quarta-feira, julho 26, 2006

Quando é que termina o sofrimento…?

Continuava nas lides domésticas. Mais de noventa anos e limpar, cozinhar, passar, lavar continuam a ser o dia a dia desta mulher numa casa com cinco pessoas (além dela). Foi no meio de uma dessas actividades corriqueiras que se aventurou a dizer, a medo, o que lhe ia na alma:
_ Ouvi dizer que a Cruz Vermelha aceita velhinhos de graça…
_ Quem é que lhe disse isso?
A reacção era da pessoa que devia protegê-la: a neta.
_ Você vem sempre cheia de macaquinhos quando vai lá para casa da tia!
Tinha ido, de facto, para casa de alguém. Mas apenas porque a família, com quem vive, foi de férias sem a levar. Nos primeiros dias, abusou da hospitalidade de uma vizinha. Quis pagar essa hospitalidade. A vizinha, obviamente, não aceitou. Sentindo-se uma imposição em casa alheia, arrumou a trouxe (literalmente: um saco de plástico com uma pijama e uma muda de roupa) e foi vista à espera de um autocarro ao cimo da rua, no fim de uma manhã quente demais para a sua idade. Inquirida sobre a viagem disse apenas:
_ Vou ver se me deixam ficar em casa do meu filho até amanhã ou depois…
E foi. Pelo visto, tinha vindo de lá “cheia de macaquinhos”… Queria sair daquela casa onde se sentia um incómodo. Na verdade, tinha medo daquelas pessoas que eram a sua família. Era claro que não era amor que lhe dedicavam… Então, porque a queriam lá?
Talvez tenha sido o tempo quente ou o esforço de ter tido coragem de dizer que havia no mundo quem a acolhesse “de graça” ou a rispidez da resposta da neta... Teve falta de ar… Começava a ser frequente… Estava a sentir-se mal.
_ Por favor, leva-me ao hospital… - Pediu a medo.
_ Agora não posso! Não me chateie.
_ Por favor… - Sentia-se derrotada. – Então, chama-me um táxi…
A resposta foi pronta novamente:
_ Deixe-se estar quieta! E aí de si que eu saiba que foi incomodar o senhorio para lhe chamar um táxi, ouviu?!
Era assim. E, se era assim, para que a queriam ali? Não podia ser pelo dinheiro miserável da reforma que tinha… Porquê, então? Porque lavava e limpava? Porque a mantinham cativa numa casa sem amor e cheia de palavras sempre duras? Para que tinha vivido mais de noventa anos? Quando é que termina o sofrimento…?

domingo, julho 23, 2006

A Sombra do passado...

Será que há alguma coisa do meu passado que me venha assombrar um dia? Estamos na era da informação… Tudo é passível de ser registado e perpetuado…
Lembrei-me disto porque achei na Internet uma relíquia, gravada há 20 anos, que podia muito bem atirar umas pitadas de ridículo a uma carreira agora sólida… Não o faz por dois motivos: é assumida e sem um pingo de arrependimento…
Eu não tenho nada com que me preocupar. Nunca me arrependi de nada e, mais desinteressante do que isso, não tenho qualquer esqueleto escondido no armário.

sexta-feira, julho 21, 2006

Primeiro dia de praia

Alguém – Dublin, Praga ou Roma?
GK – Bom, é mais fácil vermos quem vai, para sabermos quem já esteve onde, para depois decidirmos o destino…

Alguém – Só posso fazer férias no início de Agosto. Depois é complicado. O que achas de La Coruña?
GK – Bom, estamos a 10 dias de Agosto e o dinheiro não abunda. Para fazer férias no início de Agosto num sítio fixe e acessível, devíamos ter marcado em Junho!

Alguém – GK, queres ir a Barcelona em Setembro?
Outro Alguém – GK, queres ir a Marrocos em Setembro?
GK – Pessoal, para ir a esses sítios todos que me propõem, vou ter de vender um rim!!!

Alguém – E se fôssemos até Albufeira na última semana de Agosto?
Outro Alguém – Eu agora só posso em Outubro…
GK - …

… E, de repente, tudo se desvanece… Sinto a água salgada cercar o meu corpo. O vento gelar-me a pele. O sol queimar-me o rosto. De olhos fechados, só ouço o barulho das ondas. Sinto o cheiro da maresia…
O meu cérebro esqueceu as questões, complicações e amarguras… Afinal, ali, a poucos quilómetros de casa, tive o meu primeiro dia de praia…

terça-feira, julho 18, 2006

Funeral Blues

Desculpem o tema algo "down", mas, em conversa com uma amiga, lembrei-me de um dos poemas mais bonitos e comoventes que já tive a aportunidade de conhecer. Devem tê-lo ouvido também, no filme "Quatro Casamentos e Um Funeral"...

Não desejo isto a ninguém, mas... leiam e chorem. É o que eu faço sempre...

Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.

-- W.H. Auden

domingo, julho 16, 2006

Sonho...

Sonho.
Sonho e não sei porquê.
Sonho, pela milionésima vezum sonho batido, velho, gasto.
Não sei porque insisto.
Não sei porque me é tão caro este sonho.
Não sei porque ainda me faz sorrir.
Sonho.
E não desisto.

quinta-feira, julho 13, 2006

Voltei a ter 16 anos

Há um mês, exactamente neste dia, dia 13, voltei a ter 16 anos.
A paixão começou há muito tempo. Pela música? Pela figura? Pelo show? Não sei. Sei que fazia sentido. Sei que precisava de ouvir aquela música. Sei que aquela figura me fascinava. E que o show foi magnífico. Sei que me apaixonei irremediavelmente nesse show.
15 de Junho de 1995.
Alguém mentiu ao meu pai para eu poder ir a Alvalade ver os Bon Jovi. Contra tudo o que me tinha sido dado a acreditar enquanto crescia, eu diverti-me que nem uma louca!
O ponto alto? O momento em que me apaixonei, para toda a vida, pelo senhor do show: Jon Bon Jovi.
Eu e uma amiga (também da minha idade) olhávamos, deslumbradas, para o palco. O Jon, em cima dele, aproximou-se, olhou-nos e abriu aquele “million dollar smile” que só ele tem e que agora reconheço, porque me vai directo ao coração… sempre! Apaixonei-me. Foi nesse exacto momento. Foi aquele sorriso, do qual me apoderei como se fosse realmente meu. Aos 16 anos, eu soube que era uma paixão para sempre…
Esqueci-me dela em alguns instantes da minha vida. Andei fugida. A fingir que era crescida. Mas bastava ver aquele sorriso para saber o que ele significava para mim.
Há um mês, no dia 13 de Junho de 2006, em Londres, o chão voltou a desaparecer debaixo dos meus pés…
Não recebi o tal “million dollar smile”. Mas suponho que tinha mesmo de ser assim. Se eu perdi todas as minhas defesas, se me esqueci por instantes de como se dizia “olá” em inglês, se me esqueci que as máquinas fotográficas têm zoom… só porque tinha o olhar dele em mim atrás de uns óculos escuros… o que é que eu teria esquecido se ele me tivesse sorrido com o tal sorriso…?
Foi a primeira vez em anos que eu não tive “tudo sob controlo”! E foi… tão bom!!!

(Espero que o meu namorado não leia isto… LOL Mas, caso leia: Paixãozinha, amo-te muito, sim? Isto do Jon é… é tudo… huh… platónico?... Isso. Platónico! …Tem sido, pelo menos…! LOL)

terça-feira, julho 11, 2006

Vai correr tudo bem...

Vai correr tudo bem. Hoje, como em muitas outras ocasiões, eu sinto que vai tudo correr bem. Só tenho de esperar. Ser paciente.
Há muito tempo que sinto que só vou começar verdadeiramente a viver depois dos 30. Até lá estou a aprender. Estou a investir. A descobrir.
Todos os períodos que eu encarei como épocas de estagnação não o foram. Olhando para trás, encontro sentido em TUDO o que me aconteceu. E aquilo que ainda parece não o ter, tê-lo-á. Sei-o.
Sei que em breve me vou aproximar mais do “meu caminho”, mas não será já que vou caminhar nele…
Sabendo-o, só tenho de esperar… e aprender… pacientemente…


(Faz hoje um mês. Há um mês estava eu no final do segundo concerto em Milton Keynes. Seguiram-se três dias de sonho em Londres. Um mês. E só agora estou a acordar…)

domingo, julho 09, 2006

À deriva

A verdade é que... estou à deriva.
Odeio o mundo. Não tenho energia para nada.
Nada tem resultado: sair, namorar, meditar... Nada. Nada me tem devolvido a energia que preciso para "voltar à vida"...
Sabia que, quando voltasse de Inglaterra, depois da euforia inicial, ia arranjar uma desculpa para ficar brutalmente deprimida... Não se larga um sonho sem "estrabuchar"... Mas, mesmo sabendo isso tudo, consegui cair do "18.º andar" e estatelar-me no chão com mais frça do que algum dia podia prever...
Tenho batalhado para contrariar este estúpido sentimento de perda de mim própria (o meu último texto prova-o!)... mas não tem resultado.
É que... se eu voltar a tudo o que deixei pendente - os meus projectozinhos, os contos, os currículos... Voltar a tudo isso seria admitir que o sonho acabou...
O problema é que ele acabou! Acabou mesmo! Ou então eu não estaria a odiar o mundo inteiro e todos os que me rodeiam... Se o sonho não tivesse acabado, eu não estaria à deriva...

Ficam as palavras imortais dos Nickelback. A música chama-se "Savin' Me" e é do último álbum, "All The Right Reasons". Este é o refrão:

"Show me what it's like
To be the last one standing
Teach me wrong from right
And I'll show you what I can be
Say it for me
Say it to me
I'll leave this life behind me
Say it if it's worth saving me..."

Acho que é isto que eu também procuro. O mais doloroso é que eu já o achei algumas vezes(o sentimento de "me encontrar") e volto sempre a perdê-lo. Por isso é que dói TANTO "deixar" Inglaterra para trás...

quinta-feira, julho 06, 2006

Tudo ou Nada

Tudo ou nada. It’s the name of the game.
Chega de “por favor” e “com licença”. A partir de agora, é pela porta da frente e com o olhar nas estrelas! Chega de “pedir”, de “tentar”. Eu quero. Eu posso. E eu VOU fazer!
Será a próxima chegada dos 30 ou ainda a rebeldia dos “teens”?... Não sei.
Sei que estou farta. Farta de patrõezinhos. De cunhazinhas. De classificados! Nenhum deles é representativo do que eu quero para mim. Por isso, FODA-SE! (Desculpem a linguagem, mas o que fica cá dentro de negativo dá úlceras e cabelos brancos!)
A partir de agora, eu vou atrás do que eu quero realmente! É tudo ou nada! O pior que pode acontecer é ficar tudo igual…

terça-feira, julho 04, 2006

Patriotismo

Suponho que sou o que muitos têm apelidado de "patriota primária". Afinal trago um cachecol de Portugal preso à mala e poria a bandeira na janela ou no estendal, se a janela ou o estendal dessem para algum sítio onde passa o povo.
É curioso que, tal como a maioria dos tugas da minha geração, antes de 2004, eu nem sabia que se podiam “usar” os símbolos nacionais. É que “eu ainda sou do tempo” em que uma banda rock foi a tribunal por fazer uma versão do hino… (Agora o Expresso distribui bandeiras com uma faixa verde florescente na parte vermelha… Enfim, adiante…)

O primeiro “item” nacional que tive foi oferta de uma agência de publicidade com a qual trabalhei. No Natal de 2003, a FCB ofereceu a alguns clientes uma prenda muito especial: um cachecol de Portugal. O “embrulho” era em forma de grande postal e dizia: “2004. Europeu de Futebol, Eleições Europeias, Olimpíadas, Retoma da Economia. Se há uma coisa que Portugal vai precisar em 2004 é do seu apoio. E do apoio de todos nós. Vai precisar de toda a nossa claque para incentivar, gritar, saltar, para não deixar ninguém pensar que o jogo possa estar perdido.”
Achei genial! Se tivermos em conta que os anúncios e outras iniciativas publicitárias naquela altura ainda nada tinham a ver com patriotismo ou futebol, aquilo era brilhante!

Jurei usar aquele cachecol (o mesmo que anda preso a minha mala de mão agora) durante o Euro 2004. Como é óbvio, muita mais gente teve a mesma ideia. (Em futebol, não é inédito…)
Foi também nesse bem-dito Euro que alguém se lembrou de pedir aos portugueses para colocarem bandeiras nas janelas em sinal de apoio à selecção. (A discussão continua sobre se foi Scolari ou Marcelo Rebelo de Sousa. Anyway, o brasileiro ganhou a responsabilidade do apelo.)
Desde aí, os símbolos nacionais tornaram-se moda. Mas uma moda duradoura e que nos orgulha!

Em terras de Sua Majestade, onde estive recentemente, foi com enorme prazer que vi uma bandeira portuguesa numa mota. Claro que, ao atravessar a rua, tive de largar um “Então, boa tarde!” bem português. Foi tão bom ouvir a resposta e ver o sorriso largo!
Transbordei de orgulho quando num concerto, com mais 70 mil pessoas, em terras estrangeiras, se reuniu, pelo menos, uma dezena de bandeiras portuguesas. E mais ainda quando alguém, no palco, as aponta porque já as reconhece!

Tenho a certeza que nada disto se teria passado se Scolari não tivesse exaltado o hábito das bandeiras nas janelas e das bancadas vestidas de vermelho e verde.
As bandeiras não viajariam connosco. E não haveria uma na mota que vi nas ruas de Londres, porque exibi-la ainda seria considerado fascista. E eu não falaria com compatriotas nas ruas de um país estrangeiro, porque não saberia se os meus cumprimentos seriam bem recebidos.
Hoje sei que serão sempre bem recebidos, porque hoje os portugueses partilham um sentimento inequívoco de confiança, de orgulho nacional onde quer que se encontrem!
… E tudo isto graças a… um brasileiro!!! LOL


(FORÇA, PORTUGAL! Lá estarei, na rua, com o cachecol e a bandeira, a torcer por os nossos bravos. No entanto, mesmo que não ganhemos, desta vez, acho que não vou chorar. É que, antes, era sempre "agora ou nunca". Agora, no entanto, eu sei que se não for agora... um dia será!)

domingo, julho 02, 2006

Prefiro escondê-las...

Prefiro escondê-las, as minhas memórias. As minhas projecções, os meus sonhos. Prefiro escondê-las, a expô-las ao ridículo das realidades de quem não as entende. Prefiro escondê-las a deixar que sejam diminuídas, desvalorizadas, enxovalhadas. São minhas. São muito minhas. E prefiro a solidão de as guardar só para mim à monstruosidade de as ver divulgadas, disseminadas, incompreendidas… Comentadas por analistas incompetentes, pouco esforçados e pouco sérios. São minhas demais para as deixar ir. Quero-as a fazer parte da minha realidade. Não as quero ver com uma realidade própria em que perderiam valor. Prefiro escondê-las. Guardá-las só para mim. Prefiro a incompreensão à possibilidade do ridículo.

sexta-feira, junho 30, 2006

Será que acham que vão ser jovens para sempre?!

_ Não me leve a mal… Posso pedir-lhe um favor? – Lágrimas caíam-lhe ininterruptamente pelo rosto sulcado de rugas. – Era um favo muito grande que me fazia…
A minha mãe encolheu os ombros, desarmada. Era normal aquela velhinha precisar de ajuda para levar o lixo à rua ou pedir-lhe para lhe trazer qualquer coisa da mercearia do cimo da rua…
_ Por favor… Por favor, deixe-me dormir em sua casa por uns dias! Eles vão-se embora de férias e vão-me deixar aqui sozinha! Esta noite já não dormi só a pensar nisso! Por favor! Peço-lhe!...
A minha mãe hesitou…
_ Mas… a minha casa não tem condições para a receber condignamente…
_ Eu durmo no chão! Um cobertorzinho serve… Não me deixe dormir aqui sozinha, peço-lhe!...

O que dizer a uma velhinha que chora, nos pega na mão e nos pede ajuda? Mas a questão não é esta! É claro que não vamos deixar a senhora continuar a chorar! A verdadeira questão é: como é possível alguém a fazer chorar?!
Como é que se projecta uma viagem de férias em família e se exclui a anciã da casa? Como?!!
Dá trabalho? É aborrecida? Vagarosa? O quê?! O que é que justifica isto?! Será que todos eles acham que vão ser jovens para sempre?!

quarta-feira, junho 28, 2006

"Incomodar"

Temos de lutar pelo que queremos. Sei disso. Há muito tempo. Suponho até que o tenho feito… Nas grandes coisas! Porque nas pequenas sou uma “coninhas”!
Lá está… Porque não quero “incomodar”…Eu nunca quero “incomodar” ninguém! E perco! Perco mesmo! Coisinha pequenina a coisinha pequenina, vou perdendo grandes coisas! E ninguém tem essa consideração comigo! Eu permito que toda a gente me “incomode”! …E, no fundo, somos todos assim!...
Então porque é que eu, com medo de “incomodar” as pessoas, não peço exactamente o que quero pedir, não faço exactamente o que quero fazer, não consigo exactamente o que quero conseguir???
…Isto vai ter de mudar! Ah, vai!!!

segunda-feira, junho 26, 2006

Who Says You Can't Go Home

Continuo lá. Entre o Mandarin Oriental Hyde Park Hotel, Picadilly e Earl's Court. O meu coração ainda bate por Milton Keynes. O meu pensamento fala inglês. As minhas lágrimas choram ainda.
Não sei o que fazer para voltar.
Agarro-me a cada recordação. Tudo o que possa prolongar o sonho.
"Who says you can't go home?"
A vida que me espera. A mediocridade dos dias. A eternidade das dúvidas. O adiar da concretização dos sonhos.
Eu! Eu NÃO QUERO voltar!
Para mim, o ideal seria "midnight in Chelsea"... "everyday"...

sábado, junho 24, 2006

Partilhar...

Quando era miúda tinha problemas em partilhar. Não, não tinha qualquer problema em partilhar lápis, canetas, borrachas ou bonecas. Tinha problemas em partilhar o que me ia na alma…
Não contava a ninguém as coisas que me eram verdadeiramente queridas. O que me fazia sorrir. O que me fazia chorar.
Havia várias razões para essa reserva. Duas são, no entanto, as principais: achava as minhas ideias ridículas e não gostava de “importunar” as pessoas com elas.
Fui crescendo e as vitórias foram-se tornando solitárias.
Nunca me furtei a viver, mas partilhar conquistas quando ninguém sabia o valor que lhes atribuía era ridículo.
Isso foi mudando. A idade traz sabedoria e, suponho, relações de amizade mais sólidas...
Agora partilho o que me vai na alma. As pessoas têm acesso ao que me é querido. Eu falo. Conto. Rio. Choro.
As conquistas, no entanto, continuam a ser solitárias. Não sei porquê. Muitas das “minhas coisas” continuam a ser muito minhas… (Suponho que todos somos assim…) No entanto, já consigo partilhar o sentimento de vitória e consigo que as pessoas o percebem…
Tenho o orgulho de dizer que o faço que algumas pessoas maravilhosas. E que gosto muito de as ouvir relatar as suas conquistas.
Talvez por isso me choque um pouco quando alguém aparenta ter-me ouvido, quando alguém me deu palmadinhas nas costas, pediu pormenores, me deu os parabéns, riu comigo e depois… descubro que não ouviu uma palavra do que eu disse… quando eu falava de algo basilar na minha existência… Existência essa que devia ser importante. Afinal, nunca é à toa que usamos a palavra amizade anos a fio!
É duro. Faz-me pensar que o ser humano é, na sua génese, egoísta. Importa o “eu”. O resto é informação supérflua. Não importa o quanto partilhámos antes. Talvez nem o tenhamos verdadeiramente partilhado… Talvez tenhamos aparentado uma partilha. Talvez andemos todos a iludir-nos e as nossas vitórias sejam, sempre e em qualquer circunstância, solitárias…
…Suponho que este texto deve ser também um “mea culpa”...

quinta-feira, junho 22, 2006

Nickelback

Pensei que jamais colocaria a letra de uma canção no meu blog, porque a ideia era ter sempre trabalho com ele... Escrever textos. Cuidá-los. No entanto, apaixonei-me por esta canção à primeira vista (ou "à primeira audição") e apetece-me imenso partilhá-la!

É a última canção do último álbum dos Nicelback, "All The Right Reasons".

Aproveito para dizer que eles são MUITO porreiros ao vivo! Vi dois concertos em Inglaterra e só me apeteceu convidá-los a todos para um cafézinho! Eles são tão fixes! Sabiam que estavam a actuar para um público que não era o deles e mesmo assim deram o de sempre e conquistaram-nos a todos! Foi muito bom!

Bom, cá vai a letra da canção que me povoa o espírito actualmente:

I’m through with the standing in line
to clubs we’ll never get in
It’d like the bottom of the ninth
and I’m never gonna win
This life hasn’t turned out
quite the way I want it to be

I want a brand new house
on an episode of Cribs
And a bathroom I can play baseball in
And a king size tub big enough
for ten plus me

I’ll need a credit card that’s got no limit
And big black jet with a bedroom in it
Gonna join the mile high club
At thirty-seven thousand feet

I want a new tour bus full of old guitars
My own star on Hollywood Boulevard
Somewhere between Cher and
James Dean is fine for me

I’m gonna trade this life for fortune and fame
I’d even cut my hair and change my name

‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar

I wanna be great like Elvis without the tassels
Hire eight body guards that love to beat up assholes
Sign a couple autographs
So I can eat meals for free

I’m gonna dress my ass
with the latest fashion
Get a front door key to the Playboy mansion
Gonna date a centerfold that loves to
blow my money for me

I’m gonna trade this life for fortune and fame
I’d even cut my hair and change my name

‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
And we’ll hide out in the private rooms
With the latest dictionary and today’s who’s who
They’ll get you anything with that evil smile
Everybody’s got a drug dealer on speed dial
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar

I’m gonna sing those songs
that offend the censors
Gonna pop my pills
From a pez dispenser
I’ll get washed-up singers writing all my songs
Lip sync ‘em every night so I don’t get ‘em wrong

‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
And we’ll hide out in the private rooms
With the latest dictionary and today’s who’s who
They’ll get you anything with that evil smile
Everybody’s got a drug dealer on speed dial
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar


...Eu diria que eles conseguiram... LOL

terça-feira, junho 20, 2006

Fiz anos hoje (19 de Junho)

Esta manhã, acordei com a Maia a dizer que Gémeos estava "na casa um, com a carta do Sol" e que, por isso, eu devia "sorrir para a vida"!
Apetecia-me tudo menos sorrir para vida...
Por isso, sentei-me na mesa da cozinha e descarreguei os meus sentimentos numa folha de papel. Escrevi um texto deprimente.
Não, não tem a ver com o facto de fazer anos... Não gosto, mas suporto... E não gosto apenas pela lembrança de que o tempo está a passar e os sonhos continuam por conquistar. Ou seja, não tenho medo de envelhecer, tenho medo de não viver... É diferente.
Anyway... Escrevi um texto deprimente porque estou de ressaca emocional...
Tudo o que me aconteceu em Inglaterra: o escaldão em Milton Keynes; os dois concertos SOBERBOS que vi; ter-me perdido nos bairros problemáticos de Londres de autocarro à noite; as 500 mensagens de alerta que ouvi no Metro; ter ficado parada na linha; dormir num hotel que era uma anedota quando alguém tinha de usar o WC; a foto ao Pierce Brosnan; a molha em Hyde Park, o encontro com Jon Bon Jovi, etc… O que me aconteceu em Inglaterra é tão fantástico, tão acima de qual quer expectativa, que não dá para, de repente, voltar à terra… Não dá para voltar a esta vidinha medíocre sem um pouco de choro. Sem revolta. Sem tristeza...
Não quero acordar! Não quero! É cedo ainda! Quero dormir e sonhar mais um pouco... Ainda não consigo dizer adeus...

…E assim, sentada à minha mesa da cozinha, escrevi um longo e deprimente texto sobre a minha "existência medíocre" e a minha “recusa em abrir os olhos já”… Era esse o texto que devia colocar aqui hoje. Era esse o estado de espírito que eu acreditava ser imutável.

Mas quem tem amigos não pode garantir que não vai dar um sorriso…

Fui almoçar com um querido amigo que se lembra de mim SEMPRE neste dia. E tinha um lanche marcado com outra amiga de longuíssima data. Mas em vez de uma amiga apareceram… seis!!! Uma viajou só para estar comigo um bocadinho! Trouxeram prendas, carinho e alegria. E, de repente, a minha tristeza transformou-se em mau humor… o mau humor passou rapidamente a mero queixume… e o queixume diluiu-se em sorrisos, primeiro… depois gargalhadas… e, por fim, naquele sentimento pequenino, aconchegado, de quem está em casa aninhado, confortável… Um sentimento acolhedor e familiar que cobre de carinho tudo o que toca... Que faz esquecer os males do coração e as ressacas emocionais…

Agora já não podia publicar o texto que escrevi esta manhã. O sentimento de injustiça pela necessidade de abandonar aquele “sonho” que foi a minha vida estes dias, continua cá… Mas, de alguma forma, a minha vida parece-me menos medíocre depois desta tarde…

Obrigada, amigas.

sábado, junho 17, 2006

quinta-feira, junho 15, 2006

Voltei

Onze anos. Faz hoje onze anos desde que a vida se tornou minha. Hoje, que chego a casa de um “exorcismo”.
O momento que eu pedi…?
Suponho que o tive. Foi tudo mágico. Parecia coreografado. Desenhado só para mim…
Estou exausta. Física e psicologicamente exausta. Morta. Renascida.
Sei que a minha vida não vai mudar apenas porque fiz esta viagem. Não assim, de uma dia para o outro. Mas esta viagem deu sentido a tanta coisa… Revelou um pouco mais de mim. Deu-me coragem e confiança. E proporciono-me momentos inesquecíveis de tão absolutamente fantásticos.
Sou uma privilegiada.
Sou uma sortuda porque sei que tenho “lá em cima” alguém a olhar por mim. Só assim se explicam pequenos nadas que me devolveram sonhos e certezas.
O mundo abriu-se. E eu entrei. E o mundo é simples. Eu sei “tomar conta dele”. Pelo menos do meu mundo. Sei direccioná-lo, vivê-lo, doseá-lo.
Sei que mais dias como estes e mais viagens virão. Só tenho pena de ter de esperar.
Não sei se estou completamente feliz porque TUDO superou as minhas expectativas, se estou profundamente triste porque acabou.
Quando acordar deste sonho saberei…


PS - Ia colocar uma foto de um dos momentos fantásticos/surpresas que tive... mas decidi manter a privacidade de toda a gente, inclusivé a minha... ;)

sexta-feira, junho 09, 2006

Estou de partida

Estou de partida para Inglaterra.
O que quero?
Um momento inesquecível. Inesquecível de bom. Inesquecível de óptimo. De perfeito.
Não quero ter cuidado com o que desejo – como diz o ditado –, porque posso especificá-lo em detalhe, com tudo de positivo.
Quero ser a princesa do conto de fadas, que caminha para o seu destino luminoso, mesmo tendo de enfrentar obstáculos. Quero que os céus me reservem, ainda que para um só momento, tudo aquilo de que me privaram até agora. Quero saber – sentir! – que também eu posso ter tudo, ainda que só uma vez…
Não quero nada de extraordinário. Sou pés na terra. Não crio grandes expectativas. Por isso, eu só quero ser surpreendida… positivamente surpreendida…
Há tanto tempo que eu não me emociono até às lágrimas com algo de bom que me tenha acontecido!... É isso que eu quero. É isso que eu procuro. Descobrir que é possível. Que ainda é possível. Que nem tudo está perdido. Que ainda há muita vida para viver. Mas mesmo! Além das palavras. Além da esperança!
Quero sentir a vida. A autêntica. A que vale a pena viver. A que muitos dizem que têm e poucos conhecem. Aquela em que eu acredito e que me tem fugido!
Quero a confirmação de que nem tudo foi em vão. De que as minhas indecisões, as minhas lágrimas, a minha recusa em resignar-me não foram em vão. Quero saber, para lá de qualquer dúvida, para onde caminho. Ou, pelo menos, de que caminho nalgum sentido…
Há onze anos, a vida tornou-se minha. Foi arrancada à monotonia das certezas, à tirania do que “era suposto” eu fazer. Passou a ser um livro em branco, em que a autora era eu... Num momento. Numa noite.
Pois bem, agora que o prefácio está escrito, reescrito, rasurado, eu procuro a linha condutora da obra. Eu preciso de começar a escrevê-la. Eu tenho de começar a escrevê-la! Estou cansada de esperar, de procurar, de duvidar. Eu tenho de começar a escrevê-la!
Para isso, preciso de voltar ao princípio. À noite, ao momento em que tudo começou. Recriá-lo. Revivê-lo. Reescrevê-lo.
Procuro, por isso, um momento perfeito. Um só. Pequeno. Mas sentido.
Investi muito nesta viagem. Mais do que dinheiro, o meu coração está empenhado nela. E não pode voltar partido. Porque então não haveria obra. Seria o fim da obra que ainda não escrevi. Porque seria o fim da minha procura, da minha esperança, da minha fé.
Um momento perfeito. Um só. Pequeno. Mas real. Sentido. Sem “mas”. Sem “se’s”. Perfeito. Um só… Para mim. Peço-o para mim. Uma só vez, eu peço-o para mim. Porque o mereço. Finalmente. Eu sei que o mereço. Eu tenho de acreditar que o mereço. E que o vou ter. Desta vez, vou tê-lo. Para que a obra comece…


PS – No fundo, eu sei que não vou encontrar nada além de uma viagem divertida… Mas não era fantástico se, uma vez na vida, eu encontrasse tudo o que procuro?...