para me ajudar, mas é possível que a pergunta seja tão simples que qualquer pessoa aí saiba responder. – Disse eu a quem atendeu.
_ Sim? – Respondeu a voz solícita.
_ Estou a acompanhar o caso X e dei-me conta de que nenhum jornal publicou o nome do Sr. Procurador. Pode ajudar-me? Sabe como é que ele se chama?
_ Hum… O Sr. Procurador chama-se… - Longo silêncio – Sr. Procurador! – Disse o homem com uma voz claramente hesitante.
Fiquei intrigada.
_ Desculpe, mas ele não tem nome? Tem de ter nome! – Comecei a impacientar-me! Que raio! Não estava a pedir a fórmula da “cold fusion”! Era algo que devia ser público!
_ Hum… - Mais um longo silêncio.
Ia começar a largar argumentos quando o homem suspira e diz de rajada:
_ Sabe, ele disse-me: “Se dizes o meu nome a algum jornalista ou a alguém, parto-te os cornos!”… E eu cumpro!
Passei-me!
Ri-me com o homem e prometi-lhe que não insistiria mais. Acho que lhe cheguei a dizer que não publicaria o nome do Procurador, mesmo que fosse sabê-lo ao Diário da República, só para ele não “levar nos cornos”! Não fosse o Procurador pensar que tinha sido ele a furar o bloqueio!
Mas a história não acaba aqui.
Desliguei o telefone, ainda a rir, quando a nossa administrativa entrou na sala. Comecei a contar a história e ela, antes de eu chegar ao punch line, atira:
_ O quê? Andas atrás do …?!
Calei-me. Ela conhecia-o!
Resumindo: não publiquei o nome do Procurador, embora o tivesse em exclusivo, para proteger um cidadão anónimo! Será que isso faz de mim uma má jornalista…? LOL

quarta-feira, julho 11, 2007

Blá, blá, blá…

Às vezes falas, falas, pensas que estás a ser ouvida, dizem-te expressões que te incentivam a continuar e depois descobres que… bem podias ter poupado o fôlego…
Acontece-me muitas e muitas vezes.
Quando o meu interlocutor é alguém que não me conhece bem, classifico-o de semi-idiota e fico à espera de uma oportunidade para confirmar que não interessa.
Quando a pessoa com quem falo me deve atenção, por ser amigo ou mais que isso, sou eu que me sinto idiota e acabo por pôr quase tudo em causa.
Isto de viver, às vezes, é uma bela merda! :(

terça-feira, julho 10, 2007

Blue...?

Parece que ando blue… Mas não ando… Ou talvez ande e não saiba. Ou talvez me sinta blue e me esqueça às vezes…
Não sei.
Tenho tido dias difíceis.
Continuo a não me sentir realizada profissionalmente. Olho-me e vejo-me desperdiçada. Um resto do que podia ter sido bom e não é.
Há momentos em que quero fugir.
É esse o loop. É essa a estrada infinita em 8 que se atravessa repetidamente no meu caminho. E que me cansa.
Não tenho tempo. Não tenho tempo para nada.
Canso-me para nada…
Por outro lado, isto tudo já é tão recorrente que já não dói. Só mói.
O sol brilha no céu e eu sinto-o todos os dias. Já vi o mar. E já tenho férias marcadas.
Isso, às vezes, basta para me fazer sorrir.
Vou voltar.
Vou empenhar o meu futuro imediato, mas vou voltar ao sítio onde fui feliz.
Agora, que quase já não me lembro daquele sentimento de quem está onde deve estar. Agora que já o perdi. Agora tenho mesmo de voltar!
Tenho de encontrar o fim do meu livro...
Agora… neste momento… estou a sorrir……..

quinta-feira, julho 05, 2007

Loop...

Círculo. Volta. Loop constante.
Eterno. Cansativo. Viciante.
Assumo-me. Anulo-me. Revolto-me.
Uma e outra vez.
Estou cansada.
Procuro e não encontro.
...Procuro-me e não me encontro…

segunda-feira, julho 02, 2007

Respondendo a um apelo, venho ajudar a divulgar esta instituição.

A nível mundial estão contabilizadas cerca de 7200 doenças raras, 300 das quais identificadas em Portugal. Cerca de 8% da população portuguesa tem uma doença rara, que pode ou não estar diagnosticada. Em todo o mundo são reportadas cinco novas doenças raras por semana. A Raríssimas existe desde 2002 para apoiar doentes, famílias, amigos de sempre e de agora que convivem de perto com as doenças mentais e raras.

Não peço a ninguém em particular que ajude a continuar a divulgar esta instituição. Peço, sim, a todos os que achem que ela é merecedora de atenção que o façam.
...Obrigada.

quarta-feira, junho 27, 2007

Até um dia, mano...

É fácil amar à distância. É fácil querer bem ao abstracto. Só porque existe e existiu sempre na minha vida. Porque estava lá, sem eu saber bem quem era ou porque ainda hoje me chamava “irmã”.
Sabes, sempre sonhei que, quando ganhasse o Euromilhões te ia tirar daqui e levar-te para um sítio de onde sairias limpo. E, se não conseguisses agarrar a oportunidade de refazer a tua vida, porque já não o saberias fazer, eu tomaria conta de ti. Proteger-te-ia com os meus milhões.
Isso deu-me desculpa para não te perguntar como ia a tua vida, o que te preocupava, como vias os teus dias. Permitiu-me pensar que te amava, que te queria bem, que cuidava de ti. Só porque, ao pé de mim, tinhas sempre um prato de sopa ou uns trocos para os cigarros.
Eu olhava para todos os outros, a quem nunca chamaste “irmãos”, e achava-os uns monstros por não amarem como eu, por não cuidarem de ti como eu, por não te protegerem como eu.
Na tua última homenagem vi muitas pessoas. Muitas. Admirei-me. Fui cruel. Perguntei-me onde estavam quando estavas vivo.
Depois vi. Depois percebi. Depois soube que, se calhar, também elas te davam o prato de sopa e os trocos para o tabaco. Também elas achavam que te amavam. Também elas me olham com desdém e não sabem onde é que eu estava quando estavas vivo.
Se todas as pessoas que velaram a tua alma à partida estivessem verdadeiramente contigo quando estavas vivo, tenho a certeza que terias sido um homem feliz.
E não me perdoo. Jamais.

domingo, junho 17, 2007

Burra!

Eu, de facto, sou MUITO burra. Sou burra porque os que não o são aprendem com os erros e eu não.
Depois de ter vestido a armadura e empunhado a espada para defender o “meu povo”, o povo atira-me à cara que ninguém me pediu para o fazer!
E, pronto, fico assim. Sozinha. Fodida. Incómoda para todos.
É bem feito! Eu já devia saber que há por aí muito cobarde que gosta de se queixar porque sim. Quando, na verdade, está bem. Vive bem. É a queixar-se que está feliz. Se não tiver motivos para isso, se vier alguém lutar as suas batalhas, deixa de ter motivos para viver. É bem feito para mim. Ninguém me manda armar em sindicalista revoltada.
O curioso é que eu espero sempre que as pessoas à minha volta sejam tão adultas quanto eu. Que quando se queixam saibam que estão a queixar-se. Que quando pedem a verdade estejam preparadas para ela. Que quando me dizem que têm soluções se cheguem à frente para as apresentar. Mas não.
Eu avanço e fico na linha da frente a levar com a cavalaria adversária, SOZINHA. Sempre.
Burra, GK! Burra! Quando é que aprendes?!!

quarta-feira, junho 13, 2007

Já à venda!

Track Listings:
1. Lost Highway
2. Summertime
3. Make a Memory
4. Whole Lot Of Leaving
5. We Got It Going On
6. Any Other Day
7. Seat Next To You
8. Everybody's Broken
9. Stranger (feat. Leann Rimes)
10. The Last Night
11. One Step Closer
12. I Love This Town

Editorial Reviews (Amazon.com):

Given the chart success of their Grammy-winning country single "Who Says You Can't Go Home," it's no surprise Bon Jovi upped the ante by recording an entire album paying homage to Nashville. In some ways, it's amazing they didn't do this sooner, given the way Keith Urban in particular is blurring country-pop lines, much as Garth Brooks and others did in the 1990s. To their credit, you won't find predictably shallow invocations of past country icons or any self-conscious, in-your-face down-home twang added strictly to remind the listener of the musical premise. In fact, Lost Highway isn't "Bon Jovi goes country" so much as a meaningful tribute to the Nashville ethos done on their own terms. They honor the spirit of the town through 12 simple, direct originals. The intimate, smoldering "(You Want To) Make a Memory," the ballad "Seat Next To You," "Lost Highway" and its roaring celebration of freedom, and "Stranger," an effective duet with LeAnn Rimes, all invoke country's spirit, and "I Love This Town," an eloquent nod to Nashville itself, ties it together admirably. --Rich Kienzle

Product Description:

"Artistic freedom made this record possible," says Jon Bon Jovi. "Musical freedom to explore--and emotional freedom to express what was in our hearts."

The result of that freedom is Lost Highway, an album Jon describes as "a Bon Jovi record influenced by Nashville."

Bon Jovi explains. "Nashville is all about songs and songwriters. If you're someone like me who loves songs and hanging out with songwriters, Nashville is the place. I thrive on that feeling and I'm inspired by that creative ambience."

The result, a haunting set of 12 new and original sounding songs, is a stunning, multi-layered look into the nature of love and life in all its glory. Love, like life, is lost, found, forgotten and reclaimed in this collection.

The moods are many, but the core feeling is pure Bon Jovi.

"Writing this record with Jon was deeply cathartic," says Richie Sambora, who collaborated on ten of the songs. "I was going through emotional changes that were new for me. An ailing father. A painful divorce. The start of a new chapter in my life. I poured everything I had into this project, every last bit of soul at my command."

"For over twenty years now," Jon explains, "Richie and I have been close collaborators. Even when our songs create fictional stories, they reveal our states of mind. To a large degree, Lost Highway focuses on the light that love brings. When you shine the light on love, you see the chinks in the armor. You see every crevice, every crack. And that's all right".

Lost Highway is Bon Jovi's tenth studio album since the band formed in the early eighties. One hundred and twenty million albums and 2500 concerts in over 50 countries later, Bon Jovi is enjoying the greatest popularity in their history.

domingo, junho 10, 2007

Foi há um ano....

... que eu encontrei a felicidade...

...E a voltei a perder para não mais a encontar...

quinta-feira, junho 07, 2007

Kamikaze...

Quando tento explicar um pouco a minha personalidade, os conceitos que me passam pela cabeça oscilam sempre entre a revoltada e o capacho. Com orgulho assumo que, cada vez mais, o capacho perde terreno para a revoltada. Essa é aliás a minha característica basilar. Mas a verdade é que é o facto de ser revoltada e estupidamente honesta que me tem prejudicado, mais do que ser capacho (um capacho é sempre bem-vindo!).
Como um cavaleiro andante, eu acho sempre que posso fazer uma diferença. Graças a muitas “cabeçadas” na vida, também aprendi a dizer as coisas mais duras a rir, o que parece ser melhor aceite pelas pessoas. É um processo mais lento, há que repetir “a piada” várias vezes para ser encarada como um aviso sério, mas não provoca a repulsa imediata, seguida do castigo que normalmente pune a verdade impertinente quando ela é revelada por quem é o “elo mais fraco”…
Também sou imprudente e desbocada. Falo com toda a gente de igual para igual. Não faço vénias nem bato pala a ninguém, a menos que prove merecê-lo pelas características humanas e não por títulos ou cargos.
Em resumo: sou burra, pouco política, um kamikaze profissional que, muitas vezes, aceita, sem pensar, lutar as batalhas do colectivo ou, tão só, dos outros.
Mas ainda não sei ser diferente… Nem sei se quero…

domingo, junho 03, 2007

Determinismo...

Desconfio que existe uma espécie de determinismo na vida. Não me refiro exactamente ao destino – a tal linha condutora que nos leva de um ponto ao outro, mesmo que andemos a perder tempo em atalhos e desvios - refiro-me a uma espécie de palas nos olhos que nos permitem apenas viver de determinada maneira, pensar de determinada forma, imaginar determinados cenários, olharmos o mundo só “daquele ângulo”. Podemos até conhecer outras formas de ver o mundo, mas elas, por muito que tentemos, nunca serão a “nossa” maneira de o ver, o “nosso” cenário, o “nosso” futuro.
Deve haver um motivo pelo qual as seis maiores fortunas do país estão na mão de herdeiros, pessoas que já nasceram com dinheiro, pessoas que não se imaginam sem ele, nem sabem que isso existe. Ou uma razão para que certas pessoas achem que têm direito ao melhor da vida e outras não, porque desconhecem até o que é esse melhor para elas. Ou ainda uma explicação para, não importa quantos esforços faça noutro sentido, eu encontrar sempre empregos de jornalista mal pagos…
Há um certo determinismo nas escolhas e na vida. E haverá também um objectivo oculto nisso… Aguardo conhecê-lo.

quinta-feira, maio 31, 2007

Perdido...

PROCURA-SE
.


BILLY

Gato totalmente branco, castrado, gordo.
Pêlo médio e sedoso, nariz rosa e olhos verdes amarelados.
É muito assustadiço e não se deixa tocar por ninguém.
Desapareceu na noite de dia 25 de Maio.

SE O VIU CONTACTE-ME,
POR FAVOR!

MUITO OBRIGADA.

domingo, maio 27, 2007

Mr. Keith Richards

Eu não resisto, nem quero reprimir-me porque o senhor merece.
Aqui fica o meu tributo pessoal a um mito: Keith Richards!
ADORO este senhor! AMO!
Ele tem uma absoluta aura de liberdade! É estupidamente carismático. Representa o ultimate cool!
Não importa o que está em jogo, Keith Richards faz o que lhe dá na real gana, e isso é incrível! Nem estatuto, nem fama, nem idade alteraram o facto de ele ser ele, ponto final!
Sou fã, fã, fã! É sempre um privilégio ouvi-lo tocar e até ouvi-lo falar! Inspira-me a não ter medo de nada e, em particular, de mim própria!
Agora fala-se de Keith Richard a propósito da estreia do terceiro episódio de “Piratas das Caraíbas” e eu adoro que se fale e estou louca para ir ver esse filme onde ele faz de pai de outro ser escolhido e muito cool. É um must!!! E a três dimensões! LOL

“Who can say how long somebody can go on and do this? Croak around nineteen or twenty, that's when you're fine. Two years on the charts.”

“It's really a suppressed energy, you know, and you are just waiting for them to open the gates and let's get out there.”

“Rock & roll has got to be fun. Really, I need the adrenaline. There is an exchange of energy.”

Keith Richards

(Perdoem-me o texto teenager, mas é desta matéria que são feitas as lendas. A minha reacção é prova disso.)

quinta-feira, maio 24, 2007

"O meu Meme" (*)

(*) Um "meme" é um " gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma".
Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".

Alguém me pediu para dizer qual era o meu....

Pois bem, cá vai…
Li recentemente no blog Pormenoridades este, muito bom: "Tentar é falhar com honra!"
Mas o meu sempre foi (ainda antes dos blogs): "I'd rather die than fade away". Tirei de uma canção e tem uma variedade de significados tão grande como o mundo. Para mim, deve ser sempre tudo ou nada. Em grande.
Também gosto do: "Quando a oportunidade te vira as costas, passa-lhe a mão pelo rabo!" LOL
E ainda outro: "Os sonhos dos grandes sonhadores nunca se realizam... São sempre transcendidos." (Alfred Lord Whitehead)
Estas são as lições que tento passar a quem me rodeia... Se é que tenho moral para "dar lições"...
Quanto aos que devo desafiar para continuarem a “corrente”… Sintam-se todos, desde já, automaticamente desfiados… ;)

terça-feira, maio 22, 2007

Mick Jagger Cam speeding through Coimbra

Eu estive lá. Foi uma noite INCRÍVEL. Tenho pena de não haver mais do que isto no YouTube!
Pessoal que esteve no concerto dos Rolling Stones em Coimbra em 2003: revele-se!!! :)

quinta-feira, maio 17, 2007

Sem palavras…

A propósito da Maddie estava a conversar com uma colega que trabalha numa livraria e ela contou-me uma história arrepiante.
Depois de me explicar que, com ou sem história da Maddie, era frequente os pais chegarem à livraria e dizerem aos filhos para lá ficarem “quietos” enquanto eles iam “tomar um café” ou “às compras”, ela falou-me de uma outra livraria do grupo que tem um playground lá dentro. O playground não é da responsabilidade dos empregados da loja e os miúdos que lá estão não ficam ao cuidado de ninguém. Mesmo assim há quem lá deixe miúdos uma tarde inteira sem supervisão.
Mas a história chocante foi mais específica. Parece que, numa qualquer noite igual às outras, por volta da meia-noite, os empregados preparavam-se para fechar a loja quando deram pela presença, no playground, de uma única menina. Fartos de esperar que alguém a viesse buscar, lá conseguiram ligar para a mãe da miúda, que respondeu um descontraído:
_ Ai, desculpem lá! Eu não tenho tempo para isto! Eu sou médica, não a posso ir agora buscar! Olhe, vou dar-lhe o número da minha mãe. Liguem-lhe a ver se ela vai aí buscá-la!
…Há pessoas que não deviam ter filhos…

segunda-feira, maio 14, 2007

Um GentleMan

Mr. George Michael é um gentleman. Em Coimbra deu um concerto FANTÁSTICO, não tanto pelo impressionante aparato tecnológico, mas mais devido ao carinho e respeito que existem entre ele e o seu público.
Fiquei deliciada com a… (porque não chamar-lhe assim?) ingenuidade do cantor. Parecia derretido com o carinho que lhe dedicavam. Uma imagem que contraria a do provocador irreverente que a imprensa britânica insiste em vender.
O que eu vi foi um Senhor com um coração do tamanho do mundo, fora do pedestal, muito preocupado em dar ao seu público o melhor de si, cantando canções que lhe saíram da alma, no meio de um circo tecnológico algumas vezes desnecessário, outras vezes perfeito, outras ainda apenas belo. A entrega entre público e artista criou algo bem maior do que os sentidos captavam.
Nunca estive num concerto TÃO civilizado! Os fãs, a organização, o satff. TODA a gente conversava. NUNCA ouvi um desentendimento. Horas e horas de espera, milhares de pessoas dentro de um estádio e tudo correu de forma PERFEITA. Impressionante. Mesmo!
Parabéns a todos: George Michael (Sir!), fãs (malta fixe!) e organização (Ritmos & Blues, mais uma vez, de PARABÉNS!).
Venham mais! PLEASE!

domingo, maio 06, 2007

O circo chegou à cidade

Adoro. Amo! A confusão e a simpatia transbordantes do circo que chega à cidade. Os Stage Trucks que se acumulam junto ao recinto. Os testes ao PA. As carrinhas de vidros fumados junto à porta de trás. Os roadies nos seus eternos calções. E, finalmente, o sound check, onde se ouvem os heróis a tocar ou a cantar.
Arrepia-me. Faz-me sentir viva.
Adoro este circo. Amo-o. E odeio-o com a mesma intensidade, por o saber um negócio de enganos. Mas NADA substitui o frio no estômago quando tenho todos os meus sentidos envolvidos pela sua magia.
Adoro o período de “estágio”, em que o CD ou o MP3 discrimina os êxitos dos outros. E quando o grande dia chega, a espera à porta do recinto, com ou sem dormida, com ou sem comida, com ou sem descanso. A entrada sufocante, quando as portas se abrem. A corrida até às grades. A alegria de as atingir. As parvoíces e risos idiotas que se partilham ao imaginar os cenários irreais em que os artistas são as estrelas, juntamente com os insignificantes “nós”. O sentimento de opressão pela alegria contida quando soa o primeiro acorde. O desejo urgente de ouvir “aquela” música. E a inigualável liberdade de sentir que ela chegou, que estamos satisfeitos, que já chega, que a felicidade existe.
Amo os despojos da noite. Os maços de tabaco amarrotados. Os copos de bebida abandonados. As luzes que se acendem de novo no palco vazio para iluminar o percurso do fim. As barraquinhas que vendem uma junk food que as pupilas gustativas reconhecem como verdadeiros manjares. Os cartazes e t-shirts que se trocam e vendem. Os números de telefone oferecidos como prendas merecidas. As promessas de amizades para sempre. E aquelas que vingam e cumprem a promessa.
Amo. Preciso disto para me sentir viva.
É como um vício que me consome ainda, passada a adolescência, passada talvez a juventude de outrora, passadas as dúvidas e as questões. Esta paixão vive ainda. O circo que chega à cidade para a agitar agita sempre o meu coração.
Não sei o que fazer com este sentimentos transbordante. Não sei dar-lhe destino, nem sequer compreensão. Mas não o combato, porque me cansei de o fazer. E qualquer circo que chegue à cidade – a qualquer cidade – pode contar com a minha total solidariedade e inveja por fazer não parte daqueles que levam o sonho pelas estradas fora.

quarta-feira, maio 02, 2007

O conceito de amor

Descobri que o meu conceito de amor é grande demais. Aliás, eu já o sabia. Soube sempre que o meu conceito de amor era idealizado, romântico, exacerbado. Demasiado grande.
Durante alguns anos lutei para pôr os pés no chão. Afinal, não sei onde fui buscar essa ideia etérea e perfeita de amar. À minha volta NUNCA vi o amor que eu sonho que existe. Talvez ele não exista de facto…
Lutei para ser adulta, para crescer o suficiente para não acreditar em quimeras, para aceitar as coisas como elas são. Lutei para parar de querer algo perfeito porque – disse a mim mesma vezes sem conta – a perfeição não existe. “Não posso perder tempo e energia a fazer mal a mim e a mais alguém por acreditar em patetices que nunca ninguém viu.”, racionalizei. E, finalmente, acreditei. Aceitei. Resignei-me, talvez.
Amo como amo. As coisas são como são. O meu espírito serenou. A minha vida tornou-se mais fácil.
Até hoje.
Hoje descobri que o MEU conceito de amor subsiste ainda. O tal. Ideal. Perfeito. Aquele que transforma duas pessoas numa só sem esforço. Aquele que nos faz sentir o que o outro sente, mesmo que à distância. O tal que nos mata se não for alimentado.
Ele subsiste ainda. E não faço ideia porquê nem para quê. Nem o que fazer com ele…

domingo, abril 29, 2007

Entretenimento...

A vida tem de ser mais do que riscar tarefas de uma lista. Tem de ser! É por acreditar nisso que eu ainda não capitulei, não me resignei, não desisti. Não sei bem de quê, mas não desisti… Talvez de mim…
Estou na fase do cansaço profundo.
Apanhar o comboio; demorar 40 minutos a chegar ao trabalho, ou pior!, a chegar a casa; entrar a horas e sair sabe Deus quando; trabalhar porque sim, quando ninguém mais valoriza o que fazemos. Cansa.
Já ando “a virar frangos” há muito anos e não tenho nada meu. Cansa até a repetição deste epitáfio.
Dói-me o corpo, a cabeça, os olhos.
E ainda assim, sinto-me dormente. Como se me queixasse porque é meu fazê-lo e não porque me pese particularmente a situação.
O que me continua a pesar é chegar à minha cidade todos os dias e sentir o eterno vazio de não ter nada à espera. Acordar nos dias de folga e sentir o mesmo. Isso pesa. É aqui, no cenário de sempre, que sinto que a vida é uma sucessão de tarefas sem significado de maior.
Tem de haver outra vida.
Mas eu estou bem. Pedi para ser entretida até “o meu dia chegar” e é isso que vai acontecendo.
Escrevo para viver e isso basta-me na maior parte dos dias. Tiro fotos e sinto-me a evoluir nesse campo e isso arranca-me sorrisos. Tenho o tempo das viagens para as minhas utopias e sinto que é isso que me vai levar a algum lado um dia.
E, se isso não bastasse, a partir do próximo Sábado está o George Michael, todos os dias, a ensaiar o concerto bem junto à estação do meu comboio.
…E assim me vou entretendo…