Fui ver um filme daqueles que não são patrocinados pelo ICAM. Um documentário com o título “Ainda há pastores?”, de um jornalista de imagem chamado Jorge Pelicano. Um jornalista de imagem agora (por mérito) transformado em realizador.
O filme é sobre pastores da Serra da Estrela. Não me atrevo a fazer a crítica. Isso deixo para os especialistas, que espero que o vejam, uma vez que possivelmente correrá as FNAC’s do país. Digo apenas que mais do que um documentário sobre os pastores e a sua previsível extinção, o filme, essencialmente, expõe-nos a sentimentos...
“Aqui há pastores?” mostra uma série de almas simples. Usei o termo simples de forma irreflectida. Mas simples são de facto aquelas almas. Simples na apresentação, simples nos desejos e simples no trato. Simples no bom sentido. Simples, como já não se acha onde eu moro.
No escuro da sala rimos muitas vezes. Algumas delas não devíamos ter rido, talvez. Rimos porque já não conseguimos ver aquela simplicidade como natural. É-nos estranha. Não digo ridícula, porque acho que todos nos apaixonámos por aquelas pessoas e ninguém se ri de quem ama. No máximo, ri com quem ama.
Rimos do pastor que é fã do Quim Barreiros – figura (merecidíssimamente) central do filme – e que veste cueca vermelha; da “senhora de 78 anos que ainda corre” a ouvir Beatles na telefonia; daquela outra que dizia que estavam “cheios de pecados porque não têm missa” e toda a gente sabe que “são os padres que tiram os pecados às pessoas” ou ainda daquele casal que diz que “agora com o frigorífico, a gente põe lá qualquer coisa dentro num dia e no outro ela está igual”… Rimos porque temos tantas coisas por garantidas. Rimos porque somos educados, instruídos… snobes.
Não consigo deixar de me identificar com o pastor que se sente tentado a deixar a vida que tem. Quem não sente, um ou outro dia da vida, que tem de sair para o mundo e viver o que nunca viveu?... Que há qualquer coisa melhor? Olho para ele e penso que ele nunca sobreviveria no “meu” mundo. Mas, tal como eu acho que aquele pastor devia estar quieto e não cometer a loucura de se aventurar num mundo para o qual nunca estará preparado, haverá quem olhe para mim e para as minhas ânsias com o mesmo sentimento paternalista, com o mesmo abanar de cabeça condescendente…
Sofro com a solidão pacífica e entusiasticamente aceite por aquela querida ansiã que ainda corre, mas sinto inveja da sua coragem e independência. Ela é tão linda! Minha querida senhora…!
O realizador destacou, no fim da sessão, a hospitalidade com que aquela gente simples o recebeu. “Eles estavam sempre preocupados com o nosso bem-estar”, disse. Vim a pensar nisso para fora da sala. Qual foi a última vez em que eu me preocupei com o bem-estar de um estranho?...
Blog do filme: http://aindahapastores.blogspot.com
terça-feira, outubro 31, 2006
segunda-feira, outubro 30, 2006
As promessas da vida...
A vida era tão cheia de promessas naquela altura…
Lembro-me de quando, naquele ano, cheirei o Verão pela primeira vez. Levantava-me cedo e percorria as ruas da cidade com a calma de quem sabe que está à espera de algo maior. Andava pelos passeios, olhava para os prédios, tirava os casacos e sentias – bebia! – o sol a acariciar-me a pele. E o cheiro a Verão novo, é o que mais me lembro.
Fazia a minha rotina com um sorriso, como quem sabe que apenas cumpre calendário e que no dia X não mais olha para trás.
Tudo era sereno. Sereno, porque nada importava – nem o cheiro a Verão! – até ao tal dia X em que tudo ia mudar.
Tenho saudades daquele cheiro, daquele cumprir de calendário sereno e principalmente da certeza do que vinha ser maior do que a vida.
Hoje levantei-me cedo. Percorri as ruas sem pressa. Andei pelos passeios. Olhei para os prédios. Tirei o casaco e deixei o sol acariciar-me a pele. E, apesar do Verão já ser velho este ano, eu senti o cheiro do Verão novo e a antecipação de quem cumpre calendário com a certeza de que o dia X chegará com mais promessas…
Quem dera que, como outrora, assim seja…
Lembro-me de quando, naquele ano, cheirei o Verão pela primeira vez. Levantava-me cedo e percorria as ruas da cidade com a calma de quem sabe que está à espera de algo maior. Andava pelos passeios, olhava para os prédios, tirava os casacos e sentias – bebia! – o sol a acariciar-me a pele. E o cheiro a Verão novo, é o que mais me lembro.
Fazia a minha rotina com um sorriso, como quem sabe que apenas cumpre calendário e que no dia X não mais olha para trás.
Tudo era sereno. Sereno, porque nada importava – nem o cheiro a Verão! – até ao tal dia X em que tudo ia mudar.
Tenho saudades daquele cheiro, daquele cumprir de calendário sereno e principalmente da certeza do que vinha ser maior do que a vida.
Hoje levantei-me cedo. Percorri as ruas sem pressa. Andei pelos passeios. Olhei para os prédios. Tirei o casaco e deixei o sol acariciar-me a pele. E, apesar do Verão já ser velho este ano, eu senti o cheiro do Verão novo e a antecipação de quem cumpre calendário com a certeza de que o dia X chegará com mais promessas…
Quem dera que, como outrora, assim seja…
sexta-feira, outubro 27, 2006
“Os abortos não podem ter lista de espera!”
Vi, esta semana, este título numa revista de renome. Quem diz esta frase é a directora de uma famosa clínica de abortos espanhola, situada perto da fronteira com Portugal e que, pelos vistos, recebe muitas clientes portuguesas…
Ora, perante este título, só me ocorreu o seguinte…
Portugal vai a referendo sobre o aborto em 2007 e ganha o “sim”. Os hospitais públicos preparam para dar resposta às novas e (agora) legais necessidades das pacientes. A azafama do costume. Os pedidos de aumentos de orçamento do costume… Finalmente, a coisa dá-se… Aos fim de um, dois anos as mulheres que não querem ter “aquele” filho podem finalmente fazer abortos legais através do Sistema Nacional de Saúde!
Portugal, 2027. João acaba de fazer 18 anos quando recebe um postal do hospital local. Diz o seguinte:
“Avisa-se o Sr. João qualquer coisa que, na próxima Terça-feira, dia tal de tal de 2027, cerca das 10 horas da manhã, os Hospitais da Universidade de Coimbra irão proceder ao seu aborto. Pedimos desculpa pela demora.”
João acha que é brincadeira, a mãe nem sequer lhe tinha dito que um dia ponderou abortar! Não liga… Mas na tal Terça-feira, à hora marcada, uma junta de médicos procura o João e, como ele se recusa a colaborar, eles perseguem-no pelo bairro, com objectos que parecem de tortura na mão e João torna-se um dos muitos casos de aborto atrasado… Mas o Ministro da Saúde garante que as listas de espera estão a diminuir: no próximo ano, os pacientes terão, no máximo, 16 anos…
LOL
Ora, perante este título, só me ocorreu o seguinte…
Portugal vai a referendo sobre o aborto em 2007 e ganha o “sim”. Os hospitais públicos preparam para dar resposta às novas e (agora) legais necessidades das pacientes. A azafama do costume. Os pedidos de aumentos de orçamento do costume… Finalmente, a coisa dá-se… Aos fim de um, dois anos as mulheres que não querem ter “aquele” filho podem finalmente fazer abortos legais através do Sistema Nacional de Saúde!
Portugal, 2027. João acaba de fazer 18 anos quando recebe um postal do hospital local. Diz o seguinte:
“Avisa-se o Sr. João qualquer coisa que, na próxima Terça-feira, dia tal de tal de 2027, cerca das 10 horas da manhã, os Hospitais da Universidade de Coimbra irão proceder ao seu aborto. Pedimos desculpa pela demora.”
João acha que é brincadeira, a mãe nem sequer lhe tinha dito que um dia ponderou abortar! Não liga… Mas na tal Terça-feira, à hora marcada, uma junta de médicos procura o João e, como ele se recusa a colaborar, eles perseguem-no pelo bairro, com objectos que parecem de tortura na mão e João torna-se um dos muitos casos de aborto atrasado… Mas o Ministro da Saúde garante que as listas de espera estão a diminuir: no próximo ano, os pacientes terão, no máximo, 16 anos…
LOL
quarta-feira, outubro 25, 2006
Hábitos...
O homem é uma criatura de hábitos.
Lembro-me de uma altura na minha vida em que eu estava a começar um emprego stressante, a fazer um curso de teatro, a traduzir um filme e ainda tinha tempo para o namorado e para os amigos. Andava morta de cansaço, mas feliz.
Agora não faço nada. Os meus dias passam-se entre a net, os livros, as compras do dia e o namorado e os amigos. Nada que me devesse ocupar demasiado tempo, mas parece que ocupa.
Quanto menos faço, menos me apetece fazer…
Primeiro não sabia exactamente O QUE fazer. Não tinha objectivos, não tinha ideias, não tinha vontade. Agora sei exactamente o que quero fazer, tenho objectivos, até tenho vontade… Mas estou presa numa rotina idiota que me ocupa o dia inteiro com NADA!
Sei que quando começar a perder o respeito por mim própria por não cumprir objectivos que EU tracei e que só dependem de MIM, vou fazer o que tenho de fazer. Mas até lá… Os hábitos aprisionam-me…
Lembro-me de uma altura na minha vida em que eu estava a começar um emprego stressante, a fazer um curso de teatro, a traduzir um filme e ainda tinha tempo para o namorado e para os amigos. Andava morta de cansaço, mas feliz.
Agora não faço nada. Os meus dias passam-se entre a net, os livros, as compras do dia e o namorado e os amigos. Nada que me devesse ocupar demasiado tempo, mas parece que ocupa.
Quanto menos faço, menos me apetece fazer…
Primeiro não sabia exactamente O QUE fazer. Não tinha objectivos, não tinha ideias, não tinha vontade. Agora sei exactamente o que quero fazer, tenho objectivos, até tenho vontade… Mas estou presa numa rotina idiota que me ocupa o dia inteiro com NADA!
Sei que quando começar a perder o respeito por mim própria por não cumprir objectivos que EU tracei e que só dependem de MIM, vou fazer o que tenho de fazer. Mas até lá… Os hábitos aprisionam-me…
domingo, outubro 22, 2006
Viver
Acho que passei a ideia errada. Eu não ando tão mal quanto parece. Ou antes, eu ando sempre mal com o assunto “O que faço da minha vida (para que ela continue a ser vida e não sobrevivência)?”, mas choro, limpo as lágrimas e sigo! Não me vou matar por causa disso ou já o teria feito quando entrei num curso que era “o menos mau do mau” (Comunicação Social). (Um curso fantástico, none the less!, e que eu adorei ter feito e usado! Recomendo-o, inclusive, contra toda a racionalidade!)
Eu apenas sinto o que muita gente sente e não sabe colocar em palavras. Sinto que há “algo” mais do que “isto”, algo mais belo, mais real, mais autêntico. Algo que não me faz ter de engolir em seco para continuar. Algo que me faz saltar de alegria só de pensar. Algo que eu ainda não encontrei para mim…
Dantes pensava que “estava a viver uma vida que não era minha”. Uma frase típica de adolescentes e de adultos que tentam arduamente “encaixar” e não conseguem. Adultos que ainda não perceberam que têm mesmo de se rebelar (e revelar) se querem ser felizes. Não que eu seja feliz. Não posso dizer que seja. Ou talvez o seja e não saiba…
O que eu quero dizer é que a vida é nossa! E se sentimos que não é, é porque NÓS estamos a vivê-la mal! Estamos a fazer algo de errado. Ela está, de facto, nas nossas mãos! E o esporádico sentimento de felicidade aparece quando sentimos isso para lá de qualquer dúvida! E, by God!, eu já o senti! Sinto-o cada vez mais!
Mas isso não quer dizer que a batalha tenha terminado! Não, não é assim tão simples. Primeiro encontras o caminho, depois percorre-lo e no fim estará lá algo, bem ao fundinho. Algo merecido!
É o caminho que eu estou a percorrer. E é a espera que me mata!
Mas, como eu disse, chora-se, limpam-se as lágrimas e segue-se em frente. É a isso que se chama viver. (Viver, não sobreviver! Quem sobrevive não chora, porque se habitua à dor de não viver e nem a sente…)
Eu apenas sinto o que muita gente sente e não sabe colocar em palavras. Sinto que há “algo” mais do que “isto”, algo mais belo, mais real, mais autêntico. Algo que não me faz ter de engolir em seco para continuar. Algo que me faz saltar de alegria só de pensar. Algo que eu ainda não encontrei para mim…
Dantes pensava que “estava a viver uma vida que não era minha”. Uma frase típica de adolescentes e de adultos que tentam arduamente “encaixar” e não conseguem. Adultos que ainda não perceberam que têm mesmo de se rebelar (e revelar) se querem ser felizes. Não que eu seja feliz. Não posso dizer que seja. Ou talvez o seja e não saiba…
O que eu quero dizer é que a vida é nossa! E se sentimos que não é, é porque NÓS estamos a vivê-la mal! Estamos a fazer algo de errado. Ela está, de facto, nas nossas mãos! E o esporádico sentimento de felicidade aparece quando sentimos isso para lá de qualquer dúvida! E, by God!, eu já o senti! Sinto-o cada vez mais!
Mas isso não quer dizer que a batalha tenha terminado! Não, não é assim tão simples. Primeiro encontras o caminho, depois percorre-lo e no fim estará lá algo, bem ao fundinho. Algo merecido!
É o caminho que eu estou a percorrer. E é a espera que me mata!
Mas, como eu disse, chora-se, limpam-se as lágrimas e segue-se em frente. É a isso que se chama viver. (Viver, não sobreviver! Quem sobrevive não chora, porque se habitua à dor de não viver e nem a sente…)
sexta-feira, outubro 20, 2006
O de sempre
Já me faltava o ar! Andava sufocada e não sabia porquê.
Analisei-me e cheguei à conclusão de que não podia ser pela velha questão de sempre: o que faço da minha vida? Não. Isso seria demais. Já chega. O assunto é velho demais para me continuar a atormentar! Não tinha eu já decidido que ia deixar as coisas correrem? Não podia ser por isso…
Mais um dia. Dois dias. Três. Todos iguais. Todos normais. Todos calmos e serenos. E o sufoco aumentava.
“Vida sedentária”, pensei. Tenho de ir dar uma volta a pé ou assim… Ou talvez seja do tempo, que voltou a estar chuvoso. Mas a questão do tempo também já estava arrumada: não me ia voltar a permitir ficar deprimida por estar a chover lá fora! Já vi o belo da chuva. Já me serenei com essa questão… Vamos então dar a tal volta a pé...
Fui. Quis o destino que eu tivesse de levar o meu gajo às compras e que ele estivesse sem carro. Andámos um bocadinho a pé pela Baixa da cidade. Fizemos mais “umas piscinas” num shopping.
Sentámo-nos.
Não, o sufoco não desapareceu. Pelo contrário! Parece que me apertava mais!
Comecei a falar. Falei, falei, falei. E falei mais. E chorei. E analisei. E voltei a chorar e a falar. E outra vez.
Sim, é o mesmo problema de sempre. O velho. O antigo. O estragado. O enrugado. O amachucado! O que eu deito fora e me aparece sempre novo. Sempre fantástico! Sempre pronto a sufocar-me outra vez!
Cansa. Cansam as lágrimas que já chorei, as respostas que não encontrei, os passos que já recuei, as batalhas que já travei, os pedaços de mim que já perdi a chorar por isto!
Estou farta!
Mas o que posso fazer? O sufoco está cá. Não me deixa. Sei que vai ficar mais um tempo. O tempo que eu levar a encontrar a resposta, que não me parece próxima. Porque, até lá, ele só adormece e acorda e adormece e acorda e atormenta-me não me largando NUNCA!
Analisei-me e cheguei à conclusão de que não podia ser pela velha questão de sempre: o que faço da minha vida? Não. Isso seria demais. Já chega. O assunto é velho demais para me continuar a atormentar! Não tinha eu já decidido que ia deixar as coisas correrem? Não podia ser por isso…
Mais um dia. Dois dias. Três. Todos iguais. Todos normais. Todos calmos e serenos. E o sufoco aumentava.
“Vida sedentária”, pensei. Tenho de ir dar uma volta a pé ou assim… Ou talvez seja do tempo, que voltou a estar chuvoso. Mas a questão do tempo também já estava arrumada: não me ia voltar a permitir ficar deprimida por estar a chover lá fora! Já vi o belo da chuva. Já me serenei com essa questão… Vamos então dar a tal volta a pé...
Fui. Quis o destino que eu tivesse de levar o meu gajo às compras e que ele estivesse sem carro. Andámos um bocadinho a pé pela Baixa da cidade. Fizemos mais “umas piscinas” num shopping.
Sentámo-nos.
Não, o sufoco não desapareceu. Pelo contrário! Parece que me apertava mais!
Comecei a falar. Falei, falei, falei. E falei mais. E chorei. E analisei. E voltei a chorar e a falar. E outra vez.
Sim, é o mesmo problema de sempre. O velho. O antigo. O estragado. O enrugado. O amachucado! O que eu deito fora e me aparece sempre novo. Sempre fantástico! Sempre pronto a sufocar-me outra vez!
Cansa. Cansam as lágrimas que já chorei, as respostas que não encontrei, os passos que já recuei, as batalhas que já travei, os pedaços de mim que já perdi a chorar por isto!
Estou farta!
Mas o que posso fazer? O sufoco está cá. Não me deixa. Sei que vai ficar mais um tempo. O tempo que eu levar a encontrar a resposta, que não me parece próxima. Porque, até lá, ele só adormece e acorda e adormece e acorda e atormenta-me não me largando NUNCA!
terça-feira, outubro 17, 2006
Olhar em frente
Cansativo. Continuo a olhar em frente e anão ver nada. Pior: olho em frente e não sei o que quero ver…
Candidato-me a empregos que rezo para não conseguir. Queixo-me quando não recebo respostas, mas são poucas as que queria receber. Considero parar de me candidatar a empregos que me matariam se fossem meus… Mas, depois, o que me resta?
Não sei o que quero. Nunca soube. Só sei que não é isto.
As pequenas batalhas por uma alternativa têm-se revelado infrutíferas também. Talvez eu ainda não esteja preparada para a alternativa.
Olho em frente e não vejo nada, nem sei o que quero ver. Mas ao menos ainda não perdi a capacidade de olhar em frente…
Candidato-me a empregos que rezo para não conseguir. Queixo-me quando não recebo respostas, mas são poucas as que queria receber. Considero parar de me candidatar a empregos que me matariam se fossem meus… Mas, depois, o que me resta?
Não sei o que quero. Nunca soube. Só sei que não é isto.
As pequenas batalhas por uma alternativa têm-se revelado infrutíferas também. Talvez eu ainda não esteja preparada para a alternativa.
Olho em frente e não vejo nada, nem sei o que quero ver. Mas ao menos ainda não perdi a capacidade de olhar em frente…
domingo, outubro 15, 2006
Tenho saudades de sonhar
Sonho. Outra vez. Mas um sonho estranho, diferente. Diferente por não parecer um sonho. Os pés estão TÃO assentes no chão que não sinto que o coração esteja a voar. É bizarro, novo, até. E não necessariamente melhor.
Receio ter perdido a capacidade de sonhar. Sonhar, mesmo.
Sempre fui muito consciente da diferença entre projectos e sonhos, mas isso nunca me impediu de me deixar levar por projecções impossíveis. Eram secretas, minhas, impossíveis, sim, mas que me davam alento, alegria.
Receio ter perdido a capacidade de me deixar levar. A minha cabeça, agora, só conjectura projectos. E os projectos vêm com a responsabilidade das dificuldades de se tornarem reais. Os sonhos não. Daí a alegria fácil que os sonhos proporcionam e a apreensão natural que os projectos acarretam.
Mas é um sonho ainda. Não está totalmente definido. É um desejo. Uma ideia longínqua. Uma ideia que eu quero transformar em projecto, mas ainda não sei bem como. Então porque é que eu só penso nas dificuldades (como acontece com projectos) e não no formigueiro proporcionado por algo fantástico…?
Tenho saudades de sonhar…
Receio ter perdido a capacidade de sonhar. Sonhar, mesmo.
Sempre fui muito consciente da diferença entre projectos e sonhos, mas isso nunca me impediu de me deixar levar por projecções impossíveis. Eram secretas, minhas, impossíveis, sim, mas que me davam alento, alegria.
Receio ter perdido a capacidade de me deixar levar. A minha cabeça, agora, só conjectura projectos. E os projectos vêm com a responsabilidade das dificuldades de se tornarem reais. Os sonhos não. Daí a alegria fácil que os sonhos proporcionam e a apreensão natural que os projectos acarretam.
Mas é um sonho ainda. Não está totalmente definido. É um desejo. Uma ideia longínqua. Uma ideia que eu quero transformar em projecto, mas ainda não sei bem como. Então porque é que eu só penso nas dificuldades (como acontece com projectos) e não no formigueiro proporcionado por algo fantástico…?
Tenho saudades de sonhar…
sexta-feira, outubro 13, 2006
Bêbados
Ontem fui sair. Coimbra nocturna, em tempo de Latada, é aquele caos eufórico que mistura caloiros com uma liberdade recém-descoberta com “doutores” que apregoam mais conhecimento do que aqueles que têm e gostam de ensinar. Todos etilizados.
Lá estava eu, com uma amiga perfeitamente inserida no caos e outra amiga que, como eu – choque dos choques! – não costuma beber. Conversámos, rimos, conhecemos não sei quantos caloiros, mas o assunto recorrente era… álcool!
Quanto é que eu aguento; quanto é que os outros aguentam; aquela vez que me diverti tanto a beber até cair; a outra vez que fui parar aos HUC em coma alcoólico… Cansativo!
Sei que as noites de Coimbra, em início de ano lectivo, não podem ter outro assunto: é o único em comum! Eu percebo e perdoo. Mas em todos os outros casos… estou farta!
Aturo bêbados na boa. Não me chateia nada. Rio-me com eles e deles (é impossível não sentir uma certa superioridade sobre pessoas que precisam de beber para se divertir…).
O que eu já não aguento é que o assunto seja sempre o mesmo. Quando estão na presença de alguém que não bebe, fazem questão em falar SEMPRE de álcool! Embora eu não me ponha à parte, parece sempre que fazem questão de me pôr à parte! Nem que seja com a excessiva e descabida preocupação de que eu não me esteja a divertir!
Eu não preciso de beber para me divertir! Eu, se me quiser soltar, solto! Sem recorrer a álcool ou a psicotrópicos! Não preciso deles! E quando não me estou a divertir, não faço fretes! Já não tenho idade para isso! Por isso engulam as vossas inseguranças, bebam à vontade e permitam que os outros se divirtam NÃO BEBENDO!!!
Lá estava eu, com uma amiga perfeitamente inserida no caos e outra amiga que, como eu – choque dos choques! – não costuma beber. Conversámos, rimos, conhecemos não sei quantos caloiros, mas o assunto recorrente era… álcool!
Quanto é que eu aguento; quanto é que os outros aguentam; aquela vez que me diverti tanto a beber até cair; a outra vez que fui parar aos HUC em coma alcoólico… Cansativo!
Sei que as noites de Coimbra, em início de ano lectivo, não podem ter outro assunto: é o único em comum! Eu percebo e perdoo. Mas em todos os outros casos… estou farta!
Aturo bêbados na boa. Não me chateia nada. Rio-me com eles e deles (é impossível não sentir uma certa superioridade sobre pessoas que precisam de beber para se divertir…).
O que eu já não aguento é que o assunto seja sempre o mesmo. Quando estão na presença de alguém que não bebe, fazem questão em falar SEMPRE de álcool! Embora eu não me ponha à parte, parece sempre que fazem questão de me pôr à parte! Nem que seja com a excessiva e descabida preocupação de que eu não me esteja a divertir!
Eu não preciso de beber para me divertir! Eu, se me quiser soltar, solto! Sem recorrer a álcool ou a psicotrópicos! Não preciso deles! E quando não me estou a divertir, não faço fretes! Já não tenho idade para isso! Por isso engulam as vossas inseguranças, bebam à vontade e permitam que os outros se divirtam NÃO BEBENDO!!!
quarta-feira, outubro 11, 2006
A velhinha da Figueira
Há uma velhinha no meu bairro que me fala sempre. Eu gosto de velhinhas. E também gosto desta velhinha. Embora, para esta senhora, o termo “velhinha” seja um pouco pejorativo, porque quando eu for velhinha quero ser como esta senhora, a quem o termo “velhinha” não se aplica na totalidade…
Esta senhora, sempre que me vê, fala-me da Figueira da Foz. Se tenho ido à Figueira, se tem lá estado bom tempo, etc. Eu respondo-lhe sempre o mesmo: “Não sei. Não vou assim tanto à Figueira.” Mas, desde que começámos a conversar (e já á vão muitos anos), a Figueira quase aparece sempre!
Primeiro pensei que era ela que tinha lá casa, ou seja, a Figueira era importante para ELA. Depois apercebi-me de que ela falava com mais carinho de Lisboa do que da Figueira. “A minha casa não é cá (em Coimbra), é em Lisboa!”, disse-me um dia. Então, porquê a Figueira?! Depois dei-me conta de que ela falava como se a Figueira fosse importante para mim!...
Numa das muitas viagens de autocarro que fizemos juntas, acabei por lhe perguntar porque é que ela me falava sempre da Figueira… “Porque eu, quando lá vou, encontro-a sempre no comboio!”
Expliquei-lhe que não, não me encontra de certeza! Eu até vou à Figueira às vezes, mas tenho ido SEMPRE de carro!
A senhora ficou desconcertada. “Até conheço esse casaco que traz vestido! Costuma usá-lo no comboio!”, insistiu. Voltei a dizer-lhe que não. De certeza!
Aquilo passou. Durante uns tempos (que podem ter sido anos) ela não me falou da Figueira. Pensei que a tinha convencido, afinal eu estava a dizer a verdade!
Hoje, estava eu na paragem do autocarro, quando surge a “minha velhinha” com um penteado novo. Antes de eu sequer tempo de lhe mandar um piropo sobre o novo corte, ela sai-se com “Então a Figueira, hem? Tem lá estado melhor tempo do que aqui!”…
Será que ela me voltou a encontrar no comboio…?
Esta senhora, sempre que me vê, fala-me da Figueira da Foz. Se tenho ido à Figueira, se tem lá estado bom tempo, etc. Eu respondo-lhe sempre o mesmo: “Não sei. Não vou assim tanto à Figueira.” Mas, desde que começámos a conversar (e já á vão muitos anos), a Figueira quase aparece sempre!
Primeiro pensei que era ela que tinha lá casa, ou seja, a Figueira era importante para ELA. Depois apercebi-me de que ela falava com mais carinho de Lisboa do que da Figueira. “A minha casa não é cá (em Coimbra), é em Lisboa!”, disse-me um dia. Então, porquê a Figueira?! Depois dei-me conta de que ela falava como se a Figueira fosse importante para mim!...
Numa das muitas viagens de autocarro que fizemos juntas, acabei por lhe perguntar porque é que ela me falava sempre da Figueira… “Porque eu, quando lá vou, encontro-a sempre no comboio!”
Expliquei-lhe que não, não me encontra de certeza! Eu até vou à Figueira às vezes, mas tenho ido SEMPRE de carro!
A senhora ficou desconcertada. “Até conheço esse casaco que traz vestido! Costuma usá-lo no comboio!”, insistiu. Voltei a dizer-lhe que não. De certeza!
Aquilo passou. Durante uns tempos (que podem ter sido anos) ela não me falou da Figueira. Pensei que a tinha convencido, afinal eu estava a dizer a verdade!
Hoje, estava eu na paragem do autocarro, quando surge a “minha velhinha” com um penteado novo. Antes de eu sequer tempo de lhe mandar um piropo sobre o novo corte, ela sai-se com “Então a Figueira, hem? Tem lá estado melhor tempo do que aqui!”…
Será que ela me voltou a encontrar no comboio…?
segunda-feira, outubro 09, 2006
Hoje não estou cá…
Hoje não estou cá…
Que dizer, andei pela cidade, sentei-me na minha antiga escola, teclei com amigos… mas não estou cá.
Estou algures entre Londres, Toronto e Los Angeles.
Londres, porque sim, porque já é meu, não dá para separar Londres do meu coração. Toronto e Los Angeles devido à minha actual leitura.
É que eu sou o tipo de leitora obsessiva. Começo a ler um livro devagarinho e depois torna-se uma parte essencial do meu dia. Mergulho na história, afogo-me nela, apaixono-me pelos personagens… e é uma verdadeira chatice! É que, enquanto o meu calhamaço durar, eu vivo a vida daquelas pessoas ficcionadas. Não vivo a minha! Se os perceber mesmo bem (como é o caso), eles entranham-se em mim de tal maneira, que as suas esperanças, os seus desejos, as suas mágoas e frustrações são minhas também!
E pronto. Hoje vivo na pele de Jack Burns: actor famoso, homem traumatizado, criança molestada, ser não acabado... Sofro ainda com a morte da melhor amiga e da mãe e com os pensamentos que o atormentam, vindos do passado. Percorro com ele as ruas de Los Angeles e de Toronto. Fiz com ele o caminho árduo e merecido para a fama. Espero, como ele, o “algo mais” que a vida TEM de oferecer!
Estou frustrada. Por mim e por ele. Anseio o desfecho – feliz, espero! – deste LONGA história. Por mim e por ele...
É que, se ele não se vai embora, eu não consigo voltar à minha pele e escrever a MINHA história. Tenho uma história em espera que Jack Burns desapareça da minha vida. Jack Burns, uma personagem de ficção…
Que dizer, andei pela cidade, sentei-me na minha antiga escola, teclei com amigos… mas não estou cá.
Estou algures entre Londres, Toronto e Los Angeles.
Londres, porque sim, porque já é meu, não dá para separar Londres do meu coração. Toronto e Los Angeles devido à minha actual leitura.
É que eu sou o tipo de leitora obsessiva. Começo a ler um livro devagarinho e depois torna-se uma parte essencial do meu dia. Mergulho na história, afogo-me nela, apaixono-me pelos personagens… e é uma verdadeira chatice! É que, enquanto o meu calhamaço durar, eu vivo a vida daquelas pessoas ficcionadas. Não vivo a minha! Se os perceber mesmo bem (como é o caso), eles entranham-se em mim de tal maneira, que as suas esperanças, os seus desejos, as suas mágoas e frustrações são minhas também!
E pronto. Hoje vivo na pele de Jack Burns: actor famoso, homem traumatizado, criança molestada, ser não acabado... Sofro ainda com a morte da melhor amiga e da mãe e com os pensamentos que o atormentam, vindos do passado. Percorro com ele as ruas de Los Angeles e de Toronto. Fiz com ele o caminho árduo e merecido para a fama. Espero, como ele, o “algo mais” que a vida TEM de oferecer!
Estou frustrada. Por mim e por ele. Anseio o desfecho – feliz, espero! – deste LONGA história. Por mim e por ele...
É que, se ele não se vai embora, eu não consigo voltar à minha pele e escrever a MINHA história. Tenho uma história em espera que Jack Burns desapareça da minha vida. Jack Burns, uma personagem de ficção…
sábado, outubro 07, 2006
142 ficheiros
142 ficheiros. Desde Fevereiro, mandei 142 cartas (ou e-mails) de apresentação, entre respostas a anúncio e candidaturas espontâneas. 142 ficheiros para três países: Portugal, Estados Unidos e Inglaterra. E neste número não estão, obviamente, incluídas as cartas que enviei a chefes de estação, produtores, agentes e actores acerca do concurso que desenvolvi e do filme que escrevi.
Estou cansada!
142 ficheiros mais trocos e nada.
Já fiz de tudo. Já mandei candidaturas sérias e estruturadas. Já desenvolvi verdadeiros tratados de marketing e relações públicas. Já escrevi biografias. Já descrevi sonhos e esperanças. Até já concorri com cartas de apresentação desdenhosas e loucas. Não, esperem!, até já OFERECI trabalho!
Uma resposta. Uma só. UMA resposta esperançosa.
Já não estou desesperada. Não. Já não tenho feitio para desespero.
Se há uma coisa que eu SEI é que é uma questão de tempo até eu conseguir TUDO o que quero. …Porque também não tenho feitio para desistir. Às vezes “amoleço”, mas ponham-me NADA nas mãos e olhem para mim a lutar por TUDO!
Já semeei tantas sementes que alguma florescerá. Como sempre…
Há que acreditar…
Estou cansada!
142 ficheiros mais trocos e nada.
Já fiz de tudo. Já mandei candidaturas sérias e estruturadas. Já desenvolvi verdadeiros tratados de marketing e relações públicas. Já escrevi biografias. Já descrevi sonhos e esperanças. Até já concorri com cartas de apresentação desdenhosas e loucas. Não, esperem!, até já OFERECI trabalho!
Uma resposta. Uma só. UMA resposta esperançosa.
Já não estou desesperada. Não. Já não tenho feitio para desespero.
Se há uma coisa que eu SEI é que é uma questão de tempo até eu conseguir TUDO o que quero. …Porque também não tenho feitio para desistir. Às vezes “amoleço”, mas ponham-me NADA nas mãos e olhem para mim a lutar por TUDO!
Já semeei tantas sementes que alguma florescerá. Como sempre…
Há que acreditar…
quinta-feira, outubro 05, 2006
Ontem aconteceu...
Ontem aconteceu-me algo muito estranho enquanto tentava meditar. Bom, talvez meditar não seja o termo correcto. Eu, quando sinto que preciso, costumo sentar-me quietinha, a fazer respiração profunda e o relaxamento que aprendi a fazer para meditar… Mas duvido que algum dia tenha conseguido deveras “esvaziar o cérebro”. No entanto, isto ajuda-me a pôr os pensamentos em ordem e a sentir-me melhor comigo própria.
Ontem estava muito tensa e já tinha passado bastante tempo desde que eu tinha tirado tempo para pôr os “pensamentos em ordem”. Por isso, sentei-me, fiz a minha respiração e o relaxamento. Até pus em prática uma técnica que comigo resulta, que é inspirar algumas qualidades que me fazem falta e expirar os defeitos que me prejudicam. (Curiosamente, descobri que eles estão cada vez menores e menos incomodativos e que as qualidades que “inspiro” são cada vez mais “credíveis”para mim! Definitivamente uma vitória.)
Feito isto, pensei em reviver um episódio da minha vida que foi MUITO feliz. Achei que era a altura ideal para o recuperar. Afinal, foi TÃO feliz que a minha memória não conseguiu registá-lo! Depois do dito acontecimento, esqueci-me de tudo! Foi preciso contarem-me o que se tinha passado e como para que eu pudesse “guardar” algo de meu. Uma recriação, uma construção racional, não uma memória.
Ora, ontem decidi recuperar essa memória. Assim, relaxada e de olhos bem fechados, comecei a recriar a cena na minha cabeça. Corria tudo bem. Consegui sentir sensações que sabia que devia ter sentido na altura, mas que me estavam, de alguma forma, bloqueadas pelo lapso de memória…
Mas, quando cheguei ao “segundo” fulcral do episódio, não senti a tal felicidade que eu sei – mas não me lembro – ter sentido na altura. Senti algo ainda maior. Algo que era mais do que tristeza, maior do que antecipação, mais profundo do que felicidade. Mais inexplicável do que amor, ódio, frustração, ansiedade ou desespero! Algo que eu me lembro de ter sentido já UMA vez – conscientemente – e que me levou às margens da loucura.
Chorei. Não sei se de amargura, se de frustração, se simplesmente para ventilar aquele sentimento TÃO grande que eu não sei definir!...
Não percebo.
Primeiro, não percebo porque é que o meu cérebro se recusou a registar, na altura, aquela felicidade tão grande, tão pura e tão bonita. Porque é que eu tive de tentar recriá-la, revivê-la. (Talvez o cérebro humano não esteja preparado para assimilar aquilo que é maior do que ele espera receber, aquilo que ultrapassa as suas previsões…) E depois não percebo porque é que ela me continua inacessível e é substituída por algo que eu me lembro de sentir (também) UMA única vez e que me assustou MUITO. Algo que não sei definir e com o qual sei que tenho de encontrar forma de lidar, de contornar, de sobreviver… E este será seguramente mais um longo processo, mais uma longuíssima batalha… (Se não me venceu daquela vez, não me vai vencer nunca mais! Mas vai-me “moer”…)
Alguém conhece uma explicação? …Please…?
Ontem estava muito tensa e já tinha passado bastante tempo desde que eu tinha tirado tempo para pôr os “pensamentos em ordem”. Por isso, sentei-me, fiz a minha respiração e o relaxamento. Até pus em prática uma técnica que comigo resulta, que é inspirar algumas qualidades que me fazem falta e expirar os defeitos que me prejudicam. (Curiosamente, descobri que eles estão cada vez menores e menos incomodativos e que as qualidades que “inspiro” são cada vez mais “credíveis”para mim! Definitivamente uma vitória.)
Feito isto, pensei em reviver um episódio da minha vida que foi MUITO feliz. Achei que era a altura ideal para o recuperar. Afinal, foi TÃO feliz que a minha memória não conseguiu registá-lo! Depois do dito acontecimento, esqueci-me de tudo! Foi preciso contarem-me o que se tinha passado e como para que eu pudesse “guardar” algo de meu. Uma recriação, uma construção racional, não uma memória.
Ora, ontem decidi recuperar essa memória. Assim, relaxada e de olhos bem fechados, comecei a recriar a cena na minha cabeça. Corria tudo bem. Consegui sentir sensações que sabia que devia ter sentido na altura, mas que me estavam, de alguma forma, bloqueadas pelo lapso de memória…
Mas, quando cheguei ao “segundo” fulcral do episódio, não senti a tal felicidade que eu sei – mas não me lembro – ter sentido na altura. Senti algo ainda maior. Algo que era mais do que tristeza, maior do que antecipação, mais profundo do que felicidade. Mais inexplicável do que amor, ódio, frustração, ansiedade ou desespero! Algo que eu me lembro de ter sentido já UMA vez – conscientemente – e que me levou às margens da loucura.
Chorei. Não sei se de amargura, se de frustração, se simplesmente para ventilar aquele sentimento TÃO grande que eu não sei definir!...
Não percebo.
Primeiro, não percebo porque é que o meu cérebro se recusou a registar, na altura, aquela felicidade tão grande, tão pura e tão bonita. Porque é que eu tive de tentar recriá-la, revivê-la. (Talvez o cérebro humano não esteja preparado para assimilar aquilo que é maior do que ele espera receber, aquilo que ultrapassa as suas previsões…) E depois não percebo porque é que ela me continua inacessível e é substituída por algo que eu me lembro de sentir (também) UMA única vez e que me assustou MUITO. Algo que não sei definir e com o qual sei que tenho de encontrar forma de lidar, de contornar, de sobreviver… E este será seguramente mais um longo processo, mais uma longuíssima batalha… (Se não me venceu daquela vez, não me vai vencer nunca mais! Mas vai-me “moer”…)
Alguém conhece uma explicação? …Please…?
terça-feira, outubro 03, 2006
A foto em que Osama sorri
Ontem vi uma foto antiga de Osama binLaden. E não consegui parar de olhar para ela.
Foi tirada em 1998, num encontro com jornalistas em Jalalabade. Bin Laden sorri.
Na foto, o terrorista mais procurado do mundo – o tal que para a sociedade Ocidental é a encarnação do Diabo – aparenta ser um homem relativamente jovem, atraente, até. Com um sorriso rasgado e a mão direita estendida, com a palma virada para cima, e roupas Ocidentais, apenas um pequeno turbante nos dá uma pista da sua origem.
Mas suponho que não é a sua surpreendente juventude, nem a inesperada descontração, nem sequer o seu desconcertante sorriso que me faz não conseguir tira os olhos da imagem. A razão será a existência de uma doçura nela; uma simpatia, uma simplicidade que eu não consigo relacionar com a ideia predefinida que tinha do homem que é suposto representar.
Se a foto não tivesse o nome Bin Laden escrito na legenda, eu teria a maior simpatia por este homem… À luz deste retrato, eu não acredito que esta seja a encarnação do Mal.
Vou guardar a imagem. Não sei bem porquê, mas vou guardá-la. E também não sei bem porquê, mas depois de olhar para ela durante largos minutos, as lágrimas surgem-me sempre nos olhos…
…Ou talvez saiba… Talvez eu apenas não queira aceitar que o Mal não chega anunciado… Não tem sinais distintivos. Não tem perfil definido. Pode surgir de um sorriso...
Foi tirada em 1998, num encontro com jornalistas em Jalalabade. Bin Laden sorri.
Na foto, o terrorista mais procurado do mundo – o tal que para a sociedade Ocidental é a encarnação do Diabo – aparenta ser um homem relativamente jovem, atraente, até. Com um sorriso rasgado e a mão direita estendida, com a palma virada para cima, e roupas Ocidentais, apenas um pequeno turbante nos dá uma pista da sua origem.
Mas suponho que não é a sua surpreendente juventude, nem a inesperada descontração, nem sequer o seu desconcertante sorriso que me faz não conseguir tira os olhos da imagem. A razão será a existência de uma doçura nela; uma simpatia, uma simplicidade que eu não consigo relacionar com a ideia predefinida que tinha do homem que é suposto representar.
Se a foto não tivesse o nome Bin Laden escrito na legenda, eu teria a maior simpatia por este homem… À luz deste retrato, eu não acredito que esta seja a encarnação do Mal.
Vou guardar a imagem. Não sei bem porquê, mas vou guardá-la. E também não sei bem porquê, mas depois de olhar para ela durante largos minutos, as lágrimas surgem-me sempre nos olhos…
…Ou talvez saiba… Talvez eu apenas não queira aceitar que o Mal não chega anunciado… Não tem sinais distintivos. Não tem perfil definido. Pode surgir de um sorriso...
domingo, outubro 01, 2006
Mais um "momento Amèlie"
Imaginem que conhecem uma mega-estrela portuguesa, desde antes de ela se ter tornado mega-estrela… Não são propriamente amigos, mas “conhecem-se” há muitos anos.
No final de mais um concerto, aguardam que a fila interminável de fãs dê os beijinhos e tire as fotografias da praxe. Nos largos minutos de espera, trocam olhares cúmplices e brincadeiras com a “estrelinha”. Notam que não está bem-disposta. Dói-lhe o estômago…
No fim da longa espera, lá se aproximam para o beijinho da praxe. Por esta altura, já o pobre está agarrado ao estômago...
Teor da conversa:
_ Então, tudo bem?
(Burra, GK! O homem está agarrado ao estômago! Até já te tinha pedido um estômago emprestado e o que é que tu perguntas? …“Tudo bem”?!!)
_ Não! Dói-me o estômago…
_ Então?
_ Oh pá, não sei… Dói, estou a arrotar imenso… Só me apetecesse…
_ Estou a ver…. Isso está mau…
_ Está. Estou mesmo com vontade de… Mas isso eu nunca faço… Imagina…
_ Pois, imagino…
_ Mas isso eu nunca faço…
_ Pois… percebo-te…
_ …
_ …Bom, só vim dar o beijinho de parabéns da praxe. Não te roubo mais tempo…
E saí dali o mais depressa possível…
… Mais um “momento Amèlie”* na minha vida…
* "Momento Amèlie" - momento extremamente estranho, ainda que relativamente banal...
No final de mais um concerto, aguardam que a fila interminável de fãs dê os beijinhos e tire as fotografias da praxe. Nos largos minutos de espera, trocam olhares cúmplices e brincadeiras com a “estrelinha”. Notam que não está bem-disposta. Dói-lhe o estômago…
No fim da longa espera, lá se aproximam para o beijinho da praxe. Por esta altura, já o pobre está agarrado ao estômago...
Teor da conversa:
_ Então, tudo bem?
(Burra, GK! O homem está agarrado ao estômago! Até já te tinha pedido um estômago emprestado e o que é que tu perguntas? …“Tudo bem”?!!)
_ Não! Dói-me o estômago…
_ Então?
_ Oh pá, não sei… Dói, estou a arrotar imenso… Só me apetecesse…
_ Estou a ver…. Isso está mau…
_ Está. Estou mesmo com vontade de… Mas isso eu nunca faço… Imagina…
_ Pois, imagino…
_ Mas isso eu nunca faço…
_ Pois… percebo-te…
_ …
_ …Bom, só vim dar o beijinho de parabéns da praxe. Não te roubo mais tempo…
E saí dali o mais depressa possível…
… Mais um “momento Amèlie”* na minha vida…
* "Momento Amèlie" - momento extremamente estranho, ainda que relativamente banal...
quinta-feira, setembro 28, 2006
Estou em branco
Hoje estou em branco.
Há muito tempo que escrevo páginas na minha vida e as deito fora a seguir. Mesmo muito. Mas hoje estou MESMO em branco.
A vida ainda não começou.
Não sei se o sol a brilhar de novo no céu foi uma consequência ou uma causa, mas encontrei um novo desafio. É bom. É bonito. Mas também já é encarado com os pés na terra e, logo… com menos brilho nos olhos…
Ainda quero fugir. Mas já não morrerei se ficar.
Mas estou em branco. Não sei, hoje, fazer projectos ou sonhos. Não sei o que vem amanhã. Nem sei o que quero que venha. Melhor assim.
Há muito tempo que escrevo páginas na minha vida e as deito fora a seguir. Mesmo muito. Mas hoje estou MESMO em branco.
A vida ainda não começou.
Não sei se o sol a brilhar de novo no céu foi uma consequência ou uma causa, mas encontrei um novo desafio. É bom. É bonito. Mas também já é encarado com os pés na terra e, logo… com menos brilho nos olhos…
Ainda quero fugir. Mas já não morrerei se ficar.
Mas estou em branco. Não sei, hoje, fazer projectos ou sonhos. Não sei o que vem amanhã. Nem sei o que quero que venha. Melhor assim.
terça-feira, setembro 26, 2006
Já não consigo...
Já não consigo estar aqui… Não sei se é o tempo cinzento, se apenas a minha paciência que chegou ao fim. Sinto-me sufocar!
Quero fazer as malas e ir. Embora.
Estou cansada de esperar.
Sinto que estou a perder tempo precioso, a desperdiçá-lo aqui, quieta. Não sei o que deveria estar a fazer, mas sei que este cenário está gasto, velho.
Tenho de sair daqui.
Amesterdão, Barcelona, Zurique, Nova Iorque… Londres… Tenho de ir. Tenho de respirar!
Estou cansada de lutar contra as manhã… Contra a dor de ter de acordar!
O mundo parece gritar: "Resigna-te!". Mas, pá!, eu nunca fui uma alma resignada.
Mas não, mundo, não te preocupes. Todas as tuas vidas patéticas e formatadas podem continuar o seu percurso tranquilo sem qualquer sobressalto de preocupação pela minha pessoa… Desistir nunca foi uma opção.
Quero fazer as malas e ir. Embora.
Estou cansada de esperar.
Sinto que estou a perder tempo precioso, a desperdiçá-lo aqui, quieta. Não sei o que deveria estar a fazer, mas sei que este cenário está gasto, velho.
Tenho de sair daqui.
Amesterdão, Barcelona, Zurique, Nova Iorque… Londres… Tenho de ir. Tenho de respirar!
Estou cansada de lutar contra as manhã… Contra a dor de ter de acordar!
O mundo parece gritar: "Resigna-te!". Mas, pá!, eu nunca fui uma alma resignada.
Mas não, mundo, não te preocupes. Todas as tuas vidas patéticas e formatadas podem continuar o seu percurso tranquilo sem qualquer sobressalto de preocupação pela minha pessoa… Desistir nunca foi uma opção.
domingo, setembro 24, 2006
Esmolas...
Eu não costumo dar esmolas na rua. Só quando o instinto me diz que tenho mesmo de dar. E isso é raro. No entanto, sempre que o fiz, obtive respostas incríveis… Incríveis de sinceras e gratas…
Uma vez uma senhora, jovem até, pediu-me uma "ajudinha". Talvez tenha sido por ter falado baixo demais, como se as palavras lhe doessem a sair, ou talvez pelo olhar de pânico que levava ou pelo facto de os seus olhos vaguearem entre os meus e o passeio... depois de hesitar, tirei uns euros da carteira e dei-lhos. Ela agradeceu-me tímida e partiu.
Por instantes duvidei dos meus instintos. "Será que fui levada?", perguntei-me... Mas decidi não dar muita importância ao assunto. Não eram aqueles euros que iam mudar a minha vida. Dei, estava dado. Fui à minha vida.
Já quase tinha esquecido a senhora, quando passo em frente a uma padaria na Baixa. Ia alheia, distraída. De repente, sinto alguém agarrar-me as mãos e aproximar-se. Era ela. Curava-se à minha frente. "Obrigada", disse-me, "muito obrigada". Os olhos agora já não deixavam os meus. Tinham um brilho comovido, de pura gratidão. Nunca mais vou esquecer aquele olhar... nem o saco de pão que ela levava na mão como se de um prémio precioso se tratasse...
É devastador pensar que uma moeda que não muda o nosso dia em nada, pode proporcionar o único alimento de alguém...
(Este texto vem na sequência do último post do blog Cardos & Prosas, colocado pela Kiki.)
Uma vez uma senhora, jovem até, pediu-me uma "ajudinha". Talvez tenha sido por ter falado baixo demais, como se as palavras lhe doessem a sair, ou talvez pelo olhar de pânico que levava ou pelo facto de os seus olhos vaguearem entre os meus e o passeio... depois de hesitar, tirei uns euros da carteira e dei-lhos. Ela agradeceu-me tímida e partiu.
Por instantes duvidei dos meus instintos. "Será que fui levada?", perguntei-me... Mas decidi não dar muita importância ao assunto. Não eram aqueles euros que iam mudar a minha vida. Dei, estava dado. Fui à minha vida.
Já quase tinha esquecido a senhora, quando passo em frente a uma padaria na Baixa. Ia alheia, distraída. De repente, sinto alguém agarrar-me as mãos e aproximar-se. Era ela. Curava-se à minha frente. "Obrigada", disse-me, "muito obrigada". Os olhos agora já não deixavam os meus. Tinham um brilho comovido, de pura gratidão. Nunca mais vou esquecer aquele olhar... nem o saco de pão que ela levava na mão como se de um prémio precioso se tratasse...
É devastador pensar que uma moeda que não muda o nosso dia em nada, pode proporcionar o único alimento de alguém...
(Este texto vem na sequência do último post do blog Cardos & Prosas, colocado pela Kiki.)
sexta-feira, setembro 22, 2006
An Unconvenient Truth
Fui ver, claro. Sei que está nas mãos de todos.
Faço aqui a minha parte: dêem um saltinho a http://www.climatecrisis.net.
(E, já agora, a http://www.greenpeace.org/international.)
quarta-feira, setembro 20, 2006
Serei blogodependente?
Foi a minha companheira bloguista The Star que me levou a questionar-me, com post intitulado (precisamente) “És blogodependente?”
Há que admitir:
- guardo posts na secretária;
- às vezes tenho inveja dos muitos comentários dos outros;
- penso frequentemente "isto merece um post"
- e às vezes blogo quando estou a adormecer ou acordar...
Bom, não chego a preencher metade do requisitos para ser dependente… Mas acho que para lá caminho rapidamente… É que, eu comecei com um blog colectivo e entretanto já ter inaugurei o terceiro...
Deixem-me falar-vos dos meus blogs…
O primeiro a ser inaugurado foi o Cardos e Prosas. Trata-se de um espaço sobre coisas de gajas. Convidem MONTES de amigas a participarem, muitas disseram que sim e poucas o fizeram. Recentemente, zanguei-me, chateei-me, fartei-me. Pensei encerrar o blog. Mas suponho quando decidimos pela morte, não queremos efectivamente a morte, queremos que morra o que está mal, que mude, que reviva… diferente… E foi isso que aconteceu. O blog está novamente activo, mas, agora, sem pressões, sem stresses, sem obrigações… Vamos ver como corre.
O segundo a surgir foi este: My Dirty Little Secret. É que, sempre que escrevia algo no Cardos, sentia vontade de ir mais além, ser mais pessoal, contar coisas minhas, sem tema. É então a minha “válvula de escape”. É aqui que eu “desabafo”. Ele serve também para eu escrever regularmente. Algo que eu preciso de fazer e disciplinar. Dantes andava sempre de bloco de notas pela casa, mas os textos eram meus, só meus. Agora o que está no bloco às vezes passa para aqui e os meus textos são dados a conhecer. É um privilégio.
Finalmente, anteontem inaugurei outro blog. Como os outros, ele surgiu de uma necessidade de partilha. Neste caso, o tema é Coimbra. A cidade que eu amo, com todas as suas virtudes e todos os seus defeitos. Fiz convites e, para surpresa minha, tive MUITAS respostas. Aparentemente a mais quem ame a Cidade dos Doutores. Onde estavam escondidos? Coimbra dos Amores é o nome deste novo blog. Espero ver-vos por lá.
Virei a ser viciada? Provavelmente. Participarei num desses grupos de apoio de que fala a The Star? Acho que não. Eu trato de mim. Não gosto de vícios. Eles dominam-nos e eu detesto sentir-me subjugada involuntariamente. Por isso, sei que saberei recuar, se for caso disso. No entanto, sou a favor do prazer. E escrever e visitar blogs dá-me muito prazer. Porque não saciar a vontade…? ;)
(E vocês, são blogodependentes?)
Há que admitir:
- guardo posts na secretária;
- às vezes tenho inveja dos muitos comentários dos outros;
- penso frequentemente "isto merece um post"
- e às vezes blogo quando estou a adormecer ou acordar...
Bom, não chego a preencher metade do requisitos para ser dependente… Mas acho que para lá caminho rapidamente… É que, eu comecei com um blog colectivo e entretanto já ter inaugurei o terceiro...
Deixem-me falar-vos dos meus blogs…
O primeiro a ser inaugurado foi o Cardos e Prosas. Trata-se de um espaço sobre coisas de gajas. Convidem MONTES de amigas a participarem, muitas disseram que sim e poucas o fizeram. Recentemente, zanguei-me, chateei-me, fartei-me. Pensei encerrar o blog. Mas suponho quando decidimos pela morte, não queremos efectivamente a morte, queremos que morra o que está mal, que mude, que reviva… diferente… E foi isso que aconteceu. O blog está novamente activo, mas, agora, sem pressões, sem stresses, sem obrigações… Vamos ver como corre.
O segundo a surgir foi este: My Dirty Little Secret. É que, sempre que escrevia algo no Cardos, sentia vontade de ir mais além, ser mais pessoal, contar coisas minhas, sem tema. É então a minha “válvula de escape”. É aqui que eu “desabafo”. Ele serve também para eu escrever regularmente. Algo que eu preciso de fazer e disciplinar. Dantes andava sempre de bloco de notas pela casa, mas os textos eram meus, só meus. Agora o que está no bloco às vezes passa para aqui e os meus textos são dados a conhecer. É um privilégio.
Finalmente, anteontem inaugurei outro blog. Como os outros, ele surgiu de uma necessidade de partilha. Neste caso, o tema é Coimbra. A cidade que eu amo, com todas as suas virtudes e todos os seus defeitos. Fiz convites e, para surpresa minha, tive MUITAS respostas. Aparentemente a mais quem ame a Cidade dos Doutores. Onde estavam escondidos? Coimbra dos Amores é o nome deste novo blog. Espero ver-vos por lá.
Virei a ser viciada? Provavelmente. Participarei num desses grupos de apoio de que fala a The Star? Acho que não. Eu trato de mim. Não gosto de vícios. Eles dominam-nos e eu detesto sentir-me subjugada involuntariamente. Por isso, sei que saberei recuar, se for caso disso. No entanto, sou a favor do prazer. E escrever e visitar blogs dá-me muito prazer. Porque não saciar a vontade…? ;)
(E vocês, são blogodependentes?)
segunda-feira, setembro 18, 2006
Bibelô Inútil...?
Hoje fiz a minha viagem inaugural à Casa da Música, no Porto. Já tinha ouvido alguém qualificar “o meteorito” de “bibelô inútil”… mas não quis acreditar… Mal sabia eu o que me esperava depois de uma viagem propositada e preparada ao pormenor, iniciada em Coimbra…
Como qualificar uma casa de espectáculos:
- onde um público quer ver um concerto e não consegue chegar à sala porque a Segurança não se entende, mas, na dúvida, ninguém entra;
- onde são destacados apenas DOIS membros da equipa de Frente de Casa para um evento em que recebem músicos E artistas;
- e onde tudo isto tem de ser resolvido apenas quando a Casa da Música abre – às 10h da manhã – e antes do início do concerto – que está marcado para as 10h da manhã – e ao mesmo tempo que se colocam dezenas de bebés numa outra sala onde o concerto também começa às 10h!!!
OSTENTAÇÃO. É o que me ocorre.
Gastam-se 100 MILHÕES de euros a fazer-se, mas não se põe a funcionar condignamente.
Gastam-se 100 milhões de euros (repito!) numa casa de espectáculos onde há folha de ouro a decorar o Grande Auditório, mas onde a equipa não sabe qual é a sala em que vai decorrer um espectáculo que está agendado há meses.
Gastam-se 100 milhões de euros (repito novamente para ninguém esquecer!) num BIBELÔ onde, quando a equipa finalmente descobre onde o espectáculo e como se chega lá, não há quem acompanhe o público até à sala!
“Bibelô inútil” será o termo certo, não?… Pelo menos tendo em conta o (péssimo) exemplo.
E viva o livro de reclamações!
Como qualificar uma casa de espectáculos:
- onde um público quer ver um concerto e não consegue chegar à sala porque a Segurança não se entende, mas, na dúvida, ninguém entra;
- onde são destacados apenas DOIS membros da equipa de Frente de Casa para um evento em que recebem músicos E artistas;
- e onde tudo isto tem de ser resolvido apenas quando a Casa da Música abre – às 10h da manhã – e antes do início do concerto – que está marcado para as 10h da manhã – e ao mesmo tempo que se colocam dezenas de bebés numa outra sala onde o concerto também começa às 10h!!!
OSTENTAÇÃO. É o que me ocorre.
Gastam-se 100 MILHÕES de euros a fazer-se, mas não se põe a funcionar condignamente.
Gastam-se 100 milhões de euros (repito!) numa casa de espectáculos onde há folha de ouro a decorar o Grande Auditório, mas onde a equipa não sabe qual é a sala em que vai decorrer um espectáculo que está agendado há meses.
Gastam-se 100 milhões de euros (repito novamente para ninguém esquecer!) num BIBELÔ onde, quando a equipa finalmente descobre onde o espectáculo e como se chega lá, não há quem acompanhe o público até à sala!
“Bibelô inútil” será o termo certo, não?… Pelo menos tendo em conta o (péssimo) exemplo.
E viva o livro de reclamações!
sábado, setembro 16, 2006
Escrevi um filme...
Eu escrevi um filme.
Estava desempregada (como agora) e deu-me para usar o meu tempo em algo útil e prazeiroso: escrever um filme.
Foi TÃO bom.
Os meses de pesquisa... as gravações dos diálogos no gravador de entrevistas quando "a inspiração" surgia... a alegria infantil ao resolver pequenas questões que nos atormentavam há semanas... a fase de sentar para escrever... a noite (madrugada) em que escrevi o THE END... (Sim, em inglês!) Inesquecível!
Foi MUITO bom...
Eu escrevi um filme que ninguém lê.
OK, escrevi em inglês. (Não, não desprezo a minha língua, mas as minhas personagens falavam inglês! Quem era eu para as contrariar?! E a minha história não é um filme português, é definitivamente um "Hollywood movie"...) Suponho que estar escrito em inglês torna tudo mais difícil... Afinal, se aqui ninguém nos liga porque não pertencêmos "ao clube"... em Hollywood... Bom, digamos que o clube é BEEEEEEM mais restrito...
Mas o que fazer? Desistir?
NUNCA.
O meu filme já voou para os States, claro. Ele está registadíssimo. Tudo como manda "o figurino" Até já fez uma paragem bastante atrevida... Mas ninguém o lê.
Não é que seja bom ou seja mau: não interessa! Se não te pediram nada, não querem saber! Produtores, agentes, actores... Whatever. Não pertences ao clube, não existes!
Dou um exemplo significativo...
Há uns tempos mandei umas dezesnas de cartas e e-mails para criaturas que poderiam ter interesse em "new blood" naquela terra. Dez por cento voltou para trás; outros dez foram devolvidos com uma breve nota que dizia "We don't accept unsolicited material"...
Não me dei por vencida e repeti a “investida” para “outras entidades". Aconteceu exactamente o mesmo… com uma excepção…
Uma agente respondeu-me pessoalmente, para o e-mail, a dizer que “não andava à procura de mais clientes”…
“Boa!”, pensei, “ao menos tenho um contacto directo… Deixo passar um tempinho e volto à carga”…
Aqui está o resultado:
Ontem escrevi:
“Dear …
I wrote you once, asking you to read my work. You said no...
Well… I am asking again.
12 pages. That is all I ask.
If you don't feel like you have to read the rest of my script, I will never bother you again (not any time soon, anyway).
I know how precious your time must be and how tough it must be to represent writers in a place where everyone has an idea. And I can only imagine how much tougher it would be to represent the "new kid in the block". But I have to ask you for ONE chance. Somebody gave YOU a chance once … I am working to get mine…
… What if I am good…? ;)
TWELVE PAGES. Please…
GK”
Resposta, hoje:
“Thanks for the query, but I am not accepting any more clients.”
Só! E pronto. É isto. UMA MERDA DE UMA PAREDE!!!!!
E isto influencia TUDO…
Estou novamente desempregada, mas não me apetece criar nada! Sinto que não vale a pena… Porque falei do meu filme, mas posso falar do concurso que desenvolvi e que teve o mesmíssimo tratamento em Portugal. É que nem lêem! Nem sei se é bom, se é mau: apenas nem existe!
…Não vale a pena. :(
(Por acaso não há "por aí" quem conheça "alguém" com um cartão de membro para o Hollywood Club, há???)
Estava desempregada (como agora) e deu-me para usar o meu tempo em algo útil e prazeiroso: escrever um filme.
Foi TÃO bom.
Os meses de pesquisa... as gravações dos diálogos no gravador de entrevistas quando "a inspiração" surgia... a alegria infantil ao resolver pequenas questões que nos atormentavam há semanas... a fase de sentar para escrever... a noite (madrugada) em que escrevi o THE END... (Sim, em inglês!) Inesquecível!
Foi MUITO bom...
Eu escrevi um filme que ninguém lê.
OK, escrevi em inglês. (Não, não desprezo a minha língua, mas as minhas personagens falavam inglês! Quem era eu para as contrariar?! E a minha história não é um filme português, é definitivamente um "Hollywood movie"...) Suponho que estar escrito em inglês torna tudo mais difícil... Afinal, se aqui ninguém nos liga porque não pertencêmos "ao clube"... em Hollywood... Bom, digamos que o clube é BEEEEEEM mais restrito...
Mas o que fazer? Desistir?
NUNCA.
O meu filme já voou para os States, claro. Ele está registadíssimo. Tudo como manda "o figurino" Até já fez uma paragem bastante atrevida... Mas ninguém o lê.
Não é que seja bom ou seja mau: não interessa! Se não te pediram nada, não querem saber! Produtores, agentes, actores... Whatever. Não pertences ao clube, não existes!
Dou um exemplo significativo...
Há uns tempos mandei umas dezesnas de cartas e e-mails para criaturas que poderiam ter interesse em "new blood" naquela terra. Dez por cento voltou para trás; outros dez foram devolvidos com uma breve nota que dizia "We don't accept unsolicited material"...
Não me dei por vencida e repeti a “investida” para “outras entidades". Aconteceu exactamente o mesmo… com uma excepção…
Uma agente respondeu-me pessoalmente, para o e-mail, a dizer que “não andava à procura de mais clientes”…
“Boa!”, pensei, “ao menos tenho um contacto directo… Deixo passar um tempinho e volto à carga”…
Aqui está o resultado:
Ontem escrevi:
“Dear …
I wrote you once, asking you to read my work. You said no...
Well… I am asking again.
12 pages. That is all I ask.
If you don't feel like you have to read the rest of my script, I will never bother you again (not any time soon, anyway).
I know how precious your time must be and how tough it must be to represent writers in a place where everyone has an idea. And I can only imagine how much tougher it would be to represent the "new kid in the block". But I have to ask you for ONE chance. Somebody gave YOU a chance once … I am working to get mine…
… What if I am good…? ;)
TWELVE PAGES. Please…
GK”
Resposta, hoje:
“Thanks for the query, but I am not accepting any more clients.”
Só! E pronto. É isto. UMA MERDA DE UMA PAREDE!!!!!
E isto influencia TUDO…
Estou novamente desempregada, mas não me apetece criar nada! Sinto que não vale a pena… Porque falei do meu filme, mas posso falar do concurso que desenvolvi e que teve o mesmíssimo tratamento em Portugal. É que nem lêem! Nem sei se é bom, se é mau: apenas nem existe!
…Não vale a pena. :(
(Por acaso não há "por aí" quem conheça "alguém" com um cartão de membro para o Hollywood Club, há???)
quinta-feira, setembro 14, 2006
O sonho manchado...
Era uma vez uma menina. Uma menina que apesar de já ser crescida, não tinha sido menina… e por isso aproveitava cada desculpa para resgatar essa infância roubada.
Essa menina engravidou há muitos anos. Numa altura em que ainda lia e acreditava em poemas de amor…
A vida foi cruel. Por razões mais difíceis de que recordá-las, ela abandonou a bebé na minha na minha casa e foi embora. Andou perdida e esquecida, enquanto a bebé encontrava uns avós que não eram dela. Andou perdida e esquecida e voltou a perder a infância. Perdeu-se no mundo e deixou o mundo que conhecia.
Anos depois, quando ela acreditava que eu a ia receber com espinhos, recebi-a com um abraço e ela desfez-se em lágrimas. Eu sabia que ela tinha passado pelo Inferno e voltado. Não podia julgá-la.
Essa menina é o meu karma e eu o dela. Não podemos dizer adeus uma à outra. Já tentámos e falhámos. Decidimos aceitar o destino…
Recentemente planeámos uma viagem. Uma viagem de sonho. Mas a menina tinha novidades… Estava grávida novamente. Ela ainda acredita nos poemas…
Nessa viagem de sonho tivemos uma conversa difícil. Disse-lhe que ela estava a repetir os mesmos erros do passado. Disse-lhe que ela tinha de mudar qualquer coisa. Que o destino estava a dar-lhe a oportunidade de fazer diferente desta vez…
A viagem passou. E foi um sonho!
Já em casa - eu cá, ela lá longe - ainda a viajar, quis falar com ela. Ela já não se lembrava do sonho.
_ Fiz um aborto. – Disse-me.
… O que é que EU fiz?!! Podia fazer diferente? Fui honesta. Mas sei que o que disse levou a este desfecho… Será que foi melhor assim?
…Então porque é que o meu sonho é manchado por esta lembrança?
Essa menina engravidou há muitos anos. Numa altura em que ainda lia e acreditava em poemas de amor…
A vida foi cruel. Por razões mais difíceis de que recordá-las, ela abandonou a bebé na minha na minha casa e foi embora. Andou perdida e esquecida, enquanto a bebé encontrava uns avós que não eram dela. Andou perdida e esquecida e voltou a perder a infância. Perdeu-se no mundo e deixou o mundo que conhecia.
Anos depois, quando ela acreditava que eu a ia receber com espinhos, recebi-a com um abraço e ela desfez-se em lágrimas. Eu sabia que ela tinha passado pelo Inferno e voltado. Não podia julgá-la.
Essa menina é o meu karma e eu o dela. Não podemos dizer adeus uma à outra. Já tentámos e falhámos. Decidimos aceitar o destino…
Recentemente planeámos uma viagem. Uma viagem de sonho. Mas a menina tinha novidades… Estava grávida novamente. Ela ainda acredita nos poemas…
Nessa viagem de sonho tivemos uma conversa difícil. Disse-lhe que ela estava a repetir os mesmos erros do passado. Disse-lhe que ela tinha de mudar qualquer coisa. Que o destino estava a dar-lhe a oportunidade de fazer diferente desta vez…
A viagem passou. E foi um sonho!
Já em casa - eu cá, ela lá longe - ainda a viajar, quis falar com ela. Ela já não se lembrava do sonho.
_ Fiz um aborto. – Disse-me.
… O que é que EU fiz?!! Podia fazer diferente? Fui honesta. Mas sei que o que disse levou a este desfecho… Será que foi melhor assim?
…Então porque é que o meu sonho é manchado por esta lembrança?
segunda-feira, setembro 11, 2006
11 de Setembro...
Pensei ignorar a data. Esquecê-la… Mas quem é que consegue fazer isso neste mundo?
Não dá para ignorar. Por isso, assumo-a.
Hoje é dia 11 de Stembro! “O dia em que o mundo mudou”.
E onde estava eu a 11 de Setembro de 2001?
Sentada, em casa, a almoçar.
O noticiário do Canal 1 interrompe o alinhamento para incluir imagens de um “acidente” nos Estados Unidos… Há falta de informação. Suspeita-se que um avião chocou contra a Torre Norte do World Trade Center. Na imagem, a torre arde.
Não percebi na altura a gravidade da situação. Pensei que, lá, era cedo demais para os escritórios estarem cheios… Mas, à medida que ouvia a jornalista, percebi que estava enganada… Já os olhos não me saíam do ecrã…
Vemos, todos, um outro avião a aproximar-se. CNN e Canal 1 dizem que é da polícia… Mas é grande demais para ser da polícia… Não é da polícia!
O avião chocou contra a Torre Sul! Assim, em directo! Para o mundo ver...
O almoço já não me caiu bem.
Eu tinha de ir trabalhar, mas não conseguia tomar a decisão de deixar de ver aquilo…
Subi a rua, atrasada.
Na paragem questionava-me se aquelas pessoas de rosto fechado sabiam o que se estava a passar…
Quando saí de casa, já era claro que era um atentado terrorista. O Pentágono tinha sido atacado.
Guerra. Pensei. Estamos TODOS em guerra. Não há mínima hipótese de isto não ter resposta. E depois… respostAS…
Guerra. É a Terceira Guerra Mundial que começa aqui.
O meu cérebro congeminava vagos cenários de racionamentos e balbúrdia. Mesmo aqui, neste cantinho do mundo, as consequências seriam sentidas… Não tinha a mínima dúvida…
Lembro-me de mandar uma mensagem a uma amiga a referir isso mesmo: “Pediste-me para te avisar se a Terceira Guerra Mundial começasse porque não vês nem ouves notícias… Pois bem, sugiro que procures um rádio e o ouças… Acho que começou…”
Ela ligou-me a seguir, desconcertada. Tinha conseguido um rádio... Disse-me da torre que desmoronara…
Eu estava aturdida, dormente.
Cheguei à redacção. Todos olhavam para o ecrã, também aturdidos e dormentes.
Assim foi durante várias horas mais. Todo o dia, na verdade. Para toda a gente.
O meu chefe de redacção, que devia fazer os noticiários daquela tarde, pediu-me para o substituir e saiu. Não me lembro porquê. Mas fiquei com três noticiários, em directo, para fazer.
Fi-los. Com notícias que chegavam em catadupa. Número de vítimas. Autoria dos ataques. Discursos de responsáveis.
Lembro-me de dizer no ar que o grupo de Bin Laden recusou a autoria dos ataques… (Mas hoje ninguém se lembra disso… Estarei enganada?)
Também entrevistei o Prof. Boaventura Sousa Santos, sociólogo, que dava aulas em Nova Iorque… Estava aturdido. Ainda hoje recordo o tom baixo das nossas vozes, como lágrimas contidas... Não havia análise possível ainda… “Espero que a comunidade Nova Iorquina supere este trauma. Acho que vai superar… Mas o mundo inteiro vai sentir as repercussões…” Não era preciso um especialista para imaginar este cenário, mas este especialista era, hoje, um homem com o coração pequenino… como eu.
Chorei sozinha no estúdio mais do que uma vez. Não queria acreditar no que tinha sido cada noticiário…
Ainda não acredito.
3000 pessoas.
Guardo ainda os jornais daqueles dias. As revistas. As notícias. Gravo, ainda hoje, TODOS os documentários. Vejo os filmes. Procuro um sentido… E não o acho…
Não dá para ignorar. Por isso, assumo-a.
Hoje é dia 11 de Stembro! “O dia em que o mundo mudou”.
E onde estava eu a 11 de Setembro de 2001?
Sentada, em casa, a almoçar.
O noticiário do Canal 1 interrompe o alinhamento para incluir imagens de um “acidente” nos Estados Unidos… Há falta de informação. Suspeita-se que um avião chocou contra a Torre Norte do World Trade Center. Na imagem, a torre arde.
Não percebi na altura a gravidade da situação. Pensei que, lá, era cedo demais para os escritórios estarem cheios… Mas, à medida que ouvia a jornalista, percebi que estava enganada… Já os olhos não me saíam do ecrã…
Vemos, todos, um outro avião a aproximar-se. CNN e Canal 1 dizem que é da polícia… Mas é grande demais para ser da polícia… Não é da polícia!
O avião chocou contra a Torre Sul! Assim, em directo! Para o mundo ver...
O almoço já não me caiu bem.
Eu tinha de ir trabalhar, mas não conseguia tomar a decisão de deixar de ver aquilo…
Subi a rua, atrasada.
Na paragem questionava-me se aquelas pessoas de rosto fechado sabiam o que se estava a passar…
Quando saí de casa, já era claro que era um atentado terrorista. O Pentágono tinha sido atacado.
Guerra. Pensei. Estamos TODOS em guerra. Não há mínima hipótese de isto não ter resposta. E depois… respostAS…
Guerra. É a Terceira Guerra Mundial que começa aqui.
O meu cérebro congeminava vagos cenários de racionamentos e balbúrdia. Mesmo aqui, neste cantinho do mundo, as consequências seriam sentidas… Não tinha a mínima dúvida…
Lembro-me de mandar uma mensagem a uma amiga a referir isso mesmo: “Pediste-me para te avisar se a Terceira Guerra Mundial começasse porque não vês nem ouves notícias… Pois bem, sugiro que procures um rádio e o ouças… Acho que começou…”
Ela ligou-me a seguir, desconcertada. Tinha conseguido um rádio... Disse-me da torre que desmoronara…
Eu estava aturdida, dormente.
Cheguei à redacção. Todos olhavam para o ecrã, também aturdidos e dormentes.
Assim foi durante várias horas mais. Todo o dia, na verdade. Para toda a gente.
O meu chefe de redacção, que devia fazer os noticiários daquela tarde, pediu-me para o substituir e saiu. Não me lembro porquê. Mas fiquei com três noticiários, em directo, para fazer.
Fi-los. Com notícias que chegavam em catadupa. Número de vítimas. Autoria dos ataques. Discursos de responsáveis.
Lembro-me de dizer no ar que o grupo de Bin Laden recusou a autoria dos ataques… (Mas hoje ninguém se lembra disso… Estarei enganada?)
Também entrevistei o Prof. Boaventura Sousa Santos, sociólogo, que dava aulas em Nova Iorque… Estava aturdido. Ainda hoje recordo o tom baixo das nossas vozes, como lágrimas contidas... Não havia análise possível ainda… “Espero que a comunidade Nova Iorquina supere este trauma. Acho que vai superar… Mas o mundo inteiro vai sentir as repercussões…” Não era preciso um especialista para imaginar este cenário, mas este especialista era, hoje, um homem com o coração pequenino… como eu.
Chorei sozinha no estúdio mais do que uma vez. Não queria acreditar no que tinha sido cada noticiário…
Ainda não acredito.
3000 pessoas.
Guardo ainda os jornais daqueles dias. As revistas. As notícias. Gravo, ainda hoje, TODOS os documentários. Vejo os filmes. Procuro um sentido… E não o acho…
domingo, setembro 10, 2006
Um novo conhecimento...
Aprendi recentemente que, se alguém aparece na nossa vida, é porque vai ter um papel nela. É porque tem algo para nos dizer. Algo que precisamos de ouvir. Temos é de estar muito atentos… E, mesmo assim, muitas vezes a mensagem perde-se no quotidiano.
Hoje era para ser um daqueles dias enfadonhos e solitários. Um dia em que o meu único objectivo era ir ao shopping comprar o Expresso e fazer umas compras ao supermercado.
Subo a rua a olhar para o telemóvel… com esperança de uma mensagem providencial. Não me surpreendeu que não a tivesse…
Na paragem, troco duas palavras com uma miúda que esperava o mesmo autocarro que eu. Quando damos conta de que é Sábado e os autocarros são escassos, decido ir a pé para o meu destino.
_ Mas vai para onde? – Perguntou-me.
_ Dolce Vita. – Respondi.
_ Eu também! … Se calhar, podíamos ir juntas…
E eu pergunto-me: Ora, porque será que a vida pôs esta jovem estudante no meu caminho hoje…?
Lá fomos… e viemos… Conversámos. Partilhámos. Sonhámos. Acho que nasceu uma breve admiração mútua (estarei a ser pretensiosa?) que pode, facilmente, tornar-se numa amizade…
Ainda não sei a que pergunta pessoal veio este novo conhecimento responder… Talvez ainda não exista uma resposta. Talvez ela surja da próxima vez que nos encontrarmos… Talvez surja mais tarde. Talvez eu precise desta pessoa na minha vida durante mais tempo… Talvez eu tenha trazido a resposta a algo que ela procurava. Talvez tenhamos as duas apenas precisado de companhia para esta longa tarde de Sábado. Foi seguramente mais agradável fazer “a viagem” com alguém ao lado…
Talvez… Talvez… Talvez…
O que sei é que este Sábado não foi um mau dia. Graças a ela.
(Obrigada, linda.)
Hoje era para ser um daqueles dias enfadonhos e solitários. Um dia em que o meu único objectivo era ir ao shopping comprar o Expresso e fazer umas compras ao supermercado.
Subo a rua a olhar para o telemóvel… com esperança de uma mensagem providencial. Não me surpreendeu que não a tivesse…
Na paragem, troco duas palavras com uma miúda que esperava o mesmo autocarro que eu. Quando damos conta de que é Sábado e os autocarros são escassos, decido ir a pé para o meu destino.
_ Mas vai para onde? – Perguntou-me.
_ Dolce Vita. – Respondi.
_ Eu também! … Se calhar, podíamos ir juntas…
E eu pergunto-me: Ora, porque será que a vida pôs esta jovem estudante no meu caminho hoje…?
Lá fomos… e viemos… Conversámos. Partilhámos. Sonhámos. Acho que nasceu uma breve admiração mútua (estarei a ser pretensiosa?) que pode, facilmente, tornar-se numa amizade…
Ainda não sei a que pergunta pessoal veio este novo conhecimento responder… Talvez ainda não exista uma resposta. Talvez ela surja da próxima vez que nos encontrarmos… Talvez surja mais tarde. Talvez eu precise desta pessoa na minha vida durante mais tempo… Talvez eu tenha trazido a resposta a algo que ela procurava. Talvez tenhamos as duas apenas precisado de companhia para esta longa tarde de Sábado. Foi seguramente mais agradável fazer “a viagem” com alguém ao lado…
Talvez… Talvez… Talvez…
O que sei é que este Sábado não foi um mau dia. Graças a ela.
(Obrigada, linda.)
sexta-feira, setembro 08, 2006
"Loja do Drogadão" ou "Drogadex"...
Quando abre o “supermercado” no Ingote, quem precisa de “se abastecer” tem de arranjar dinheiro até chegar lá… É por isso que andar sozinho, depois de escurecer, na zona de Coimbra B é perigoso.
Droga! Sempre a droga!
Legalize-se. Legalize-se TUDO!
Já estou a imaginar um quiosque do Estado, instalado bem no meio do Ingote, com funcionários uniformizados. Um quiosque grande, arejado, com telefones e ar condicionado. E guichets individuais. E um sistema de senhas, como na Loja do Cidadão.
Podia chamar-se “Loja do Drogadão” ou “Drogadex”. E, tal como na Segurança Social, a clientela seria seguramente numerosa.
Se pegarmos no exemplo da Segurança Social, haverá filas de duas horas…
Filas de duas horas… Isto, para alguém que precisa de uma dose, deve ser dantesco! Já estou a ver um pobre agarrado, a ressacar, de senha na mão, à espera, enquanto a funcionária liga à melhor amiga para saber as novidades… Digam lá se isto não ia diminuir o consumo!
… Vá! Quem tiver uma solução melhor, apresente-a. Estamos a lidar com problemas sociais sérios!
Droga! Sempre a droga!
Legalize-se. Legalize-se TUDO!
Já estou a imaginar um quiosque do Estado, instalado bem no meio do Ingote, com funcionários uniformizados. Um quiosque grande, arejado, com telefones e ar condicionado. E guichets individuais. E um sistema de senhas, como na Loja do Cidadão.
Podia chamar-se “Loja do Drogadão” ou “Drogadex”. E, tal como na Segurança Social, a clientela seria seguramente numerosa.
Se pegarmos no exemplo da Segurança Social, haverá filas de duas horas…
Filas de duas horas… Isto, para alguém que precisa de uma dose, deve ser dantesco! Já estou a ver um pobre agarrado, a ressacar, de senha na mão, à espera, enquanto a funcionária liga à melhor amiga para saber as novidades… Digam lá se isto não ia diminuir o consumo!
… Vá! Quem tiver uma solução melhor, apresente-a. Estamos a lidar com problemas sociais sérios!
quarta-feira, setembro 06, 2006
Pai pela quinta vez?
Será? Pela quinta vez?! Meu Deus! Será?
Ainda me lembro… Estava num quiosque com uma amiga do liceu (minha querida amiga ainda hoje) a ler a Bravo alemã. Como eu não sei alemão, era ela que a lia e traduzia: “Pai pela PRIMEIRA vez”…
…Foi há tanto tempo!
Na altura, eu era uma teenager com uma paixonite (e alguma inveja da mulher que merecia aquele amor) e ele era um papá babado, completamente apaixonado por aquela menina, que era a continuação de si próprio. Agora já a menina tem 13 anos e tem mais três maninhos…
Vem aí mais um (ou uma), dizem… Será?
Se sim, sei que será amado(a). Muito. E por muitas pessoas. E será feliz. Sei que terá tudo para ser feliz.
Vou esperar até à confirmação da notícia. Mas o meu coração já falhou uma batida, só com a possibilidade.
Será? ...Não sei. Mas estou feliz. :)
Ainda me lembro… Estava num quiosque com uma amiga do liceu (minha querida amiga ainda hoje) a ler a Bravo alemã. Como eu não sei alemão, era ela que a lia e traduzia: “Pai pela PRIMEIRA vez”…
…Foi há tanto tempo!
Na altura, eu era uma teenager com uma paixonite (e alguma inveja da mulher que merecia aquele amor) e ele era um papá babado, completamente apaixonado por aquela menina, que era a continuação de si próprio. Agora já a menina tem 13 anos e tem mais três maninhos…
Vem aí mais um (ou uma), dizem… Será?
Se sim, sei que será amado(a). Muito. E por muitas pessoas. E será feliz. Sei que terá tudo para ser feliz.
Vou esperar até à confirmação da notícia. Mas o meu coração já falhou uma batida, só com a possibilidade.
Será? ...Não sei. Mas estou feliz. :)
segunda-feira, setembro 04, 2006
Fui "etiquetada"...
Fui etiquetada. LOL
Eu nem sabia o que isso queria dizer, mas já fui informada!
Enquanto estive de férias, dois “bloguistas” muito meus queridos – a MoonLight e o Ivo - decidiam que estava na altura de eu falar (ainda mais !!!) de mim. LOL
Pois bem. Estive a pensar… E cá vai (e vai mesmo assim, porque eu não faço ideia como se fazem as etiquetas!!! LOL).
- Sou uma “pessimista activa”, ou seja, espero sempre o pior, mas isso nunca me impede de agir. Aliás, preparo-me sempre para o pior cenário. A partir daí, tudo o que vier, é bónus!
- Sou uma leitora compulsiva. Não descrimino nada. Leio desde revistas cor-de-rosa a jornais de referência, de biografias de ex-concorrentes do Big Brother a grandes best-sellers de prémios Nobel. Também escrevo desde que me conheço, mas só recentemente pensei que isso podia ser um modo de vida, per si. Logo, escrevi um filme…
- Estou sempre a imaginar histórias. Sempre. Seja com personagens totalmente imaginadas, seja o desenrolar de possibilidades da minha vida e de outros, seja a encenação dos meus desejos. Mas há sempre uma história a meio na minha cabeça. São poucas as que chegam ao fim. São raríssimas as que chegam ao papel.
- Apaixonei-me perdidamente por Londres. Chega a doer fisicamente o facto de não estar lá. Quando pisei Southside ou Southwark soube que pertencia ali. Foi natural para mim tirar os sapatos na relva de St. James, atravessar a Tower Bridge a pé ou fazer um piquenique no Hyde Park. Sinto falta, todos os dias, do metro, dos big red buses e dos black táxis. Todos os dias.
- Sou liberal e tolerante. Mesmo. Qualquer tipo de comportamento “pouco habitual” me faz querer compreendê-lo antes de o condenar. Aliás, mesmo entre amigos, a frase que mais repito é: “Eu percebo…”.
- Acredito em vidas passadas. Tenho a certeza de já ter vivido muitas vezes, porque consegui recordar fragmentos de algumas dessas “outras vidas” ao meditar. E mesmo que elas não sejam reais, ainda que sejam apenas imaginação minha, estas “visões” ajudaram-me a compreender-me melhor e tornaram a minha vida muito mais fácil. Também acredito em “espíritos guia” (ou o que lhe quiserem chamar) e em almas gémeas… Mas esta história só a conto a quem está preparado para a ouvir… ;)
Agora, acho que é suposto “passar a bola” a mais pessoas, desafiando-as a fazerem o que eu fiz aqui… Como não sei a quantas devo passar, passo a cinco, porque gosto do cinco! LOL
São eles:
- SoNosCredita;
- S;
- Stela;
- Brunito;
- Libertynus.
Aguardo as respostas ansiosamente! ;)
Eu nem sabia o que isso queria dizer, mas já fui informada!
Enquanto estive de férias, dois “bloguistas” muito meus queridos – a MoonLight e o Ivo - decidiam que estava na altura de eu falar (ainda mais !!!) de mim. LOL
Pois bem. Estive a pensar… E cá vai (e vai mesmo assim, porque eu não faço ideia como se fazem as etiquetas!!! LOL).
- Sou uma “pessimista activa”, ou seja, espero sempre o pior, mas isso nunca me impede de agir. Aliás, preparo-me sempre para o pior cenário. A partir daí, tudo o que vier, é bónus!
- Sou uma leitora compulsiva. Não descrimino nada. Leio desde revistas cor-de-rosa a jornais de referência, de biografias de ex-concorrentes do Big Brother a grandes best-sellers de prémios Nobel. Também escrevo desde que me conheço, mas só recentemente pensei que isso podia ser um modo de vida, per si. Logo, escrevi um filme…
- Estou sempre a imaginar histórias. Sempre. Seja com personagens totalmente imaginadas, seja o desenrolar de possibilidades da minha vida e de outros, seja a encenação dos meus desejos. Mas há sempre uma história a meio na minha cabeça. São poucas as que chegam ao fim. São raríssimas as que chegam ao papel.
- Apaixonei-me perdidamente por Londres. Chega a doer fisicamente o facto de não estar lá. Quando pisei Southside ou Southwark soube que pertencia ali. Foi natural para mim tirar os sapatos na relva de St. James, atravessar a Tower Bridge a pé ou fazer um piquenique no Hyde Park. Sinto falta, todos os dias, do metro, dos big red buses e dos black táxis. Todos os dias.
- Sou liberal e tolerante. Mesmo. Qualquer tipo de comportamento “pouco habitual” me faz querer compreendê-lo antes de o condenar. Aliás, mesmo entre amigos, a frase que mais repito é: “Eu percebo…”.
- Acredito em vidas passadas. Tenho a certeza de já ter vivido muitas vezes, porque consegui recordar fragmentos de algumas dessas “outras vidas” ao meditar. E mesmo que elas não sejam reais, ainda que sejam apenas imaginação minha, estas “visões” ajudaram-me a compreender-me melhor e tornaram a minha vida muito mais fácil. Também acredito em “espíritos guia” (ou o que lhe quiserem chamar) e em almas gémeas… Mas esta história só a conto a quem está preparado para a ouvir… ;)
Agora, acho que é suposto “passar a bola” a mais pessoas, desafiando-as a fazerem o que eu fiz aqui… Como não sei a quantas devo passar, passo a cinco, porque gosto do cinco! LOL
São eles:
- SoNosCredita;
- S;
- Stela;
- Brunito;
- Libertynus.
Aguardo as respostas ansiosamente! ;)
sábado, setembro 02, 2006
Férias II - O Balanço
Loucura, tolerância e uma boa dose de espírito de sobrevivência fizeram destas férias mais um marco da minha existência.
Tenho a sorte de ter encontrado um grupo em que a coexistência foi tudo menos pacífica, porque nenhuma das pessoas que o formava tinha essa característica como base. E, como tudo o que é intenso – palavra que define, talvez, cada uma das personagens que ali se encontraram –, esta reunião foi inesquecível.
E digo “personagens” com a certeza de que é a palavra certa para descrever cada uma destas personalidades, sem elogios e sem críticas. Fomos nove “personagens” marcantes. A sóbria. O sempre consciente. A bela. O peace & love. A”cota” maluca (ou a “alma de artista”, como eu a prefiro definir). O bom coração. A flor. O apaixonado furioso. A insegura. …Que mistura! Todos tão diferentes! …Todos a testar limites. …Todos em busca de algo que não se encontra no seu exterior…
Bonita e inusitada mistura.
Apesar da dificuldade inicial da convivência, o elo que se criou superou qualquer expectativa. Ainda que os perca a todos pelos caminhos da vida, sei que, se encontrar qualquer um num dos seus muitos cruzamentos, posso contar com um empurrão para a frente.
Acho que fiz amigos. E, ao dizê-lo, não estou a desvalorizar em nada o conceito de amizade. …Não é todos os dias que se diz isto.
Obrigada a todos.
Tenho a sorte de ter encontrado um grupo em que a coexistência foi tudo menos pacífica, porque nenhuma das pessoas que o formava tinha essa característica como base. E, como tudo o que é intenso – palavra que define, talvez, cada uma das personagens que ali se encontraram –, esta reunião foi inesquecível.
E digo “personagens” com a certeza de que é a palavra certa para descrever cada uma destas personalidades, sem elogios e sem críticas. Fomos nove “personagens” marcantes. A sóbria. O sempre consciente. A bela. O peace & love. A”cota” maluca (ou a “alma de artista”, como eu a prefiro definir). O bom coração. A flor. O apaixonado furioso. A insegura. …Que mistura! Todos tão diferentes! …Todos a testar limites. …Todos em busca de algo que não se encontra no seu exterior…
Bonita e inusitada mistura.
Apesar da dificuldade inicial da convivência, o elo que se criou superou qualquer expectativa. Ainda que os perca a todos pelos caminhos da vida, sei que, se encontrar qualquer um num dos seus muitos cruzamentos, posso contar com um empurrão para a frente.
Acho que fiz amigos. E, ao dizê-lo, não estou a desvalorizar em nada o conceito de amizade. …Não é todos os dias que se diz isto.
Obrigada a todos.
sexta-feira, agosto 25, 2006
Férias - Parte II
Amanhã vou para Albufeira. Praia e noite. É o que eu procuro.
Depois de, no ano passado, ter organizado umas férias desastrosas entre amigas neste destino habitual, voltei à eterna espera por um convite aliciante. E ele surgiu.
Óptimo.
Eu tinha prometido que eu não organizaria mais férias entre amigas. Afinal, no ano passado, correu TUDO mal. Além dos inúmeros defeitos encontrados no apartamento, havia os inúmeros defeitos do feitio das sete mulheres presentes (comigo incluída, claro!).
Cometi dois erros básicos: convidar só mulheres e todas pessoas que eu conhecia há MUITOS anos. Quando os feitios chocaram (e, meu Deus, como chocaram!) fiquei no limbo. Para ficar bem com umas, tinha de me chatear com outras. E o problema é que era impossível escolher! Afinal, ninguém reagiu fora de carácter. Apenas reagiram…
Consegui manter todas – repito, TODAS! – aquelas amizades (e orgulho-me disso) à custa de umas férias arruinadas, muito diálogo e muita tolerância! Mas jurei para nunca mais!
Sei o que quero das minhas férias na Oura: praia e noite. Aceitei o convite de quem sabe que assim é. Só o aceitaria nestas condições e também só por isso fui convidada. Não haverá, este ano, qualquer choque, nem de feitios, nem objectivos. Assim, let the games begin!
Depois de, no ano passado, ter organizado umas férias desastrosas entre amigas neste destino habitual, voltei à eterna espera por um convite aliciante. E ele surgiu.
Óptimo.
Eu tinha prometido que eu não organizaria mais férias entre amigas. Afinal, no ano passado, correu TUDO mal. Além dos inúmeros defeitos encontrados no apartamento, havia os inúmeros defeitos do feitio das sete mulheres presentes (comigo incluída, claro!).
Cometi dois erros básicos: convidar só mulheres e todas pessoas que eu conhecia há MUITOS anos. Quando os feitios chocaram (e, meu Deus, como chocaram!) fiquei no limbo. Para ficar bem com umas, tinha de me chatear com outras. E o problema é que era impossível escolher! Afinal, ninguém reagiu fora de carácter. Apenas reagiram…
Consegui manter todas – repito, TODAS! – aquelas amizades (e orgulho-me disso) à custa de umas férias arruinadas, muito diálogo e muita tolerância! Mas jurei para nunca mais!
Sei o que quero das minhas férias na Oura: praia e noite. Aceitei o convite de quem sabe que assim é. Só o aceitaria nestas condições e também só por isso fui convidada. Não haverá, este ano, qualquer choque, nem de feitios, nem objectivos. Assim, let the games begin!
quarta-feira, agosto 23, 2006
Por causa de um simples vestido...
Pensava que estava ultrapassado. Morto e enterrado. Mas afinal faz parte de mim. É uma batalha para toda a vida. Periodicamente, ciclicamente vou ter de cerrar os punhos e aguentar. Chorar, limpar as lágrimas e voltar a esquecer… Até à próxima vez.
Hoje comprei um vestido. Um vestido lindo. Daqueles que nos revelam que também nós podemos ser a princesa do conto de fadas. Comprei, mas, se calhar, não devia ter comprado…
Não, não me arrependo, porque não me arrependo de nada. Também não é sentimento de culpa, porque o detesto, e não tenho de pedir desculpa a ninguém e comigo própria as contas estão sempre ajustadas.
É outra coisa.
Não é o vestido e o quanto custou exactamente. É o porquê de o ter comprado.
É o processo mental. É o sentimento renascido de me sentir… miserável… E de ter de o combater… E de agora poder fazê-lo.
Foi por isso que o comprei.
O vestido é lindo. Estava em saldos, numa loja em que raramente entro, exactamente para não cair em tentação, porque uma tentação, ali, pode ser grave.
Entrei com umas amigas. Na boa. Nem a loja é assim TÃO especial, nem eu sou do género de me sentir deslocada. (Tenho “amigos” que têm casas com piscina e quadros verdadeiros na parede e “amigos” que arrumam carros.)
Vimos coisas. Uma amiga experimentou uns tops. E eu vi O vestido. Por cima tinha a indicação de saldos: “Vestidos a partir de X.” Um achado!
Não resisti a experimentar. Parecia o meu tamanho…
Era! Ficava linda! (Tanto quanto possível…) Todas acharam.
Estava decidida a trazê-lo quando reparei que o tal “X” que referia o letreiro era, neste caso, multiplicado por dois…
Hesitei. Só daqui a três meses é que eu o poderia comprar sem me bater demasiado…
E foi aí. Foi aí que senti outra vez o tal sentimento que já não cruzava o meu caminho há muito tempo: senti-me miserável!
Quando era miúda acontecia algumas vezes. Não podia comprar o gelado maior ou a mochila mais cara. Tinha de desistir desses… caprichos. Não que tenha passado dificuldades: nunca passei. Simplesmente não podia ter caprichos. Desisti de coisas que, no fundo, eram importantes. E, de cada vez que acontecia, era horrível!
Esse sentimento ficou. Faz parte de mim.
Agora posso dar-me ao luxo de pequenas extravagâncias, mas a minha reacção nessas situações é, pelos vistos… borderline…
Não me sei valorizar. Não sei pedir um aumento. Não sei acreditar, de facto, num elogio. Não me sei “vender”, porque acho sempre que o que realmente quero… é um capricho. E eu nunca tive direito a caprichos…
Foi por isso que comprei o vestido.
Porque me senti miserável e prestes a desistir de algo que queria, quando até o podia ter. Quando fiz um longo caminho para levantar a cabeça e exigir aquilo que deve ser meu por direito. Quando achava que esse caminho estava percorrido, conquistado, encerrado. E a lição aprendida.
Comprei o vestido porque podia comprá-lo… ainda que fosse um pouco insensato. Comprei-o porque me sentiria miserável se não o fizesse… Embora fosse perfeitamente normal não o comprar. Comprei-o para provar a mim própria que o posso fazer. Que tenho o direito de o fazer. Que devo fazê-lo… Já que isso, de uma forma distorcida, significa que já me sei valorizar.
No entanto, não sei se esta compra se justifica. Não me refiro ao dinheiro, não foi assim TÃO caro. Refiro-me a todo o processo mental…
Cheguei a casa e vesti-o. A olhar para o espelho, voltei a sentir-me uma princesa… E voltei a sentir-me miserável! Até quando vai ser preciso uma insignificante peça de roupa para eu me sentir uma princesa…?
Que patético!
Hoje comprei um vestido. Um vestido lindo. Daqueles que nos revelam que também nós podemos ser a princesa do conto de fadas. Comprei, mas, se calhar, não devia ter comprado…
Não, não me arrependo, porque não me arrependo de nada. Também não é sentimento de culpa, porque o detesto, e não tenho de pedir desculpa a ninguém e comigo própria as contas estão sempre ajustadas.
É outra coisa.
Não é o vestido e o quanto custou exactamente. É o porquê de o ter comprado.
É o processo mental. É o sentimento renascido de me sentir… miserável… E de ter de o combater… E de agora poder fazê-lo.
Foi por isso que o comprei.
O vestido é lindo. Estava em saldos, numa loja em que raramente entro, exactamente para não cair em tentação, porque uma tentação, ali, pode ser grave.
Entrei com umas amigas. Na boa. Nem a loja é assim TÃO especial, nem eu sou do género de me sentir deslocada. (Tenho “amigos” que têm casas com piscina e quadros verdadeiros na parede e “amigos” que arrumam carros.)
Vimos coisas. Uma amiga experimentou uns tops. E eu vi O vestido. Por cima tinha a indicação de saldos: “Vestidos a partir de X.” Um achado!
Não resisti a experimentar. Parecia o meu tamanho…
Era! Ficava linda! (Tanto quanto possível…) Todas acharam.
Estava decidida a trazê-lo quando reparei que o tal “X” que referia o letreiro era, neste caso, multiplicado por dois…
Hesitei. Só daqui a três meses é que eu o poderia comprar sem me bater demasiado…
E foi aí. Foi aí que senti outra vez o tal sentimento que já não cruzava o meu caminho há muito tempo: senti-me miserável!
Quando era miúda acontecia algumas vezes. Não podia comprar o gelado maior ou a mochila mais cara. Tinha de desistir desses… caprichos. Não que tenha passado dificuldades: nunca passei. Simplesmente não podia ter caprichos. Desisti de coisas que, no fundo, eram importantes. E, de cada vez que acontecia, era horrível!
Esse sentimento ficou. Faz parte de mim.
Agora posso dar-me ao luxo de pequenas extravagâncias, mas a minha reacção nessas situações é, pelos vistos… borderline…
Não me sei valorizar. Não sei pedir um aumento. Não sei acreditar, de facto, num elogio. Não me sei “vender”, porque acho sempre que o que realmente quero… é um capricho. E eu nunca tive direito a caprichos…
Foi por isso que comprei o vestido.
Porque me senti miserável e prestes a desistir de algo que queria, quando até o podia ter. Quando fiz um longo caminho para levantar a cabeça e exigir aquilo que deve ser meu por direito. Quando achava que esse caminho estava percorrido, conquistado, encerrado. E a lição aprendida.
Comprei o vestido porque podia comprá-lo… ainda que fosse um pouco insensato. Comprei-o porque me sentiria miserável se não o fizesse… Embora fosse perfeitamente normal não o comprar. Comprei-o para provar a mim própria que o posso fazer. Que tenho o direito de o fazer. Que devo fazê-lo… Já que isso, de uma forma distorcida, significa que já me sei valorizar.
No entanto, não sei se esta compra se justifica. Não me refiro ao dinheiro, não foi assim TÃO caro. Refiro-me a todo o processo mental…
Cheguei a casa e vesti-o. A olhar para o espelho, voltei a sentir-me uma princesa… E voltei a sentir-me miserável! Até quando vai ser preciso uma insignificante peça de roupa para eu me sentir uma princesa…?
Que patético!
segunda-feira, agosto 21, 2006
A Carta
Levei semanas a ter coragem para o fazer. Desenvolvi. Analisei. Hesitei. Investiguei. Tirei notas. Mudei de ideias. Falei sozinha. Voltei a hesitar. …Mas está feito!
Hoje escrevi a bem-dita carta!
Nunca pensei que escrever uma carta de apresentação pudesse ser tão difícil.
E ainda não está no correio. Ainda posso desistir! Rasgá-la. Enfiar a cabeça na areia outra vez!
É que eu tenho um problema - um problema sério - que me segue desde que me conheço: dou pouco destaque ao que é importante para mim.
Quero muito ir aquele sítio, mas digo sempre “vamos onde quiserem”.
Vou ver a minha banda favorita a Inglaterra, escrevo sobre isso umas linhas racionais, pensadas… Vejo os Rolling Stones em Portugal, desmancho-me em elogios!!!
Se me apaixono, escondo o facto, disfarço-o… Mas quando “acho piada” a alguém, aí já posso dizer!
É sempre ao contrário! E depois surpreendo-me por os outros não fazerem ideia de quem sou! Pois claro que não!!!
Mas há uma explicação… Se eu não divulgar o que é MESMO importante para mim, não há possibilidade de usarem o facto… Será que me fiz entender…? …Não fico vulnerável! Não me podem magoar, gozar, diminuir! É uma forma de protecção! Mas é também uma forma de fazer o mundo passar-me ao lado… Afinal, se ninguém sabe onde está, na verdade, o meu coração, também não podem satisfazê-lo… Certo?
Assim, hoje pus o meu coração numas folhas de papel.
Escrevi A carta de apresentação para o emprego que eu REALMENTE quero! Atrevi-me a aspirar ao SONHO.
É claro que, na minha condição de pessimista activa (aquela que se prepara para o pior, mas não deixa de agir por isso …Eu chamava-lhe “realismo” em vez de “pessimismo”, mas vi num programa de televisão que o termo certo para uma pessoa como eu era “pessimista activa”… E quem sou eu para contrariar os especialistas?)… Dizia eu que, na minha condição de “pessimista activa”, não espero nenhuma resposta. Afinal, eu estou a apontar para as estrelas e ainda há muitas montanhas para escalar antes de chegar às estrelas!... Mas quando não se espera nada… o que vem… é bónus! Certo? Além disso, é o acto que conta. Dei um passo à frente apenas por ESCREVER esta carta. A carta que eu realmente queria escrever!
Este texto serve para me pressionar a seguir em frente… E resulta. Já o fiz antes...
Já agora aqui fica a fórmula…
O vosso coração diz-vos para fazer algo e a vossa cabeça insiste em refrear-vos a vontade… Pois, digam a alguém que tem fama de ser coerente que o vão fazer. Se houver alguém que vos vai perguntar como correu, ficam obrigados a fazê-lo. Como não têm de dar satisfações só a vós próprios – e todos sabemos como temos tendência a ser benevolentes connosco próprios… - a coisa acontece…
É para isso que serve este texto. Para me obrigar a pôr aquela carta no correio. Para me obrigar a tentar reescrever o meu destino. Vamos ver se resulta…
Hoje escrevi a bem-dita carta!
Nunca pensei que escrever uma carta de apresentação pudesse ser tão difícil.
E ainda não está no correio. Ainda posso desistir! Rasgá-la. Enfiar a cabeça na areia outra vez!
É que eu tenho um problema - um problema sério - que me segue desde que me conheço: dou pouco destaque ao que é importante para mim.
Quero muito ir aquele sítio, mas digo sempre “vamos onde quiserem”.
Vou ver a minha banda favorita a Inglaterra, escrevo sobre isso umas linhas racionais, pensadas… Vejo os Rolling Stones em Portugal, desmancho-me em elogios!!!
Se me apaixono, escondo o facto, disfarço-o… Mas quando “acho piada” a alguém, aí já posso dizer!
É sempre ao contrário! E depois surpreendo-me por os outros não fazerem ideia de quem sou! Pois claro que não!!!
Mas há uma explicação… Se eu não divulgar o que é MESMO importante para mim, não há possibilidade de usarem o facto… Será que me fiz entender…? …Não fico vulnerável! Não me podem magoar, gozar, diminuir! É uma forma de protecção! Mas é também uma forma de fazer o mundo passar-me ao lado… Afinal, se ninguém sabe onde está, na verdade, o meu coração, também não podem satisfazê-lo… Certo?
Assim, hoje pus o meu coração numas folhas de papel.
Escrevi A carta de apresentação para o emprego que eu REALMENTE quero! Atrevi-me a aspirar ao SONHO.
É claro que, na minha condição de pessimista activa (aquela que se prepara para o pior, mas não deixa de agir por isso …Eu chamava-lhe “realismo” em vez de “pessimismo”, mas vi num programa de televisão que o termo certo para uma pessoa como eu era “pessimista activa”… E quem sou eu para contrariar os especialistas?)… Dizia eu que, na minha condição de “pessimista activa”, não espero nenhuma resposta. Afinal, eu estou a apontar para as estrelas e ainda há muitas montanhas para escalar antes de chegar às estrelas!... Mas quando não se espera nada… o que vem… é bónus! Certo? Além disso, é o acto que conta. Dei um passo à frente apenas por ESCREVER esta carta. A carta que eu realmente queria escrever!
Este texto serve para me pressionar a seguir em frente… E resulta. Já o fiz antes...
Já agora aqui fica a fórmula…
O vosso coração diz-vos para fazer algo e a vossa cabeça insiste em refrear-vos a vontade… Pois, digam a alguém que tem fama de ser coerente que o vão fazer. Se houver alguém que vos vai perguntar como correu, ficam obrigados a fazê-lo. Como não têm de dar satisfações só a vós próprios – e todos sabemos como temos tendência a ser benevolentes connosco próprios… - a coisa acontece…
É para isso que serve este texto. Para me obrigar a pôr aquela carta no correio. Para me obrigar a tentar reescrever o meu destino. Vamos ver se resulta…
sábado, agosto 19, 2006
À Espera
Sinto-me… distante.
Vagamente triste. Vagamente sombria.
Cheia de sol e cheia de chuva.
Sinto-me num sonho enevoado.
À espera de algo que tarda em chegar.
Mas algo que reconheço.
Que sei existir.
Não é vago.
É palpável. É feliz.
Procuro um caminho.
Um caminho de luz. Mas sombrio.
Que só eu saberei trilhar.
Espero-o há tanto tempo
Que tempo se cansou de esperar…
Amo-o tanto,
Que o mundo faz gala em tardar.
Vejo ao longe a Primavera.
Uma terra cheia de promessas.
Um caminho cheio de sombras e contrastes.
Vejo-a ao longe e sinto-a em mim.
À espera do despertar…
Já a senti mais longínqua.
Mas ainda vou ter de esperar…
Já não procuro um salvador.
Já não tenho medo dos pecados.
Sei que posso viver.
Sei que posso conhecer o mundo.
Sei que sei sofrer.
Não me assusta o passado.
Começo agora a saber
Que os frutos são para colher.
E o mundo me aguarda calado.
(Ao contrário do habitual, pus o cérebro completamente de lado quando escrevi isto.)
Vagamente triste. Vagamente sombria.
Cheia de sol e cheia de chuva.
Sinto-me num sonho enevoado.
À espera de algo que tarda em chegar.
Mas algo que reconheço.
Que sei existir.
Não é vago.
É palpável. É feliz.
Procuro um caminho.
Um caminho de luz. Mas sombrio.
Que só eu saberei trilhar.
Espero-o há tanto tempo
Que tempo se cansou de esperar…
Amo-o tanto,
Que o mundo faz gala em tardar.
Vejo ao longe a Primavera.
Uma terra cheia de promessas.
Um caminho cheio de sombras e contrastes.
Vejo-a ao longe e sinto-a em mim.
À espera do despertar…
Já a senti mais longínqua.
Mas ainda vou ter de esperar…
Já não procuro um salvador.
Já não tenho medo dos pecados.
Sei que posso viver.
Sei que posso conhecer o mundo.
Sei que sei sofrer.
Não me assusta o passado.
Começo agora a saber
Que os frutos são para colher.
E o mundo me aguarda calado.
(Ao contrário do habitual, pus o cérebro completamente de lado quando escrevi isto.)
sexta-feira, agosto 18, 2006
Qual é o coroar perfeito para um dia de solidão?
Qual é o coroar perfeito para um dia de solidão?
Acordas – tarde, claro! Afinal, para quê encarar o dia cedo quando não há nada para fazer nem ninguém à tua espera? Para quê tornar o dia ainda mais longo? – e a custo engoles o almoço.
Obrigaste a vestir uma roupa decente para saíres de casa, depois de uma sessão de higiene pessoal mais longa do que o suportável, já que a cada passo, perguntas: “para quê?”.
Sais. Que vitória! Ao menos não ficaste em casa a amuar!
Onde ir? O que fazer?
Sabes que, o que quer que seja, tem de ser a solo…
Cinema! Cinema é sempre uma boa opção. Ao menos matas logo duas horitas e não tens de falar com ninguém… Cinema it is!
Já vi. Já vi. Já vi. Não quero ver. Não quero ver. Já é tarde para aquele. OK. Este. Não deve mudar a minha vida, mas deve dar para passar duas horas sem vomitar… Quem sabe não me surpreende?
Bilhete. Sem pipocas! (Os desempregados têm de prescindir de alguma coisa…)
Onde está o miúdo que “trinca” os bilhetes? …Espero. Ninguém… OK. Lá vou chamar alguém…
De bilhete “trincado”, entro na sala… VAZIA!!!... E assim será atá ao fim do filme…
Ainda se lembram da pergunta que fiz no início…?
Acordas – tarde, claro! Afinal, para quê encarar o dia cedo quando não há nada para fazer nem ninguém à tua espera? Para quê tornar o dia ainda mais longo? – e a custo engoles o almoço.
Obrigaste a vestir uma roupa decente para saíres de casa, depois de uma sessão de higiene pessoal mais longa do que o suportável, já que a cada passo, perguntas: “para quê?”.
Sais. Que vitória! Ao menos não ficaste em casa a amuar!
Onde ir? O que fazer?
Sabes que, o que quer que seja, tem de ser a solo…
Cinema! Cinema é sempre uma boa opção. Ao menos matas logo duas horitas e não tens de falar com ninguém… Cinema it is!
Já vi. Já vi. Já vi. Não quero ver. Não quero ver. Já é tarde para aquele. OK. Este. Não deve mudar a minha vida, mas deve dar para passar duas horas sem vomitar… Quem sabe não me surpreende?
Bilhete. Sem pipocas! (Os desempregados têm de prescindir de alguma coisa…)
Onde está o miúdo que “trinca” os bilhetes? …Espero. Ninguém… OK. Lá vou chamar alguém…
De bilhete “trincado”, entro na sala… VAZIA!!!... E assim será atá ao fim do filme…
Ainda se lembram da pergunta que fiz no início…?
segunda-feira, agosto 14, 2006
Rolling Stones - The Show
Quem vai ver os Rolling Stones comece a habituar-se a levar um bloco de notas, porque vai à escola. Eles são os mestres! Os sábios. A origem de tudo o que se conhece e admira.
Desta vez a aula começou com “Jumpin Jack Flash”, passou pelos os clássicos e mais músicas novas (como o slogan da rádio), parou no “Simpathy For the Devil” para aturdida contemplação, saltou e gritou com o “Star Me Up” e explodiu com o hino “Satisfaction”!
Podia falar do estado de conservação de Mick Jagger… mas é inútil. Fico-me por um desejo: quando tiver 60 anos quero ser o Mick, mas em gaja! Podia falar da mestria na guitarra do irrepreensível senhor Richards… mas seria redundante. Podia referir o palco, que se desloca e que não tem descrição possível de tão extraordinário que é… mas tudo já foi dito. Podia mencionar a pirotecnia e os efeitos visuais, dando como exemplo o brutal “Simpathy For The Devil”… mas só visto.
O estádio cheio. O cansaço que aparentemente só não afectou quem estava em palco. A boca aberta a cada hino…
Se quisesse armar-me em crítica dura, podia falar do doloroso que foi ouvir Richards cantar. Mas não foi assim tão doloroso, pelo enorme respeito e carinho que lhe tenho. Ou diria que o espectáculo é tão ensaiado que a banda não conseguiu fazer um segundo e merecido encore, tão insistentemente pedido pelo público… E referiria que a interacção entre os membros da banda é reduzida ao mínimo… Mas tudo isso passa TÃO despercebido perante todo aquele espectáculo soberbo, que me sentiria ridícula a apontá-lo. Podia ainda pegar no facto de esta ser uma tournée chamada “A Bigger Bang”, como o álbum, mas quem lá esteve viu um best of e não a apresentação de um álbum ao vivo… Mas “This isn’t just a band, it’s the Rolling Stones”, como diz o anúncio! Não quero ouvir um álbum ao vivo, quero ouvir os Rolling Stones! E quem classifica isto de nostalgia não esteve de certeza nestes últimos concertos ou saberia que a chama está BEM viva! Ou não tivesse eu lavado “um enxerto” de quatro senhores com idade para serem meus avós!
Nunca pensei que este espectáculo pudesse ser melhor do que o que vi em Coimbra, mas foi-o. E agora já tenho de pensar duas vezes antes de subestimar os “avôzinhos do rock”, que para mim são “os mestres do rock”.
…Quem vai ver os Rolling Stones vai à escola! Eles são os sábios. Os senhores. A fonte. A origem.
Obrigada, queridos senhores Jagger, Richards, Wood e Watts, por tudo o que me proporcionaram… seja presencialmente, seja pelo quanto influenciaram as bandas que amo. Aprendi a gostar de vocês, precisamente porque são a inspiração de quem a mim me inspira. Mas, após dois concertos soberbos, tenho de me render às evidências: Tudo o que vi até hoje (e já vi e gostei de MUUUUUIIIITO) são brincadeiras de crianças comparadas com o que vocês sabem fazer. Parabéns. E long live the Rolling Stones!!!
Desta vez a aula começou com “Jumpin Jack Flash”, passou pelos os clássicos e mais músicas novas (como o slogan da rádio), parou no “Simpathy For the Devil” para aturdida contemplação, saltou e gritou com o “Star Me Up” e explodiu com o hino “Satisfaction”!
Podia falar do estado de conservação de Mick Jagger… mas é inútil. Fico-me por um desejo: quando tiver 60 anos quero ser o Mick, mas em gaja! Podia falar da mestria na guitarra do irrepreensível senhor Richards… mas seria redundante. Podia referir o palco, que se desloca e que não tem descrição possível de tão extraordinário que é… mas tudo já foi dito. Podia mencionar a pirotecnia e os efeitos visuais, dando como exemplo o brutal “Simpathy For The Devil”… mas só visto.
O estádio cheio. O cansaço que aparentemente só não afectou quem estava em palco. A boca aberta a cada hino…
Se quisesse armar-me em crítica dura, podia falar do doloroso que foi ouvir Richards cantar. Mas não foi assim tão doloroso, pelo enorme respeito e carinho que lhe tenho. Ou diria que o espectáculo é tão ensaiado que a banda não conseguiu fazer um segundo e merecido encore, tão insistentemente pedido pelo público… E referiria que a interacção entre os membros da banda é reduzida ao mínimo… Mas tudo isso passa TÃO despercebido perante todo aquele espectáculo soberbo, que me sentiria ridícula a apontá-lo. Podia ainda pegar no facto de esta ser uma tournée chamada “A Bigger Bang”, como o álbum, mas quem lá esteve viu um best of e não a apresentação de um álbum ao vivo… Mas “This isn’t just a band, it’s the Rolling Stones”, como diz o anúncio! Não quero ouvir um álbum ao vivo, quero ouvir os Rolling Stones! E quem classifica isto de nostalgia não esteve de certeza nestes últimos concertos ou saberia que a chama está BEM viva! Ou não tivesse eu lavado “um enxerto” de quatro senhores com idade para serem meus avós!
Nunca pensei que este espectáculo pudesse ser melhor do que o que vi em Coimbra, mas foi-o. E agora já tenho de pensar duas vezes antes de subestimar os “avôzinhos do rock”, que para mim são “os mestres do rock”.
…Quem vai ver os Rolling Stones vai à escola! Eles são os sábios. Os senhores. A fonte. A origem.
Obrigada, queridos senhores Jagger, Richards, Wood e Watts, por tudo o que me proporcionaram… seja presencialmente, seja pelo quanto influenciaram as bandas que amo. Aprendi a gostar de vocês, precisamente porque são a inspiração de quem a mim me inspira. Mas, após dois concertos soberbos, tenho de me render às evidências: Tudo o que vi até hoje (e já vi e gostei de MUUUUUIIIITO) são brincadeiras de crianças comparadas com o que vocês sabem fazer. Parabéns. E long live the Rolling Stones!!!
sábado, agosto 12, 2006
The Rolling Stones
"Os Rolling Stones são uma banda de rock inglesa formada em 25 de Maio de 1962, e que está entre as bandas mais antigas ainda em atividade. Ao lado dos Beatles, foram a banda mais importante da chamada Invasão Britânica ocorrida nos anos 60, que adicionou diversos artistas ingleses nas paradas norte-americanas.
Formado por Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Bill Wyman e Charlie Watts, o grupo calcava sua sonoridade no blues, e surgia como uma opção mais malvada aos bem-comportados Beatles. Em mais de 40 anos de carreira, hits como Satisfaction, Start Me Up, Sympathy for the Devil, Jumping Jack Flash, Miss You e Angie fizeram dos Stones uma das mais conhecidas bandas do rock mundial, levando-a a enfrentar todos os grandes clichês do gênero, desde recepções efusivas da crítica até problemas com drogas e conflito de egos, principalmente entre Jagger e Richards." (...)
In http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Rolling_Stones
E EU VOU VÊ-LOS OUTRA VEZ!!!! :)))
Formado por Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Bill Wyman e Charlie Watts, o grupo calcava sua sonoridade no blues, e surgia como uma opção mais malvada aos bem-comportados Beatles. Em mais de 40 anos de carreira, hits como Satisfaction, Start Me Up, Sympathy for the Devil, Jumping Jack Flash, Miss You e Angie fizeram dos Stones uma das mais conhecidas bandas do rock mundial, levando-a a enfrentar todos os grandes clichês do gênero, desde recepções efusivas da crítica até problemas com drogas e conflito de egos, principalmente entre Jagger e Richards." (...)
In http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Rolling_Stones
E EU VOU VÊ-LOS OUTRA VEZ!!!! :)))
terça-feira, agosto 08, 2006
Camões
Quando andava na Quarta classe (ou quarto ano, como preferirem) apaixonei-me pelo Camões. Não, não era um colega, era o Camões, mesmo! Luís Vaz de Camões! E, sim, na Quarta classe!
Não, não dei "Os Lusíadas" na Quarta classe. Na altura, a minha professora lia-nos poemas soltos, alguns da poesia lírica, e contava-nos a história conhecida do poeta.
Mais ou menos nessa altura, vi um filme português, a preto e branco, sobre esta personagem única na história portuguesa. Apesar de não saber bem como nem porquê, foi o suficiente para me sentir irremediavelmente fascinada por esta figura.
Ao longo da vida fui descobrindo mais e mais razões para adorar Camões. Recentemente descobri mais uma...
Foi no blog "Solteiras, mas não desesperadas"
(http://solteirasmasnaodesesperadas.blogspot.com), que convido a visitarem.
Então cá vai. Leiam-no, saboreiem. E, depois, não se esqueçam de o ler ao contrário. É fenomenal!
Não, não dei "Os Lusíadas" na Quarta classe. Na altura, a minha professora lia-nos poemas soltos, alguns da poesia lírica, e contava-nos a história conhecida do poeta.
Mais ou menos nessa altura, vi um filme português, a preto e branco, sobre esta personagem única na história portuguesa. Apesar de não saber bem como nem porquê, foi o suficiente para me sentir irremediavelmente fascinada por esta figura.
Ao longo da vida fui descobrindo mais e mais razões para adorar Camões. Recentemente descobri mais uma...
Foi no blog "Solteiras, mas não desesperadas"
(http://solteirasmasnaodesesperadas.blogspot.com), que convido a visitarem.
Então cá vai. Leiam-no, saboreiem. E, depois, não se esqueçam de o ler ao contrário. É fenomenal!
Não te amo mais.
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
não significas nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU AMO-TE!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade.
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
não significas nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU AMO-TE!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade.
É tarde demais...
segunda-feira, agosto 07, 2006
Vou aos Stones!
Pois é... Isto de estar desempregada tem as suas vantagens... Uma delas é TEMPO!
Tempo para parvoíces...
Por exemplo? Participar em montes de passatempos idiotas. Ele é a viagem a Londres. Ele é a viagem à Califórnia. Ele é o IPod. Ele o bilhete para os Stones!
Confesso que, neste último assunto, investi… Investi qualquer coisita… O tal tempo… E paciência.
Vi os avôzinhos do rock em Coimbra, em 2003, e AMEI! Adorei mesmo! Foi a única vez que eu me lembro de ver um concerto (e já MUUUUITOS!!!) onde, antes do final, eu pensei: “Chega! Se acabar agora, estou satisfeita! Foi fantástico!” E, mesmo assim, “levei” com mais umas músicas!
É fenomenal! Quanta energia depois dos 60! Nunca tinha percebido porque é que o Mick é considerado sexy e naquela noite percebi! LOL Muito bom!
Queria vê-los outra vez, mas… O money é curto… A vida está cara… E há outras prioridades… Decidi-me, então, a perder algum tempo com passatempos e… GANHEI! Ao terceiro (ou quarto ou quinto) GANHEI! Bilhete e viagem!
Mal posso esperar para ter o bilhetinho na mão!
Vou aos Stones!!! :))
Apenas um “senão”… Vou sozinha!
Mas este é um “senão” que há muito me acompanha. Fui sozinha ver a Anastacia a Lisboa. Fui sozinha ao Rock in Rio. Teria ido sozinha a Londres ver os Bon Jovi. E não é certamente a primeira vez que vou sozinha ao Porto para um concerto! É a história da minha vida! Claro que partilhar é bom, mas aprendi que mais vale fazer o que te dá prazer sozinha do que passar a vida a queixares-te do que nunca fizeste.
Como continuo “com tempo nas mãos” e a música é definitivamente a forma ideal de usar esse tempo, já participei noutro passatempo… Agora?… Agora apetecia-me ir a Viena ver o Robbie Williams… ;)
Tempo para parvoíces...
Por exemplo? Participar em montes de passatempos idiotas. Ele é a viagem a Londres. Ele é a viagem à Califórnia. Ele é o IPod. Ele o bilhete para os Stones!
Confesso que, neste último assunto, investi… Investi qualquer coisita… O tal tempo… E paciência.
Vi os avôzinhos do rock em Coimbra, em 2003, e AMEI! Adorei mesmo! Foi a única vez que eu me lembro de ver um concerto (e já MUUUUITOS!!!) onde, antes do final, eu pensei: “Chega! Se acabar agora, estou satisfeita! Foi fantástico!” E, mesmo assim, “levei” com mais umas músicas!
É fenomenal! Quanta energia depois dos 60! Nunca tinha percebido porque é que o Mick é considerado sexy e naquela noite percebi! LOL Muito bom!
Queria vê-los outra vez, mas… O money é curto… A vida está cara… E há outras prioridades… Decidi-me, então, a perder algum tempo com passatempos e… GANHEI! Ao terceiro (ou quarto ou quinto) GANHEI! Bilhete e viagem!
Mal posso esperar para ter o bilhetinho na mão!
Vou aos Stones!!! :))
Apenas um “senão”… Vou sozinha!
Mas este é um “senão” que há muito me acompanha. Fui sozinha ver a Anastacia a Lisboa. Fui sozinha ao Rock in Rio. Teria ido sozinha a Londres ver os Bon Jovi. E não é certamente a primeira vez que vou sozinha ao Porto para um concerto! É a história da minha vida! Claro que partilhar é bom, mas aprendi que mais vale fazer o que te dá prazer sozinha do que passar a vida a queixares-te do que nunca fizeste.
Como continuo “com tempo nas mãos” e a música é definitivamente a forma ideal de usar esse tempo, já participei noutro passatempo… Agora?… Agora apetecia-me ir a Viena ver o Robbie Williams… ;)
sábado, agosto 05, 2006
Falta-me "um bacadinho assim"...
Águas calmas e dias compridos obrigaram o meu coração a diminuir a batida. O calor do sol e o ar do mar quase me tornaram sonolenta. Mas o vulcão não se extingue nunca. No máximo, adormece…
A falta de coisas para fazer depois de jantar; as refeições que se tomam no mesmo sítio; o sol que não brilha sempre; as algas que povoam a praia idílica; o escaldão ou a depilação sempre defeituosa… Desculpas para não ser feliz!
De férias? Sim, teoricamente. Mas como esquecer que os dias estão contados? Como fugir aos problemas que ficaram em casa? Como relaxar?...
Ainda me falta um bocadinho para conseguir aceitar o que a vida me dá, apenas o que dá, como e quando dá…Mas estou a tentar, porque sei que esse é o caminho da felicidade…
A falta de coisas para fazer depois de jantar; as refeições que se tomam no mesmo sítio; o sol que não brilha sempre; as algas que povoam a praia idílica; o escaldão ou a depilação sempre defeituosa… Desculpas para não ser feliz!
De férias? Sim, teoricamente. Mas como esquecer que os dias estão contados? Como fugir aos problemas que ficaram em casa? Como relaxar?...
Ainda me falta um bocadinho para conseguir aceitar o que a vida me dá, apenas o que dá, como e quando dá…Mas estou a tentar, porque sei que esse é o caminho da felicidade…
Vista do quarto de hotel - Isla de Sta Cruz - Torre de Hercules (Farol) - Casa da Ópera
A Coruña
domingo, julho 30, 2006
Férias... Parte I
Tenho imensos textinhos escritos, daqueles a sério… Mas não me tem apetecido “postá-los”… Se calhar o meu espírito já só sonha com isto:


La Coruña
Vou passar lá uns diazitos…
Já sei que o tempo não vai estar como devia, mas… sempre é uma mudança de ares… que para mim é sempre tão necessária.
Desta vez não levo expectativas. Vou, simplesmente. Não conheço, nunca tive curiosidade de conhecer, não me repugna fazê-lo. Assim, porque não?
SEI que nada igualará Inglaterra e isso dá-me liberdade. Liberdade para não me entusiasmar. Liberdade para não me desapontar. Liberdade para ir, simplesmente. E, desta vez, sim, divertir-me. Porque “divertir” implica esta liberdade, este desprendimento, estes “pés na terra” e não tanto o coração no ar…
Assim, vou simplesmente...
…Voltarei.
sexta-feira, julho 28, 2006
Os meus bebés crescem felizes...
quarta-feira, julho 26, 2006
Quando é que termina o sofrimento…?
Continuava nas lides domésticas. Mais de noventa anos e limpar, cozinhar, passar, lavar continuam a ser o dia a dia desta mulher numa casa com cinco pessoas (além dela). Foi no meio de uma dessas actividades corriqueiras que se aventurou a dizer, a medo, o que lhe ia na alma:
_ Ouvi dizer que a Cruz Vermelha aceita velhinhos de graça…
_ Quem é que lhe disse isso?
A reacção era da pessoa que devia protegê-la: a neta.
_ Você vem sempre cheia de macaquinhos quando vai lá para casa da tia!
Tinha ido, de facto, para casa de alguém. Mas apenas porque a família, com quem vive, foi de férias sem a levar. Nos primeiros dias, abusou da hospitalidade de uma vizinha. Quis pagar essa hospitalidade. A vizinha, obviamente, não aceitou. Sentindo-se uma imposição em casa alheia, arrumou a trouxe (literalmente: um saco de plástico com uma pijama e uma muda de roupa) e foi vista à espera de um autocarro ao cimo da rua, no fim de uma manhã quente demais para a sua idade. Inquirida sobre a viagem disse apenas:
_ Vou ver se me deixam ficar em casa do meu filho até amanhã ou depois…
E foi. Pelo visto, tinha vindo de lá “cheia de macaquinhos”… Queria sair daquela casa onde se sentia um incómodo. Na verdade, tinha medo daquelas pessoas que eram a sua família. Era claro que não era amor que lhe dedicavam… Então, porque a queriam lá?
Talvez tenha sido o tempo quente ou o esforço de ter tido coragem de dizer que havia no mundo quem a acolhesse “de graça” ou a rispidez da resposta da neta... Teve falta de ar… Começava a ser frequente… Estava a sentir-se mal.
_ Por favor, leva-me ao hospital… - Pediu a medo.
_ Agora não posso! Não me chateie.
_ Por favor… - Sentia-se derrotada. – Então, chama-me um táxi…
A resposta foi pronta novamente:
_ Deixe-se estar quieta! E aí de si que eu saiba que foi incomodar o senhorio para lhe chamar um táxi, ouviu?!
Era assim. E, se era assim, para que a queriam ali? Não podia ser pelo dinheiro miserável da reforma que tinha… Porquê, então? Porque lavava e limpava? Porque a mantinham cativa numa casa sem amor e cheia de palavras sempre duras? Para que tinha vivido mais de noventa anos? Quando é que termina o sofrimento…?
_ Ouvi dizer que a Cruz Vermelha aceita velhinhos de graça…
_ Quem é que lhe disse isso?
A reacção era da pessoa que devia protegê-la: a neta.
_ Você vem sempre cheia de macaquinhos quando vai lá para casa da tia!
Tinha ido, de facto, para casa de alguém. Mas apenas porque a família, com quem vive, foi de férias sem a levar. Nos primeiros dias, abusou da hospitalidade de uma vizinha. Quis pagar essa hospitalidade. A vizinha, obviamente, não aceitou. Sentindo-se uma imposição em casa alheia, arrumou a trouxe (literalmente: um saco de plástico com uma pijama e uma muda de roupa) e foi vista à espera de um autocarro ao cimo da rua, no fim de uma manhã quente demais para a sua idade. Inquirida sobre a viagem disse apenas:
_ Vou ver se me deixam ficar em casa do meu filho até amanhã ou depois…
E foi. Pelo visto, tinha vindo de lá “cheia de macaquinhos”… Queria sair daquela casa onde se sentia um incómodo. Na verdade, tinha medo daquelas pessoas que eram a sua família. Era claro que não era amor que lhe dedicavam… Então, porque a queriam lá?
Talvez tenha sido o tempo quente ou o esforço de ter tido coragem de dizer que havia no mundo quem a acolhesse “de graça” ou a rispidez da resposta da neta... Teve falta de ar… Começava a ser frequente… Estava a sentir-se mal.
_ Por favor, leva-me ao hospital… - Pediu a medo.
_ Agora não posso! Não me chateie.
_ Por favor… - Sentia-se derrotada. – Então, chama-me um táxi…
A resposta foi pronta novamente:
_ Deixe-se estar quieta! E aí de si que eu saiba que foi incomodar o senhorio para lhe chamar um táxi, ouviu?!
Era assim. E, se era assim, para que a queriam ali? Não podia ser pelo dinheiro miserável da reforma que tinha… Porquê, então? Porque lavava e limpava? Porque a mantinham cativa numa casa sem amor e cheia de palavras sempre duras? Para que tinha vivido mais de noventa anos? Quando é que termina o sofrimento…?
domingo, julho 23, 2006
A Sombra do passado...
Será que há alguma coisa do meu passado que me venha assombrar um dia? Estamos na era da informação… Tudo é passível de ser registado e perpetuado…
Lembrei-me disto porque achei na Internet uma relíquia, gravada há 20 anos, que podia muito bem atirar umas pitadas de ridículo a uma carreira agora sólida… Não o faz por dois motivos: é assumida e sem um pingo de arrependimento…
Eu não tenho nada com que me preocupar. Nunca me arrependi de nada e, mais desinteressante do que isso, não tenho qualquer esqueleto escondido no armário.
Lembrei-me disto porque achei na Internet uma relíquia, gravada há 20 anos, que podia muito bem atirar umas pitadas de ridículo a uma carreira agora sólida… Não o faz por dois motivos: é assumida e sem um pingo de arrependimento…
Eu não tenho nada com que me preocupar. Nunca me arrependi de nada e, mais desinteressante do que isso, não tenho qualquer esqueleto escondido no armário.
sexta-feira, julho 21, 2006
Primeiro dia de praia
Alguém – Dublin, Praga ou Roma?
GK – Bom, é mais fácil vermos quem vai, para sabermos quem já esteve onde, para depois decidirmos o destino…
Alguém – Só posso fazer férias no início de Agosto. Depois é complicado. O que achas de La Coruña?
GK – Bom, estamos a 10 dias de Agosto e o dinheiro não abunda. Para fazer férias no início de Agosto num sítio fixe e acessível, devíamos ter marcado em Junho!
Alguém – GK, queres ir a Barcelona em Setembro?
Outro Alguém – GK, queres ir a Marrocos em Setembro?
GK – Pessoal, para ir a esses sítios todos que me propõem, vou ter de vender um rim!!!
Alguém – E se fôssemos até Albufeira na última semana de Agosto?
Outro Alguém – Eu agora só posso em Outubro…
GK - …
… E, de repente, tudo se desvanece… Sinto a água salgada cercar o meu corpo. O vento gelar-me a pele. O sol queimar-me o rosto. De olhos fechados, só ouço o barulho das ondas. Sinto o cheiro da maresia…
O meu cérebro esqueceu as questões, complicações e amarguras… Afinal, ali, a poucos quilómetros de casa, tive o meu primeiro dia de praia…
GK – Bom, é mais fácil vermos quem vai, para sabermos quem já esteve onde, para depois decidirmos o destino…
Alguém – Só posso fazer férias no início de Agosto. Depois é complicado. O que achas de La Coruña?
GK – Bom, estamos a 10 dias de Agosto e o dinheiro não abunda. Para fazer férias no início de Agosto num sítio fixe e acessível, devíamos ter marcado em Junho!
Alguém – GK, queres ir a Barcelona em Setembro?
Outro Alguém – GK, queres ir a Marrocos em Setembro?
GK – Pessoal, para ir a esses sítios todos que me propõem, vou ter de vender um rim!!!
Alguém – E se fôssemos até Albufeira na última semana de Agosto?
Outro Alguém – Eu agora só posso em Outubro…
GK - …
… E, de repente, tudo se desvanece… Sinto a água salgada cercar o meu corpo. O vento gelar-me a pele. O sol queimar-me o rosto. De olhos fechados, só ouço o barulho das ondas. Sinto o cheiro da maresia…
O meu cérebro esqueceu as questões, complicações e amarguras… Afinal, ali, a poucos quilómetros de casa, tive o meu primeiro dia de praia…
terça-feira, julho 18, 2006
Funeral Blues
Desculpem o tema algo "down", mas, em conversa com uma amiga, lembrei-me de um dos poemas mais bonitos e comoventes que já tive a aportunidade de conhecer. Devem tê-lo ouvido também, no filme "Quatro Casamentos e Um Funeral"...
Não desejo isto a ninguém, mas... leiam e chorem. É o que eu faço sempre...
Funeral Blues
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.
-- W.H. Auden
Não desejo isto a ninguém, mas... leiam e chorem. É o que eu faço sempre...
Funeral Blues
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.
-- W.H. Auden
domingo, julho 16, 2006
Sonho...
Sonho.
Sonho e não sei porquê.
Sonho, pela milionésima vezum sonho batido, velho, gasto.
Não sei porque insisto.
Não sei porque me é tão caro este sonho.
Não sei porque ainda me faz sorrir.
Sonho.
E não desisto.
Sonho e não sei porquê.
Sonho, pela milionésima vezum sonho batido, velho, gasto.
Não sei porque insisto.
Não sei porque me é tão caro este sonho.
Não sei porque ainda me faz sorrir.
Sonho.
E não desisto.
quinta-feira, julho 13, 2006
Voltei a ter 16 anos
Há um mês, exactamente neste dia, dia 13, voltei a ter 16 anos.
A paixão começou há muito tempo. Pela música? Pela figura? Pelo show? Não sei. Sei que fazia sentido. Sei que precisava de ouvir aquela música. Sei que aquela figura me fascinava. E que o show foi magnífico. Sei que me apaixonei irremediavelmente nesse show.
15 de Junho de 1995.
Alguém mentiu ao meu pai para eu poder ir a Alvalade ver os Bon Jovi. Contra tudo o que me tinha sido dado a acreditar enquanto crescia, eu diverti-me que nem uma louca!
O ponto alto? O momento em que me apaixonei, para toda a vida, pelo senhor do show: Jon Bon Jovi.
Eu e uma amiga (também da minha idade) olhávamos, deslumbradas, para o palco. O Jon, em cima dele, aproximou-se, olhou-nos e abriu aquele “million dollar smile” que só ele tem e que agora reconheço, porque me vai directo ao coração… sempre! Apaixonei-me. Foi nesse exacto momento. Foi aquele sorriso, do qual me apoderei como se fosse realmente meu. Aos 16 anos, eu soube que era uma paixão para sempre…
Esqueci-me dela em alguns instantes da minha vida. Andei fugida. A fingir que era crescida. Mas bastava ver aquele sorriso para saber o que ele significava para mim.
Há um mês, no dia 13 de Junho de 2006, em Londres, o chão voltou a desaparecer debaixo dos meus pés…
Não recebi o tal “million dollar smile”. Mas suponho que tinha mesmo de ser assim. Se eu perdi todas as minhas defesas, se me esqueci por instantes de como se dizia “olá” em inglês, se me esqueci que as máquinas fotográficas têm zoom… só porque tinha o olhar dele em mim atrás de uns óculos escuros… o que é que eu teria esquecido se ele me tivesse sorrido com o tal sorriso…?
Foi a primeira vez em anos que eu não tive “tudo sob controlo”! E foi… tão bom!!!
(Espero que o meu namorado não leia isto… LOL Mas, caso leia: Paixãozinha, amo-te muito, sim? Isto do Jon é… é tudo… huh… platónico?... Isso. Platónico! …Tem sido, pelo menos…! LOL)
A paixão começou há muito tempo. Pela música? Pela figura? Pelo show? Não sei. Sei que fazia sentido. Sei que precisava de ouvir aquela música. Sei que aquela figura me fascinava. E que o show foi magnífico. Sei que me apaixonei irremediavelmente nesse show.
15 de Junho de 1995.
Alguém mentiu ao meu pai para eu poder ir a Alvalade ver os Bon Jovi. Contra tudo o que me tinha sido dado a acreditar enquanto crescia, eu diverti-me que nem uma louca!
O ponto alto? O momento em que me apaixonei, para toda a vida, pelo senhor do show: Jon Bon Jovi.
Eu e uma amiga (também da minha idade) olhávamos, deslumbradas, para o palco. O Jon, em cima dele, aproximou-se, olhou-nos e abriu aquele “million dollar smile” que só ele tem e que agora reconheço, porque me vai directo ao coração… sempre! Apaixonei-me. Foi nesse exacto momento. Foi aquele sorriso, do qual me apoderei como se fosse realmente meu. Aos 16 anos, eu soube que era uma paixão para sempre…
Esqueci-me dela em alguns instantes da minha vida. Andei fugida. A fingir que era crescida. Mas bastava ver aquele sorriso para saber o que ele significava para mim.
Há um mês, no dia 13 de Junho de 2006, em Londres, o chão voltou a desaparecer debaixo dos meus pés…
Não recebi o tal “million dollar smile”. Mas suponho que tinha mesmo de ser assim. Se eu perdi todas as minhas defesas, se me esqueci por instantes de como se dizia “olá” em inglês, se me esqueci que as máquinas fotográficas têm zoom… só porque tinha o olhar dele em mim atrás de uns óculos escuros… o que é que eu teria esquecido se ele me tivesse sorrido com o tal sorriso…?
Foi a primeira vez em anos que eu não tive “tudo sob controlo”! E foi… tão bom!!!
(Espero que o meu namorado não leia isto… LOL Mas, caso leia: Paixãozinha, amo-te muito, sim? Isto do Jon é… é tudo… huh… platónico?... Isso. Platónico! …Tem sido, pelo menos…! LOL)
terça-feira, julho 11, 2006
Vai correr tudo bem...
Vai correr tudo bem. Hoje, como em muitas outras ocasiões, eu sinto que vai tudo correr bem. Só tenho de esperar. Ser paciente.
Há muito tempo que sinto que só vou começar verdadeiramente a viver depois dos 30. Até lá estou a aprender. Estou a investir. A descobrir.
Todos os períodos que eu encarei como épocas de estagnação não o foram. Olhando para trás, encontro sentido em TUDO o que me aconteceu. E aquilo que ainda parece não o ter, tê-lo-á. Sei-o.
Sei que em breve me vou aproximar mais do “meu caminho”, mas não será já que vou caminhar nele…
Sabendo-o, só tenho de esperar… e aprender… pacientemente…
(Faz hoje um mês. Há um mês estava eu no final do segundo concerto em Milton Keynes. Seguiram-se três dias de sonho em Londres. Um mês. E só agora estou a acordar…)
Há muito tempo que sinto que só vou começar verdadeiramente a viver depois dos 30. Até lá estou a aprender. Estou a investir. A descobrir.
Todos os períodos que eu encarei como épocas de estagnação não o foram. Olhando para trás, encontro sentido em TUDO o que me aconteceu. E aquilo que ainda parece não o ter, tê-lo-á. Sei-o.
Sei que em breve me vou aproximar mais do “meu caminho”, mas não será já que vou caminhar nele…
Sabendo-o, só tenho de esperar… e aprender… pacientemente…
(Faz hoje um mês. Há um mês estava eu no final do segundo concerto em Milton Keynes. Seguiram-se três dias de sonho em Londres. Um mês. E só agora estou a acordar…)
domingo, julho 09, 2006
À deriva
A verdade é que... estou à deriva.
Odeio o mundo. Não tenho energia para nada.
Nada tem resultado: sair, namorar, meditar... Nada. Nada me tem devolvido a energia que preciso para "voltar à vida"...
Sabia que, quando voltasse de Inglaterra, depois da euforia inicial, ia arranjar uma desculpa para ficar brutalmente deprimida... Não se larga um sonho sem "estrabuchar"... Mas, mesmo sabendo isso tudo, consegui cair do "18.º andar" e estatelar-me no chão com mais frça do que algum dia podia prever...
Tenho batalhado para contrariar este estúpido sentimento de perda de mim própria (o meu último texto prova-o!)... mas não tem resultado.
É que... se eu voltar a tudo o que deixei pendente - os meus projectozinhos, os contos, os currículos... Voltar a tudo isso seria admitir que o sonho acabou...
O problema é que ele acabou! Acabou mesmo! Ou então eu não estaria a odiar o mundo inteiro e todos os que me rodeiam... Se o sonho não tivesse acabado, eu não estaria à deriva...
Ficam as palavras imortais dos Nickelback. A música chama-se "Savin' Me" e é do último álbum, "All The Right Reasons". Este é o refrão:
"Show me what it's like
To be the last one standing
Teach me wrong from right
And I'll show you what I can be
Say it for me
Say it to me
I'll leave this life behind me
Say it if it's worth saving me..."
Acho que é isto que eu também procuro. O mais doloroso é que eu já o achei algumas vezes(o sentimento de "me encontrar") e volto sempre a perdê-lo. Por isso é que dói TANTO "deixar" Inglaterra para trás...
Odeio o mundo. Não tenho energia para nada.
Nada tem resultado: sair, namorar, meditar... Nada. Nada me tem devolvido a energia que preciso para "voltar à vida"...
Sabia que, quando voltasse de Inglaterra, depois da euforia inicial, ia arranjar uma desculpa para ficar brutalmente deprimida... Não se larga um sonho sem "estrabuchar"... Mas, mesmo sabendo isso tudo, consegui cair do "18.º andar" e estatelar-me no chão com mais frça do que algum dia podia prever...
Tenho batalhado para contrariar este estúpido sentimento de perda de mim própria (o meu último texto prova-o!)... mas não tem resultado.
É que... se eu voltar a tudo o que deixei pendente - os meus projectozinhos, os contos, os currículos... Voltar a tudo isso seria admitir que o sonho acabou...
O problema é que ele acabou! Acabou mesmo! Ou então eu não estaria a odiar o mundo inteiro e todos os que me rodeiam... Se o sonho não tivesse acabado, eu não estaria à deriva...
Ficam as palavras imortais dos Nickelback. A música chama-se "Savin' Me" e é do último álbum, "All The Right Reasons". Este é o refrão:
"Show me what it's like
To be the last one standing
Teach me wrong from right
And I'll show you what I can be
Say it for me
Say it to me
I'll leave this life behind me
Say it if it's worth saving me..."
Acho que é isto que eu também procuro. O mais doloroso é que eu já o achei algumas vezes(o sentimento de "me encontrar") e volto sempre a perdê-lo. Por isso é que dói TANTO "deixar" Inglaterra para trás...
quinta-feira, julho 06, 2006
Tudo ou Nada
Tudo ou nada. It’s the name of the game.
Chega de “por favor” e “com licença”. A partir de agora, é pela porta da frente e com o olhar nas estrelas! Chega de “pedir”, de “tentar”. Eu quero. Eu posso. E eu VOU fazer!
Será a próxima chegada dos 30 ou ainda a rebeldia dos “teens”?... Não sei.
Sei que estou farta. Farta de patrõezinhos. De cunhazinhas. De classificados! Nenhum deles é representativo do que eu quero para mim. Por isso, FODA-SE! (Desculpem a linguagem, mas o que fica cá dentro de negativo dá úlceras e cabelos brancos!)
A partir de agora, eu vou atrás do que eu quero realmente! É tudo ou nada! O pior que pode acontecer é ficar tudo igual…
Chega de “por favor” e “com licença”. A partir de agora, é pela porta da frente e com o olhar nas estrelas! Chega de “pedir”, de “tentar”. Eu quero. Eu posso. E eu VOU fazer!
Será a próxima chegada dos 30 ou ainda a rebeldia dos “teens”?... Não sei.
Sei que estou farta. Farta de patrõezinhos. De cunhazinhas. De classificados! Nenhum deles é representativo do que eu quero para mim. Por isso, FODA-SE! (Desculpem a linguagem, mas o que fica cá dentro de negativo dá úlceras e cabelos brancos!)
A partir de agora, eu vou atrás do que eu quero realmente! É tudo ou nada! O pior que pode acontecer é ficar tudo igual…
terça-feira, julho 04, 2006
Patriotismo
Suponho que sou o que muitos têm apelidado de "patriota primária". Afinal trago um cachecol de Portugal preso à mala e poria a bandeira na janela ou no estendal, se a janela ou o estendal dessem para algum sítio onde passa o povo.
É curioso que, tal como a maioria dos tugas da minha geração, antes de 2004, eu nem sabia que se podiam “usar” os símbolos nacionais. É que “eu ainda sou do tempo” em que uma banda rock foi a tribunal por fazer uma versão do hino… (Agora o Expresso distribui bandeiras com uma faixa verde florescente na parte vermelha… Enfim, adiante…)
O primeiro “item” nacional que tive foi oferta de uma agência de publicidade com a qual trabalhei. No Natal de 2003, a FCB ofereceu a alguns clientes uma prenda muito especial: um cachecol de Portugal. O “embrulho” era em forma de grande postal e dizia: “2004. Europeu de Futebol, Eleições Europeias, Olimpíadas, Retoma da Economia. Se há uma coisa que Portugal vai precisar em 2004 é do seu apoio. E do apoio de todos nós. Vai precisar de toda a nossa claque para incentivar, gritar, saltar, para não deixar ninguém pensar que o jogo possa estar perdido.”
Achei genial! Se tivermos em conta que os anúncios e outras iniciativas publicitárias naquela altura ainda nada tinham a ver com patriotismo ou futebol, aquilo era brilhante!
Jurei usar aquele cachecol (o mesmo que anda preso a minha mala de mão agora) durante o Euro 2004. Como é óbvio, muita mais gente teve a mesma ideia. (Em futebol, não é inédito…)
Foi também nesse bem-dito Euro que alguém se lembrou de pedir aos portugueses para colocarem bandeiras nas janelas em sinal de apoio à selecção. (A discussão continua sobre se foi Scolari ou Marcelo Rebelo de Sousa. Anyway, o brasileiro ganhou a responsabilidade do apelo.)
Desde aí, os símbolos nacionais tornaram-se moda. Mas uma moda duradoura e que nos orgulha!
Em terras de Sua Majestade, onde estive recentemente, foi com enorme prazer que vi uma bandeira portuguesa numa mota. Claro que, ao atravessar a rua, tive de largar um “Então, boa tarde!” bem português. Foi tão bom ouvir a resposta e ver o sorriso largo!
Transbordei de orgulho quando num concerto, com mais 70 mil pessoas, em terras estrangeiras, se reuniu, pelo menos, uma dezena de bandeiras portuguesas. E mais ainda quando alguém, no palco, as aponta porque já as reconhece!
Tenho a certeza que nada disto se teria passado se Scolari não tivesse exaltado o hábito das bandeiras nas janelas e das bancadas vestidas de vermelho e verde.
As bandeiras não viajariam connosco. E não haveria uma na mota que vi nas ruas de Londres, porque exibi-la ainda seria considerado fascista. E eu não falaria com compatriotas nas ruas de um país estrangeiro, porque não saberia se os meus cumprimentos seriam bem recebidos.
Hoje sei que serão sempre bem recebidos, porque hoje os portugueses partilham um sentimento inequívoco de confiança, de orgulho nacional onde quer que se encontrem!
… E tudo isto graças a… um brasileiro!!! LOL
(FORÇA, PORTUGAL! Lá estarei, na rua, com o cachecol e a bandeira, a torcer por os nossos bravos. No entanto, mesmo que não ganhemos, desta vez, acho que não vou chorar. É que, antes, era sempre "agora ou nunca". Agora, no entanto, eu sei que se não for agora... um dia será!)
É curioso que, tal como a maioria dos tugas da minha geração, antes de 2004, eu nem sabia que se podiam “usar” os símbolos nacionais. É que “eu ainda sou do tempo” em que uma banda rock foi a tribunal por fazer uma versão do hino… (Agora o Expresso distribui bandeiras com uma faixa verde florescente na parte vermelha… Enfim, adiante…)
O primeiro “item” nacional que tive foi oferta de uma agência de publicidade com a qual trabalhei. No Natal de 2003, a FCB ofereceu a alguns clientes uma prenda muito especial: um cachecol de Portugal. O “embrulho” era em forma de grande postal e dizia: “2004. Europeu de Futebol, Eleições Europeias, Olimpíadas, Retoma da Economia. Se há uma coisa que Portugal vai precisar em 2004 é do seu apoio. E do apoio de todos nós. Vai precisar de toda a nossa claque para incentivar, gritar, saltar, para não deixar ninguém pensar que o jogo possa estar perdido.”
Achei genial! Se tivermos em conta que os anúncios e outras iniciativas publicitárias naquela altura ainda nada tinham a ver com patriotismo ou futebol, aquilo era brilhante!
Jurei usar aquele cachecol (o mesmo que anda preso a minha mala de mão agora) durante o Euro 2004. Como é óbvio, muita mais gente teve a mesma ideia. (Em futebol, não é inédito…)
Foi também nesse bem-dito Euro que alguém se lembrou de pedir aos portugueses para colocarem bandeiras nas janelas em sinal de apoio à selecção. (A discussão continua sobre se foi Scolari ou Marcelo Rebelo de Sousa. Anyway, o brasileiro ganhou a responsabilidade do apelo.)
Desde aí, os símbolos nacionais tornaram-se moda. Mas uma moda duradoura e que nos orgulha!
Em terras de Sua Majestade, onde estive recentemente, foi com enorme prazer que vi uma bandeira portuguesa numa mota. Claro que, ao atravessar a rua, tive de largar um “Então, boa tarde!” bem português. Foi tão bom ouvir a resposta e ver o sorriso largo!
Transbordei de orgulho quando num concerto, com mais 70 mil pessoas, em terras estrangeiras, se reuniu, pelo menos, uma dezena de bandeiras portuguesas. E mais ainda quando alguém, no palco, as aponta porque já as reconhece!
Tenho a certeza que nada disto se teria passado se Scolari não tivesse exaltado o hábito das bandeiras nas janelas e das bancadas vestidas de vermelho e verde.
As bandeiras não viajariam connosco. E não haveria uma na mota que vi nas ruas de Londres, porque exibi-la ainda seria considerado fascista. E eu não falaria com compatriotas nas ruas de um país estrangeiro, porque não saberia se os meus cumprimentos seriam bem recebidos.
Hoje sei que serão sempre bem recebidos, porque hoje os portugueses partilham um sentimento inequívoco de confiança, de orgulho nacional onde quer que se encontrem!
… E tudo isto graças a… um brasileiro!!! LOL
(FORÇA, PORTUGAL! Lá estarei, na rua, com o cachecol e a bandeira, a torcer por os nossos bravos. No entanto, mesmo que não ganhemos, desta vez, acho que não vou chorar. É que, antes, era sempre "agora ou nunca". Agora, no entanto, eu sei que se não for agora... um dia será!)
domingo, julho 02, 2006
Prefiro escondê-las...
Prefiro escondê-las, as minhas memórias. As minhas projecções, os meus sonhos. Prefiro escondê-las, a expô-las ao ridículo das realidades de quem não as entende. Prefiro escondê-las a deixar que sejam diminuídas, desvalorizadas, enxovalhadas. São minhas. São muito minhas. E prefiro a solidão de as guardar só para mim à monstruosidade de as ver divulgadas, disseminadas, incompreendidas… Comentadas por analistas incompetentes, pouco esforçados e pouco sérios. São minhas demais para as deixar ir. Quero-as a fazer parte da minha realidade. Não as quero ver com uma realidade própria em que perderiam valor. Prefiro escondê-las. Guardá-las só para mim. Prefiro a incompreensão à possibilidade do ridículo.
sexta-feira, junho 30, 2006
Será que acham que vão ser jovens para sempre?!
_ Não me leve a mal… Posso pedir-lhe um favor? – Lágrimas caíam-lhe ininterruptamente pelo rosto sulcado de rugas. – Era um favo muito grande que me fazia…
A minha mãe encolheu os ombros, desarmada. Era normal aquela velhinha precisar de ajuda para levar o lixo à rua ou pedir-lhe para lhe trazer qualquer coisa da mercearia do cimo da rua…
_ Por favor… Por favor, deixe-me dormir em sua casa por uns dias! Eles vão-se embora de férias e vão-me deixar aqui sozinha! Esta noite já não dormi só a pensar nisso! Por favor! Peço-lhe!...
A minha mãe hesitou…
_ Mas… a minha casa não tem condições para a receber condignamente…
_ Eu durmo no chão! Um cobertorzinho serve… Não me deixe dormir aqui sozinha, peço-lhe!...
O que dizer a uma velhinha que chora, nos pega na mão e nos pede ajuda? Mas a questão não é esta! É claro que não vamos deixar a senhora continuar a chorar! A verdadeira questão é: como é possível alguém a fazer chorar?!
Como é que se projecta uma viagem de férias em família e se exclui a anciã da casa? Como?!!
Dá trabalho? É aborrecida? Vagarosa? O quê?! O que é que justifica isto?! Será que todos eles acham que vão ser jovens para sempre?!
A minha mãe encolheu os ombros, desarmada. Era normal aquela velhinha precisar de ajuda para levar o lixo à rua ou pedir-lhe para lhe trazer qualquer coisa da mercearia do cimo da rua…
_ Por favor… Por favor, deixe-me dormir em sua casa por uns dias! Eles vão-se embora de férias e vão-me deixar aqui sozinha! Esta noite já não dormi só a pensar nisso! Por favor! Peço-lhe!...
A minha mãe hesitou…
_ Mas… a minha casa não tem condições para a receber condignamente…
_ Eu durmo no chão! Um cobertorzinho serve… Não me deixe dormir aqui sozinha, peço-lhe!...
O que dizer a uma velhinha que chora, nos pega na mão e nos pede ajuda? Mas a questão não é esta! É claro que não vamos deixar a senhora continuar a chorar! A verdadeira questão é: como é possível alguém a fazer chorar?!
Como é que se projecta uma viagem de férias em família e se exclui a anciã da casa? Como?!!
Dá trabalho? É aborrecida? Vagarosa? O quê?! O que é que justifica isto?! Será que todos eles acham que vão ser jovens para sempre?!
quarta-feira, junho 28, 2006
"Incomodar"
Temos de lutar pelo que queremos. Sei disso. Há muito tempo. Suponho até que o tenho feito… Nas grandes coisas! Porque nas pequenas sou uma “coninhas”!
Lá está… Porque não quero “incomodar”…Eu nunca quero “incomodar” ninguém! E perco! Perco mesmo! Coisinha pequenina a coisinha pequenina, vou perdendo grandes coisas! E ninguém tem essa consideração comigo! Eu permito que toda a gente me “incomode”! …E, no fundo, somos todos assim!...
Então porque é que eu, com medo de “incomodar” as pessoas, não peço exactamente o que quero pedir, não faço exactamente o que quero fazer, não consigo exactamente o que quero conseguir???
…Isto vai ter de mudar! Ah, vai!!!
Lá está… Porque não quero “incomodar”…Eu nunca quero “incomodar” ninguém! E perco! Perco mesmo! Coisinha pequenina a coisinha pequenina, vou perdendo grandes coisas! E ninguém tem essa consideração comigo! Eu permito que toda a gente me “incomode”! …E, no fundo, somos todos assim!...
Então porque é que eu, com medo de “incomodar” as pessoas, não peço exactamente o que quero pedir, não faço exactamente o que quero fazer, não consigo exactamente o que quero conseguir???
…Isto vai ter de mudar! Ah, vai!!!
segunda-feira, junho 26, 2006
Who Says You Can't Go Home
Continuo lá. Entre o Mandarin Oriental Hyde Park Hotel, Picadilly e Earl's Court. O meu coração ainda bate por Milton Keynes. O meu pensamento fala inglês. As minhas lágrimas choram ainda.
Não sei o que fazer para voltar.
Agarro-me a cada recordação. Tudo o que possa prolongar o sonho.
"Who says you can't go home?"
A vida que me espera. A mediocridade dos dias. A eternidade das dúvidas. O adiar da concretização dos sonhos.
Eu! Eu NÃO QUERO voltar!
Para mim, o ideal seria "midnight in Chelsea"... "everyday"...
Não sei o que fazer para voltar.
Agarro-me a cada recordação. Tudo o que possa prolongar o sonho.
"Who says you can't go home?"
A vida que me espera. A mediocridade dos dias. A eternidade das dúvidas. O adiar da concretização dos sonhos.
Eu! Eu NÃO QUERO voltar!
Para mim, o ideal seria "midnight in Chelsea"... "everyday"...
sábado, junho 24, 2006
Partilhar...
Quando era miúda tinha problemas em partilhar. Não, não tinha qualquer problema em partilhar lápis, canetas, borrachas ou bonecas. Tinha problemas em partilhar o que me ia na alma…
Não contava a ninguém as coisas que me eram verdadeiramente queridas. O que me fazia sorrir. O que me fazia chorar.
Havia várias razões para essa reserva. Duas são, no entanto, as principais: achava as minhas ideias ridículas e não gostava de “importunar” as pessoas com elas.
Fui crescendo e as vitórias foram-se tornando solitárias.
Nunca me furtei a viver, mas partilhar conquistas quando ninguém sabia o valor que lhes atribuía era ridículo.
Isso foi mudando. A idade traz sabedoria e, suponho, relações de amizade mais sólidas...
Agora partilho o que me vai na alma. As pessoas têm acesso ao que me é querido. Eu falo. Conto. Rio. Choro.
As conquistas, no entanto, continuam a ser solitárias. Não sei porquê. Muitas das “minhas coisas” continuam a ser muito minhas… (Suponho que todos somos assim…) No entanto, já consigo partilhar o sentimento de vitória e consigo que as pessoas o percebem…
Tenho o orgulho de dizer que o faço que algumas pessoas maravilhosas. E que gosto muito de as ouvir relatar as suas conquistas.
Talvez por isso me choque um pouco quando alguém aparenta ter-me ouvido, quando alguém me deu palmadinhas nas costas, pediu pormenores, me deu os parabéns, riu comigo e depois… descubro que não ouviu uma palavra do que eu disse… quando eu falava de algo basilar na minha existência… Existência essa que devia ser importante. Afinal, nunca é à toa que usamos a palavra amizade anos a fio!
É duro. Faz-me pensar que o ser humano é, na sua génese, egoísta. Importa o “eu”. O resto é informação supérflua. Não importa o quanto partilhámos antes. Talvez nem o tenhamos verdadeiramente partilhado… Talvez tenhamos aparentado uma partilha. Talvez andemos todos a iludir-nos e as nossas vitórias sejam, sempre e em qualquer circunstância, solitárias…
…Suponho que este texto deve ser também um “mea culpa”...
Não contava a ninguém as coisas que me eram verdadeiramente queridas. O que me fazia sorrir. O que me fazia chorar.
Havia várias razões para essa reserva. Duas são, no entanto, as principais: achava as minhas ideias ridículas e não gostava de “importunar” as pessoas com elas.
Fui crescendo e as vitórias foram-se tornando solitárias.
Nunca me furtei a viver, mas partilhar conquistas quando ninguém sabia o valor que lhes atribuía era ridículo.
Isso foi mudando. A idade traz sabedoria e, suponho, relações de amizade mais sólidas...
Agora partilho o que me vai na alma. As pessoas têm acesso ao que me é querido. Eu falo. Conto. Rio. Choro.
As conquistas, no entanto, continuam a ser solitárias. Não sei porquê. Muitas das “minhas coisas” continuam a ser muito minhas… (Suponho que todos somos assim…) No entanto, já consigo partilhar o sentimento de vitória e consigo que as pessoas o percebem…
Tenho o orgulho de dizer que o faço que algumas pessoas maravilhosas. E que gosto muito de as ouvir relatar as suas conquistas.
Talvez por isso me choque um pouco quando alguém aparenta ter-me ouvido, quando alguém me deu palmadinhas nas costas, pediu pormenores, me deu os parabéns, riu comigo e depois… descubro que não ouviu uma palavra do que eu disse… quando eu falava de algo basilar na minha existência… Existência essa que devia ser importante. Afinal, nunca é à toa que usamos a palavra amizade anos a fio!
É duro. Faz-me pensar que o ser humano é, na sua génese, egoísta. Importa o “eu”. O resto é informação supérflua. Não importa o quanto partilhámos antes. Talvez nem o tenhamos verdadeiramente partilhado… Talvez tenhamos aparentado uma partilha. Talvez andemos todos a iludir-nos e as nossas vitórias sejam, sempre e em qualquer circunstância, solitárias…
…Suponho que este texto deve ser também um “mea culpa”...
quinta-feira, junho 22, 2006
Nickelback
Pensei que jamais colocaria a letra de uma canção no meu blog, porque a ideia era ter sempre trabalho com ele... Escrever textos. Cuidá-los. No entanto, apaixonei-me por esta canção à primeira vista (ou "à primeira audição") e apetece-me imenso partilhá-la!
É a última canção do último álbum dos Nicelback, "All The Right Reasons".
Aproveito para dizer que eles são MUITO porreiros ao vivo! Vi dois concertos em Inglaterra e só me apeteceu convidá-los a todos para um cafézinho! Eles são tão fixes! Sabiam que estavam a actuar para um público que não era o deles e mesmo assim deram o de sempre e conquistaram-nos a todos! Foi muito bom!
Bom, cá vai a letra da canção que me povoa o espírito actualmente:
I’m through with the standing in line
to clubs we’ll never get in
It’d like the bottom of the ninth
and I’m never gonna win
This life hasn’t turned out
quite the way I want it to be
I want a brand new house
on an episode of Cribs
And a bathroom I can play baseball in
And a king size tub big enough
for ten plus me
I’ll need a credit card that’s got no limit
And big black jet with a bedroom in it
Gonna join the mile high club
At thirty-seven thousand feet
I want a new tour bus full of old guitars
My own star on Hollywood Boulevard
Somewhere between Cher and
James Dean is fine for me
I’m gonna trade this life for fortune and fame
I’d even cut my hair and change my name
‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar
I wanna be great like Elvis without the tassels
Hire eight body guards that love to beat up assholes
Sign a couple autographs
So I can eat meals for free
I’m gonna dress my ass
with the latest fashion
Get a front door key to the Playboy mansion
Gonna date a centerfold that loves to
blow my money for me
I’m gonna trade this life for fortune and fame
I’d even cut my hair and change my name
‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
And we’ll hide out in the private rooms
With the latest dictionary and today’s who’s who
They’ll get you anything with that evil smile
Everybody’s got a drug dealer on speed dial
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar
I’m gonna sing those songs
that offend the censors
Gonna pop my pills
From a pez dispenser
I’ll get washed-up singers writing all my songs
Lip sync ‘em every night so I don’t get ‘em wrong
‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
And we’ll hide out in the private rooms
With the latest dictionary and today’s who’s who
They’ll get you anything with that evil smile
Everybody’s got a drug dealer on speed dial
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar
...Eu diria que eles conseguiram... LOL
É a última canção do último álbum dos Nicelback, "All The Right Reasons".
Aproveito para dizer que eles são MUITO porreiros ao vivo! Vi dois concertos em Inglaterra e só me apeteceu convidá-los a todos para um cafézinho! Eles são tão fixes! Sabiam que estavam a actuar para um público que não era o deles e mesmo assim deram o de sempre e conquistaram-nos a todos! Foi muito bom!
Bom, cá vai a letra da canção que me povoa o espírito actualmente:
I’m through with the standing in line
to clubs we’ll never get in
It’d like the bottom of the ninth
and I’m never gonna win
This life hasn’t turned out
quite the way I want it to be
I want a brand new house
on an episode of Cribs
And a bathroom I can play baseball in
And a king size tub big enough
for ten plus me
I’ll need a credit card that’s got no limit
And big black jet with a bedroom in it
Gonna join the mile high club
At thirty-seven thousand feet
I want a new tour bus full of old guitars
My own star on Hollywood Boulevard
Somewhere between Cher and
James Dean is fine for me
I’m gonna trade this life for fortune and fame
I’d even cut my hair and change my name
‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar
I wanna be great like Elvis without the tassels
Hire eight body guards that love to beat up assholes
Sign a couple autographs
So I can eat meals for free
I’m gonna dress my ass
with the latest fashion
Get a front door key to the Playboy mansion
Gonna date a centerfold that loves to
blow my money for me
I’m gonna trade this life for fortune and fame
I’d even cut my hair and change my name
‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
And we’ll hide out in the private rooms
With the latest dictionary and today’s who’s who
They’ll get you anything with that evil smile
Everybody’s got a drug dealer on speed dial
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar
I’m gonna sing those songs
that offend the censors
Gonna pop my pills
From a pez dispenser
I’ll get washed-up singers writing all my songs
Lip sync ‘em every night so I don’t get ‘em wrong
‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
And we’ll hide out in the private rooms
With the latest dictionary and today’s who’s who
They’ll get you anything with that evil smile
Everybody’s got a drug dealer on speed dial
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar
...Eu diria que eles conseguiram... LOL
terça-feira, junho 20, 2006
Fiz anos hoje (19 de Junho)
Esta manhã, acordei com a Maia a dizer que Gémeos estava "na casa um, com a carta do Sol" e que, por isso, eu devia "sorrir para a vida"!
Apetecia-me tudo menos sorrir para vida...
Por isso, sentei-me na mesa da cozinha e descarreguei os meus sentimentos numa folha de papel. Escrevi um texto deprimente.
Não, não tem a ver com o facto de fazer anos... Não gosto, mas suporto... E não gosto apenas pela lembrança de que o tempo está a passar e os sonhos continuam por conquistar. Ou seja, não tenho medo de envelhecer, tenho medo de não viver... É diferente.
Anyway... Escrevi um texto deprimente porque estou de ressaca emocional...
Tudo o que me aconteceu em Inglaterra: o escaldão em Milton Keynes; os dois concertos SOBERBOS que vi; ter-me perdido nos bairros problemáticos de Londres de autocarro à noite; as 500 mensagens de alerta que ouvi no Metro; ter ficado parada na linha; dormir num hotel que era uma anedota quando alguém tinha de usar o WC; a foto ao Pierce Brosnan; a molha em Hyde Park, o encontro com Jon Bon Jovi, etc… O que me aconteceu em Inglaterra é tão fantástico, tão acima de qual quer expectativa, que não dá para, de repente, voltar à terra… Não dá para voltar a esta vidinha medíocre sem um pouco de choro. Sem revolta. Sem tristeza...
Não quero acordar! Não quero! É cedo ainda! Quero dormir e sonhar mais um pouco... Ainda não consigo dizer adeus...
…E assim, sentada à minha mesa da cozinha, escrevi um longo e deprimente texto sobre a minha "existência medíocre" e a minha “recusa em abrir os olhos já”… Era esse o texto que devia colocar aqui hoje. Era esse o estado de espírito que eu acreditava ser imutável.
Mas quem tem amigos não pode garantir que não vai dar um sorriso…
Fui almoçar com um querido amigo que se lembra de mim SEMPRE neste dia. E tinha um lanche marcado com outra amiga de longuíssima data. Mas em vez de uma amiga apareceram… seis!!! Uma viajou só para estar comigo um bocadinho! Trouxeram prendas, carinho e alegria. E, de repente, a minha tristeza transformou-se em mau humor… o mau humor passou rapidamente a mero queixume… e o queixume diluiu-se em sorrisos, primeiro… depois gargalhadas… e, por fim, naquele sentimento pequenino, aconchegado, de quem está em casa aninhado, confortável… Um sentimento acolhedor e familiar que cobre de carinho tudo o que toca... Que faz esquecer os males do coração e as ressacas emocionais…
Agora já não podia publicar o texto que escrevi esta manhã. O sentimento de injustiça pela necessidade de abandonar aquele “sonho” que foi a minha vida estes dias, continua cá… Mas, de alguma forma, a minha vida parece-me menos medíocre depois desta tarde…
Obrigada, amigas.
Apetecia-me tudo menos sorrir para vida...
Por isso, sentei-me na mesa da cozinha e descarreguei os meus sentimentos numa folha de papel. Escrevi um texto deprimente.
Não, não tem a ver com o facto de fazer anos... Não gosto, mas suporto... E não gosto apenas pela lembrança de que o tempo está a passar e os sonhos continuam por conquistar. Ou seja, não tenho medo de envelhecer, tenho medo de não viver... É diferente.
Anyway... Escrevi um texto deprimente porque estou de ressaca emocional...
Tudo o que me aconteceu em Inglaterra: o escaldão em Milton Keynes; os dois concertos SOBERBOS que vi; ter-me perdido nos bairros problemáticos de Londres de autocarro à noite; as 500 mensagens de alerta que ouvi no Metro; ter ficado parada na linha; dormir num hotel que era uma anedota quando alguém tinha de usar o WC; a foto ao Pierce Brosnan; a molha em Hyde Park, o encontro com Jon Bon Jovi, etc… O que me aconteceu em Inglaterra é tão fantástico, tão acima de qual quer expectativa, que não dá para, de repente, voltar à terra… Não dá para voltar a esta vidinha medíocre sem um pouco de choro. Sem revolta. Sem tristeza...
Não quero acordar! Não quero! É cedo ainda! Quero dormir e sonhar mais um pouco... Ainda não consigo dizer adeus...
…E assim, sentada à minha mesa da cozinha, escrevi um longo e deprimente texto sobre a minha "existência medíocre" e a minha “recusa em abrir os olhos já”… Era esse o texto que devia colocar aqui hoje. Era esse o estado de espírito que eu acreditava ser imutável.
Mas quem tem amigos não pode garantir que não vai dar um sorriso…
Fui almoçar com um querido amigo que se lembra de mim SEMPRE neste dia. E tinha um lanche marcado com outra amiga de longuíssima data. Mas em vez de uma amiga apareceram… seis!!! Uma viajou só para estar comigo um bocadinho! Trouxeram prendas, carinho e alegria. E, de repente, a minha tristeza transformou-se em mau humor… o mau humor passou rapidamente a mero queixume… e o queixume diluiu-se em sorrisos, primeiro… depois gargalhadas… e, por fim, naquele sentimento pequenino, aconchegado, de quem está em casa aninhado, confortável… Um sentimento acolhedor e familiar que cobre de carinho tudo o que toca... Que faz esquecer os males do coração e as ressacas emocionais…
Agora já não podia publicar o texto que escrevi esta manhã. O sentimento de injustiça pela necessidade de abandonar aquele “sonho” que foi a minha vida estes dias, continua cá… Mas, de alguma forma, a minha vida parece-me menos medíocre depois desta tarde…
Obrigada, amigas.
sábado, junho 17, 2006
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