Sonho. Outra vez. Mas um sonho estranho, diferente. Diferente por não parecer um sonho. Os pés estão TÃO assentes no chão que não sinto que o coração esteja a voar. É bizarro, novo, até. E não necessariamente melhor.
Receio ter perdido a capacidade de sonhar. Sonhar, mesmo.
Sempre fui muito consciente da diferença entre projectos e sonhos, mas isso nunca me impediu de me deixar levar por projecções impossíveis. Eram secretas, minhas, impossíveis, sim, mas que me davam alento, alegria.
Receio ter perdido a capacidade de me deixar levar. A minha cabeça, agora, só conjectura projectos. E os projectos vêm com a responsabilidade das dificuldades de se tornarem reais. Os sonhos não. Daí a alegria fácil que os sonhos proporcionam e a apreensão natural que os projectos acarretam.
Mas é um sonho ainda. Não está totalmente definido. É um desejo. Uma ideia longínqua. Uma ideia que eu quero transformar em projecto, mas ainda não sei bem como. Então porque é que eu só penso nas dificuldades (como acontece com projectos) e não no formigueiro proporcionado por algo fantástico…?
Tenho saudades de sonhar…
domingo, outubro 15, 2006
sexta-feira, outubro 13, 2006
Bêbados
Ontem fui sair. Coimbra nocturna, em tempo de Latada, é aquele caos eufórico que mistura caloiros com uma liberdade recém-descoberta com “doutores” que apregoam mais conhecimento do que aqueles que têm e gostam de ensinar. Todos etilizados.
Lá estava eu, com uma amiga perfeitamente inserida no caos e outra amiga que, como eu – choque dos choques! – não costuma beber. Conversámos, rimos, conhecemos não sei quantos caloiros, mas o assunto recorrente era… álcool!
Quanto é que eu aguento; quanto é que os outros aguentam; aquela vez que me diverti tanto a beber até cair; a outra vez que fui parar aos HUC em coma alcoólico… Cansativo!
Sei que as noites de Coimbra, em início de ano lectivo, não podem ter outro assunto: é o único em comum! Eu percebo e perdoo. Mas em todos os outros casos… estou farta!
Aturo bêbados na boa. Não me chateia nada. Rio-me com eles e deles (é impossível não sentir uma certa superioridade sobre pessoas que precisam de beber para se divertir…).
O que eu já não aguento é que o assunto seja sempre o mesmo. Quando estão na presença de alguém que não bebe, fazem questão em falar SEMPRE de álcool! Embora eu não me ponha à parte, parece sempre que fazem questão de me pôr à parte! Nem que seja com a excessiva e descabida preocupação de que eu não me esteja a divertir!
Eu não preciso de beber para me divertir! Eu, se me quiser soltar, solto! Sem recorrer a álcool ou a psicotrópicos! Não preciso deles! E quando não me estou a divertir, não faço fretes! Já não tenho idade para isso! Por isso engulam as vossas inseguranças, bebam à vontade e permitam que os outros se divirtam NÃO BEBENDO!!!
Lá estava eu, com uma amiga perfeitamente inserida no caos e outra amiga que, como eu – choque dos choques! – não costuma beber. Conversámos, rimos, conhecemos não sei quantos caloiros, mas o assunto recorrente era… álcool!
Quanto é que eu aguento; quanto é que os outros aguentam; aquela vez que me diverti tanto a beber até cair; a outra vez que fui parar aos HUC em coma alcoólico… Cansativo!
Sei que as noites de Coimbra, em início de ano lectivo, não podem ter outro assunto: é o único em comum! Eu percebo e perdoo. Mas em todos os outros casos… estou farta!
Aturo bêbados na boa. Não me chateia nada. Rio-me com eles e deles (é impossível não sentir uma certa superioridade sobre pessoas que precisam de beber para se divertir…).
O que eu já não aguento é que o assunto seja sempre o mesmo. Quando estão na presença de alguém que não bebe, fazem questão em falar SEMPRE de álcool! Embora eu não me ponha à parte, parece sempre que fazem questão de me pôr à parte! Nem que seja com a excessiva e descabida preocupação de que eu não me esteja a divertir!
Eu não preciso de beber para me divertir! Eu, se me quiser soltar, solto! Sem recorrer a álcool ou a psicotrópicos! Não preciso deles! E quando não me estou a divertir, não faço fretes! Já não tenho idade para isso! Por isso engulam as vossas inseguranças, bebam à vontade e permitam que os outros se divirtam NÃO BEBENDO!!!
quarta-feira, outubro 11, 2006
A velhinha da Figueira
Há uma velhinha no meu bairro que me fala sempre. Eu gosto de velhinhas. E também gosto desta velhinha. Embora, para esta senhora, o termo “velhinha” seja um pouco pejorativo, porque quando eu for velhinha quero ser como esta senhora, a quem o termo “velhinha” não se aplica na totalidade…
Esta senhora, sempre que me vê, fala-me da Figueira da Foz. Se tenho ido à Figueira, se tem lá estado bom tempo, etc. Eu respondo-lhe sempre o mesmo: “Não sei. Não vou assim tanto à Figueira.” Mas, desde que começámos a conversar (e já á vão muitos anos), a Figueira quase aparece sempre!
Primeiro pensei que era ela que tinha lá casa, ou seja, a Figueira era importante para ELA. Depois apercebi-me de que ela falava com mais carinho de Lisboa do que da Figueira. “A minha casa não é cá (em Coimbra), é em Lisboa!”, disse-me um dia. Então, porquê a Figueira?! Depois dei-me conta de que ela falava como se a Figueira fosse importante para mim!...
Numa das muitas viagens de autocarro que fizemos juntas, acabei por lhe perguntar porque é que ela me falava sempre da Figueira… “Porque eu, quando lá vou, encontro-a sempre no comboio!”
Expliquei-lhe que não, não me encontra de certeza! Eu até vou à Figueira às vezes, mas tenho ido SEMPRE de carro!
A senhora ficou desconcertada. “Até conheço esse casaco que traz vestido! Costuma usá-lo no comboio!”, insistiu. Voltei a dizer-lhe que não. De certeza!
Aquilo passou. Durante uns tempos (que podem ter sido anos) ela não me falou da Figueira. Pensei que a tinha convencido, afinal eu estava a dizer a verdade!
Hoje, estava eu na paragem do autocarro, quando surge a “minha velhinha” com um penteado novo. Antes de eu sequer tempo de lhe mandar um piropo sobre o novo corte, ela sai-se com “Então a Figueira, hem? Tem lá estado melhor tempo do que aqui!”…
Será que ela me voltou a encontrar no comboio…?
Esta senhora, sempre que me vê, fala-me da Figueira da Foz. Se tenho ido à Figueira, se tem lá estado bom tempo, etc. Eu respondo-lhe sempre o mesmo: “Não sei. Não vou assim tanto à Figueira.” Mas, desde que começámos a conversar (e já á vão muitos anos), a Figueira quase aparece sempre!
Primeiro pensei que era ela que tinha lá casa, ou seja, a Figueira era importante para ELA. Depois apercebi-me de que ela falava com mais carinho de Lisboa do que da Figueira. “A minha casa não é cá (em Coimbra), é em Lisboa!”, disse-me um dia. Então, porquê a Figueira?! Depois dei-me conta de que ela falava como se a Figueira fosse importante para mim!...
Numa das muitas viagens de autocarro que fizemos juntas, acabei por lhe perguntar porque é que ela me falava sempre da Figueira… “Porque eu, quando lá vou, encontro-a sempre no comboio!”
Expliquei-lhe que não, não me encontra de certeza! Eu até vou à Figueira às vezes, mas tenho ido SEMPRE de carro!
A senhora ficou desconcertada. “Até conheço esse casaco que traz vestido! Costuma usá-lo no comboio!”, insistiu. Voltei a dizer-lhe que não. De certeza!
Aquilo passou. Durante uns tempos (que podem ter sido anos) ela não me falou da Figueira. Pensei que a tinha convencido, afinal eu estava a dizer a verdade!
Hoje, estava eu na paragem do autocarro, quando surge a “minha velhinha” com um penteado novo. Antes de eu sequer tempo de lhe mandar um piropo sobre o novo corte, ela sai-se com “Então a Figueira, hem? Tem lá estado melhor tempo do que aqui!”…
Será que ela me voltou a encontrar no comboio…?
segunda-feira, outubro 09, 2006
Hoje não estou cá…
Hoje não estou cá…
Que dizer, andei pela cidade, sentei-me na minha antiga escola, teclei com amigos… mas não estou cá.
Estou algures entre Londres, Toronto e Los Angeles.
Londres, porque sim, porque já é meu, não dá para separar Londres do meu coração. Toronto e Los Angeles devido à minha actual leitura.
É que eu sou o tipo de leitora obsessiva. Começo a ler um livro devagarinho e depois torna-se uma parte essencial do meu dia. Mergulho na história, afogo-me nela, apaixono-me pelos personagens… e é uma verdadeira chatice! É que, enquanto o meu calhamaço durar, eu vivo a vida daquelas pessoas ficcionadas. Não vivo a minha! Se os perceber mesmo bem (como é o caso), eles entranham-se em mim de tal maneira, que as suas esperanças, os seus desejos, as suas mágoas e frustrações são minhas também!
E pronto. Hoje vivo na pele de Jack Burns: actor famoso, homem traumatizado, criança molestada, ser não acabado... Sofro ainda com a morte da melhor amiga e da mãe e com os pensamentos que o atormentam, vindos do passado. Percorro com ele as ruas de Los Angeles e de Toronto. Fiz com ele o caminho árduo e merecido para a fama. Espero, como ele, o “algo mais” que a vida TEM de oferecer!
Estou frustrada. Por mim e por ele. Anseio o desfecho – feliz, espero! – deste LONGA história. Por mim e por ele...
É que, se ele não se vai embora, eu não consigo voltar à minha pele e escrever a MINHA história. Tenho uma história em espera que Jack Burns desapareça da minha vida. Jack Burns, uma personagem de ficção…
Que dizer, andei pela cidade, sentei-me na minha antiga escola, teclei com amigos… mas não estou cá.
Estou algures entre Londres, Toronto e Los Angeles.
Londres, porque sim, porque já é meu, não dá para separar Londres do meu coração. Toronto e Los Angeles devido à minha actual leitura.
É que eu sou o tipo de leitora obsessiva. Começo a ler um livro devagarinho e depois torna-se uma parte essencial do meu dia. Mergulho na história, afogo-me nela, apaixono-me pelos personagens… e é uma verdadeira chatice! É que, enquanto o meu calhamaço durar, eu vivo a vida daquelas pessoas ficcionadas. Não vivo a minha! Se os perceber mesmo bem (como é o caso), eles entranham-se em mim de tal maneira, que as suas esperanças, os seus desejos, as suas mágoas e frustrações são minhas também!
E pronto. Hoje vivo na pele de Jack Burns: actor famoso, homem traumatizado, criança molestada, ser não acabado... Sofro ainda com a morte da melhor amiga e da mãe e com os pensamentos que o atormentam, vindos do passado. Percorro com ele as ruas de Los Angeles e de Toronto. Fiz com ele o caminho árduo e merecido para a fama. Espero, como ele, o “algo mais” que a vida TEM de oferecer!
Estou frustrada. Por mim e por ele. Anseio o desfecho – feliz, espero! – deste LONGA história. Por mim e por ele...
É que, se ele não se vai embora, eu não consigo voltar à minha pele e escrever a MINHA história. Tenho uma história em espera que Jack Burns desapareça da minha vida. Jack Burns, uma personagem de ficção…
sábado, outubro 07, 2006
142 ficheiros
142 ficheiros. Desde Fevereiro, mandei 142 cartas (ou e-mails) de apresentação, entre respostas a anúncio e candidaturas espontâneas. 142 ficheiros para três países: Portugal, Estados Unidos e Inglaterra. E neste número não estão, obviamente, incluídas as cartas que enviei a chefes de estação, produtores, agentes e actores acerca do concurso que desenvolvi e do filme que escrevi.
Estou cansada!
142 ficheiros mais trocos e nada.
Já fiz de tudo. Já mandei candidaturas sérias e estruturadas. Já desenvolvi verdadeiros tratados de marketing e relações públicas. Já escrevi biografias. Já descrevi sonhos e esperanças. Até já concorri com cartas de apresentação desdenhosas e loucas. Não, esperem!, até já OFERECI trabalho!
Uma resposta. Uma só. UMA resposta esperançosa.
Já não estou desesperada. Não. Já não tenho feitio para desespero.
Se há uma coisa que eu SEI é que é uma questão de tempo até eu conseguir TUDO o que quero. …Porque também não tenho feitio para desistir. Às vezes “amoleço”, mas ponham-me NADA nas mãos e olhem para mim a lutar por TUDO!
Já semeei tantas sementes que alguma florescerá. Como sempre…
Há que acreditar…
Estou cansada!
142 ficheiros mais trocos e nada.
Já fiz de tudo. Já mandei candidaturas sérias e estruturadas. Já desenvolvi verdadeiros tratados de marketing e relações públicas. Já escrevi biografias. Já descrevi sonhos e esperanças. Até já concorri com cartas de apresentação desdenhosas e loucas. Não, esperem!, até já OFERECI trabalho!
Uma resposta. Uma só. UMA resposta esperançosa.
Já não estou desesperada. Não. Já não tenho feitio para desespero.
Se há uma coisa que eu SEI é que é uma questão de tempo até eu conseguir TUDO o que quero. …Porque também não tenho feitio para desistir. Às vezes “amoleço”, mas ponham-me NADA nas mãos e olhem para mim a lutar por TUDO!
Já semeei tantas sementes que alguma florescerá. Como sempre…
Há que acreditar…
quinta-feira, outubro 05, 2006
Ontem aconteceu...
Ontem aconteceu-me algo muito estranho enquanto tentava meditar. Bom, talvez meditar não seja o termo correcto. Eu, quando sinto que preciso, costumo sentar-me quietinha, a fazer respiração profunda e o relaxamento que aprendi a fazer para meditar… Mas duvido que algum dia tenha conseguido deveras “esvaziar o cérebro”. No entanto, isto ajuda-me a pôr os pensamentos em ordem e a sentir-me melhor comigo própria.
Ontem estava muito tensa e já tinha passado bastante tempo desde que eu tinha tirado tempo para pôr os “pensamentos em ordem”. Por isso, sentei-me, fiz a minha respiração e o relaxamento. Até pus em prática uma técnica que comigo resulta, que é inspirar algumas qualidades que me fazem falta e expirar os defeitos que me prejudicam. (Curiosamente, descobri que eles estão cada vez menores e menos incomodativos e que as qualidades que “inspiro” são cada vez mais “credíveis”para mim! Definitivamente uma vitória.)
Feito isto, pensei em reviver um episódio da minha vida que foi MUITO feliz. Achei que era a altura ideal para o recuperar. Afinal, foi TÃO feliz que a minha memória não conseguiu registá-lo! Depois do dito acontecimento, esqueci-me de tudo! Foi preciso contarem-me o que se tinha passado e como para que eu pudesse “guardar” algo de meu. Uma recriação, uma construção racional, não uma memória.
Ora, ontem decidi recuperar essa memória. Assim, relaxada e de olhos bem fechados, comecei a recriar a cena na minha cabeça. Corria tudo bem. Consegui sentir sensações que sabia que devia ter sentido na altura, mas que me estavam, de alguma forma, bloqueadas pelo lapso de memória…
Mas, quando cheguei ao “segundo” fulcral do episódio, não senti a tal felicidade que eu sei – mas não me lembro – ter sentido na altura. Senti algo ainda maior. Algo que era mais do que tristeza, maior do que antecipação, mais profundo do que felicidade. Mais inexplicável do que amor, ódio, frustração, ansiedade ou desespero! Algo que eu me lembro de ter sentido já UMA vez – conscientemente – e que me levou às margens da loucura.
Chorei. Não sei se de amargura, se de frustração, se simplesmente para ventilar aquele sentimento TÃO grande que eu não sei definir!...
Não percebo.
Primeiro, não percebo porque é que o meu cérebro se recusou a registar, na altura, aquela felicidade tão grande, tão pura e tão bonita. Porque é que eu tive de tentar recriá-la, revivê-la. (Talvez o cérebro humano não esteja preparado para assimilar aquilo que é maior do que ele espera receber, aquilo que ultrapassa as suas previsões…) E depois não percebo porque é que ela me continua inacessível e é substituída por algo que eu me lembro de sentir (também) UMA única vez e que me assustou MUITO. Algo que não sei definir e com o qual sei que tenho de encontrar forma de lidar, de contornar, de sobreviver… E este será seguramente mais um longo processo, mais uma longuíssima batalha… (Se não me venceu daquela vez, não me vai vencer nunca mais! Mas vai-me “moer”…)
Alguém conhece uma explicação? …Please…?
Ontem estava muito tensa e já tinha passado bastante tempo desde que eu tinha tirado tempo para pôr os “pensamentos em ordem”. Por isso, sentei-me, fiz a minha respiração e o relaxamento. Até pus em prática uma técnica que comigo resulta, que é inspirar algumas qualidades que me fazem falta e expirar os defeitos que me prejudicam. (Curiosamente, descobri que eles estão cada vez menores e menos incomodativos e que as qualidades que “inspiro” são cada vez mais “credíveis”para mim! Definitivamente uma vitória.)
Feito isto, pensei em reviver um episódio da minha vida que foi MUITO feliz. Achei que era a altura ideal para o recuperar. Afinal, foi TÃO feliz que a minha memória não conseguiu registá-lo! Depois do dito acontecimento, esqueci-me de tudo! Foi preciso contarem-me o que se tinha passado e como para que eu pudesse “guardar” algo de meu. Uma recriação, uma construção racional, não uma memória.
Ora, ontem decidi recuperar essa memória. Assim, relaxada e de olhos bem fechados, comecei a recriar a cena na minha cabeça. Corria tudo bem. Consegui sentir sensações que sabia que devia ter sentido na altura, mas que me estavam, de alguma forma, bloqueadas pelo lapso de memória…
Mas, quando cheguei ao “segundo” fulcral do episódio, não senti a tal felicidade que eu sei – mas não me lembro – ter sentido na altura. Senti algo ainda maior. Algo que era mais do que tristeza, maior do que antecipação, mais profundo do que felicidade. Mais inexplicável do que amor, ódio, frustração, ansiedade ou desespero! Algo que eu me lembro de ter sentido já UMA vez – conscientemente – e que me levou às margens da loucura.
Chorei. Não sei se de amargura, se de frustração, se simplesmente para ventilar aquele sentimento TÃO grande que eu não sei definir!...
Não percebo.
Primeiro, não percebo porque é que o meu cérebro se recusou a registar, na altura, aquela felicidade tão grande, tão pura e tão bonita. Porque é que eu tive de tentar recriá-la, revivê-la. (Talvez o cérebro humano não esteja preparado para assimilar aquilo que é maior do que ele espera receber, aquilo que ultrapassa as suas previsões…) E depois não percebo porque é que ela me continua inacessível e é substituída por algo que eu me lembro de sentir (também) UMA única vez e que me assustou MUITO. Algo que não sei definir e com o qual sei que tenho de encontrar forma de lidar, de contornar, de sobreviver… E este será seguramente mais um longo processo, mais uma longuíssima batalha… (Se não me venceu daquela vez, não me vai vencer nunca mais! Mas vai-me “moer”…)
Alguém conhece uma explicação? …Please…?
terça-feira, outubro 03, 2006
A foto em que Osama sorri
Ontem vi uma foto antiga de Osama binLaden. E não consegui parar de olhar para ela.
Foi tirada em 1998, num encontro com jornalistas em Jalalabade. Bin Laden sorri.
Na foto, o terrorista mais procurado do mundo – o tal que para a sociedade Ocidental é a encarnação do Diabo – aparenta ser um homem relativamente jovem, atraente, até. Com um sorriso rasgado e a mão direita estendida, com a palma virada para cima, e roupas Ocidentais, apenas um pequeno turbante nos dá uma pista da sua origem.
Mas suponho que não é a sua surpreendente juventude, nem a inesperada descontração, nem sequer o seu desconcertante sorriso que me faz não conseguir tira os olhos da imagem. A razão será a existência de uma doçura nela; uma simpatia, uma simplicidade que eu não consigo relacionar com a ideia predefinida que tinha do homem que é suposto representar.
Se a foto não tivesse o nome Bin Laden escrito na legenda, eu teria a maior simpatia por este homem… À luz deste retrato, eu não acredito que esta seja a encarnação do Mal.
Vou guardar a imagem. Não sei bem porquê, mas vou guardá-la. E também não sei bem porquê, mas depois de olhar para ela durante largos minutos, as lágrimas surgem-me sempre nos olhos…
…Ou talvez saiba… Talvez eu apenas não queira aceitar que o Mal não chega anunciado… Não tem sinais distintivos. Não tem perfil definido. Pode surgir de um sorriso...
Foi tirada em 1998, num encontro com jornalistas em Jalalabade. Bin Laden sorri.
Na foto, o terrorista mais procurado do mundo – o tal que para a sociedade Ocidental é a encarnação do Diabo – aparenta ser um homem relativamente jovem, atraente, até. Com um sorriso rasgado e a mão direita estendida, com a palma virada para cima, e roupas Ocidentais, apenas um pequeno turbante nos dá uma pista da sua origem.
Mas suponho que não é a sua surpreendente juventude, nem a inesperada descontração, nem sequer o seu desconcertante sorriso que me faz não conseguir tira os olhos da imagem. A razão será a existência de uma doçura nela; uma simpatia, uma simplicidade que eu não consigo relacionar com a ideia predefinida que tinha do homem que é suposto representar.
Se a foto não tivesse o nome Bin Laden escrito na legenda, eu teria a maior simpatia por este homem… À luz deste retrato, eu não acredito que esta seja a encarnação do Mal.
Vou guardar a imagem. Não sei bem porquê, mas vou guardá-la. E também não sei bem porquê, mas depois de olhar para ela durante largos minutos, as lágrimas surgem-me sempre nos olhos…
…Ou talvez saiba… Talvez eu apenas não queira aceitar que o Mal não chega anunciado… Não tem sinais distintivos. Não tem perfil definido. Pode surgir de um sorriso...
domingo, outubro 01, 2006
Mais um "momento Amèlie"
Imaginem que conhecem uma mega-estrela portuguesa, desde antes de ela se ter tornado mega-estrela… Não são propriamente amigos, mas “conhecem-se” há muitos anos.
No final de mais um concerto, aguardam que a fila interminável de fãs dê os beijinhos e tire as fotografias da praxe. Nos largos minutos de espera, trocam olhares cúmplices e brincadeiras com a “estrelinha”. Notam que não está bem-disposta. Dói-lhe o estômago…
No fim da longa espera, lá se aproximam para o beijinho da praxe. Por esta altura, já o pobre está agarrado ao estômago...
Teor da conversa:
_ Então, tudo bem?
(Burra, GK! O homem está agarrado ao estômago! Até já te tinha pedido um estômago emprestado e o que é que tu perguntas? …“Tudo bem”?!!)
_ Não! Dói-me o estômago…
_ Então?
_ Oh pá, não sei… Dói, estou a arrotar imenso… Só me apetecesse…
_ Estou a ver…. Isso está mau…
_ Está. Estou mesmo com vontade de… Mas isso eu nunca faço… Imagina…
_ Pois, imagino…
_ Mas isso eu nunca faço…
_ Pois… percebo-te…
_ …
_ …Bom, só vim dar o beijinho de parabéns da praxe. Não te roubo mais tempo…
E saí dali o mais depressa possível…
… Mais um “momento Amèlie”* na minha vida…
* "Momento Amèlie" - momento extremamente estranho, ainda que relativamente banal...
No final de mais um concerto, aguardam que a fila interminável de fãs dê os beijinhos e tire as fotografias da praxe. Nos largos minutos de espera, trocam olhares cúmplices e brincadeiras com a “estrelinha”. Notam que não está bem-disposta. Dói-lhe o estômago…
No fim da longa espera, lá se aproximam para o beijinho da praxe. Por esta altura, já o pobre está agarrado ao estômago...
Teor da conversa:
_ Então, tudo bem?
(Burra, GK! O homem está agarrado ao estômago! Até já te tinha pedido um estômago emprestado e o que é que tu perguntas? …“Tudo bem”?!!)
_ Não! Dói-me o estômago…
_ Então?
_ Oh pá, não sei… Dói, estou a arrotar imenso… Só me apetecesse…
_ Estou a ver…. Isso está mau…
_ Está. Estou mesmo com vontade de… Mas isso eu nunca faço… Imagina…
_ Pois, imagino…
_ Mas isso eu nunca faço…
_ Pois… percebo-te…
_ …
_ …Bom, só vim dar o beijinho de parabéns da praxe. Não te roubo mais tempo…
E saí dali o mais depressa possível…
… Mais um “momento Amèlie”* na minha vida…
* "Momento Amèlie" - momento extremamente estranho, ainda que relativamente banal...
quinta-feira, setembro 28, 2006
Estou em branco
Hoje estou em branco.
Há muito tempo que escrevo páginas na minha vida e as deito fora a seguir. Mesmo muito. Mas hoje estou MESMO em branco.
A vida ainda não começou.
Não sei se o sol a brilhar de novo no céu foi uma consequência ou uma causa, mas encontrei um novo desafio. É bom. É bonito. Mas também já é encarado com os pés na terra e, logo… com menos brilho nos olhos…
Ainda quero fugir. Mas já não morrerei se ficar.
Mas estou em branco. Não sei, hoje, fazer projectos ou sonhos. Não sei o que vem amanhã. Nem sei o que quero que venha. Melhor assim.
Há muito tempo que escrevo páginas na minha vida e as deito fora a seguir. Mesmo muito. Mas hoje estou MESMO em branco.
A vida ainda não começou.
Não sei se o sol a brilhar de novo no céu foi uma consequência ou uma causa, mas encontrei um novo desafio. É bom. É bonito. Mas também já é encarado com os pés na terra e, logo… com menos brilho nos olhos…
Ainda quero fugir. Mas já não morrerei se ficar.
Mas estou em branco. Não sei, hoje, fazer projectos ou sonhos. Não sei o que vem amanhã. Nem sei o que quero que venha. Melhor assim.
terça-feira, setembro 26, 2006
Já não consigo...
Já não consigo estar aqui… Não sei se é o tempo cinzento, se apenas a minha paciência que chegou ao fim. Sinto-me sufocar!
Quero fazer as malas e ir. Embora.
Estou cansada de esperar.
Sinto que estou a perder tempo precioso, a desperdiçá-lo aqui, quieta. Não sei o que deveria estar a fazer, mas sei que este cenário está gasto, velho.
Tenho de sair daqui.
Amesterdão, Barcelona, Zurique, Nova Iorque… Londres… Tenho de ir. Tenho de respirar!
Estou cansada de lutar contra as manhã… Contra a dor de ter de acordar!
O mundo parece gritar: "Resigna-te!". Mas, pá!, eu nunca fui uma alma resignada.
Mas não, mundo, não te preocupes. Todas as tuas vidas patéticas e formatadas podem continuar o seu percurso tranquilo sem qualquer sobressalto de preocupação pela minha pessoa… Desistir nunca foi uma opção.
Quero fazer as malas e ir. Embora.
Estou cansada de esperar.
Sinto que estou a perder tempo precioso, a desperdiçá-lo aqui, quieta. Não sei o que deveria estar a fazer, mas sei que este cenário está gasto, velho.
Tenho de sair daqui.
Amesterdão, Barcelona, Zurique, Nova Iorque… Londres… Tenho de ir. Tenho de respirar!
Estou cansada de lutar contra as manhã… Contra a dor de ter de acordar!
O mundo parece gritar: "Resigna-te!". Mas, pá!, eu nunca fui uma alma resignada.
Mas não, mundo, não te preocupes. Todas as tuas vidas patéticas e formatadas podem continuar o seu percurso tranquilo sem qualquer sobressalto de preocupação pela minha pessoa… Desistir nunca foi uma opção.
domingo, setembro 24, 2006
Esmolas...
Eu não costumo dar esmolas na rua. Só quando o instinto me diz que tenho mesmo de dar. E isso é raro. No entanto, sempre que o fiz, obtive respostas incríveis… Incríveis de sinceras e gratas…
Uma vez uma senhora, jovem até, pediu-me uma "ajudinha". Talvez tenha sido por ter falado baixo demais, como se as palavras lhe doessem a sair, ou talvez pelo olhar de pânico que levava ou pelo facto de os seus olhos vaguearem entre os meus e o passeio... depois de hesitar, tirei uns euros da carteira e dei-lhos. Ela agradeceu-me tímida e partiu.
Por instantes duvidei dos meus instintos. "Será que fui levada?", perguntei-me... Mas decidi não dar muita importância ao assunto. Não eram aqueles euros que iam mudar a minha vida. Dei, estava dado. Fui à minha vida.
Já quase tinha esquecido a senhora, quando passo em frente a uma padaria na Baixa. Ia alheia, distraída. De repente, sinto alguém agarrar-me as mãos e aproximar-se. Era ela. Curava-se à minha frente. "Obrigada", disse-me, "muito obrigada". Os olhos agora já não deixavam os meus. Tinham um brilho comovido, de pura gratidão. Nunca mais vou esquecer aquele olhar... nem o saco de pão que ela levava na mão como se de um prémio precioso se tratasse...
É devastador pensar que uma moeda que não muda o nosso dia em nada, pode proporcionar o único alimento de alguém...
(Este texto vem na sequência do último post do blog Cardos & Prosas, colocado pela Kiki.)
Uma vez uma senhora, jovem até, pediu-me uma "ajudinha". Talvez tenha sido por ter falado baixo demais, como se as palavras lhe doessem a sair, ou talvez pelo olhar de pânico que levava ou pelo facto de os seus olhos vaguearem entre os meus e o passeio... depois de hesitar, tirei uns euros da carteira e dei-lhos. Ela agradeceu-me tímida e partiu.
Por instantes duvidei dos meus instintos. "Será que fui levada?", perguntei-me... Mas decidi não dar muita importância ao assunto. Não eram aqueles euros que iam mudar a minha vida. Dei, estava dado. Fui à minha vida.
Já quase tinha esquecido a senhora, quando passo em frente a uma padaria na Baixa. Ia alheia, distraída. De repente, sinto alguém agarrar-me as mãos e aproximar-se. Era ela. Curava-se à minha frente. "Obrigada", disse-me, "muito obrigada". Os olhos agora já não deixavam os meus. Tinham um brilho comovido, de pura gratidão. Nunca mais vou esquecer aquele olhar... nem o saco de pão que ela levava na mão como se de um prémio precioso se tratasse...
É devastador pensar que uma moeda que não muda o nosso dia em nada, pode proporcionar o único alimento de alguém...
(Este texto vem na sequência do último post do blog Cardos & Prosas, colocado pela Kiki.)
sexta-feira, setembro 22, 2006
An Unconvenient Truth
Fui ver, claro. Sei que está nas mãos de todos.
Faço aqui a minha parte: dêem um saltinho a http://www.climatecrisis.net.
(E, já agora, a http://www.greenpeace.org/international.)
quarta-feira, setembro 20, 2006
Serei blogodependente?
Foi a minha companheira bloguista The Star que me levou a questionar-me, com post intitulado (precisamente) “És blogodependente?”
Há que admitir:
- guardo posts na secretária;
- às vezes tenho inveja dos muitos comentários dos outros;
- penso frequentemente "isto merece um post"
- e às vezes blogo quando estou a adormecer ou acordar...
Bom, não chego a preencher metade do requisitos para ser dependente… Mas acho que para lá caminho rapidamente… É que, eu comecei com um blog colectivo e entretanto já ter inaugurei o terceiro...
Deixem-me falar-vos dos meus blogs…
O primeiro a ser inaugurado foi o Cardos e Prosas. Trata-se de um espaço sobre coisas de gajas. Convidem MONTES de amigas a participarem, muitas disseram que sim e poucas o fizeram. Recentemente, zanguei-me, chateei-me, fartei-me. Pensei encerrar o blog. Mas suponho quando decidimos pela morte, não queremos efectivamente a morte, queremos que morra o que está mal, que mude, que reviva… diferente… E foi isso que aconteceu. O blog está novamente activo, mas, agora, sem pressões, sem stresses, sem obrigações… Vamos ver como corre.
O segundo a surgir foi este: My Dirty Little Secret. É que, sempre que escrevia algo no Cardos, sentia vontade de ir mais além, ser mais pessoal, contar coisas minhas, sem tema. É então a minha “válvula de escape”. É aqui que eu “desabafo”. Ele serve também para eu escrever regularmente. Algo que eu preciso de fazer e disciplinar. Dantes andava sempre de bloco de notas pela casa, mas os textos eram meus, só meus. Agora o que está no bloco às vezes passa para aqui e os meus textos são dados a conhecer. É um privilégio.
Finalmente, anteontem inaugurei outro blog. Como os outros, ele surgiu de uma necessidade de partilha. Neste caso, o tema é Coimbra. A cidade que eu amo, com todas as suas virtudes e todos os seus defeitos. Fiz convites e, para surpresa minha, tive MUITAS respostas. Aparentemente a mais quem ame a Cidade dos Doutores. Onde estavam escondidos? Coimbra dos Amores é o nome deste novo blog. Espero ver-vos por lá.
Virei a ser viciada? Provavelmente. Participarei num desses grupos de apoio de que fala a The Star? Acho que não. Eu trato de mim. Não gosto de vícios. Eles dominam-nos e eu detesto sentir-me subjugada involuntariamente. Por isso, sei que saberei recuar, se for caso disso. No entanto, sou a favor do prazer. E escrever e visitar blogs dá-me muito prazer. Porque não saciar a vontade…? ;)
(E vocês, são blogodependentes?)
Há que admitir:
- guardo posts na secretária;
- às vezes tenho inveja dos muitos comentários dos outros;
- penso frequentemente "isto merece um post"
- e às vezes blogo quando estou a adormecer ou acordar...
Bom, não chego a preencher metade do requisitos para ser dependente… Mas acho que para lá caminho rapidamente… É que, eu comecei com um blog colectivo e entretanto já ter inaugurei o terceiro...
Deixem-me falar-vos dos meus blogs…
O primeiro a ser inaugurado foi o Cardos e Prosas. Trata-se de um espaço sobre coisas de gajas. Convidem MONTES de amigas a participarem, muitas disseram que sim e poucas o fizeram. Recentemente, zanguei-me, chateei-me, fartei-me. Pensei encerrar o blog. Mas suponho quando decidimos pela morte, não queremos efectivamente a morte, queremos que morra o que está mal, que mude, que reviva… diferente… E foi isso que aconteceu. O blog está novamente activo, mas, agora, sem pressões, sem stresses, sem obrigações… Vamos ver como corre.
O segundo a surgir foi este: My Dirty Little Secret. É que, sempre que escrevia algo no Cardos, sentia vontade de ir mais além, ser mais pessoal, contar coisas minhas, sem tema. É então a minha “válvula de escape”. É aqui que eu “desabafo”. Ele serve também para eu escrever regularmente. Algo que eu preciso de fazer e disciplinar. Dantes andava sempre de bloco de notas pela casa, mas os textos eram meus, só meus. Agora o que está no bloco às vezes passa para aqui e os meus textos são dados a conhecer. É um privilégio.
Finalmente, anteontem inaugurei outro blog. Como os outros, ele surgiu de uma necessidade de partilha. Neste caso, o tema é Coimbra. A cidade que eu amo, com todas as suas virtudes e todos os seus defeitos. Fiz convites e, para surpresa minha, tive MUITAS respostas. Aparentemente a mais quem ame a Cidade dos Doutores. Onde estavam escondidos? Coimbra dos Amores é o nome deste novo blog. Espero ver-vos por lá.
Virei a ser viciada? Provavelmente. Participarei num desses grupos de apoio de que fala a The Star? Acho que não. Eu trato de mim. Não gosto de vícios. Eles dominam-nos e eu detesto sentir-me subjugada involuntariamente. Por isso, sei que saberei recuar, se for caso disso. No entanto, sou a favor do prazer. E escrever e visitar blogs dá-me muito prazer. Porque não saciar a vontade…? ;)
(E vocês, são blogodependentes?)
segunda-feira, setembro 18, 2006
Bibelô Inútil...?
Hoje fiz a minha viagem inaugural à Casa da Música, no Porto. Já tinha ouvido alguém qualificar “o meteorito” de “bibelô inútil”… mas não quis acreditar… Mal sabia eu o que me esperava depois de uma viagem propositada e preparada ao pormenor, iniciada em Coimbra…
Como qualificar uma casa de espectáculos:
- onde um público quer ver um concerto e não consegue chegar à sala porque a Segurança não se entende, mas, na dúvida, ninguém entra;
- onde são destacados apenas DOIS membros da equipa de Frente de Casa para um evento em que recebem músicos E artistas;
- e onde tudo isto tem de ser resolvido apenas quando a Casa da Música abre – às 10h da manhã – e antes do início do concerto – que está marcado para as 10h da manhã – e ao mesmo tempo que se colocam dezenas de bebés numa outra sala onde o concerto também começa às 10h!!!
OSTENTAÇÃO. É o que me ocorre.
Gastam-se 100 MILHÕES de euros a fazer-se, mas não se põe a funcionar condignamente.
Gastam-se 100 milhões de euros (repito!) numa casa de espectáculos onde há folha de ouro a decorar o Grande Auditório, mas onde a equipa não sabe qual é a sala em que vai decorrer um espectáculo que está agendado há meses.
Gastam-se 100 milhões de euros (repito novamente para ninguém esquecer!) num BIBELÔ onde, quando a equipa finalmente descobre onde o espectáculo e como se chega lá, não há quem acompanhe o público até à sala!
“Bibelô inútil” será o termo certo, não?… Pelo menos tendo em conta o (péssimo) exemplo.
E viva o livro de reclamações!
Como qualificar uma casa de espectáculos:
- onde um público quer ver um concerto e não consegue chegar à sala porque a Segurança não se entende, mas, na dúvida, ninguém entra;
- onde são destacados apenas DOIS membros da equipa de Frente de Casa para um evento em que recebem músicos E artistas;
- e onde tudo isto tem de ser resolvido apenas quando a Casa da Música abre – às 10h da manhã – e antes do início do concerto – que está marcado para as 10h da manhã – e ao mesmo tempo que se colocam dezenas de bebés numa outra sala onde o concerto também começa às 10h!!!
OSTENTAÇÃO. É o que me ocorre.
Gastam-se 100 MILHÕES de euros a fazer-se, mas não se põe a funcionar condignamente.
Gastam-se 100 milhões de euros (repito!) numa casa de espectáculos onde há folha de ouro a decorar o Grande Auditório, mas onde a equipa não sabe qual é a sala em que vai decorrer um espectáculo que está agendado há meses.
Gastam-se 100 milhões de euros (repito novamente para ninguém esquecer!) num BIBELÔ onde, quando a equipa finalmente descobre onde o espectáculo e como se chega lá, não há quem acompanhe o público até à sala!
“Bibelô inútil” será o termo certo, não?… Pelo menos tendo em conta o (péssimo) exemplo.
E viva o livro de reclamações!
sábado, setembro 16, 2006
Escrevi um filme...
Eu escrevi um filme.
Estava desempregada (como agora) e deu-me para usar o meu tempo em algo útil e prazeiroso: escrever um filme.
Foi TÃO bom.
Os meses de pesquisa... as gravações dos diálogos no gravador de entrevistas quando "a inspiração" surgia... a alegria infantil ao resolver pequenas questões que nos atormentavam há semanas... a fase de sentar para escrever... a noite (madrugada) em que escrevi o THE END... (Sim, em inglês!) Inesquecível!
Foi MUITO bom...
Eu escrevi um filme que ninguém lê.
OK, escrevi em inglês. (Não, não desprezo a minha língua, mas as minhas personagens falavam inglês! Quem era eu para as contrariar?! E a minha história não é um filme português, é definitivamente um "Hollywood movie"...) Suponho que estar escrito em inglês torna tudo mais difícil... Afinal, se aqui ninguém nos liga porque não pertencêmos "ao clube"... em Hollywood... Bom, digamos que o clube é BEEEEEEM mais restrito...
Mas o que fazer? Desistir?
NUNCA.
O meu filme já voou para os States, claro. Ele está registadíssimo. Tudo como manda "o figurino" Até já fez uma paragem bastante atrevida... Mas ninguém o lê.
Não é que seja bom ou seja mau: não interessa! Se não te pediram nada, não querem saber! Produtores, agentes, actores... Whatever. Não pertences ao clube, não existes!
Dou um exemplo significativo...
Há uns tempos mandei umas dezesnas de cartas e e-mails para criaturas que poderiam ter interesse em "new blood" naquela terra. Dez por cento voltou para trás; outros dez foram devolvidos com uma breve nota que dizia "We don't accept unsolicited material"...
Não me dei por vencida e repeti a “investida” para “outras entidades". Aconteceu exactamente o mesmo… com uma excepção…
Uma agente respondeu-me pessoalmente, para o e-mail, a dizer que “não andava à procura de mais clientes”…
“Boa!”, pensei, “ao menos tenho um contacto directo… Deixo passar um tempinho e volto à carga”…
Aqui está o resultado:
Ontem escrevi:
“Dear …
I wrote you once, asking you to read my work. You said no...
Well… I am asking again.
12 pages. That is all I ask.
If you don't feel like you have to read the rest of my script, I will never bother you again (not any time soon, anyway).
I know how precious your time must be and how tough it must be to represent writers in a place where everyone has an idea. And I can only imagine how much tougher it would be to represent the "new kid in the block". But I have to ask you for ONE chance. Somebody gave YOU a chance once … I am working to get mine…
… What if I am good…? ;)
TWELVE PAGES. Please…
GK”
Resposta, hoje:
“Thanks for the query, but I am not accepting any more clients.”
Só! E pronto. É isto. UMA MERDA DE UMA PAREDE!!!!!
E isto influencia TUDO…
Estou novamente desempregada, mas não me apetece criar nada! Sinto que não vale a pena… Porque falei do meu filme, mas posso falar do concurso que desenvolvi e que teve o mesmíssimo tratamento em Portugal. É que nem lêem! Nem sei se é bom, se é mau: apenas nem existe!
…Não vale a pena. :(
(Por acaso não há "por aí" quem conheça "alguém" com um cartão de membro para o Hollywood Club, há???)
Estava desempregada (como agora) e deu-me para usar o meu tempo em algo útil e prazeiroso: escrever um filme.
Foi TÃO bom.
Os meses de pesquisa... as gravações dos diálogos no gravador de entrevistas quando "a inspiração" surgia... a alegria infantil ao resolver pequenas questões que nos atormentavam há semanas... a fase de sentar para escrever... a noite (madrugada) em que escrevi o THE END... (Sim, em inglês!) Inesquecível!
Foi MUITO bom...
Eu escrevi um filme que ninguém lê.
OK, escrevi em inglês. (Não, não desprezo a minha língua, mas as minhas personagens falavam inglês! Quem era eu para as contrariar?! E a minha história não é um filme português, é definitivamente um "Hollywood movie"...) Suponho que estar escrito em inglês torna tudo mais difícil... Afinal, se aqui ninguém nos liga porque não pertencêmos "ao clube"... em Hollywood... Bom, digamos que o clube é BEEEEEEM mais restrito...
Mas o que fazer? Desistir?
NUNCA.
O meu filme já voou para os States, claro. Ele está registadíssimo. Tudo como manda "o figurino" Até já fez uma paragem bastante atrevida... Mas ninguém o lê.
Não é que seja bom ou seja mau: não interessa! Se não te pediram nada, não querem saber! Produtores, agentes, actores... Whatever. Não pertences ao clube, não existes!
Dou um exemplo significativo...
Há uns tempos mandei umas dezesnas de cartas e e-mails para criaturas que poderiam ter interesse em "new blood" naquela terra. Dez por cento voltou para trás; outros dez foram devolvidos com uma breve nota que dizia "We don't accept unsolicited material"...
Não me dei por vencida e repeti a “investida” para “outras entidades". Aconteceu exactamente o mesmo… com uma excepção…
Uma agente respondeu-me pessoalmente, para o e-mail, a dizer que “não andava à procura de mais clientes”…
“Boa!”, pensei, “ao menos tenho um contacto directo… Deixo passar um tempinho e volto à carga”…
Aqui está o resultado:
Ontem escrevi:
“Dear …
I wrote you once, asking you to read my work. You said no...
Well… I am asking again.
12 pages. That is all I ask.
If you don't feel like you have to read the rest of my script, I will never bother you again (not any time soon, anyway).
I know how precious your time must be and how tough it must be to represent writers in a place where everyone has an idea. And I can only imagine how much tougher it would be to represent the "new kid in the block". But I have to ask you for ONE chance. Somebody gave YOU a chance once … I am working to get mine…
… What if I am good…? ;)
TWELVE PAGES. Please…
GK”
Resposta, hoje:
“Thanks for the query, but I am not accepting any more clients.”
Só! E pronto. É isto. UMA MERDA DE UMA PAREDE!!!!!
E isto influencia TUDO…
Estou novamente desempregada, mas não me apetece criar nada! Sinto que não vale a pena… Porque falei do meu filme, mas posso falar do concurso que desenvolvi e que teve o mesmíssimo tratamento em Portugal. É que nem lêem! Nem sei se é bom, se é mau: apenas nem existe!
…Não vale a pena. :(
(Por acaso não há "por aí" quem conheça "alguém" com um cartão de membro para o Hollywood Club, há???)
quinta-feira, setembro 14, 2006
O sonho manchado...
Era uma vez uma menina. Uma menina que apesar de já ser crescida, não tinha sido menina… e por isso aproveitava cada desculpa para resgatar essa infância roubada.
Essa menina engravidou há muitos anos. Numa altura em que ainda lia e acreditava em poemas de amor…
A vida foi cruel. Por razões mais difíceis de que recordá-las, ela abandonou a bebé na minha na minha casa e foi embora. Andou perdida e esquecida, enquanto a bebé encontrava uns avós que não eram dela. Andou perdida e esquecida e voltou a perder a infância. Perdeu-se no mundo e deixou o mundo que conhecia.
Anos depois, quando ela acreditava que eu a ia receber com espinhos, recebi-a com um abraço e ela desfez-se em lágrimas. Eu sabia que ela tinha passado pelo Inferno e voltado. Não podia julgá-la.
Essa menina é o meu karma e eu o dela. Não podemos dizer adeus uma à outra. Já tentámos e falhámos. Decidimos aceitar o destino…
Recentemente planeámos uma viagem. Uma viagem de sonho. Mas a menina tinha novidades… Estava grávida novamente. Ela ainda acredita nos poemas…
Nessa viagem de sonho tivemos uma conversa difícil. Disse-lhe que ela estava a repetir os mesmos erros do passado. Disse-lhe que ela tinha de mudar qualquer coisa. Que o destino estava a dar-lhe a oportunidade de fazer diferente desta vez…
A viagem passou. E foi um sonho!
Já em casa - eu cá, ela lá longe - ainda a viajar, quis falar com ela. Ela já não se lembrava do sonho.
_ Fiz um aborto. – Disse-me.
… O que é que EU fiz?!! Podia fazer diferente? Fui honesta. Mas sei que o que disse levou a este desfecho… Será que foi melhor assim?
…Então porque é que o meu sonho é manchado por esta lembrança?
Essa menina engravidou há muitos anos. Numa altura em que ainda lia e acreditava em poemas de amor…
A vida foi cruel. Por razões mais difíceis de que recordá-las, ela abandonou a bebé na minha na minha casa e foi embora. Andou perdida e esquecida, enquanto a bebé encontrava uns avós que não eram dela. Andou perdida e esquecida e voltou a perder a infância. Perdeu-se no mundo e deixou o mundo que conhecia.
Anos depois, quando ela acreditava que eu a ia receber com espinhos, recebi-a com um abraço e ela desfez-se em lágrimas. Eu sabia que ela tinha passado pelo Inferno e voltado. Não podia julgá-la.
Essa menina é o meu karma e eu o dela. Não podemos dizer adeus uma à outra. Já tentámos e falhámos. Decidimos aceitar o destino…
Recentemente planeámos uma viagem. Uma viagem de sonho. Mas a menina tinha novidades… Estava grávida novamente. Ela ainda acredita nos poemas…
Nessa viagem de sonho tivemos uma conversa difícil. Disse-lhe que ela estava a repetir os mesmos erros do passado. Disse-lhe que ela tinha de mudar qualquer coisa. Que o destino estava a dar-lhe a oportunidade de fazer diferente desta vez…
A viagem passou. E foi um sonho!
Já em casa - eu cá, ela lá longe - ainda a viajar, quis falar com ela. Ela já não se lembrava do sonho.
_ Fiz um aborto. – Disse-me.
… O que é que EU fiz?!! Podia fazer diferente? Fui honesta. Mas sei que o que disse levou a este desfecho… Será que foi melhor assim?
…Então porque é que o meu sonho é manchado por esta lembrança?
segunda-feira, setembro 11, 2006
11 de Setembro...
Pensei ignorar a data. Esquecê-la… Mas quem é que consegue fazer isso neste mundo?
Não dá para ignorar. Por isso, assumo-a.
Hoje é dia 11 de Stembro! “O dia em que o mundo mudou”.
E onde estava eu a 11 de Setembro de 2001?
Sentada, em casa, a almoçar.
O noticiário do Canal 1 interrompe o alinhamento para incluir imagens de um “acidente” nos Estados Unidos… Há falta de informação. Suspeita-se que um avião chocou contra a Torre Norte do World Trade Center. Na imagem, a torre arde.
Não percebi na altura a gravidade da situação. Pensei que, lá, era cedo demais para os escritórios estarem cheios… Mas, à medida que ouvia a jornalista, percebi que estava enganada… Já os olhos não me saíam do ecrã…
Vemos, todos, um outro avião a aproximar-se. CNN e Canal 1 dizem que é da polícia… Mas é grande demais para ser da polícia… Não é da polícia!
O avião chocou contra a Torre Sul! Assim, em directo! Para o mundo ver...
O almoço já não me caiu bem.
Eu tinha de ir trabalhar, mas não conseguia tomar a decisão de deixar de ver aquilo…
Subi a rua, atrasada.
Na paragem questionava-me se aquelas pessoas de rosto fechado sabiam o que se estava a passar…
Quando saí de casa, já era claro que era um atentado terrorista. O Pentágono tinha sido atacado.
Guerra. Pensei. Estamos TODOS em guerra. Não há mínima hipótese de isto não ter resposta. E depois… respostAS…
Guerra. É a Terceira Guerra Mundial que começa aqui.
O meu cérebro congeminava vagos cenários de racionamentos e balbúrdia. Mesmo aqui, neste cantinho do mundo, as consequências seriam sentidas… Não tinha a mínima dúvida…
Lembro-me de mandar uma mensagem a uma amiga a referir isso mesmo: “Pediste-me para te avisar se a Terceira Guerra Mundial começasse porque não vês nem ouves notícias… Pois bem, sugiro que procures um rádio e o ouças… Acho que começou…”
Ela ligou-me a seguir, desconcertada. Tinha conseguido um rádio... Disse-me da torre que desmoronara…
Eu estava aturdida, dormente.
Cheguei à redacção. Todos olhavam para o ecrã, também aturdidos e dormentes.
Assim foi durante várias horas mais. Todo o dia, na verdade. Para toda a gente.
O meu chefe de redacção, que devia fazer os noticiários daquela tarde, pediu-me para o substituir e saiu. Não me lembro porquê. Mas fiquei com três noticiários, em directo, para fazer.
Fi-los. Com notícias que chegavam em catadupa. Número de vítimas. Autoria dos ataques. Discursos de responsáveis.
Lembro-me de dizer no ar que o grupo de Bin Laden recusou a autoria dos ataques… (Mas hoje ninguém se lembra disso… Estarei enganada?)
Também entrevistei o Prof. Boaventura Sousa Santos, sociólogo, que dava aulas em Nova Iorque… Estava aturdido. Ainda hoje recordo o tom baixo das nossas vozes, como lágrimas contidas... Não havia análise possível ainda… “Espero que a comunidade Nova Iorquina supere este trauma. Acho que vai superar… Mas o mundo inteiro vai sentir as repercussões…” Não era preciso um especialista para imaginar este cenário, mas este especialista era, hoje, um homem com o coração pequenino… como eu.
Chorei sozinha no estúdio mais do que uma vez. Não queria acreditar no que tinha sido cada noticiário…
Ainda não acredito.
3000 pessoas.
Guardo ainda os jornais daqueles dias. As revistas. As notícias. Gravo, ainda hoje, TODOS os documentários. Vejo os filmes. Procuro um sentido… E não o acho…
Não dá para ignorar. Por isso, assumo-a.
Hoje é dia 11 de Stembro! “O dia em que o mundo mudou”.
E onde estava eu a 11 de Setembro de 2001?
Sentada, em casa, a almoçar.
O noticiário do Canal 1 interrompe o alinhamento para incluir imagens de um “acidente” nos Estados Unidos… Há falta de informação. Suspeita-se que um avião chocou contra a Torre Norte do World Trade Center. Na imagem, a torre arde.
Não percebi na altura a gravidade da situação. Pensei que, lá, era cedo demais para os escritórios estarem cheios… Mas, à medida que ouvia a jornalista, percebi que estava enganada… Já os olhos não me saíam do ecrã…
Vemos, todos, um outro avião a aproximar-se. CNN e Canal 1 dizem que é da polícia… Mas é grande demais para ser da polícia… Não é da polícia!
O avião chocou contra a Torre Sul! Assim, em directo! Para o mundo ver...
O almoço já não me caiu bem.
Eu tinha de ir trabalhar, mas não conseguia tomar a decisão de deixar de ver aquilo…
Subi a rua, atrasada.
Na paragem questionava-me se aquelas pessoas de rosto fechado sabiam o que se estava a passar…
Quando saí de casa, já era claro que era um atentado terrorista. O Pentágono tinha sido atacado.
Guerra. Pensei. Estamos TODOS em guerra. Não há mínima hipótese de isto não ter resposta. E depois… respostAS…
Guerra. É a Terceira Guerra Mundial que começa aqui.
O meu cérebro congeminava vagos cenários de racionamentos e balbúrdia. Mesmo aqui, neste cantinho do mundo, as consequências seriam sentidas… Não tinha a mínima dúvida…
Lembro-me de mandar uma mensagem a uma amiga a referir isso mesmo: “Pediste-me para te avisar se a Terceira Guerra Mundial começasse porque não vês nem ouves notícias… Pois bem, sugiro que procures um rádio e o ouças… Acho que começou…”
Ela ligou-me a seguir, desconcertada. Tinha conseguido um rádio... Disse-me da torre que desmoronara…
Eu estava aturdida, dormente.
Cheguei à redacção. Todos olhavam para o ecrã, também aturdidos e dormentes.
Assim foi durante várias horas mais. Todo o dia, na verdade. Para toda a gente.
O meu chefe de redacção, que devia fazer os noticiários daquela tarde, pediu-me para o substituir e saiu. Não me lembro porquê. Mas fiquei com três noticiários, em directo, para fazer.
Fi-los. Com notícias que chegavam em catadupa. Número de vítimas. Autoria dos ataques. Discursos de responsáveis.
Lembro-me de dizer no ar que o grupo de Bin Laden recusou a autoria dos ataques… (Mas hoje ninguém se lembra disso… Estarei enganada?)
Também entrevistei o Prof. Boaventura Sousa Santos, sociólogo, que dava aulas em Nova Iorque… Estava aturdido. Ainda hoje recordo o tom baixo das nossas vozes, como lágrimas contidas... Não havia análise possível ainda… “Espero que a comunidade Nova Iorquina supere este trauma. Acho que vai superar… Mas o mundo inteiro vai sentir as repercussões…” Não era preciso um especialista para imaginar este cenário, mas este especialista era, hoje, um homem com o coração pequenino… como eu.
Chorei sozinha no estúdio mais do que uma vez. Não queria acreditar no que tinha sido cada noticiário…
Ainda não acredito.
3000 pessoas.
Guardo ainda os jornais daqueles dias. As revistas. As notícias. Gravo, ainda hoje, TODOS os documentários. Vejo os filmes. Procuro um sentido… E não o acho…
domingo, setembro 10, 2006
Um novo conhecimento...
Aprendi recentemente que, se alguém aparece na nossa vida, é porque vai ter um papel nela. É porque tem algo para nos dizer. Algo que precisamos de ouvir. Temos é de estar muito atentos… E, mesmo assim, muitas vezes a mensagem perde-se no quotidiano.
Hoje era para ser um daqueles dias enfadonhos e solitários. Um dia em que o meu único objectivo era ir ao shopping comprar o Expresso e fazer umas compras ao supermercado.
Subo a rua a olhar para o telemóvel… com esperança de uma mensagem providencial. Não me surpreendeu que não a tivesse…
Na paragem, troco duas palavras com uma miúda que esperava o mesmo autocarro que eu. Quando damos conta de que é Sábado e os autocarros são escassos, decido ir a pé para o meu destino.
_ Mas vai para onde? – Perguntou-me.
_ Dolce Vita. – Respondi.
_ Eu também! … Se calhar, podíamos ir juntas…
E eu pergunto-me: Ora, porque será que a vida pôs esta jovem estudante no meu caminho hoje…?
Lá fomos… e viemos… Conversámos. Partilhámos. Sonhámos. Acho que nasceu uma breve admiração mútua (estarei a ser pretensiosa?) que pode, facilmente, tornar-se numa amizade…
Ainda não sei a que pergunta pessoal veio este novo conhecimento responder… Talvez ainda não exista uma resposta. Talvez ela surja da próxima vez que nos encontrarmos… Talvez surja mais tarde. Talvez eu precise desta pessoa na minha vida durante mais tempo… Talvez eu tenha trazido a resposta a algo que ela procurava. Talvez tenhamos as duas apenas precisado de companhia para esta longa tarde de Sábado. Foi seguramente mais agradável fazer “a viagem” com alguém ao lado…
Talvez… Talvez… Talvez…
O que sei é que este Sábado não foi um mau dia. Graças a ela.
(Obrigada, linda.)
Hoje era para ser um daqueles dias enfadonhos e solitários. Um dia em que o meu único objectivo era ir ao shopping comprar o Expresso e fazer umas compras ao supermercado.
Subo a rua a olhar para o telemóvel… com esperança de uma mensagem providencial. Não me surpreendeu que não a tivesse…
Na paragem, troco duas palavras com uma miúda que esperava o mesmo autocarro que eu. Quando damos conta de que é Sábado e os autocarros são escassos, decido ir a pé para o meu destino.
_ Mas vai para onde? – Perguntou-me.
_ Dolce Vita. – Respondi.
_ Eu também! … Se calhar, podíamos ir juntas…
E eu pergunto-me: Ora, porque será que a vida pôs esta jovem estudante no meu caminho hoje…?
Lá fomos… e viemos… Conversámos. Partilhámos. Sonhámos. Acho que nasceu uma breve admiração mútua (estarei a ser pretensiosa?) que pode, facilmente, tornar-se numa amizade…
Ainda não sei a que pergunta pessoal veio este novo conhecimento responder… Talvez ainda não exista uma resposta. Talvez ela surja da próxima vez que nos encontrarmos… Talvez surja mais tarde. Talvez eu precise desta pessoa na minha vida durante mais tempo… Talvez eu tenha trazido a resposta a algo que ela procurava. Talvez tenhamos as duas apenas precisado de companhia para esta longa tarde de Sábado. Foi seguramente mais agradável fazer “a viagem” com alguém ao lado…
Talvez… Talvez… Talvez…
O que sei é que este Sábado não foi um mau dia. Graças a ela.
(Obrigada, linda.)
sexta-feira, setembro 08, 2006
"Loja do Drogadão" ou "Drogadex"...
Quando abre o “supermercado” no Ingote, quem precisa de “se abastecer” tem de arranjar dinheiro até chegar lá… É por isso que andar sozinho, depois de escurecer, na zona de Coimbra B é perigoso.
Droga! Sempre a droga!
Legalize-se. Legalize-se TUDO!
Já estou a imaginar um quiosque do Estado, instalado bem no meio do Ingote, com funcionários uniformizados. Um quiosque grande, arejado, com telefones e ar condicionado. E guichets individuais. E um sistema de senhas, como na Loja do Cidadão.
Podia chamar-se “Loja do Drogadão” ou “Drogadex”. E, tal como na Segurança Social, a clientela seria seguramente numerosa.
Se pegarmos no exemplo da Segurança Social, haverá filas de duas horas…
Filas de duas horas… Isto, para alguém que precisa de uma dose, deve ser dantesco! Já estou a ver um pobre agarrado, a ressacar, de senha na mão, à espera, enquanto a funcionária liga à melhor amiga para saber as novidades… Digam lá se isto não ia diminuir o consumo!
… Vá! Quem tiver uma solução melhor, apresente-a. Estamos a lidar com problemas sociais sérios!
Droga! Sempre a droga!
Legalize-se. Legalize-se TUDO!
Já estou a imaginar um quiosque do Estado, instalado bem no meio do Ingote, com funcionários uniformizados. Um quiosque grande, arejado, com telefones e ar condicionado. E guichets individuais. E um sistema de senhas, como na Loja do Cidadão.
Podia chamar-se “Loja do Drogadão” ou “Drogadex”. E, tal como na Segurança Social, a clientela seria seguramente numerosa.
Se pegarmos no exemplo da Segurança Social, haverá filas de duas horas…
Filas de duas horas… Isto, para alguém que precisa de uma dose, deve ser dantesco! Já estou a ver um pobre agarrado, a ressacar, de senha na mão, à espera, enquanto a funcionária liga à melhor amiga para saber as novidades… Digam lá se isto não ia diminuir o consumo!
… Vá! Quem tiver uma solução melhor, apresente-a. Estamos a lidar com problemas sociais sérios!
quarta-feira, setembro 06, 2006
Pai pela quinta vez?
Será? Pela quinta vez?! Meu Deus! Será?
Ainda me lembro… Estava num quiosque com uma amiga do liceu (minha querida amiga ainda hoje) a ler a Bravo alemã. Como eu não sei alemão, era ela que a lia e traduzia: “Pai pela PRIMEIRA vez”…
…Foi há tanto tempo!
Na altura, eu era uma teenager com uma paixonite (e alguma inveja da mulher que merecia aquele amor) e ele era um papá babado, completamente apaixonado por aquela menina, que era a continuação de si próprio. Agora já a menina tem 13 anos e tem mais três maninhos…
Vem aí mais um (ou uma), dizem… Será?
Se sim, sei que será amado(a). Muito. E por muitas pessoas. E será feliz. Sei que terá tudo para ser feliz.
Vou esperar até à confirmação da notícia. Mas o meu coração já falhou uma batida, só com a possibilidade.
Será? ...Não sei. Mas estou feliz. :)
Ainda me lembro… Estava num quiosque com uma amiga do liceu (minha querida amiga ainda hoje) a ler a Bravo alemã. Como eu não sei alemão, era ela que a lia e traduzia: “Pai pela PRIMEIRA vez”…
…Foi há tanto tempo!
Na altura, eu era uma teenager com uma paixonite (e alguma inveja da mulher que merecia aquele amor) e ele era um papá babado, completamente apaixonado por aquela menina, que era a continuação de si próprio. Agora já a menina tem 13 anos e tem mais três maninhos…
Vem aí mais um (ou uma), dizem… Será?
Se sim, sei que será amado(a). Muito. E por muitas pessoas. E será feliz. Sei que terá tudo para ser feliz.
Vou esperar até à confirmação da notícia. Mas o meu coração já falhou uma batida, só com a possibilidade.
Será? ...Não sei. Mas estou feliz. :)
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