domingo, fevereiro 18, 2007

Sexo… masculino?

Porque é que os homens conseguem falar de sexo entre si, mandar sms’s provocantes, andar na net “à caça” de garinas com as frases mais cruas e não conseguem falar de sexo aberta e seriamente com uma gaja?!
Inscrevi-me na Facebox sem saber bem o que era aquilo. Foto insinuante. (Gosto dela, ponto.) Como comment da foto escrevi: “Sou uma caixa de Pandora. Descubram-me.”
Para mim era uma frase perfeitamente inocente. Significava que tenho montes de “camadas” que só as pessoas certas podem abrir ou arriscam-se a ficar pelo meio do processo ou a queimarem-se seriamente…
Nunca mais lá fui.
49 semanas (segundo a contagem do site) depois, descobri que tinha um monte de mensagens e comments cujo mais soft teor era: “Gostava de ter conhecer, fica com o meu número de telemóvel…”!!!
Se é assim - se o ser masculino tem esta predisposição permanente para “a coisa” - não percebo porque é que quando, em conversa de amigos, pergunto a um grupo de gajos se preferiam dormir comigo ou com uma “Cinderela” minha amiga (a minha amiga é mesmo uma Cinderela - daquelas que são lindas e precisam de ser salvas e protegidas -, portanto eu conhecia a resposta de antemão: era apenas para provar um ponto de vista) ficam todos a olhar para mim de olhos esbugalhados e faces rosadas, como se eu tivesse dito alguma palavra feia, algum código perigoso…
São homens ou são ratos?
Já sei. É o tipo de abordagem, certo? Uma gaja, para ter interesse, não pode “dizer”, só pode “insinuar”… Pois eu, definitivamente, não tenho paciência para essas paneleirices! Eu não insinuo, não jogo, não dou esperanças para parecer sexy! Não finjo que "preciso de um herói". Simplesmente porque não preciso! Para mim os pontos são SEMPRE para serem postos nos “iis”! E isso faz de mim – Graças a Deus, digo eu! – uma gaja desinteressante!
…Porque convenhamos, nada do que eu estou a descrever tem a ver com romance... Isso é outra coisa……

(Texto partilhado com o blog Cardos & Prosas)

sábado, fevereiro 17, 2007

Alterar padrões de comportamento

"Muito do comportamento humano resulta de padrões de comportamento condicionado implantados no cérebro especialmente durante a infância. Estes podem persistir quase sem modificação, mas muito frequentemente vão-se adaptando gradualmente às mudanças de ambiente. Porém, quanto mais velha a pessoa tanto menos facilmente pode improvisar novas respostas condicionadas a tais mudanças; a tendência, então, é fazer o ambiente ajustar-se às suas respostas cada vez mais previsíveis. Muito da nossa vida consiste na aplicação inconsciente de padrões de reflexo condicionado adquiridos originalmente por estudo árduo.
William Sargant, in 'A Luta Pela Mente'

E o que se faz então, quando se chega à conclusão que esses padrões de comportamento não estão a resultar…? Mudam-se? Como?

O que diz o Google:
http://www.vidyayoga.org/palavrasdomestre/palavrasdomestre.asp?23
http://www.alfmarc.psc.br/psi_padr.asp
http://www.redepsi.com.br/portal/modules/soapbox/article.php?articleID=98
http://www.possibilidades.com.br/intelig_emocional/pnl_como_mudar_de_eu.asp
http://somostodosum.ig.com.br/blog/blog.asp?id=2577

...Tomando consciência do que nos faz felizes ou infelizes e porquê; e parando de censurar o que o nosso coração diz… A partir daqui é possível mudar.

…Caminho looooongo e árduo…

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O Sismo...

Segunda-feira, dia 12 de Fevereiro de 2007, um dia depois de um referendo que muda uma lei:
HÁ UM SISMO!
_Ena! – Pensa o telespectador. – Isso parece sério! E o que é que aconteceu?
Resposta?
NADA!!!
_Espera aí! – Pensaram os editores dos jornais televisivos. – Mas não aconteceu nada… ONDE?!
…E o telespectador é presenteado com meia hora de directos de locais onde NÃO ACONTECEU NADA!!!

A terra tremeu! EU OUVI À PRIMEIRA!!!!!!
LOL

domingo, fevereiro 11, 2007

IEFP

Sexta-feira, dia 9 de Fevereiro de 2007, 5 da tarde.
A minha mãe (Sim, tenho quase 30 anos, mas vivo em casa dos papás, sem perspectivas de ver isso mudar…) entrega-me uma carta do IEFP (do "Centro de Emprego", para quem tem a sorte de não conhecer a sigla...):
_Chegou há bocado.
No destinatário lê-se o meu nome, a minha rua, o meu número de porta, a minha freguesia e… uma localidade fora da cidade onde eu nunca sequer estive…
Estranho.
Abro a carta. Era a convocatória para uma entrevista para um emprego ao qual eu me tinha candidatado: a única proposta que eu recebi do IEFP em 9 anos de inscrição (uma proposta abaixo das minhas habilitações, mas enfim)… No fim da carta podem ler-se as ameaças do costume: se não comparecer, bye, bye subsídio desemprego…
Muito bem.
A entrevista é em Lagos, isso eu sabia… Mas quando…?
“Sexta-feira, dia 9 de Fevereiro de 2007, às 15h”!!!!!

…Amanhã há circo no Centro de Emprego de Coimbra…

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

D. Afonso Henriques

A propósito da badalada eleição dos “Grandes Portugueses”, um destes dias vi um documentário sobre D. Afonso Henriques. Podia dissertar sobre os incontáveis defeitos do programa, mas prefiro debruçar-me sobre o quanto me ensinou.
Ao que parece, no fim do cerco de Lisboa e conquistada a cidade aos mouros, o povo que nela habitava temia obviamente pela vida. Mas, consolidada a sangrenta vitória e arrumadas as armas, D. Afonso Henriques, faz saber, através de decreto, que a população moura pode sair de suas casas, cultivar as suas hortas, viver a sua vida como sempre e, inclusivamente, amar o Deus que bem entender. Aquela gente estava na cidade antes dos recém-chegados - aquela era, portanto, a sua cidade - e por isso o Rei de Portugal convidava-os a ficar.
Digam lá se isto não é extraordinário num homem do século XII que conquistou um país à custa das armas? Este, que foi o primeiro português, deixou-nos como herança mais do que terra... Não vos parece?

(Peço, desde já, desculpa aos historiadores caso não tenha apresentado os factos com absoluto rigor histórico. Acontece que privilegiei a mensagem…)

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A chave do enigma

Durante anos, eu questionei-me sobre a razão que me leva a não ter a mínima vontade de ter filhos. Parece que todo o Universo feminino à minha volta se unia para me olhar de lado. Afinal, uma gaja com quase trinta anos que NUNCA ouviu o seu relógio biológico, neste país católico, não é normal…
Foi preciso este tempo todo e um referendo sobre o aborto para ter uma conversa iluminadora com a minha progenitora.
Ao que parece, a minha ascendência feminina do lado da mãe sempre teve graves problemas com esta coisa de pôr putos no mundo. A minha avó conseguiu a custo contribuir para a taxa de natalidade do país duas vezes, para depois “morrer de parto” aos 26 anos, ao dar à luz um nado morto. Naquela altura o diagnóstico “morrer de parto” era suficiente, pelo que nunca se soube exactamente o que a levou à morte. O que se sabia ainda antes da tragédia era que, devido às gravidezes, ela sempre foi uma jovem muito doente.
A minha mãe casou tarde. Tinha 33 anos. E já depois do matrimónio (porque a minha mãe é uma mulher séria!), teve um aborto espontâneo. Desta vez, os médicos explicaram a razão: ela tinha “um útero infantil”. Disseram-lhe que nunca iria poder ter filhos, porque não tinha estrutura física para tal.
Quanto este belo exemplar da raça humana se tornou uma realidade na pequena barriguita da mamã, ela entrou em pânico! Tinha a certeza que voltaria a abortar! Fosse pelo “útero infantil” ou pelo facto de já ter 43 anos…
Consulta atrás de consulta e o diagnóstico foi sempre o mesmo: o útero infantil já não existia, teria evoluído para um útero adulto, ou seja, apesar de ser uma gravidez tardia estava tudo normal…
Ora, não admira, tendo em conta estes dados, que o meu relógio biológico ande atrasado. Na melhor das hipóteses deve pensar que eu tenho uns 16 anos, porque NUNCA me enviou qualquer alerta…
Será exagerado supor que lá para os 40 anos, quiçá, os tais instintos maternais, dos quais eu até agora só ouvi falar, despertem em mim e eu passe a fazer parte da raça humana…?

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Deixem-me em Paz!!!

Sinceramente, se mais alguém me vem com um panfleto ignorante para me entregar sobre o referendo do aborto, eu não respondo por mim!
Estou farta – FARTA!!! - desta discussão.
Sou uma gaja esclarecida, informada, que está mais do que dentro do assunto do aborto, pelo que li, pelo que vi e pelo que vivi (ou vi viver) e já NÃO SUPORTO ouvir argumentos patetas e mentirosos de parte a parte!
I’m OUT!!!
A minha decisão está tomada DESDE SEMPRE. Não é por mais uma frase absurda ou por mais uma imagem manipulada que me vão fazer mudar de ideias. Até porque esta não é uma decisão cognitiva, racional. É uma decisão pessoal, interior, não sujeita a discussões bárbaras e mesquinha onde se falam de valores deturpados e convenientes como bandeiras inabaláveis e se responde a qualquer pergunta mais ousada com a célebre: “Não é isso que está em discussão!”
Fico DOENTE a ver estes debates! CHEGA!
Não quero saber se votam sim ou não!
Esta não é uma discussão leve.
Chega de fazermos politicazinha. Chega de sonhos e quimeras, de desejos infantis de utópicas mudanças de um lado e de outro. E chega de subestimar o povinho tentando enganá-lo com dados que nunca foram dados e com clichés idiotas de quem não quer ver o outro lado.
CHEGA!
A minha decisão é tão clara! E mesmo assim não é fácil viver com ela, com o meu lado do voto. E por saber isso revolto-me contra quem acha que a vida é a preto e branco e que as escolhas são simples e se trata apenas de colocar aquele X no papel…
…Já BASTA de balelas, não!!!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

O jantar das "tias"

No outro dia fui jantar a um shopping e decidi-me por uma francesinha nos Grelhados e Companhia (má escolha, já agora!). Estava eu à espera do meu pedido quando duas tias se aproximaram… A mãe, no seu casaco branco, imaculado, à Jackie Kennedy e o seu cabelo esticado e acabadinho de ser acertado no cabeleireiro. A filha com o seu casaco caqui de carneiro e os enormes brincos a sobressaírem entre o cabelo louro com madeixas. Chiquíssimas.
Eu lá estava, ao lado, enquanto elas discutiam, naquele “sotaque” roubado a Cascais “bem”, se bebiam café e se o restaurante teria uma marca específica de cerveja importada ou se teriam de se contentar com uma Boémia ou uma simples cerveja preta. Na minha cabeça, eu conjecturava a possível conta de ginásio e de cabeleireiro daquelas duas senhoras e imaginava que tinham vindo aos grelhados para não estragar a pele com porcarias. Já as imaginava a fazerem um pedido de “um bife, pequenino, grelhado” ou, na pior das hipóteses, de “duas picanhas”.
Finalmente, a empregada voltou. A resposta à pergunta “o que é que vão desejar?” foi:
_ São duás alhairas, faxavôre!

terça-feira, janeiro 30, 2007

Money makes the world go around

Há uns anos fui passar um fim-de-semana com duas amigas a Vila Nova de Cerveira. Numa atitude puramente consumista, apaixonei-me perdidamente por um mealheiro em forma de hipopótamo. Era uma peça de artesanato giríssima, com direito a assinatura da autora e tudo!
Ora, eu nunca na minha vida tive um mealheiro! Em miúda, escondia as notas e moedas na gavetinha da mesinha de cabeceira e nem sequer sabia a importância do dinheiro, portanto, juntava-o, quando juntava, só porque sim. Já crescida, o dinheiro que restava na conta à ordem ao fim do mês, transitava para a poupança. Ponto final.
Não sei para que queria o mealheiro, mas comprei-o.
Em casa, ficou dentro de uma gaveta para “ir juntando umas moedas”, coisa desconhecida até então. Escusado será dizer que passaram uns meses sem qualquer moeda – tirando a inicial – cair no hipopótamo. Mas um dia lá comecei a levar aquilo a sério e passou a ser frequente meter lá as moedas de 1 e 2 euros que estavam na carteira ao fim do dia.
Era apenas uma experiência… Mas o hipopótamo lá encheu, uma e outra vez, e as moedas foram transitando para um novo mealheiro de lata, maior, que ia ficando cada vez mais pesado…
Comprei um MP3 rasco (muito rasco!) e pouco mais com aquelas moedas. Mas dava-me prazer vê-las ali, todas juntas, muitas… Moedas que eu tinha tido a disciplina de juntar. Fazia-me bem.
“Este dinheiro é para as extravagâncias!”, decidi.
MUITO pouco tempo depois desta decisão, surgiu a oportunidade de ir a Londres. E foram aquelas moedas que tornaram a viagem possível!
Depois desta extravagância fantástica o hipopótamo adquiriu uma importância especial e as moedas eram lá colocadas com uma vontade e disciplina feroz. Em seis meses juntei o que tinha juntado em todos os anos anteriores.
Decidi que estava na altura de pôr aquele dinheiro no banco. Mas não podia juntá-lo às “contas de sempre”. As minhas extravagâncias não fazem parte das contas “de sempre”.
Por puro capricho (como são todas a minhas boas decisões) fui a um banco e abri uma conta. Só depois, decidi preocupar-me a fundo com tipos de aplicação, taxas de juro, etc. E descobri que sou capaz de ter feito um investimento mais vantajoso do que aqueles que tenho tido durante toda a minha jovem vida… Uma jovem vida cuja relação com o dinheiro foi sempre muito fluida e desinteressada… LOL
Pura sorte… Capricho? Ou intuição? ;)

segunda-feira, janeiro 29, 2007

O rabito do meu gatito

O meu gatinho mais novo está a revelar-se um belo companheiro. Faz-me festinhas quando lhas peço, pergunta antes de saltar para o meu colo e até fala bastante comigo (eu é que não o percebo!).
A única coisa que não me anda a agradar nada é o facto de ele ter o rabito inflamado! O rapaz come tanto que, consequentemente, defeca a toda a hora ostensivamente! Ora, com tanta visita à casa de banho, o jovem rabito ficou quase em carne viva!
Solução do veterinário?
_Aplique-lhe um bocadinho de Halibut todas as noites.
E cá ando eu a pôr Halibut no rabinho do meu gato todas as noites! Não contente com isso, e como desta vez o apanhei de surpresa, além da habitual miadela ofendida, recebi um pum violento! Ora esta!!!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Curto Circuito

5 da manhã. No Canal 2, onde aguardo pelas notícias da Euronews, está a dar uma edição desinteressante (excepcionalmente) do “Sociedade Civil”. O gato mais novo dorme-me no colo enquanto eu folheio um livro.
De repente, um cheiro químico a queimado chega-me ao nariz. Olho para todo o lado, mas não vejo nada de estranho.
O gato ronrona. A página vira-se. Mas o cheiro é cada vez mais intenso… Volto a dar a volta à divisão com os olhos. E lá está…
Lá bem em cima do armário, silenciosa, uma tomada deita um fiozinho de fumo quase imperceptível. Da minha cadeira, consigo ver a ficha tripla branca a derreter lentamente.
O que fazer?
Desligá-la da tomada, claro!
Foi o que fiz. Tirei-a, com muito cuidado, da tomada e dei-me conta de que uma das fichas macho também estava a derreter…
Fiquei a olhar para aquilo, ainda sem tomar consciência da tragédia que podia ter acontecido…
Resolvi deixar um bilhete ao homem da casa para que ele tomasse conta da situação de manhã…
Mas fiquei a pensar naquilo. As notícias da Euronews ainda não tinham dado e, sem aquelas fichas, não havia TV ligada…
Ora bem… Uma chave de parafusos, um canivete bem afiado, um alicate de corte, uma ficha macho e uma tripla novas, meia hora e um corte num dedo (sem sangue!) e a coisa resolveu-se a tempo de ver as notícias.
Que saudades das aulas de Electrotecnia!
Do homem da casa só preciso que me explique porque é que aquilo aconteceu. Embora eu desconfie que o facto de estarem a TV, um rádio e uma extensão, com um ventilador e um escalda-pés ligados, pode ter alguma coisa a ver com o assunto…*

* Confirmado.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Q que me tem dado que fazer...

O meu mais recente projecto é pequenino, peludinho, cinzento e branco e foi abandonado na minha rua.
Vindo do nada, apareceu à minha porta pela primeira vez acompanhado de uma das minhas gatas. Dai em diante, passou a roubar comida que nós colocávamos na rua de propósito para ser roubada. Mudou-se praticamente para a “porta ao lado”. Mas era um vizinho tímido e muito ciente do seu espaço. Não deixava ninguém aproximar-se mais de dois metros.
Numa madrugada chuvosa – em que a minha falta de ocupação permanente me permitia estar ainda sentada à mesa da cozinha a ler – miou-me à porta…
A princípio nem percebi do que se tratava, mas ouvindo novamente um miado jovem do lado de fora, pensei imediatamente no peludinho abandonado. Não era a primeira vez que ele nos vinha exigir comida…
Abri a porta. Ele não fugiu. Pelo contrário, olhou para mim e voltou a miar. Decidi responder-lhe:
_Se queres entrar, entra!
E ele passou por mim e dirigiu-se aos pratos dos meus gatos sem hesitar.
Achei que a coragem demonstrada exigia uma refeição decente como recompensa, por isso aproximei-me para lhe pôr mais comida no prato. E ele escapou-se imediatamente para debaixo de uma armário.
Os meus gatos dormiam placidamente. Lá fora chovia e o frio era muito. O prato estava agora recheado. Mas o meu hóspede parecia determinado a não sair debaixo do armário enquanto eu me mexesse.
Apesar de já só e apetecer ir dormir, decidi ficar imóvel até que o bicho decidisse sair do esconderijo em direcção ao prato, apenas para lhe poder preparar uma cama no cantinho que parecia ser o seu favorito...
Resultou.
Aquela foi a primeira de muitas noites. A cama foi melhorando. A distância a que ele permitia ter companhia foi diminuindo. O tamanho dele foi aumentando (especialmente na área da barriguita!), assim como a confiança. Os toques fugidios passaram a festas breves; as festas a carícias; as carícias a colo e finalmente… a relutância desapareceu.
O Pavarotti ainda é um gato que foi abandonado na rua nas primeiras semanas de vida – vai demorar algum tempo a esquecê-lo -, mas enquanto escrevo estas linhas, ele está aninhado no meu braço, de olhos fechados, a ronronar…

domingo, janeiro 21, 2007

O cheiro do Sol

Onde eu vivo, o Sol tem cheiro. Cheira a terra seca, a vegetação quente e à pedra e ao cimento das casas. Tudo misturado.
Adoro o cheiro do Sol. Aquele cheiro que surge quando a chuva não nos visita durante uns dias e o Astro Rei manda no nosso mundo, mesmo que ainda tímido. É o cheiro dos dias longos. É o cheiro das roupas bonitas. É o cheiro dos encontros com amigos e das tardes na esplanada. É o cheiro da esperança no amanhã e do riso dos miúdos à beira-mar e das viagens. Das novidades e das noitadas, e dos disparates e das sardinhadas.
Mesmo que a chuva volte para apagar o cheiro, o Verão ficou semeado, a deixar saudades, no fundo da memória.

sábado, janeiro 20, 2007

Nickelback - Animals Live @ AOL

Uma das melhores bandas rock dos dias de hoje.


Animals

I, I'm driving black on black
Just got my license back
I got this feeling in my veins this train is coming off the track
I'll ask polite if the devil needs a ride
Because the angel on my right ain't hanging out with me tonight
I'm driving past your house while you were sneaking out
I got the car door opened up so you can jump in on the run
Your mom don't know that you were missing
She'd be pissed if she could see the parts of you that I've been kissing
Screamin'

[CHORUS]
No, we're never gonna quit
Ain't nothing wrong with it
Just acting like we're animals
No, no matter where we go
'Cause everybody knows
We're just a couple of animals


So come on baby, get in
Get in, just get in
Check out the trouble we're in


You're beside me on the seat
Got your hand between my knees
And you control how fast we go by just how hard you wanna squeeze
It's hard to steer when you're breathing in my ear
But I got both hands on the wheel while you got both hands on my gears
By now, no doubt that we were heading south
I guess nobody ever taught her not to speak with a full mouth
'Cause this was it, like flicking on a switch
It felt so good I almost drove into the ditch
I'm screamin'


[CHORUS]


So come on baby, get in
Get in, just get in
Look at the trouble we're in


We were parked out by the tracks
We're sitting in the back
And we just started getting busy
When she whispered "what was that?"
The wind, I think 'cause no one else knows where we are
And that was when she started screamin' "That's my dad outside the car!"
Oh please, the keys, they're not in the ignition
Must have wound up on the floor while
we were switching our positions
I guess they knew that she was missing
As I tried to tell her dad it was her mouth that I was kissing
Screamin'


[CHORUS]


So come on baby, get in
We're just a couple of animals
Get in, just get in
Ain't nothing wrong with it
Check out the trouble we're in
Get in, just get in

terça-feira, janeiro 16, 2007

Nickelback - Animals Live @ AOL

Uma das melhores bandas rock dos dias de hoje.

Animals

O YouTube...

Quem é que, sendo utilizador frequente e esclarecido da Internet, nunca foi ao YouTube? Quem é que, entrando nesse “site”, se lembra que está a violar direitos de autor? Quem é que, caso tivesse de pagar para fazer uploads ou downloads, continuaria a ser visita frequente? Quantos assinariam petições ou participariam em manifestações de rua para que o YouTube continuasse a existir como existe hoje ou de forma semelhante?
O que quero dizer é que o YouTube é, neste momento, um dado adquirido, um “ser vivo”, respeitado, adorado. Mesmo com todas as questões que, com justiça, se levantam – como a dos direitos de autor – ele não pode ser ignorado, nem é possível existir ainda a ilusão de que ele pode ser silenciado!
A solução não é combatê-lo! É tirar proveito dele! E quanto mais cedo as companhias, marcas e artistas se convencerem disso, mais cedo se caminhará para uma solução de compromisso que seja satisfatória para todos.
Enervam-me a ignorância a arrogância e o espírito “Velhos do Restelo”, especialmente se forem perpetuados por companhia multimilionárias apenas pela vontade de se tornarem tetra-milionárias garantindo que NENHUM tostão lhe fuja do bolso!!!

sábado, janeiro 13, 2007

Guia de Leitura

Livros lidos desde o Natal:

- "Mutilada", de Khadi - Edições ASA: A denúncia de uma bárbara realidade cometida em nome da tradição: a excisão.

- "Mais Bastidores de Hollywood", de Mário Augusto - Prime Books: São histórias, experiências pessoais, segredos e episódios surpreendentes que só Mário Augusto, membro do grupo restrito e privilegiado que regularmente convive com as grandes estrelas, nos poderia revelar.

- "Amanhã À Mesma Hora - Diário de Uma Stripper Portuguesa", de Leonor Sousa - Publicações Dom Quixote: O que sente uma mulher de trinta e um anos, sem emprego e sem dinheiro, que decide mostrar o rabo e as mamas para pagar a conta do visa e a renda de casa?

Quase, quase... desde há já uma data de semanas antes do Natal:

- "O Monge Que Vendeu o Seu Ferrari", de Robin S. Sharma - Edição da Revista Sábado, Colecção "O Melhor de Si": O Monge que Vendeu o Seu Ferrari é um best-seller inquestionável que oferece aos leitores uma série de lições simples e eficazes sobre como viver melhor.

Em lista de espera:

- "Inês da Minha Alma", de Isabel Allende (A minha escritora favotrita!) - Difel: Com o realismo mágico de A Casa dos Espíritos e a sensualidade de Filha da Fortuna e Retrato a Sépia, Isabel Allende apresenta-nos Inés Suarez, uma mulher cheia de força e paixão que conquistou o Chile no século XVI e promete, agora, conquistar o coração dos leitores de todo o mundo.

- "The Way You Wear Your Hat - Frank Sinatra and the Lost Art of Livin'", de Bill Zehme - Harper Perennial: A stunning book of unheard stories and unseen photos that is part memoir, part scrapbook, part secrets of the Rat Pack way of life--and all perfectly Frank.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Em resposta...

Meus queridos,

Agradeço que se preocupem comigo, mas venho esclarecer que:

a) - Não estou "no fundo do poço";
b) - Não estou isolada;
c) - Não me "entreguei";
d) - Não me ando a esconder mais do que qualquer outro ser humano que tenha amor-próprio;
e) - Ando a reinventar-me - com sucesso, aliás! - desde 2004;
f) - Já empreguei TODAS as formas de luta de que sou capaz, se eu lutar mais ou sou o Rocky ou mudei de personalidade e ando a lutar como hoje ainda não sei fazer, o que traduzindo, quer dizer que ando a foder alguém para arranjar emprego! É o que me falta.

Há factos que são imutáveis. Tais como:

a) - Eu gosto da noite. Sempre gostei. Prefiro-a;
b) - O subsídio de desemprego está a acabar, por isso, não há mais viagens, nem férias, nem roupas novas, nem fins-de-semana com os amigos ou namorado;
c) - No fim de mais de 300 CV's enviados para Portugal e para o estrangeiro, recebi 5 respostas, nenhuma delas oferecer-me emprego;
d) - Até à altura de estar a passar fome, recuso-me a fazer algo que me mate, isto é, que não me desafie;
e) A maior parte dos meus amigos ou vive noutras cidades do país ou no estrangeiro;
f) - O meu namorado passa metade da semana fora;
g) - Já escrevi, bordei, bloguei, filmei, fotografei, teatrei, caguei e mais o que quiserem para NUNCA estar parada;
h) Luto TODOS OS DIAS pelos meus projectos - que são MUITOS... até agora, sem sucesso NENHUM;
i) - Para os que não sabem: eu sou A FORTE! No trabalho, em casa, com os amigos! Eu sou a que está lá para aguentar as trancadas sem baixar a cabeça. Isso SOU EU!

Assim, permitam-me, de vez em quando UM DIA DE MERDA e, POR FAVOR, não tenham pena de mim! Não preciso e não suporto, por mais bem intencionado que seja o sentimento!

Resumindo:
Há momentos e momentos. E a verdade é que podes estar cheia de gente à volta e sentir que ninguém te vê. Não se preocupem. Eu sei o que é o fundo do poço e sei que não gosto de lá estar. Já aprendi a nadar...
Again: SE EU "REAGIR" MAIS, SE EU "LUTAR MAIS", SE EU "ME REINVENTAR" MAIS, NÃO SOU UM SER HUMANO, SOU UMA BAZUCA ALADA!

Obrigada a todos.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Bem ou Mal...?



Estou de bem comigo e de mal com o mundo!
Diz as pazes com a minha pessoa, com o meu percurso, com as minhas escolhas, mas tudo o resto é velho e insatisfatório!
Tenho a vida de uma anciã de 80 anos! Só me falta fazer renda. (O que pode perfeitamente acontecer a qualquer momento, porque eu até tenho jeito para a coisa!)
Desde o Natal que eu não vejo a luz do dia. A última saída foi a calmíssima noite de fim de ano. E nem quero pensar há quanto tempo não dou uma queca! (E o pior é que, francamente, também nem me apetece!)
Os dias são demasiado longos para que eu os queira enfrentar – a eles e aos inevitáveis encontros com vizinhos e conhecidos, em que, miraculosamente, a pergunta “Então, já tem emprego?” teima em aparecer –, por isso prefiro as noites. Vejo o dia nascer antes de poisar o livro ou desligar o computador. Ao menos nenhum deles me faz perguntas incómodas e estão sempre disponíveis para me acompanhar nas ideias mais loucas.
Não tenho jeito para pedir ajuda, muito menos quando não preciso de “ajuda”. Não quero um ombro para chorar (chega disso!), quero vida, quero alegria, quero desafios e novidades! Mas à minha volta não está ninguém ou, os que estão – muito ocasionalmente – não se querem dar ao trabalho de quebrar a rotina para me fazer feliz. E eu também vou perdendo esse hábito… É que é muito cansativo estar sempre a inventar novos desafios solitários…

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Lost

Lost in a world, that scares me to death,
Lost in a crowd, I'm losing my breath.
Lost as a boy, lost as a man,
I need to grow up, don't think I can.

Lost as a person, can't find my way.
Lost in life, every day.
Lost in worry, who am I?
All my life, I've lived a lie.

Lost to kindness, lost to love,
Lost in a sky, like a new-born dove.
Lost in thought, which I shouldn't do,
It winds me up, I can’t get through.

Lost to comfort, all kind words,
Lost to advice, it isn't heard.
Lost to those who really care,
All these people, always there.

Lost in me, I need a break,
Lost in wonder, which road to take?
Lost in a place I don't know well,
Where are you now? There's no one to tell.

Lost here, all alone,
Lost apart from the mobile phone.
Lost still, there are no calls.
I'm struggling alone, to break these walls.

Lost in mind, lost in soul,
Lost memories, they're just a hole.
Lost family, lost mate,
Gone now, yet I'm full of hate.

Lost in a straight world, and I am gay,
Lost now, for what to say,
Lost in boredom, think I'll leave.
There's a lot in life I need to achieve.

by Dan Brown

domingo, janeiro 07, 2007

Perdida...?

Há uma ou duas semanas que luto com as palavras para conseguir escrever o que vou tentar expressar. É que tenho medo de cristalizar algo que deve, talvez, permanecer etéreo… Não sei se isto faz sentido… E, por outro lado é algo tão pessoal que tenho medo de me sentir violada no fim da tarefa hercúlea que é espremer estes sentimentos…

(Como sempre, quando não quero dizer alguma coisa, ando à volta, brincando com as palavras, tornando-as o objectivo em si! Se calhar devia ir para a política!!!)

Andei 11 anos perdida. Em busca de mim, do que quero, do que gosto de fazer. Sei que foram 11 anos porque me lembro da data exacta em que senti que a minha vida era minha. E, a partir desse conhecimento, era eu quem tinha a obrigação de tomar as decisões sobre ela.
Aquela acabou por ser uma noite silenciosa, introspectiva, profundamente feliz.
A vida estava cheia de promessas. Pela primeira vez eu podia sonhar com a certeza de que há sonhos que se tornam realidade. Era a mim que cabia concretizá-los, sem a ajuda nem a censura de ninguém. E sonhei… ainda a medo, sem a certeza do que era projecto e do que era fantasia.
Naquela semana sonhei que podia mudar o mundo. Sonhei que o mundo começaria a mudar em mim. Deitei fora ideias feitas. Desisti de um futuro curso de direito, deitei fora a ideia impingida de “estudar e depois casar e ter filhos” e iniciei o meu próprio caminho…

E o caminho chegou a 2006 sem qualquer aparente sentido. Perdida. Era como me sentia.

Recriei a “noite da revelação”. Procurei a miúda de 16 anos que se descobriu. Encontrei-a. Chorei até rondar a demência. Tomei um calmante e morri numa cama de hotel num país estrangeiro para acordar sob a luz do sol e reviver tudo outra vez.

Pode dizer-se que – caso existam – eu tive a minha experiência mística.

Descobri que os sonhos se tornam realidade. Descobri que o mundo pode dar-nos mais do que nos atrevemos a sonhar. E, essencialmente, descobri que isso não acontece só aos outros: eu também mereço esse tratamento privilegiado por parte do Universo. Eu e cada um de nós. Algo que eu já tinha descoberto há 11 anos…

Ainda levei meses a dar um sentido à experiência. O céu. O Inferno. Confundiam-se.

Os exorcismos tinham sido feitos e as perguntas permaneciam as mesmas. Dei-me conta de coisas que sempre soube e não queria ver… Mas como ordenar esse novo conhecimento para que possa tomar decisões com base nele?!

Numa madrugada como tantas outras que vejo, a resposta surgiu-me como quem pensa em beber um copo de água. Eu sei o quero. Sei-o desde aquela noite longínqua que abanou o meu mundo há 11 anos. Sei-o e nunca me desviei disso. Tenho isso do que me orgulhar: não capitulei, não desisti, nunca me resignei.
Mesmo sentindo-me perdida nunca deixei que fossem os outros a ditar o que seria a minha vida, sempre procurei o que amo e os que amo e segui em frente. Aquilo que todos - até eu! – classificaram como inconstância, instabilidade, imaturidade até, era apenas a minha luta para não me resignar ao que me era apresentado e continuar em busca do que me dá verdadeiramente prazer.
Afinal a minha vida faz sentido! É até coerente em escolhas e percurso! Não é uma série de acasos saltitantes. É o caminho que escolhi e que não me vi escolher. Amo-a. Ela é minha. Tão minha. E faz TODO o sentido.
Sei o que quero, o que me faz feliz. Mas sei também que as lágrimas não acabaram. Afinal, de que me serve saber tudo isto com tanta certeza? Hoje em dia o que tu queres, o que tu amas, não conta muito… Conta o que estás disposto a fazer para "te safares". E o meu feitio não dá para isso…
A luta continuará. Só espero - agora que sei para onde caminhar - ter tanta força e tanta coragem como tive sempre enquanto andei perdida…

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Ando chorona...

Não sei o que se passa comigo. Podia culpar as “questões femininas” do meu frágil estado de espírito, mas a verdade é que a lágrimita fácil já não surge só “naquela altura do mês”! Pior! Já nem tenho vergonha de andar p’aí a fungar em público!!!

Apenas um exemplo… Ontem fui ao cinema. O filme era uma comédia romântica (“The Holiday”). Comédia = boa disposição, certo? Aliás, ou muito me engano ou a amiga que me convidou para ir até me disse: “Estou a precisar de me rir um bocado!”… Não! Qual quê?! Passei o filme A FUNGAR forte e feio! As lágrimas eram TANTAS que a certa altura saquei do pacote de lenços e já não disfarcei mais! Saí do cinema com a cara feita num bolo! E ainda tive coragem de ir à casa de banho passar uma aguinha fresca no rosto, para que todas as meninas que lá se encontravam no fim da sessão não tivessem dúvidas sobre quem é que passou o filme a fazer aquele barulhinho sexy de quem tira a aguita do nariz!!!

E isto nem seria muito mau… SE FOSSE CASO ISOLADO!!! Mas não é! Ando mais mole de sentimentos do que as papas de um bebé!
Tudo me faz chorar! Uma reportagem sobre uma velhinha, um cachorro a correr atrás do dono, uma festa mais veemente do meu gato, uma recordação inesperada, uma determinada palavra dos outros, hell!!, as minhas próprias palavras!!!
Não sei como isto aconteceu! Será da idade? Será do tempo a mais nas mãos? Será por eu meditar para “abrir o coração”?!! Eu nem sequer ando deprimida! Pelo contrário! Foi quando deixei as depressões para trás que comecei a ter este coração mole…
É bonito, mas é UMA CHATICE!!!!!
Será passageiro? Ou vou ser chorona para sempre…? Ai…………

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Folha em branco...



Não tenho projectos.
Não tenho expectativas.
Não tenho planos, nem sonhos, nem medos.
Não tenho ideias novas.
Não tenho curiosidades por satisfazer.
Não tenho nada.

2007 é uma enorme página em branco.
Assustadora.
Prometedora.
Enervante.

Já sei que há duas maneiras distintas de olhar para uma página em branco, mas também não as quero analisar...

domingo, dezembro 31, 2006

Feliz ano novo?

2006?
12 meses.
2 de trabalho.
1 de força e coagem.
2 de espera. 1 de sonho.
1 de tristeza e saudade.
1 de alienação.
2 de busca e desespero.
1 de resignação.
1 de esquecimento e descoberta.
…Estou pronta para renascer…

Balanço?
Positivo. Mas apenas devido a três “fait-divers”:
- 1 viagem de sonho;
- 1 concerto de velhas glórias;
- a descoberta da blogosfera.

A maior conquista?
A resposta para o que quero fazer da minha vida.

O que aprendi?
“Os sonhos dos grandes sonhadores nunca se concretizam… São sempre transcendidos…”
(by Alfred Lord Whitehead)

(Se querem mesmo saber o que eu penso desta época de festas, sugiro a leitura de "Época de festas = SPM Prolongado" em http://cardosyprosas.blogspot.com)

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Sorry e BOAS FESTAS!!!




Queridos amigos e amigas:

Venho perdir-vos imensas desculpas pela minha ausência nesta época festiva. Infelizmente tive problemas com o meu fornecedor de net móvel e fui obrigada a terminar o serviço. Ou seja: estive sem net desde o início do mês. Hoje, finalmente, assinei novo conrato com outro fornecedor...

Assim, venho - atrasada - desejar-vos BOAS FESTAS!

Espero que o Natal tenha sido muito feliz e que 2007 vos traga TUDO o que precisam!

BEIJOS GRANDES (E perdoem-me!)!!!

GK

quinta-feira, novembro 30, 2006

Casino Royale


Fui ver e RECOMENDO!

Nunca fui grande fã de James Bond. Era fã, sim, de Pierce Brosnan e, por isso, vi os três anteriores filmes da saga. Também cheguei a espreitar alguns do Sir Sean Connery por respeito ao actor e porque fazem parte da história do cinema.

Fui ver este último filme para perceber se havia razão para polémicas. Acabei por ver o melhor filme de James Bond de sempre!

O herói afinal é humano! Foi fantástico descobrir a origem das suas manias!
(Quem imaginaria, por exemplo, depois de um empregado lhe perguntar sobre o Martini: "Shaken or stered?", ouvir James Bond responder: ”Do I look like I give a damn?”)

As cenas de acção são de cortar a respiração (como sempre, mas... desta vez... é melhor!), as mulheres parecem mais reais e Daniel Craig passa o teste COM DISTINÇÃO. É um grande actor! (O que eu, alias, já sabia.) Fenomenal! MESMO!


Mission:
James Bond's first "007" mission leads him to Le Chiffre, banker to the world's terrorists. In order to stop him, and bring down the terrorist network, Bond must beat Le Chiffre in a poker game at the Casino Royale. Bond meets a beautiful British Treasury official, Vesper Lynd, who is assigned to deliver his stake for the game and watch over the government's money. But, as Bond and Vesper survive a series of lethal attacks by Le Chiffre and his henchmen, a mutual attraction develops.

http://www.mi6.co.uk/sections/bond21/index.php3

segunda-feira, novembro 27, 2006

Envelheço

Sinto-me com 70 anos. Os meus dias são todos iguais e eu ainda não tenho idade para isso.
Estou farta do que me rodeia. E estou farta de sentir sempre o mesmo, de ter as mesmas mágoas. Sou jovem demais para mágoas.
Com estas palavras, justifico a minha falta de vontade de escrever neste blog nos últimos tempos.
Não tenho nada de novo para dizer. É tudo velho. E por isso não quero ouvir (ou ler) as gastas palavras de apoio. Conheço-as. Sei-as de cor. Uso-as de mim para mim e já são VAZIAS.
O que eu quero é uma mudança. Drástica!
E não me digam que está nas minhas mãos, porque não está! TUDO o que eu podia fazer, já fiz. Excepto as malas. (Só se ganhasse o Euromilhões é que poderiam pensar, realisticamente, em fazê-las.)
Por isso, talvez entre em greve de escrita, talvez não entre; talvez amanhã esteja a rir do cinzento dia de hoje; talvez aprenda a olhar para as vitórias passadas com um sorriso e a retirar delas o que preciso para continuar, em vez de as ver como exemplos isolados e dificilmente repetidos.
Mas hoje (e ontem e anteontem…) estou assim: batida, derrotada, cansada, farta, como TANTAS e TANTAS vezes antes. Mais cansada do repetir interminável deste sentimento do que do que o provoca.
E não, não é o desemprego que me deprime; nem os amigos que às vezes se revelam pouco atentos, pouco diligentes em mostrar aos outros o quanto os amam; nem o namorado sempre ocupado e distraído. Não. Eu “entendo” tudo isto.
O que me deprime sou eu. É o não encaixar AQUI. É o NUNCA ter encaixado. É o adiar indefinido da partida inevitável. Por cobardia? Por falta de oportunidades? Por comodismo? Talvez por tudo isto. É o ter-me encontrado e mesmo assim não me saber reter e perder-me repetida e desesperantemente. É o não ter alma, porque a deixei noutro lugar.
O que fazer?
Não sei. Nunca sei. E, por isso, repito este ciclo infernal que me consome, que me envelhece, que me faz perder a fé em quem sou e no que posso conseguir.
Por isso hoje não quero palavras de conforto. Recuso-as, por as ter ouvidos vezes demais.
Quero uma mudança. Exijo-a, porque já a mereço. Aguardo-a. E a aguardar… envelheço.

quarta-feira, novembro 22, 2006

O jornalismo e os meus espinhos de fora

Porque estou com os espinhos de fora e ando a tentar ignorar esse facto há já uma ou duas semanas, hoje apetece-me revelar um e-mail que escrevi em resposta a uma amiga que teve a infelicidade de me perguntar porque é que não mandava o meu CV para a sede do grupo dono da última rádio em que trabalhei e acrescentou que, no meu antigo local de trabalho, estava “tudo na mesma”…

Aqui fica a minha (talvez demasiado violenta) resposta:

“Quanto ao CV... Francamente, ando à procura de uma mudança de rumo. Estou farta de ganhar uma merda, de ter responsabilidades a mais, reconhecimento a menos e virtualmente nenhuma vida própria. (Desculpa a franqueza e a "aspereza" das palavras.)

Tenho quase 30 anos e nada de meu! E se perguntarem ao Senhor X que me substituiu por uma pessoa que agora só GRAVA noticiários, ele acha que fez um bom negócio porque poupou dinheiro... Não faz puto ideia do que fiz aí: a agenda que funcionava, os mails que a rádio agora recebe com informação de quase TODAS as instituições da cidade, o arquivo de sons que eu tinha, os assuntos que segui, quantas vezes fiquei aí até às tantas da noite por "problemas técnicos", quantas reportagens fiz, etc. Tudo isso não me foi exigido, de facto: era eu que me exigia!, porque só sei trabalhar assim! Ele só se deve lembrar de eu o ter "incomodado" a exigir o mínimo de condições para fazer um trabalho digno! E ainda é capaz de falar mal de mim.

...Pois que vão todos fazer exames à próstata, é o que lhes desejo! E isto, sem nada de pessoal. Desejo que o Senhor X e o Senhor Y e todos eles sejam podres de ricos e poderosos, que é só o que eles desejam! A minha indignação é para com a condição da profissão...

Sabes qual foi a única proposta de trabalho que eu recebi? 500 euros para me mudar para o Porto durante seis meses e fazer um estágio no "Jornal X"!

Se eu tivesse um papá que me pudesse sustentar, eu teria corrido a aceitar! Mas não tenho! O meu papá nunca me pôde mandar estudar para fora, nem sustentar os meus vícios. Portanto, tenho de arranjar um trabalho que me permita pagar efectivamente as contas. E por isso estou farta de ser insultada! Porque estas ofertas são insultuosas para qualquer PROFISSIONAL!

Assim, basta! Quero que o jornalismo vá snifar papoilas!

Vamos ver o que o futuro me reserva. Talvez engula estas palavras. Quem sabe? Mas não me esqueço de nada do que vivi e a indignação permanecerá concerteza.

Com "tudo na mesma" referes-te a rádios de um grande grupo a emitir bosta o dia inteiro, não é? Uma sem animador e outras com notícias gravadas (que é outro conceito insultuoso para mim!), é isso? Pois, desejo muito boa sorte a todos e que Deus (ou quem for) me mantenha bem longe daí... A mim e aos fiscais da ANACOM...

Desculpa o desabafo... Há dias assim... Outros mais cor-de-rosa. Eu estou bem, really... Mas, se não falar, ganho cabelos brancos e eu prezo TANTO a minha beleza natural... ;)

Bj.

GK”

segunda-feira, novembro 20, 2006

Herman José - Fiel ou Infiel

Não sou grande fã do Herman José, mas é óbvio que respeito e admiro a carreira que construiu e a mãozinha que deu para apagar algum do cinzentismo do nosso país. E, claro, admito alguns rasgos de genialidade...



Até hoje, eu só tinha ouvido falar deste sketch... LOL
Mas o que eu andava mesmo à procura era de um MUITO antigo, que incluía um esparguete a viajar pela cara do Herman e uma declaração de amor. Alguém se lembra? (Para mim é O melhor de sempre dele.)

quinta-feira, novembro 16, 2006

Portugal - Cazaquistão

3 – 0.




Muitas ondas. Uma chuvada. Algum orgulho. Um banho de multidão. Uma hora no trânsito. :) Este foi basicamente o meu dia de ontem… Ah, e uma mensagem de voice mail que me tirou completamente a atenção do jogo…
Mas porque que é que o Estado decidiu fingir que se preocupa com o desempregados deste país?! Que chatice!!! Até parece que já não tenho pressões suficientes!!! Grrr!

segunda-feira, novembro 13, 2006

Mais um desafio bloguista...

Em resposta ao desafio lançado pelo Nuno do Geração Espaço 1999, venho, desta forma, apresentar as minhas manias...

"Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue".

1- Não consigo dormir se a janela do meu quarto não tiver as portadas fechadas e apenas uma nesgazinha aberta de uma delas. Ah! E a cortina TODA fechada. É semi-transparente. Assim consigo ver a luz da manhã lá fora sem que ela me incomode…

2- Quando chego a meio de um livro e a história me interessa, começo a ficar obcecada! Leio, leio, leio e tudo o resto é bem capaz de ficar para trás!

3- Ainda sobre leituras, levo SEMPRE um livro para férias ou fim de semana, mesmo que saiba que não vou ter tempo para o ler. E um bloco de notas. Também é certo e sabido que, se um dia decidir não levar nada disto, será quando vou precisar! E aí corro as lojas todas à procura “de companhia”… Já aconteceu…

4- Ando sempre a desenvolver uma história na minha cabeça, sobre mim ou sobre outras pessoas. São histórias que partem de eventos ou pessoas reais. Depois reproduzo as conversas que imagino. O problema é que raramente as escrevo. As histórias, entenda-se. Assim, é apenas uma forma inofensiva e não diagnosticada de esquizofrenia que só serve para influenciar o meu estado de espírito.

5- Falo sozinha. Sempre. Em inglês… LOL (Não me perguntem nada sobre isto porque eu não sei responder…) Ah, às vezes também em português, na sequência da mania anterior…


Lanço o desafio a:
SoNosCredita
Brunito
Star
Stela
• Um Insensato meu amigo (InSenso Comum)

sexta-feira, novembro 10, 2006

Um pedaço de história...


Descobri um pedaço de história no You Tube...
Milton Keynes, 1989. :)
E se foi o mano que nos deu este presente, OBRIGADAAAAAAAAA! Or should I say: Thank you SOOOOOO much!!!! ;)

quarta-feira, novembro 08, 2006

Os meus óculos Chanel

Cada um sente a crise à sua maneira. Para uma amiga minha, ela veio na forma do preço das botas. Ficou chocada quando lhe pediram mais de 100 euros por umas botas de cano alto, algo actualmente banal… No meu caso, a crise chegou com os meus novos óculos Chanel…
Fui ao oftalmologista – já de si, acto suficiente para ter de empenhar couro e cabelo – e a seguir rumei a um oculista para substituir os meus queridos e velhos óculos.
Primeira pergunta: “Que género de armação pretende?” Como sempre, pedi algo discreto, pequeno: a única coisa que “cabe” no meu rosto sem eu parecer uma condenada. Mostraram-me um monte de coisas ainda grandes demais. “Mais pequeno, mais discreto”, disse. Resposta? “Ah… Bom, mais discreto… só de griffe...”
Confesso que a princípio nem assimilei o que isso significava. Mas parece que tenho um pé na lixeira, outro no court de ténis… É que passado menos de nada estava a experimentar óculos muito mais ao meu género e… de marca…
Hugo Boss, Ray Ban, Donna Karen, Chanel, etc desfilaram pela minha cara. Giríssimos… Agora a dificuldade estava na escolha.
Escolhi a bem-dita armação. Perfeita para mim. Chanel. 210 euros!!!!... Hello, crise!!!
Podia ter escolhido algo mais barato… Mas não muito mais barato! E aí reside a imoralidade dos preços! Podia ter ido para uns óculos que me ficavam pior e eram um POUQUINHO mais baratos. Mas, já que ia ficar depenada, pensei: “Se é para gastar uma barbaridade, pois… que se note!”
E lá fui hoje buscar os meus novos óculos Chanel a amaldiçoar a inflação e os chupistas. Larguei, ao todo, 482 euros naquela loja! De uma só vez! E pergunto-me: como é que as pessoas vivem?! Isto é mais do que muitos salários!
… Pena, pena, tenho de eu própria ainda não ter percebido como tirar partido da inflação… :(

domingo, novembro 05, 2006

Curso de Iniciação à Fotografia






Agora apetece-me imenso passar da fase da iniciação... :)

sexta-feira, novembro 03, 2006

Cenas de mãe

A minha mãe ontem quis ir comigo a uma consulta. Como sei que ela aproveita todas as oportunidades para ir dar uma volta sem a supervisão atrofiante do meu pai, aceitei pacificamente.
Já na sala de espera, quando a recepcionista me revelou que eu seria a próxima paciente, ela posicionou-se para entrar comigo. Disse-lhe que não era preciso e ela resignou-se.
Passados dois segundos deste último pequeno debate, ela vira-se para mim – filha crescida, já perto dos 30 – e diz para toda a gente ouvir:
_ Não te esqueças de lhe falar dos comprimidos que andas a tomar e diz-lhe que os tomas há muito tempo! – De dedo em riste!
Ao que eu respondi com o resignado e habitual: “Mãe, eu já não tenho 3 anos!”, acompanhado do olhar ameaçador.

(Claro que no fim da consulta e já fora do edifício, ameacei-a com um calduço da próxima vez que ela fizer o mesmo… Mas desconfio que não vou ter sorte nenhuma… LOL)

terça-feira, outubro 31, 2006

“Ainda há Pastores?”

Fui ver um filme daqueles que não são patrocinados pelo ICAM. Um documentário com o título “Ainda há pastores?”, de um jornalista de imagem chamado Jorge Pelicano. Um jornalista de imagem agora (por mérito) transformado em realizador.
O filme é sobre pastores da Serra da Estrela. Não me atrevo a fazer a crítica. Isso deixo para os especialistas, que espero que o vejam, uma vez que possivelmente correrá as FNAC’s do país. Digo apenas que mais do que um documentário sobre os pastores e a sua previsível extinção, o filme, essencialmente, expõe-nos a sentimentos...
“Aqui há pastores?” mostra uma série de almas simples. Usei o termo simples de forma irreflectida. Mas simples são de facto aquelas almas. Simples na apresentação, simples nos desejos e simples no trato. Simples no bom sentido. Simples, como já não se acha onde eu moro.
No escuro da sala rimos muitas vezes. Algumas delas não devíamos ter rido, talvez. Rimos porque já não conseguimos ver aquela simplicidade como natural. É-nos estranha. Não digo ridícula, porque acho que todos nos apaixonámos por aquelas pessoas e ninguém se ri de quem ama. No máximo, ri com quem ama.
Rimos do pastor que é fã do Quim Barreiros – figura (merecidíssimamente) central do filme – e que veste cueca vermelha; da “senhora de 78 anos que ainda corre” a ouvir Beatles na telefonia; daquela outra que dizia que estavam “cheios de pecados porque não têm missa” e toda a gente sabe que “são os padres que tiram os pecados às pessoas” ou ainda daquele casal que diz que “agora com o frigorífico, a gente põe lá qualquer coisa dentro num dia e no outro ela está igual”… Rimos porque temos tantas coisas por garantidas. Rimos porque somos educados, instruídos… snobes.
Não consigo deixar de me identificar com o pastor que se sente tentado a deixar a vida que tem. Quem não sente, um ou outro dia da vida, que tem de sair para o mundo e viver o que nunca viveu?... Que há qualquer coisa melhor? Olho para ele e penso que ele nunca sobreviveria no “meu” mundo. Mas, tal como eu acho que aquele pastor devia estar quieto e não cometer a loucura de se aventurar num mundo para o qual nunca estará preparado, haverá quem olhe para mim e para as minhas ânsias com o mesmo sentimento paternalista, com o mesmo abanar de cabeça condescendente…
Sofro com a solidão pacífica e entusiasticamente aceite por aquela querida ansiã que ainda corre, mas sinto inveja da sua coragem e independência. Ela é tão linda! Minha querida senhora…!
O realizador destacou, no fim da sessão, a hospitalidade com que aquela gente simples o recebeu. “Eles estavam sempre preocupados com o nosso bem-estar”, disse. Vim a pensar nisso para fora da sala. Qual foi a última vez em que eu me preocupei com o bem-estar de um estranho?...

Blog do filme: http://aindahapastores.blogspot.com

segunda-feira, outubro 30, 2006

As promessas da vida...

A vida era tão cheia de promessas naquela altura…
Lembro-me de quando, naquele ano, cheirei o Verão pela primeira vez. Levantava-me cedo e percorria as ruas da cidade com a calma de quem sabe que está à espera de algo maior. Andava pelos passeios, olhava para os prédios, tirava os casacos e sentias – bebia! – o sol a acariciar-me a pele. E o cheiro a Verão novo, é o que mais me lembro.
Fazia a minha rotina com um sorriso, como quem sabe que apenas cumpre calendário e que no dia X não mais olha para trás.
Tudo era sereno. Sereno, porque nada importava – nem o cheiro a Verão! – até ao tal dia X em que tudo ia mudar.
Tenho saudades daquele cheiro, daquele cumprir de calendário sereno e principalmente da certeza do que vinha ser maior do que a vida.
Hoje levantei-me cedo. Percorri as ruas sem pressa. Andei pelos passeios. Olhei para os prédios. Tirei o casaco e deixei o sol acariciar-me a pele. E, apesar do Verão já ser velho este ano, eu senti o cheiro do Verão novo e a antecipação de quem cumpre calendário com a certeza de que o dia X chegará com mais promessas…
Quem dera que, como outrora, assim seja…

sexta-feira, outubro 27, 2006

“Os abortos não podem ter lista de espera!”

Vi, esta semana, este título numa revista de renome. Quem diz esta frase é a directora de uma famosa clínica de abortos espanhola, situada perto da fronteira com Portugal e que, pelos vistos, recebe muitas clientes portuguesas…
Ora, perante este título, só me ocorreu o seguinte…

Portugal vai a referendo sobre o aborto em 2007 e ganha o “sim”. Os hospitais públicos preparam para dar resposta às novas e (agora) legais necessidades das pacientes. A azafama do costume. Os pedidos de aumentos de orçamento do costume… Finalmente, a coisa dá-se… Aos fim de um, dois anos as mulheres que não querem ter “aquele” filho podem finalmente fazer abortos legais através do Sistema Nacional de Saúde!

Portugal, 2027. João acaba de fazer 18 anos quando recebe um postal do hospital local. Diz o seguinte:

“Avisa-se o Sr. João qualquer coisa que, na próxima Terça-feira, dia tal de tal de 2027, cerca das 10 horas da manhã, os Hospitais da Universidade de Coimbra irão proceder ao seu aborto. Pedimos desculpa pela demora.”

João acha que é brincadeira, a mãe nem sequer lhe tinha dito que um dia ponderou abortar! Não liga… Mas na tal Terça-feira, à hora marcada, uma junta de médicos procura o João e, como ele se recusa a colaborar, eles perseguem-no pelo bairro, com objectos que parecem de tortura na mão e João torna-se um dos muitos casos de aborto atrasado… Mas o Ministro da Saúde garante que as listas de espera estão a diminuir: no próximo ano, os pacientes terão, no máximo, 16 anos…

LOL

quarta-feira, outubro 25, 2006

Hábitos...

O homem é uma criatura de hábitos.
Lembro-me de uma altura na minha vida em que eu estava a começar um emprego stressante, a fazer um curso de teatro, a traduzir um filme e ainda tinha tempo para o namorado e para os amigos. Andava morta de cansaço, mas feliz.
Agora não faço nada. Os meus dias passam-se entre a net, os livros, as compras do dia e o namorado e os amigos. Nada que me devesse ocupar demasiado tempo, mas parece que ocupa.
Quanto menos faço, menos me apetece fazer…
Primeiro não sabia exactamente O QUE fazer. Não tinha objectivos, não tinha ideias, não tinha vontade. Agora sei exactamente o que quero fazer, tenho objectivos, até tenho vontade… Mas estou presa numa rotina idiota que me ocupa o dia inteiro com NADA!
Sei que quando começar a perder o respeito por mim própria por não cumprir objectivos que EU tracei e que só dependem de MIM, vou fazer o que tenho de fazer. Mas até lá… Os hábitos aprisionam-me…

domingo, outubro 22, 2006

Viver

Acho que passei a ideia errada. Eu não ando tão mal quanto parece. Ou antes, eu ando sempre mal com o assunto “O que faço da minha vida (para que ela continue a ser vida e não sobrevivência)?”, mas choro, limpo as lágrimas e sigo! Não me vou matar por causa disso ou já o teria feito quando entrei num curso que era “o menos mau do mau” (Comunicação Social). (Um curso fantástico, none the less!, e que eu adorei ter feito e usado! Recomendo-o, inclusive, contra toda a racionalidade!)
Eu apenas sinto o que muita gente sente e não sabe colocar em palavras. Sinto que há “algo” mais do que “isto”, algo mais belo, mais real, mais autêntico. Algo que não me faz ter de engolir em seco para continuar. Algo que me faz saltar de alegria só de pensar. Algo que eu ainda não encontrei para mim…
Dantes pensava que “estava a viver uma vida que não era minha”. Uma frase típica de adolescentes e de adultos que tentam arduamente “encaixar” e não conseguem. Adultos que ainda não perceberam que têm mesmo de se rebelar (e revelar) se querem ser felizes. Não que eu seja feliz. Não posso dizer que seja. Ou talvez o seja e não saiba…
O que eu quero dizer é que a vida é nossa! E se sentimos que não é, é porque NÓS estamos a vivê-la mal! Estamos a fazer algo de errado. Ela está, de facto, nas nossas mãos! E o esporádico sentimento de felicidade aparece quando sentimos isso para lá de qualquer dúvida! E, by God!, eu já o senti! Sinto-o cada vez mais!
Mas isso não quer dizer que a batalha tenha terminado! Não, não é assim tão simples. Primeiro encontras o caminho, depois percorre-lo e no fim estará lá algo, bem ao fundinho. Algo merecido!
É o caminho que eu estou a percorrer. E é a espera que me mata!
Mas, como eu disse, chora-se, limpam-se as lágrimas e segue-se em frente. É a isso que se chama viver. (Viver, não sobreviver! Quem sobrevive não chora, porque se habitua à dor de não viver e nem a sente…)

sexta-feira, outubro 20, 2006

O de sempre

Já me faltava o ar! Andava sufocada e não sabia porquê.
Analisei-me e cheguei à conclusão de que não podia ser pela velha questão de sempre: o que faço da minha vida? Não. Isso seria demais. Já chega. O assunto é velho demais para me continuar a atormentar! Não tinha eu já decidido que ia deixar as coisas correrem? Não podia ser por isso…
Mais um dia. Dois dias. Três. Todos iguais. Todos normais. Todos calmos e serenos. E o sufoco aumentava.
“Vida sedentária”, pensei. Tenho de ir dar uma volta a pé ou assim… Ou talvez seja do tempo, que voltou a estar chuvoso. Mas a questão do tempo também já estava arrumada: não me ia voltar a permitir ficar deprimida por estar a chover lá fora! Já vi o belo da chuva. Já me serenei com essa questão… Vamos então dar a tal volta a pé...
Fui. Quis o destino que eu tivesse de levar o meu gajo às compras e que ele estivesse sem carro. Andámos um bocadinho a pé pela Baixa da cidade. Fizemos mais “umas piscinas” num shopping.
Sentámo-nos.
Não, o sufoco não desapareceu. Pelo contrário! Parece que me apertava mais!
Comecei a falar. Falei, falei, falei. E falei mais. E chorei. E analisei. E voltei a chorar e a falar. E outra vez.
Sim, é o mesmo problema de sempre. O velho. O antigo. O estragado. O enrugado. O amachucado! O que eu deito fora e me aparece sempre novo. Sempre fantástico! Sempre pronto a sufocar-me outra vez!
Cansa. Cansam as lágrimas que já chorei, as respostas que não encontrei, os passos que já recuei, as batalhas que já travei, os pedaços de mim que já perdi a chorar por isto!
Estou farta!
Mas o que posso fazer? O sufoco está cá. Não me deixa. Sei que vai ficar mais um tempo. O tempo que eu levar a encontrar a resposta, que não me parece próxima. Porque, até lá, ele só adormece e acorda e adormece e acorda e atormenta-me não me largando NUNCA!

terça-feira, outubro 17, 2006

Olhar em frente

Cansativo. Continuo a olhar em frente e anão ver nada. Pior: olho em frente e não sei o que quero ver…
Candidato-me a empregos que rezo para não conseguir. Queixo-me quando não recebo respostas, mas são poucas as que queria receber. Considero parar de me candidatar a empregos que me matariam se fossem meus… Mas, depois, o que me resta?
Não sei o que quero. Nunca soube. Só sei que não é isto.
As pequenas batalhas por uma alternativa têm-se revelado infrutíferas também. Talvez eu ainda não esteja preparada para a alternativa.
Olho em frente e não vejo nada, nem sei o que quero ver. Mas ao menos ainda não perdi a capacidade de olhar em frente…

domingo, outubro 15, 2006

Tenho saudades de sonhar

Sonho. Outra vez. Mas um sonho estranho, diferente. Diferente por não parecer um sonho. Os pés estão TÃO assentes no chão que não sinto que o coração esteja a voar. É bizarro, novo, até. E não necessariamente melhor.
Receio ter perdido a capacidade de sonhar. Sonhar, mesmo.
Sempre fui muito consciente da diferença entre projectos e sonhos, mas isso nunca me impediu de me deixar levar por projecções impossíveis. Eram secretas, minhas, impossíveis, sim, mas que me davam alento, alegria.
Receio ter perdido a capacidade de me deixar levar. A minha cabeça, agora, só conjectura projectos. E os projectos vêm com a responsabilidade das dificuldades de se tornarem reais. Os sonhos não. Daí a alegria fácil que os sonhos proporcionam e a apreensão natural que os projectos acarretam.
Mas é um sonho ainda. Não está totalmente definido. É um desejo. Uma ideia longínqua. Uma ideia que eu quero transformar em projecto, mas ainda não sei bem como. Então porque é que eu só penso nas dificuldades (como acontece com projectos) e não no formigueiro proporcionado por algo fantástico…?
Tenho saudades de sonhar…

sexta-feira, outubro 13, 2006

Bêbados

Ontem fui sair. Coimbra nocturna, em tempo de Latada, é aquele caos eufórico que mistura caloiros com uma liberdade recém-descoberta com “doutores” que apregoam mais conhecimento do que aqueles que têm e gostam de ensinar. Todos etilizados.
Lá estava eu, com uma amiga perfeitamente inserida no caos e outra amiga que, como eu – choque dos choques! – não costuma beber. Conversámos, rimos, conhecemos não sei quantos caloiros, mas o assunto recorrente era… álcool!
Quanto é que eu aguento; quanto é que os outros aguentam; aquela vez que me diverti tanto a beber até cair; a outra vez que fui parar aos HUC em coma alcoólico… Cansativo!
Sei que as noites de Coimbra, em início de ano lectivo, não podem ter outro assunto: é o único em comum! Eu percebo e perdoo. Mas em todos os outros casos… estou farta!
Aturo bêbados na boa. Não me chateia nada. Rio-me com eles e deles (é impossível não sentir uma certa superioridade sobre pessoas que precisam de beber para se divertir…).
O que eu já não aguento é que o assunto seja sempre o mesmo. Quando estão na presença de alguém que não bebe, fazem questão em falar SEMPRE de álcool! Embora eu não me ponha à parte, parece sempre que fazem questão de me pôr à parte! Nem que seja com a excessiva e descabida preocupação de que eu não me esteja a divertir!
Eu não preciso de beber para me divertir! Eu, se me quiser soltar, solto! Sem recorrer a álcool ou a psicotrópicos! Não preciso deles! E quando não me estou a divertir, não faço fretes! Já não tenho idade para isso! Por isso engulam as vossas inseguranças, bebam à vontade e permitam que os outros se divirtam NÃO BEBENDO!!!

quarta-feira, outubro 11, 2006

A velhinha da Figueira

Há uma velhinha no meu bairro que me fala sempre. Eu gosto de velhinhas. E também gosto desta velhinha. Embora, para esta senhora, o termo “velhinha” seja um pouco pejorativo, porque quando eu for velhinha quero ser como esta senhora, a quem o termo “velhinha” não se aplica na totalidade…
Esta senhora, sempre que me vê, fala-me da Figueira da Foz. Se tenho ido à Figueira, se tem lá estado bom tempo, etc. Eu respondo-lhe sempre o mesmo: “Não sei. Não vou assim tanto à Figueira.” Mas, desde que começámos a conversar (e já á vão muitos anos), a Figueira quase aparece sempre!
Primeiro pensei que era ela que tinha lá casa, ou seja, a Figueira era importante para ELA. Depois apercebi-me de que ela falava com mais carinho de Lisboa do que da Figueira. “A minha casa não é cá (em Coimbra), é em Lisboa!”, disse-me um dia. Então, porquê a Figueira?! Depois dei-me conta de que ela falava como se a Figueira fosse importante para mim!...
Numa das muitas viagens de autocarro que fizemos juntas, acabei por lhe perguntar porque é que ela me falava sempre da Figueira… “Porque eu, quando lá vou, encontro-a sempre no comboio!”
Expliquei-lhe que não, não me encontra de certeza! Eu até vou à Figueira às vezes, mas tenho ido SEMPRE de carro!
A senhora ficou desconcertada. “Até conheço esse casaco que traz vestido! Costuma usá-lo no comboio!”, insistiu. Voltei a dizer-lhe que não. De certeza!
Aquilo passou. Durante uns tempos (que podem ter sido anos) ela não me falou da Figueira. Pensei que a tinha convencido, afinal eu estava a dizer a verdade!
Hoje, estava eu na paragem do autocarro, quando surge a “minha velhinha” com um penteado novo. Antes de eu sequer tempo de lhe mandar um piropo sobre o novo corte, ela sai-se com “Então a Figueira, hem? Tem lá estado melhor tempo do que aqui!”…
Será que ela me voltou a encontrar no comboio…?

segunda-feira, outubro 09, 2006

Hoje não estou cá…

Hoje não estou cá…
Que dizer, andei pela cidade, sentei-me na minha antiga escola, teclei com amigos… mas não estou cá.
Estou algures entre Londres, Toronto e Los Angeles.
Londres, porque sim, porque já é meu, não dá para separar Londres do meu coração. Toronto e Los Angeles devido à minha actual leitura.
É que eu sou o tipo de leitora obsessiva. Começo a ler um livro devagarinho e depois torna-se uma parte essencial do meu dia. Mergulho na história, afogo-me nela, apaixono-me pelos personagens… e é uma verdadeira chatice! É que, enquanto o meu calhamaço durar, eu vivo a vida daquelas pessoas ficcionadas. Não vivo a minha! Se os perceber mesmo bem (como é o caso), eles entranham-se em mim de tal maneira, que as suas esperanças, os seus desejos, as suas mágoas e frustrações são minhas também!
E pronto. Hoje vivo na pele de Jack Burns: actor famoso, homem traumatizado, criança molestada, ser não acabado... Sofro ainda com a morte da melhor amiga e da mãe e com os pensamentos que o atormentam, vindos do passado. Percorro com ele as ruas de Los Angeles e de Toronto. Fiz com ele o caminho árduo e merecido para a fama. Espero, como ele, o “algo mais” que a vida TEM de oferecer!
Estou frustrada. Por mim e por ele. Anseio o desfecho – feliz, espero! – deste LONGA história. Por mim e por ele...
É que, se ele não se vai embora, eu não consigo voltar à minha pele e escrever a MINHA história. Tenho uma história em espera que Jack Burns desapareça da minha vida. Jack Burns, uma personagem de ficção…

sábado, outubro 07, 2006

142 ficheiros

142 ficheiros. Desde Fevereiro, mandei 142 cartas (ou e-mails) de apresentação, entre respostas a anúncio e candidaturas espontâneas. 142 ficheiros para três países: Portugal, Estados Unidos e Inglaterra. E neste número não estão, obviamente, incluídas as cartas que enviei a chefes de estação, produtores, agentes e actores acerca do concurso que desenvolvi e do filme que escrevi.
Estou cansada!
142 ficheiros mais trocos e nada.
Já fiz de tudo. Já mandei candidaturas sérias e estruturadas. Já desenvolvi verdadeiros tratados de marketing e relações públicas. Já escrevi biografias. Já descrevi sonhos e esperanças. Até já concorri com cartas de apresentação desdenhosas e loucas. Não, esperem!, até já OFERECI trabalho!
Uma resposta. Uma só. UMA resposta esperançosa.
Já não estou desesperada. Não. Já não tenho feitio para desespero.
Se há uma coisa que eu SEI é que é uma questão de tempo até eu conseguir TUDO o que quero. …Porque também não tenho feitio para desistir. Às vezes “amoleço”, mas ponham-me NADA nas mãos e olhem para mim a lutar por TUDO!
Já semeei tantas sementes que alguma florescerá. Como sempre…
Há que acreditar…

quinta-feira, outubro 05, 2006

Ontem aconteceu...

Ontem aconteceu-me algo muito estranho enquanto tentava meditar. Bom, talvez meditar não seja o termo correcto. Eu, quando sinto que preciso, costumo sentar-me quietinha, a fazer respiração profunda e o relaxamento que aprendi a fazer para meditar… Mas duvido que algum dia tenha conseguido deveras “esvaziar o cérebro”. No entanto, isto ajuda-me a pôr os pensamentos em ordem e a sentir-me melhor comigo própria.
Ontem estava muito tensa e já tinha passado bastante tempo desde que eu tinha tirado tempo para pôr os “pensamentos em ordem”. Por isso, sentei-me, fiz a minha respiração e o relaxamento. Até pus em prática uma técnica que comigo resulta, que é inspirar algumas qualidades que me fazem falta e expirar os defeitos que me prejudicam. (Curiosamente, descobri que eles estão cada vez menores e menos incomodativos e que as qualidades que “inspiro” são cada vez mais “credíveis”para mim! Definitivamente uma vitória.)
Feito isto, pensei em reviver um episódio da minha vida que foi MUITO feliz. Achei que era a altura ideal para o recuperar. Afinal, foi TÃO feliz que a minha memória não conseguiu registá-lo! Depois do dito acontecimento, esqueci-me de tudo! Foi preciso contarem-me o que se tinha passado e como para que eu pudesse “guardar” algo de meu. Uma recriação, uma construção racional, não uma memória.
Ora, ontem decidi recuperar essa memória. Assim, relaxada e de olhos bem fechados, comecei a recriar a cena na minha cabeça. Corria tudo bem. Consegui sentir sensações que sabia que devia ter sentido na altura, mas que me estavam, de alguma forma, bloqueadas pelo lapso de memória…
Mas, quando cheguei ao “segundo” fulcral do episódio, não senti a tal felicidade que eu sei – mas não me lembro – ter sentido na altura. Senti algo ainda maior. Algo que era mais do que tristeza, maior do que antecipação, mais profundo do que felicidade. Mais inexplicável do que amor, ódio, frustração, ansiedade ou desespero! Algo que eu me lembro de ter sentido já UMA vez – conscientemente – e que me levou às margens da loucura.
Chorei. Não sei se de amargura, se de frustração, se simplesmente para ventilar aquele sentimento TÃO grande que eu não sei definir!...
Não percebo.
Primeiro, não percebo porque é que o meu cérebro se recusou a registar, na altura, aquela felicidade tão grande, tão pura e tão bonita. Porque é que eu tive de tentar recriá-la, revivê-la. (Talvez o cérebro humano não esteja preparado para assimilar aquilo que é maior do que ele espera receber, aquilo que ultrapassa as suas previsões…) E depois não percebo porque é que ela me continua inacessível e é substituída por algo que eu me lembro de sentir (também) UMA única vez e que me assustou MUITO. Algo que não sei definir e com o qual sei que tenho de encontrar forma de lidar, de contornar, de sobreviver… E este será seguramente mais um longo processo, mais uma longuíssima batalha… (Se não me venceu daquela vez, não me vai vencer nunca mais! Mas vai-me “moer”…)
Alguém conhece uma explicação? …Please…?

terça-feira, outubro 03, 2006

A foto em que Osama sorri

Ontem vi uma foto antiga de Osama binLaden. E não consegui parar de olhar para ela.
Foi tirada em 1998, num encontro com jornalistas em Jalalabade. Bin Laden sorri.
Na foto, o terrorista mais procurado do mundo – o tal que para a sociedade Ocidental é a encarnação do Diabo – aparenta ser um homem relativamente jovem, atraente, até. Com um sorriso rasgado e a mão direita estendida, com a palma virada para cima, e roupas Ocidentais, apenas um pequeno turbante nos dá uma pista da sua origem.
Mas suponho que não é a sua surpreendente juventude, nem a inesperada descontração, nem sequer o seu desconcertante sorriso que me faz não conseguir tira os olhos da imagem. A razão será a existência de uma doçura nela; uma simpatia, uma simplicidade que eu não consigo relacionar com a ideia predefinida que tinha do homem que é suposto representar.
Se a foto não tivesse o nome Bin Laden escrito na legenda, eu teria a maior simpatia por este homem… À luz deste retrato, eu não acredito que esta seja a encarnação do Mal.
Vou guardar a imagem. Não sei bem porquê, mas vou guardá-la. E também não sei bem porquê, mas depois de olhar para ela durante largos minutos, as lágrimas surgem-me sempre nos olhos…
…Ou talvez saiba… Talvez eu apenas não queira aceitar que o Mal não chega anunciado… Não tem sinais distintivos. Não tem perfil definido. Pode surgir de um sorriso...

domingo, outubro 01, 2006

Mais um "momento Amèlie"

Imaginem que conhecem uma mega-estrela portuguesa, desde antes de ela se ter tornado mega-estrela… Não são propriamente amigos, mas “conhecem-se” há muitos anos.
No final de mais um concerto, aguardam que a fila interminável de fãs dê os beijinhos e tire as fotografias da praxe. Nos largos minutos de espera, trocam olhares cúmplices e brincadeiras com a “estrelinha”. Notam que não está bem-disposta. Dói-lhe o estômago…
No fim da longa espera, lá se aproximam para o beijinho da praxe. Por esta altura, já o pobre está agarrado ao estômago...

Teor da conversa:
_ Então, tudo bem?
(Burra, GK! O homem está agarrado ao estômago! Até já te tinha pedido um estômago emprestado e o que é que tu perguntas? …“Tudo bem”?!!)
_ Não! Dói-me o estômago…
_ Então?
_ Oh pá, não sei… Dói, estou a arrotar imenso… Só me apetecesse…
_ Estou a ver…. Isso está mau…
_ Está. Estou mesmo com vontade de… Mas isso eu nunca faço… Imagina…
_ Pois, imagino…
_ Mas isso eu nunca faço…
_ Pois… percebo-te…
_ …
_ …Bom, só vim dar o beijinho de parabéns da praxe. Não te roubo mais tempo…
E saí dali o mais depressa possível…

… Mais um “momento Amèlie”* na minha vida…


* "Momento Amèlie" - momento extremamente estranho, ainda que relativamente banal...

quinta-feira, setembro 28, 2006

Estou em branco

Hoje estou em branco.
Há muito tempo que escrevo páginas na minha vida e as deito fora a seguir. Mesmo muito. Mas hoje estou MESMO em branco.
A vida ainda não começou.
Não sei se o sol a brilhar de novo no céu foi uma consequência ou uma causa, mas encontrei um novo desafio. É bom. É bonito. Mas também já é encarado com os pés na terra e, logo… com menos brilho nos olhos…
Ainda quero fugir. Mas já não morrerei se ficar.
Mas estou em branco. Não sei, hoje, fazer projectos ou sonhos. Não sei o que vem amanhã. Nem sei o que quero que venha. Melhor assim.

terça-feira, setembro 26, 2006

Já não consigo...

Já não consigo estar aqui… Não sei se é o tempo cinzento, se apenas a minha paciência que chegou ao fim. Sinto-me sufocar!
Quero fazer as malas e ir. Embora.
Estou cansada de esperar.
Sinto que estou a perder tempo precioso, a desperdiçá-lo aqui, quieta. Não sei o que deveria estar a fazer, mas sei que este cenário está gasto, velho.
Tenho de sair daqui.
Amesterdão, Barcelona, Zurique, Nova Iorque… Londres… Tenho de ir. Tenho de respirar!
Estou cansada de lutar contra as manhã… Contra a dor de ter de acordar!
O mundo parece gritar: "Resigna-te!". Mas, pá!, eu nunca fui uma alma resignada.
Mas não, mundo, não te preocupes. Todas as tuas vidas patéticas e formatadas podem continuar o seu percurso tranquilo sem qualquer sobressalto de preocupação pela minha pessoa… Desistir nunca foi uma opção.

domingo, setembro 24, 2006

Esmolas...

Eu não costumo dar esmolas na rua. Só quando o instinto me diz que tenho mesmo de dar. E isso é raro. No entanto, sempre que o fiz, obtive respostas incríveis… Incríveis de sinceras e gratas…

Uma vez uma senhora, jovem até, pediu-me uma "ajudinha". Talvez tenha sido por ter falado baixo demais, como se as palavras lhe doessem a sair, ou talvez pelo olhar de pânico que levava ou pelo facto de os seus olhos vaguearem entre os meus e o passeio... depois de hesitar, tirei uns euros da carteira e dei-lhos. Ela agradeceu-me tímida e partiu.
Por instantes duvidei dos meus instintos. "Será que fui levada?", perguntei-me... Mas decidi não dar muita importância ao assunto. Não eram aqueles euros que iam mudar a minha vida. Dei, estava dado. Fui à minha vida.
Já quase tinha esquecido a senhora, quando passo em frente a uma padaria na Baixa. Ia alheia, distraída. De repente, sinto alguém agarrar-me as mãos e aproximar-se. Era ela. Curava-se à minha frente. "Obrigada", disse-me, "muito obrigada". Os olhos agora já não deixavam os meus. Tinham um brilho comovido, de pura gratidão. Nunca mais vou esquecer aquele olhar... nem o saco de pão que ela levava na mão como se de um prémio precioso se tratasse...

É devastador pensar que uma moeda que não muda o nosso dia em nada, pode proporcionar o único alimento de alguém...

(Este texto vem na sequência do último post do blog Cardos & Prosas, colocado pela Kiki.)

sexta-feira, setembro 22, 2006

An Unconvenient Truth

Fui ver, claro. Sei que está nas mãos de todos.

Faço aqui a minha parte: dêem um saltinho a http://www.climatecrisis.net.

(E, já agora, a http://www.greenpeace.org/international.)

quarta-feira, setembro 20, 2006

Serei blogodependente?

Foi a minha companheira bloguista The Star que me levou a questionar-me, com post intitulado (precisamente) “És blogodependente?”
Há que admitir:
- guardo posts na secretária;
- às vezes tenho inveja dos muitos comentários dos outros;
- penso frequentemente "isto merece um post"
- e às vezes blogo quando estou a adormecer ou acordar...
Bom, não chego a preencher metade do requisitos para ser dependente… Mas acho que para lá caminho rapidamente… É que, eu comecei com um blog colectivo e entretanto já ter inaugurei o terceiro...
Deixem-me falar-vos dos meus blogs…
O primeiro a ser inaugurado foi o Cardos e Prosas. Trata-se de um espaço sobre coisas de gajas. Convidem MONTES de amigas a participarem, muitas disseram que sim e poucas o fizeram. Recentemente, zanguei-me, chateei-me, fartei-me. Pensei encerrar o blog. Mas suponho quando decidimos pela morte, não queremos efectivamente a morte, queremos que morra o que está mal, que mude, que reviva… diferente… E foi isso que aconteceu. O blog está novamente activo, mas, agora, sem pressões, sem stresses, sem obrigações… Vamos ver como corre.
O segundo a surgir foi este: My Dirty Little Secret. É que, sempre que escrevia algo no Cardos, sentia vontade de ir mais além, ser mais pessoal, contar coisas minhas, sem tema. É então a minha “válvula de escape”. É aqui que eu “desabafo”. Ele serve também para eu escrever regularmente. Algo que eu preciso de fazer e disciplinar. Dantes andava sempre de bloco de notas pela casa, mas os textos eram meus, só meus. Agora o que está no bloco às vezes passa para aqui e os meus textos são dados a conhecer. É um privilégio.
Finalmente, anteontem inaugurei outro blog. Como os outros, ele surgiu de uma necessidade de partilha. Neste caso, o tema é Coimbra. A cidade que eu amo, com todas as suas virtudes e todos os seus defeitos. Fiz convites e, para surpresa minha, tive MUITAS respostas. Aparentemente a mais quem ame a Cidade dos Doutores. Onde estavam escondidos? Coimbra dos Amores é o nome deste novo blog. Espero ver-vos por lá.
Virei a ser viciada? Provavelmente. Participarei num desses grupos de apoio de que fala a The Star? Acho que não. Eu trato de mim. Não gosto de vícios. Eles dominam-nos e eu detesto sentir-me subjugada involuntariamente. Por isso, sei que saberei recuar, se for caso disso. No entanto, sou a favor do prazer. E escrever e visitar blogs dá-me muito prazer. Porque não saciar a vontade…? ;)

(E vocês, são blogodependentes?)

segunda-feira, setembro 18, 2006

Bibelô Inútil...?

Hoje fiz a minha viagem inaugural à Casa da Música, no Porto. Já tinha ouvido alguém qualificar “o meteorito” de “bibelô inútil”… mas não quis acreditar… Mal sabia eu o que me esperava depois de uma viagem propositada e preparada ao pormenor, iniciada em Coimbra…
Como qualificar uma casa de espectáculos:
- onde um público quer ver um concerto e não consegue chegar à sala porque a Segurança não se entende, mas, na dúvida, ninguém entra;
- onde são destacados apenas DOIS membros da equipa de Frente de Casa para um evento em que recebem músicos E artistas;
- e onde tudo isto tem de ser resolvido apenas quando a Casa da Música abre – às 10h da manhã – e antes do início do concerto – que está marcado para as 10h da manhã – e ao mesmo tempo que se colocam dezenas de bebés numa outra sala onde o concerto também começa às 10h!!!
OSTENTAÇÃO. É o que me ocorre.
Gastam-se 100 MILHÕES de euros a fazer-se, mas não se põe a funcionar condignamente.
Gastam-se 100 milhões de euros (repito!) numa casa de espectáculos onde há folha de ouro a decorar o Grande Auditório, mas onde a equipa não sabe qual é a sala em que vai decorrer um espectáculo que está agendado há meses.
Gastam-se 100 milhões de euros (repito novamente para ninguém esquecer!) num BIBELÔ onde, quando a equipa finalmente descobre onde o espectáculo e como se chega lá, não há quem acompanhe o público até à sala!
“Bibelô inútil” será o termo certo, não?… Pelo menos tendo em conta o (péssimo) exemplo.
E viva o livro de reclamações!

sábado, setembro 16, 2006

Escrevi um filme...

Eu escrevi um filme.
Estava desempregada (como agora) e deu-me para usar o meu tempo em algo útil e prazeiroso: escrever um filme.
Foi TÃO bom.
Os meses de pesquisa... as gravações dos diálogos no gravador de entrevistas quando "a inspiração" surgia... a alegria infantil ao resolver pequenas questões que nos atormentavam há semanas... a fase de sentar para escrever... a noite (madrugada) em que escrevi o THE END... (Sim, em inglês!) Inesquecível!
Foi MUITO bom...
Eu escrevi um filme que ninguém lê.
OK, escrevi em inglês. (Não, não desprezo a minha língua, mas as minhas personagens falavam inglês! Quem era eu para as contrariar?! E a minha história não é um filme português, é definitivamente um "Hollywood movie"...) Suponho que estar escrito em inglês torna tudo mais difícil... Afinal, se aqui ninguém nos liga porque não pertencêmos "ao clube"... em Hollywood... Bom, digamos que o clube é BEEEEEEM mais restrito...
Mas o que fazer? Desistir?
NUNCA.
O meu filme já voou para os States, claro. Ele está registadíssimo. Tudo como manda "o figurino" Até já fez uma paragem bastante atrevida... Mas ninguém o lê.
Não é que seja bom ou seja mau: não interessa! Se não te pediram nada, não querem saber! Produtores, agentes, actores... Whatever. Não pertences ao clube, não existes!

Dou um exemplo significativo...

Há uns tempos mandei umas dezesnas de cartas e e-mails para criaturas que poderiam ter interesse em "new blood" naquela terra. Dez por cento voltou para trás; outros dez foram devolvidos com uma breve nota que dizia "We don't accept unsolicited material"...
Não me dei por vencida e repeti a “investida” para “outras entidades". Aconteceu exactamente o mesmo… com uma excepção…
Uma agente respondeu-me pessoalmente, para o e-mail, a dizer que “não andava à procura de mais clientes”…
“Boa!”, pensei, “ao menos tenho um contacto directo… Deixo passar um tempinho e volto à carga”…
Aqui está o resultado:

Ontem escrevi:

“Dear …

I wrote you once, asking you to read my work. You said no...
Well… I am asking again.
12 pages. That is all I ask.
If you don't feel like you have to read the rest of my script, I will never bother you again (not any time soon, anyway).
I know how precious your time must be and how tough it must be to represent writers in a place where everyone has an idea. And I can only imagine how much tougher it would be to represent the "new kid in the block". But I have to ask you for ONE chance. Somebody gave YOU a chance once … I am working to get mine…
… What if I am good…? ;)
TWELVE PAGES. Please…


GK”

Resposta, hoje:

“Thanks for the query, but I am not accepting any more clients.”

Só! E pronto. É isto. UMA MERDA DE UMA PAREDE!!!!!

E isto influencia TUDO…
Estou novamente desempregada, mas não me apetece criar nada! Sinto que não vale a pena… Porque falei do meu filme, mas posso falar do concurso que desenvolvi e que teve o mesmíssimo tratamento em Portugal. É que nem lêem! Nem sei se é bom, se é mau: apenas nem existe!
…Não vale a pena. :(

(Por acaso não há "por aí" quem conheça "alguém" com um cartão de membro para o Hollywood Club, há???)

quinta-feira, setembro 14, 2006

O sonho manchado...

Era uma vez uma menina. Uma menina que apesar de já ser crescida, não tinha sido menina… e por isso aproveitava cada desculpa para resgatar essa infância roubada.
Essa menina engravidou há muitos anos. Numa altura em que ainda lia e acreditava em poemas de amor…
A vida foi cruel. Por razões mais difíceis de que recordá-las, ela abandonou a bebé na minha na minha casa e foi embora. Andou perdida e esquecida, enquanto a bebé encontrava uns avós que não eram dela. Andou perdida e esquecida e voltou a perder a infância. Perdeu-se no mundo e deixou o mundo que conhecia.
Anos depois, quando ela acreditava que eu a ia receber com espinhos, recebi-a com um abraço e ela desfez-se em lágrimas. Eu sabia que ela tinha passado pelo Inferno e voltado. Não podia julgá-la.
Essa menina é o meu karma e eu o dela. Não podemos dizer adeus uma à outra. Já tentámos e falhámos. Decidimos aceitar o destino…
Recentemente planeámos uma viagem. Uma viagem de sonho. Mas a menina tinha novidades… Estava grávida novamente. Ela ainda acredita nos poemas…
Nessa viagem de sonho tivemos uma conversa difícil. Disse-lhe que ela estava a repetir os mesmos erros do passado. Disse-lhe que ela tinha de mudar qualquer coisa. Que o destino estava a dar-lhe a oportunidade de fazer diferente desta vez…
A viagem passou. E foi um sonho!
Já em casa - eu cá, ela lá longe - ainda a viajar, quis falar com ela. Ela já não se lembrava do sonho.
_ Fiz um aborto. – Disse-me.

… O que é que EU fiz?!! Podia fazer diferente? Fui honesta. Mas sei que o que disse levou a este desfecho… Será que foi melhor assim?
…Então porque é que o meu sonho é manchado por esta lembrança?