quarta-feira, agosto 23, 2006

Por causa de um simples vestido...

Pensava que estava ultrapassado. Morto e enterrado. Mas afinal faz parte de mim. É uma batalha para toda a vida. Periodicamente, ciclicamente vou ter de cerrar os punhos e aguentar. Chorar, limpar as lágrimas e voltar a esquecer… Até à próxima vez.

Hoje comprei um vestido. Um vestido lindo. Daqueles que nos revelam que também nós podemos ser a princesa do conto de fadas. Comprei, mas, se calhar, não devia ter comprado…
Não, não me arrependo, porque não me arrependo de nada. Também não é sentimento de culpa, porque o detesto, e não tenho de pedir desculpa a ninguém e comigo própria as contas estão sempre ajustadas.
É outra coisa.
Não é o vestido e o quanto custou exactamente. É o porquê de o ter comprado.
É o processo mental. É o sentimento renascido de me sentir… miserável… E de ter de o combater… E de agora poder fazê-lo.
Foi por isso que o comprei.
O vestido é lindo. Estava em saldos, numa loja em que raramente entro, exactamente para não cair em tentação, porque uma tentação, ali, pode ser grave.
Entrei com umas amigas. Na boa. Nem a loja é assim TÃO especial, nem eu sou do género de me sentir deslocada. (Tenho “amigos” que têm casas com piscina e quadros verdadeiros na parede e “amigos” que arrumam carros.)
Vimos coisas. Uma amiga experimentou uns tops. E eu vi O vestido. Por cima tinha a indicação de saldos: “Vestidos a partir de X.” Um achado!
Não resisti a experimentar. Parecia o meu tamanho…
Era! Ficava linda! (Tanto quanto possível…) Todas acharam.
Estava decidida a trazê-lo quando reparei que o tal “X” que referia o letreiro era, neste caso, multiplicado por dois…
Hesitei. Só daqui a três meses é que eu o poderia comprar sem me bater demasiado…
E foi aí. Foi aí que senti outra vez o tal sentimento que já não cruzava o meu caminho há muito tempo: senti-me miserável!
Quando era miúda acontecia algumas vezes. Não podia comprar o gelado maior ou a mochila mais cara. Tinha de desistir desses… caprichos. Não que tenha passado dificuldades: nunca passei. Simplesmente não podia ter caprichos. Desisti de coisas que, no fundo, eram importantes. E, de cada vez que acontecia, era horrível!
Esse sentimento ficou. Faz parte de mim.
Agora posso dar-me ao luxo de pequenas extravagâncias, mas a minha reacção nessas situações é, pelos vistos… borderline…
Não me sei valorizar. Não sei pedir um aumento. Não sei acreditar, de facto, num elogio. Não me sei “vender”, porque acho sempre que o que realmente quero… é um capricho. E eu nunca tive direito a caprichos…
Foi por isso que comprei o vestido.
Porque me senti miserável e prestes a desistir de algo que queria, quando até o podia ter. Quando fiz um longo caminho para levantar a cabeça e exigir aquilo que deve ser meu por direito. Quando achava que esse caminho estava percorrido, conquistado, encerrado. E a lição aprendida.
Comprei o vestido porque podia comprá-lo… ainda que fosse um pouco insensato. Comprei-o porque me sentiria miserável se não o fizesse… Embora fosse perfeitamente normal não o comprar. Comprei-o para provar a mim própria que o posso fazer. Que tenho o direito de o fazer. Que devo fazê-lo… Já que isso, de uma forma distorcida, significa que já me sei valorizar.
No entanto, não sei se esta compra se justifica. Não me refiro ao dinheiro, não foi assim TÃO caro. Refiro-me a todo o processo mental…

Cheguei a casa e vesti-o. A olhar para o espelho, voltei a sentir-me uma princesa… E voltei a sentir-me miserável! Até quando vai ser preciso uma insignificante peça de roupa para eu me sentir uma princesa…?
Que patético!

segunda-feira, agosto 21, 2006

A Carta

Levei semanas a ter coragem para o fazer. Desenvolvi. Analisei. Hesitei. Investiguei. Tirei notas. Mudei de ideias. Falei sozinha. Voltei a hesitar. …Mas está feito!
Hoje escrevi a bem-dita carta!
Nunca pensei que escrever uma carta de apresentação pudesse ser tão difícil.
E ainda não está no correio. Ainda posso desistir! Rasgá-la. Enfiar a cabeça na areia outra vez!
É que eu tenho um problema - um problema sério - que me segue desde que me conheço: dou pouco destaque ao que é importante para mim.
Quero muito ir aquele sítio, mas digo sempre “vamos onde quiserem”.
Vou ver a minha banda favorita a Inglaterra, escrevo sobre isso umas linhas racionais, pensadas… Vejo os Rolling Stones em Portugal, desmancho-me em elogios!!!
Se me apaixono, escondo o facto, disfarço-o… Mas quando “acho piada” a alguém, aí já posso dizer!
É sempre ao contrário! E depois surpreendo-me por os outros não fazerem ideia de quem sou! Pois claro que não!!!
Mas há uma explicação… Se eu não divulgar o que é MESMO importante para mim, não há possibilidade de usarem o facto… Será que me fiz entender…? …Não fico vulnerável! Não me podem magoar, gozar, diminuir! É uma forma de protecção! Mas é também uma forma de fazer o mundo passar-me ao lado… Afinal, se ninguém sabe onde está, na verdade, o meu coração, também não podem satisfazê-lo… Certo?
Assim, hoje pus o meu coração numas folhas de papel.
Escrevi A carta de apresentação para o emprego que eu REALMENTE quero! Atrevi-me a aspirar ao SONHO.
É claro que, na minha condição de pessimista activa (aquela que se prepara para o pior, mas não deixa de agir por isso …Eu chamava-lhe “realismo” em vez de “pessimismo”, mas vi num programa de televisão que o termo certo para uma pessoa como eu era “pessimista activa”… E quem sou eu para contrariar os especialistas?)… Dizia eu que, na minha condição de “pessimista activa”, não espero nenhuma resposta. Afinal, eu estou a apontar para as estrelas e ainda há muitas montanhas para escalar antes de chegar às estrelas!... Mas quando não se espera nada… o que vem… é bónus! Certo? Além disso, é o acto que conta. Dei um passo à frente apenas por ESCREVER esta carta. A carta que eu realmente queria escrever!
Este texto serve para me pressionar a seguir em frente… E resulta. Já o fiz antes...
Já agora aqui fica a fórmula…
O vosso coração diz-vos para fazer algo e a vossa cabeça insiste em refrear-vos a vontade… Pois, digam a alguém que tem fama de ser coerente que o vão fazer. Se houver alguém que vos vai perguntar como correu, ficam obrigados a fazê-lo. Como não têm de dar satisfações só a vós próprios – e todos sabemos como temos tendência a ser benevolentes connosco próprios… - a coisa acontece…
É para isso que serve este texto. Para me obrigar a pôr aquela carta no correio. Para me obrigar a tentar reescrever o meu destino. Vamos ver se resulta…

sábado, agosto 19, 2006

À Espera

Sinto-me… distante.
Vagamente triste. Vagamente sombria.
Cheia de sol e cheia de chuva.
Sinto-me num sonho enevoado.
À espera de algo que tarda em chegar.
Mas algo que reconheço.
Que sei existir.
Não é vago.
É palpável. É feliz.

Procuro um caminho.
Um caminho de luz. Mas sombrio.
Que só eu saberei trilhar.
Espero-o há tanto tempo
Que tempo se cansou de esperar…
Amo-o tanto,
Que o mundo faz gala em tardar.

Vejo ao longe a Primavera.
Uma terra cheia de promessas.
Um caminho cheio de sombras e contrastes.
Vejo-a ao longe e sinto-a em mim.
À espera do despertar…
Já a senti mais longínqua.
Mas ainda vou ter de esperar…

Já não procuro um salvador.
Já não tenho medo dos pecados.
Sei que posso viver.
Sei que posso conhecer o mundo.
Sei que sei sofrer.
Não me assusta o passado.
Começo agora a saber
Que os frutos são para colher.
E o mundo me aguarda calado.

(Ao contrário do habitual, pus o cérebro completamente de lado quando escrevi isto.)

sexta-feira, agosto 18, 2006

Qual é o coroar perfeito para um dia de solidão?

Qual é o coroar perfeito para um dia de solidão?
Acordas – tarde, claro! Afinal, para quê encarar o dia cedo quando não há nada para fazer nem ninguém à tua espera? Para quê tornar o dia ainda mais longo? – e a custo engoles o almoço.
Obrigaste a vestir uma roupa decente para saíres de casa, depois de uma sessão de higiene pessoal mais longa do que o suportável, já que a cada passo, perguntas: “para quê?”.
Sais. Que vitória! Ao menos não ficaste em casa a amuar!
Onde ir? O que fazer?
Sabes que, o que quer que seja, tem de ser a solo…
Cinema! Cinema é sempre uma boa opção. Ao menos matas logo duas horitas e não tens de falar com ninguém… Cinema it is!
Já vi. Já vi. Já vi. Não quero ver. Não quero ver. Já é tarde para aquele. OK. Este. Não deve mudar a minha vida, mas deve dar para passar duas horas sem vomitar… Quem sabe não me surpreende?
Bilhete. Sem pipocas! (Os desempregados têm de prescindir de alguma coisa…)
Onde está o miúdo que “trinca” os bilhetes? …Espero. Ninguém… OK. Lá vou chamar alguém…
De bilhete “trincado”, entro na sala… VAZIA!!!... E assim será atá ao fim do filme…
Ainda se lembram da pergunta que fiz no início…?

segunda-feira, agosto 14, 2006

Rolling Stones - The Show

Quem vai ver os Rolling Stones comece a habituar-se a levar um bloco de notas, porque vai à escola. Eles são os mestres! Os sábios. A origem de tudo o que se conhece e admira.
Desta vez a aula começou com “Jumpin Jack Flash”, passou pelos os clássicos e mais músicas novas (como o slogan da rádio), parou no “Simpathy For the Devil” para aturdida contemplação, saltou e gritou com o “Star Me Up” e explodiu com o hino “Satisfaction”!
Podia falar do estado de conservação de Mick Jagger… mas é inútil. Fico-me por um desejo: quando tiver 60 anos quero ser o Mick, mas em gaja! Podia falar da mestria na guitarra do irrepreensível senhor Richards… mas seria redundante. Podia referir o palco, que se desloca e que não tem descrição possível de tão extraordinário que é… mas tudo já foi dito. Podia mencionar a pirotecnia e os efeitos visuais, dando como exemplo o brutal “Simpathy For The Devil”… mas só visto.
O estádio cheio. O cansaço que aparentemente só não afectou quem estava em palco. A boca aberta a cada hino…
Se quisesse armar-me em crítica dura, podia falar do doloroso que foi ouvir Richards cantar. Mas não foi assim tão doloroso, pelo enorme respeito e carinho que lhe tenho. Ou diria que o espectáculo é tão ensaiado que a banda não conseguiu fazer um segundo e merecido encore, tão insistentemente pedido pelo público… E referiria que a interacção entre os membros da banda é reduzida ao mínimo… Mas tudo isso passa TÃO despercebido perante todo aquele espectáculo soberbo, que me sentiria ridícula a apontá-lo. Podia ainda pegar no facto de esta ser uma tournée chamada “A Bigger Bang”, como o álbum, mas quem lá esteve viu um best of e não a apresentação de um álbum ao vivo… Mas “This isn’t just a band, it’s the Rolling Stones”, como diz o anúncio! Não quero ouvir um álbum ao vivo, quero ouvir os Rolling Stones! E quem classifica isto de nostalgia não esteve de certeza nestes últimos concertos ou saberia que a chama está BEM viva! Ou não tivesse eu lavado “um enxerto” de quatro senhores com idade para serem meus avós!
Nunca pensei que este espectáculo pudesse ser melhor do que o que vi em Coimbra, mas foi-o. E agora já tenho de pensar duas vezes antes de subestimar os “avôzinhos do rock”, que para mim são “os mestres do rock”.
…Quem vai ver os Rolling Stones vai à escola! Eles são os sábios. Os senhores. A fonte. A origem.

Obrigada, queridos senhores Jagger, Richards, Wood e Watts, por tudo o que me proporcionaram… seja presencialmente, seja pelo quanto influenciaram as bandas que amo. Aprendi a gostar de vocês, precisamente porque são a inspiração de quem a mim me inspira. Mas, após dois concertos soberbos, tenho de me render às evidências: Tudo o que vi até hoje (e já vi e gostei de MUUUUUIIIITO) são brincadeiras de crianças comparadas com o que vocês sabem fazer. Parabéns. E long live the Rolling Stones!!!

sábado, agosto 12, 2006

The Rolling Stones

"Os Rolling Stones são uma banda de rock inglesa formada em 25 de Maio de 1962, e que está entre as bandas mais antigas ainda em atividade. Ao lado dos Beatles, foram a banda mais importante da chamada Invasão Britânica ocorrida nos anos 60, que adicionou diversos artistas ingleses nas paradas norte-americanas.
Formado por Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Bill Wyman e Charlie Watts, o grupo calcava sua sonoridade no blues, e surgia como uma opção mais malvada aos bem-comportados Beatles. Em mais de 40 anos de carreira, hits como Satisfaction, Start Me Up, Sympathy for the Devil, Jumping Jack Flash, Miss You e Angie fizeram dos Stones uma das mais conhecidas bandas do rock mundial, levando-a a enfrentar todos os grandes clichês do gênero, desde recepções efusivas da crítica até problemas com drogas e conflito de egos, principalmente entre Jagger e Richards." (...)

In http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Rolling_Stones

E EU VOU VÊ-LOS OUTRA VEZ!!!! :)))

terça-feira, agosto 08, 2006

Camões

Quando andava na Quarta classe (ou quarto ano, como preferirem) apaixonei-me pelo Camões. Não, não era um colega, era o Camões, mesmo! Luís Vaz de Camões! E, sim, na Quarta classe!
Não, não dei "Os Lusíadas" na Quarta classe. Na altura, a minha professora lia-nos poemas soltos, alguns da poesia lírica, e contava-nos a história conhecida do poeta.
Mais ou menos nessa altura, vi um filme português, a preto e branco, sobre esta personagem única na história portuguesa. Apesar de não saber bem como nem porquê, foi o suficiente para me sentir irremediavelmente fascinada por esta figura.
Ao longo da vida fui descobrindo mais e mais razões para adorar Camões. Recentemente descobri mais uma...
Foi no blog "Solteiras, mas não desesperadas"
(http://solteirasmasnaodesesperadas.blogspot.com), que convido a visitarem.

Então cá vai. Leiam-no, saboreiem. E, depois, não se esqueçam de o ler ao contrário. É fenomenal!


Não te amo mais.
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
não significas nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU AMO-TE!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade.
É tarde demais...

segunda-feira, agosto 07, 2006

Vou aos Stones!

Pois é... Isto de estar desempregada tem as suas vantagens... Uma delas é TEMPO!
Tempo para parvoíces...
Por exemplo? Participar em montes de passatempos idiotas. Ele é a viagem a Londres. Ele é a viagem à Califórnia. Ele é o IPod. Ele o bilhete para os Stones!
Confesso que, neste último assunto, investi… Investi qualquer coisita… O tal tempo… E paciência.
Vi os avôzinhos do rock em Coimbra, em 2003, e AMEI! Adorei mesmo! Foi a única vez que eu me lembro de ver um concerto (e já MUUUUITOS!!!) onde, antes do final, eu pensei: “Chega! Se acabar agora, estou satisfeita! Foi fantástico!” E, mesmo assim, “levei” com mais umas músicas!
É fenomenal! Quanta energia depois dos 60! Nunca tinha percebido porque é que o Mick é considerado sexy e naquela noite percebi! LOL Muito bom!
Queria vê-los outra vez, mas… O money é curto… A vida está cara… E há outras prioridades… Decidi-me, então, a perder algum tempo com passatempos e… GANHEI! Ao terceiro (ou quarto ou quinto) GANHEI! Bilhete e viagem!
Mal posso esperar para ter o bilhetinho na mão!
Vou aos Stones!!! :))
Apenas um “senão”… Vou sozinha!
Mas este é um “senão” que há muito me acompanha. Fui sozinha ver a Anastacia a Lisboa. Fui sozinha ao Rock in Rio. Teria ido sozinha a Londres ver os Bon Jovi. E não é certamente a primeira vez que vou sozinha ao Porto para um concerto! É a história da minha vida! Claro que partilhar é bom, mas aprendi que mais vale fazer o que te dá prazer sozinha do que passar a vida a queixares-te do que nunca fizeste.
Como continuo “com tempo nas mãos” e a música é definitivamente a forma ideal de usar esse tempo, já participei noutro passatempo… Agora?… Agora apetecia-me ir a Viena ver o Robbie Williams… ;)

sábado, agosto 05, 2006

Falta-me "um bacadinho assim"...

Águas calmas e dias compridos obrigaram o meu coração a diminuir a batida. O calor do sol e o ar do mar quase me tornaram sonolenta. Mas o vulcão não se extingue nunca. No máximo, adormece…
A falta de coisas para fazer depois de jantar; as refeições que se tomam no mesmo sítio; o sol que não brilha sempre; as algas que povoam a praia idílica; o escaldão ou a depilação sempre defeituosa… Desculpas para não ser feliz!
De férias? Sim, teoricamente. Mas como esquecer que os dias estão contados? Como fugir aos problemas que ficaram em casa? Como relaxar?...
Ainda me falta um bocadinho para conseguir aceitar o que a vida me dá, apenas o que dá, como e quando dá…Mas estou a tentar, porque sei que esse é o caminho da felicidade…

Vista do quarto de hotel - Isla de Sta Cruz - Torre de Hercules (Farol) - Casa da Ópera
A Coruña

domingo, julho 30, 2006

Férias... Parte I

Tenho imensos textinhos escritos, daqueles a sério… Mas não me tem apetecido “postá-los”… Se calhar o meu espírito já só sonha com isto:


La Coruña

Vou passar lá uns diazitos…
Já sei que o tempo não vai estar como devia, mas… sempre é uma mudança de ares… que para mim é sempre tão necessária.
Desta vez não levo expectativas. Vou, simplesmente. Não conheço, nunca tive curiosidade de conhecer, não me repugna fazê-lo. Assim, porque não?
SEI que nada igualará Inglaterra e isso dá-me liberdade. Liberdade para não me entusiasmar. Liberdade para não me desapontar. Liberdade para ir, simplesmente. E, desta vez, sim, divertir-me. Porque “divertir” implica esta liberdade, este desprendimento, estes “pés na terra” e não tanto o coração no ar…
Assim, vou simplesmente...
…Voltarei.

sexta-feira, julho 28, 2006

Os meus bebés crescem felizes...


Estas são a Marcy e a Lisa, as duas gatinhas que abandonaram à minha porta, dentro de uma caixote em Maio. Felizmente, elas foram imediatamente adoptadas por um gato cá de casa e acarinhadas por todos. Acho que são felizes...

quarta-feira, julho 26, 2006

Quando é que termina o sofrimento…?

Continuava nas lides domésticas. Mais de noventa anos e limpar, cozinhar, passar, lavar continuam a ser o dia a dia desta mulher numa casa com cinco pessoas (além dela). Foi no meio de uma dessas actividades corriqueiras que se aventurou a dizer, a medo, o que lhe ia na alma:
_ Ouvi dizer que a Cruz Vermelha aceita velhinhos de graça…
_ Quem é que lhe disse isso?
A reacção era da pessoa que devia protegê-la: a neta.
_ Você vem sempre cheia de macaquinhos quando vai lá para casa da tia!
Tinha ido, de facto, para casa de alguém. Mas apenas porque a família, com quem vive, foi de férias sem a levar. Nos primeiros dias, abusou da hospitalidade de uma vizinha. Quis pagar essa hospitalidade. A vizinha, obviamente, não aceitou. Sentindo-se uma imposição em casa alheia, arrumou a trouxe (literalmente: um saco de plástico com uma pijama e uma muda de roupa) e foi vista à espera de um autocarro ao cimo da rua, no fim de uma manhã quente demais para a sua idade. Inquirida sobre a viagem disse apenas:
_ Vou ver se me deixam ficar em casa do meu filho até amanhã ou depois…
E foi. Pelo visto, tinha vindo de lá “cheia de macaquinhos”… Queria sair daquela casa onde se sentia um incómodo. Na verdade, tinha medo daquelas pessoas que eram a sua família. Era claro que não era amor que lhe dedicavam… Então, porque a queriam lá?
Talvez tenha sido o tempo quente ou o esforço de ter tido coragem de dizer que havia no mundo quem a acolhesse “de graça” ou a rispidez da resposta da neta... Teve falta de ar… Começava a ser frequente… Estava a sentir-se mal.
_ Por favor, leva-me ao hospital… - Pediu a medo.
_ Agora não posso! Não me chateie.
_ Por favor… - Sentia-se derrotada. – Então, chama-me um táxi…
A resposta foi pronta novamente:
_ Deixe-se estar quieta! E aí de si que eu saiba que foi incomodar o senhorio para lhe chamar um táxi, ouviu?!
Era assim. E, se era assim, para que a queriam ali? Não podia ser pelo dinheiro miserável da reforma que tinha… Porquê, então? Porque lavava e limpava? Porque a mantinham cativa numa casa sem amor e cheia de palavras sempre duras? Para que tinha vivido mais de noventa anos? Quando é que termina o sofrimento…?

domingo, julho 23, 2006

A Sombra do passado...

Será que há alguma coisa do meu passado que me venha assombrar um dia? Estamos na era da informação… Tudo é passível de ser registado e perpetuado…
Lembrei-me disto porque achei na Internet uma relíquia, gravada há 20 anos, que podia muito bem atirar umas pitadas de ridículo a uma carreira agora sólida… Não o faz por dois motivos: é assumida e sem um pingo de arrependimento…
Eu não tenho nada com que me preocupar. Nunca me arrependi de nada e, mais desinteressante do que isso, não tenho qualquer esqueleto escondido no armário.

sexta-feira, julho 21, 2006

Primeiro dia de praia

Alguém – Dublin, Praga ou Roma?
GK – Bom, é mais fácil vermos quem vai, para sabermos quem já esteve onde, para depois decidirmos o destino…

Alguém – Só posso fazer férias no início de Agosto. Depois é complicado. O que achas de La Coruña?
GK – Bom, estamos a 10 dias de Agosto e o dinheiro não abunda. Para fazer férias no início de Agosto num sítio fixe e acessível, devíamos ter marcado em Junho!

Alguém – GK, queres ir a Barcelona em Setembro?
Outro Alguém – GK, queres ir a Marrocos em Setembro?
GK – Pessoal, para ir a esses sítios todos que me propõem, vou ter de vender um rim!!!

Alguém – E se fôssemos até Albufeira na última semana de Agosto?
Outro Alguém – Eu agora só posso em Outubro…
GK - …

… E, de repente, tudo se desvanece… Sinto a água salgada cercar o meu corpo. O vento gelar-me a pele. O sol queimar-me o rosto. De olhos fechados, só ouço o barulho das ondas. Sinto o cheiro da maresia…
O meu cérebro esqueceu as questões, complicações e amarguras… Afinal, ali, a poucos quilómetros de casa, tive o meu primeiro dia de praia…

terça-feira, julho 18, 2006

Funeral Blues

Desculpem o tema algo "down", mas, em conversa com uma amiga, lembrei-me de um dos poemas mais bonitos e comoventes que já tive a aportunidade de conhecer. Devem tê-lo ouvido também, no filme "Quatro Casamentos e Um Funeral"...

Não desejo isto a ninguém, mas... leiam e chorem. É o que eu faço sempre...

Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.

-- W.H. Auden

domingo, julho 16, 2006

Sonho...

Sonho.
Sonho e não sei porquê.
Sonho, pela milionésima vezum sonho batido, velho, gasto.
Não sei porque insisto.
Não sei porque me é tão caro este sonho.
Não sei porque ainda me faz sorrir.
Sonho.
E não desisto.

quinta-feira, julho 13, 2006

Voltei a ter 16 anos

Há um mês, exactamente neste dia, dia 13, voltei a ter 16 anos.
A paixão começou há muito tempo. Pela música? Pela figura? Pelo show? Não sei. Sei que fazia sentido. Sei que precisava de ouvir aquela música. Sei que aquela figura me fascinava. E que o show foi magnífico. Sei que me apaixonei irremediavelmente nesse show.
15 de Junho de 1995.
Alguém mentiu ao meu pai para eu poder ir a Alvalade ver os Bon Jovi. Contra tudo o que me tinha sido dado a acreditar enquanto crescia, eu diverti-me que nem uma louca!
O ponto alto? O momento em que me apaixonei, para toda a vida, pelo senhor do show: Jon Bon Jovi.
Eu e uma amiga (também da minha idade) olhávamos, deslumbradas, para o palco. O Jon, em cima dele, aproximou-se, olhou-nos e abriu aquele “million dollar smile” que só ele tem e que agora reconheço, porque me vai directo ao coração… sempre! Apaixonei-me. Foi nesse exacto momento. Foi aquele sorriso, do qual me apoderei como se fosse realmente meu. Aos 16 anos, eu soube que era uma paixão para sempre…
Esqueci-me dela em alguns instantes da minha vida. Andei fugida. A fingir que era crescida. Mas bastava ver aquele sorriso para saber o que ele significava para mim.
Há um mês, no dia 13 de Junho de 2006, em Londres, o chão voltou a desaparecer debaixo dos meus pés…
Não recebi o tal “million dollar smile”. Mas suponho que tinha mesmo de ser assim. Se eu perdi todas as minhas defesas, se me esqueci por instantes de como se dizia “olá” em inglês, se me esqueci que as máquinas fotográficas têm zoom… só porque tinha o olhar dele em mim atrás de uns óculos escuros… o que é que eu teria esquecido se ele me tivesse sorrido com o tal sorriso…?
Foi a primeira vez em anos que eu não tive “tudo sob controlo”! E foi… tão bom!!!

(Espero que o meu namorado não leia isto… LOL Mas, caso leia: Paixãozinha, amo-te muito, sim? Isto do Jon é… é tudo… huh… platónico?... Isso. Platónico! …Tem sido, pelo menos…! LOL)

terça-feira, julho 11, 2006

Vai correr tudo bem...

Vai correr tudo bem. Hoje, como em muitas outras ocasiões, eu sinto que vai tudo correr bem. Só tenho de esperar. Ser paciente.
Há muito tempo que sinto que só vou começar verdadeiramente a viver depois dos 30. Até lá estou a aprender. Estou a investir. A descobrir.
Todos os períodos que eu encarei como épocas de estagnação não o foram. Olhando para trás, encontro sentido em TUDO o que me aconteceu. E aquilo que ainda parece não o ter, tê-lo-á. Sei-o.
Sei que em breve me vou aproximar mais do “meu caminho”, mas não será já que vou caminhar nele…
Sabendo-o, só tenho de esperar… e aprender… pacientemente…


(Faz hoje um mês. Há um mês estava eu no final do segundo concerto em Milton Keynes. Seguiram-se três dias de sonho em Londres. Um mês. E só agora estou a acordar…)

domingo, julho 09, 2006

À deriva

A verdade é que... estou à deriva.
Odeio o mundo. Não tenho energia para nada.
Nada tem resultado: sair, namorar, meditar... Nada. Nada me tem devolvido a energia que preciso para "voltar à vida"...
Sabia que, quando voltasse de Inglaterra, depois da euforia inicial, ia arranjar uma desculpa para ficar brutalmente deprimida... Não se larga um sonho sem "estrabuchar"... Mas, mesmo sabendo isso tudo, consegui cair do "18.º andar" e estatelar-me no chão com mais frça do que algum dia podia prever...
Tenho batalhado para contrariar este estúpido sentimento de perda de mim própria (o meu último texto prova-o!)... mas não tem resultado.
É que... se eu voltar a tudo o que deixei pendente - os meus projectozinhos, os contos, os currículos... Voltar a tudo isso seria admitir que o sonho acabou...
O problema é que ele acabou! Acabou mesmo! Ou então eu não estaria a odiar o mundo inteiro e todos os que me rodeiam... Se o sonho não tivesse acabado, eu não estaria à deriva...

Ficam as palavras imortais dos Nickelback. A música chama-se "Savin' Me" e é do último álbum, "All The Right Reasons". Este é o refrão:

"Show me what it's like
To be the last one standing
Teach me wrong from right
And I'll show you what I can be
Say it for me
Say it to me
I'll leave this life behind me
Say it if it's worth saving me..."

Acho que é isto que eu também procuro. O mais doloroso é que eu já o achei algumas vezes(o sentimento de "me encontrar") e volto sempre a perdê-lo. Por isso é que dói TANTO "deixar" Inglaterra para trás...

quinta-feira, julho 06, 2006

Tudo ou Nada

Tudo ou nada. It’s the name of the game.
Chega de “por favor” e “com licença”. A partir de agora, é pela porta da frente e com o olhar nas estrelas! Chega de “pedir”, de “tentar”. Eu quero. Eu posso. E eu VOU fazer!
Será a próxima chegada dos 30 ou ainda a rebeldia dos “teens”?... Não sei.
Sei que estou farta. Farta de patrõezinhos. De cunhazinhas. De classificados! Nenhum deles é representativo do que eu quero para mim. Por isso, FODA-SE! (Desculpem a linguagem, mas o que fica cá dentro de negativo dá úlceras e cabelos brancos!)
A partir de agora, eu vou atrás do que eu quero realmente! É tudo ou nada! O pior que pode acontecer é ficar tudo igual…