terça-feira, julho 04, 2006

Patriotismo

Suponho que sou o que muitos têm apelidado de "patriota primária". Afinal trago um cachecol de Portugal preso à mala e poria a bandeira na janela ou no estendal, se a janela ou o estendal dessem para algum sítio onde passa o povo.
É curioso que, tal como a maioria dos tugas da minha geração, antes de 2004, eu nem sabia que se podiam “usar” os símbolos nacionais. É que “eu ainda sou do tempo” em que uma banda rock foi a tribunal por fazer uma versão do hino… (Agora o Expresso distribui bandeiras com uma faixa verde florescente na parte vermelha… Enfim, adiante…)

O primeiro “item” nacional que tive foi oferta de uma agência de publicidade com a qual trabalhei. No Natal de 2003, a FCB ofereceu a alguns clientes uma prenda muito especial: um cachecol de Portugal. O “embrulho” era em forma de grande postal e dizia: “2004. Europeu de Futebol, Eleições Europeias, Olimpíadas, Retoma da Economia. Se há uma coisa que Portugal vai precisar em 2004 é do seu apoio. E do apoio de todos nós. Vai precisar de toda a nossa claque para incentivar, gritar, saltar, para não deixar ninguém pensar que o jogo possa estar perdido.”
Achei genial! Se tivermos em conta que os anúncios e outras iniciativas publicitárias naquela altura ainda nada tinham a ver com patriotismo ou futebol, aquilo era brilhante!

Jurei usar aquele cachecol (o mesmo que anda preso a minha mala de mão agora) durante o Euro 2004. Como é óbvio, muita mais gente teve a mesma ideia. (Em futebol, não é inédito…)
Foi também nesse bem-dito Euro que alguém se lembrou de pedir aos portugueses para colocarem bandeiras nas janelas em sinal de apoio à selecção. (A discussão continua sobre se foi Scolari ou Marcelo Rebelo de Sousa. Anyway, o brasileiro ganhou a responsabilidade do apelo.)
Desde aí, os símbolos nacionais tornaram-se moda. Mas uma moda duradoura e que nos orgulha!

Em terras de Sua Majestade, onde estive recentemente, foi com enorme prazer que vi uma bandeira portuguesa numa mota. Claro que, ao atravessar a rua, tive de largar um “Então, boa tarde!” bem português. Foi tão bom ouvir a resposta e ver o sorriso largo!
Transbordei de orgulho quando num concerto, com mais 70 mil pessoas, em terras estrangeiras, se reuniu, pelo menos, uma dezena de bandeiras portuguesas. E mais ainda quando alguém, no palco, as aponta porque já as reconhece!

Tenho a certeza que nada disto se teria passado se Scolari não tivesse exaltado o hábito das bandeiras nas janelas e das bancadas vestidas de vermelho e verde.
As bandeiras não viajariam connosco. E não haveria uma na mota que vi nas ruas de Londres, porque exibi-la ainda seria considerado fascista. E eu não falaria com compatriotas nas ruas de um país estrangeiro, porque não saberia se os meus cumprimentos seriam bem recebidos.
Hoje sei que serão sempre bem recebidos, porque hoje os portugueses partilham um sentimento inequívoco de confiança, de orgulho nacional onde quer que se encontrem!
… E tudo isto graças a… um brasileiro!!! LOL


(FORÇA, PORTUGAL! Lá estarei, na rua, com o cachecol e a bandeira, a torcer por os nossos bravos. No entanto, mesmo que não ganhemos, desta vez, acho que não vou chorar. É que, antes, era sempre "agora ou nunca". Agora, no entanto, eu sei que se não for agora... um dia será!)

domingo, julho 02, 2006

Prefiro escondê-las...

Prefiro escondê-las, as minhas memórias. As minhas projecções, os meus sonhos. Prefiro escondê-las, a expô-las ao ridículo das realidades de quem não as entende. Prefiro escondê-las a deixar que sejam diminuídas, desvalorizadas, enxovalhadas. São minhas. São muito minhas. E prefiro a solidão de as guardar só para mim à monstruosidade de as ver divulgadas, disseminadas, incompreendidas… Comentadas por analistas incompetentes, pouco esforçados e pouco sérios. São minhas demais para as deixar ir. Quero-as a fazer parte da minha realidade. Não as quero ver com uma realidade própria em que perderiam valor. Prefiro escondê-las. Guardá-las só para mim. Prefiro a incompreensão à possibilidade do ridículo.

sexta-feira, junho 30, 2006

Será que acham que vão ser jovens para sempre?!

_ Não me leve a mal… Posso pedir-lhe um favor? – Lágrimas caíam-lhe ininterruptamente pelo rosto sulcado de rugas. – Era um favo muito grande que me fazia…
A minha mãe encolheu os ombros, desarmada. Era normal aquela velhinha precisar de ajuda para levar o lixo à rua ou pedir-lhe para lhe trazer qualquer coisa da mercearia do cimo da rua…
_ Por favor… Por favor, deixe-me dormir em sua casa por uns dias! Eles vão-se embora de férias e vão-me deixar aqui sozinha! Esta noite já não dormi só a pensar nisso! Por favor! Peço-lhe!...
A minha mãe hesitou…
_ Mas… a minha casa não tem condições para a receber condignamente…
_ Eu durmo no chão! Um cobertorzinho serve… Não me deixe dormir aqui sozinha, peço-lhe!...

O que dizer a uma velhinha que chora, nos pega na mão e nos pede ajuda? Mas a questão não é esta! É claro que não vamos deixar a senhora continuar a chorar! A verdadeira questão é: como é possível alguém a fazer chorar?!
Como é que se projecta uma viagem de férias em família e se exclui a anciã da casa? Como?!!
Dá trabalho? É aborrecida? Vagarosa? O quê?! O que é que justifica isto?! Será que todos eles acham que vão ser jovens para sempre?!

quarta-feira, junho 28, 2006

"Incomodar"

Temos de lutar pelo que queremos. Sei disso. Há muito tempo. Suponho até que o tenho feito… Nas grandes coisas! Porque nas pequenas sou uma “coninhas”!
Lá está… Porque não quero “incomodar”…Eu nunca quero “incomodar” ninguém! E perco! Perco mesmo! Coisinha pequenina a coisinha pequenina, vou perdendo grandes coisas! E ninguém tem essa consideração comigo! Eu permito que toda a gente me “incomode”! …E, no fundo, somos todos assim!...
Então porque é que eu, com medo de “incomodar” as pessoas, não peço exactamente o que quero pedir, não faço exactamente o que quero fazer, não consigo exactamente o que quero conseguir???
…Isto vai ter de mudar! Ah, vai!!!

segunda-feira, junho 26, 2006

Who Says You Can't Go Home

Continuo lá. Entre o Mandarin Oriental Hyde Park Hotel, Picadilly e Earl's Court. O meu coração ainda bate por Milton Keynes. O meu pensamento fala inglês. As minhas lágrimas choram ainda.
Não sei o que fazer para voltar.
Agarro-me a cada recordação. Tudo o que possa prolongar o sonho.
"Who says you can't go home?"
A vida que me espera. A mediocridade dos dias. A eternidade das dúvidas. O adiar da concretização dos sonhos.
Eu! Eu NÃO QUERO voltar!
Para mim, o ideal seria "midnight in Chelsea"... "everyday"...

sábado, junho 24, 2006

Partilhar...

Quando era miúda tinha problemas em partilhar. Não, não tinha qualquer problema em partilhar lápis, canetas, borrachas ou bonecas. Tinha problemas em partilhar o que me ia na alma…
Não contava a ninguém as coisas que me eram verdadeiramente queridas. O que me fazia sorrir. O que me fazia chorar.
Havia várias razões para essa reserva. Duas são, no entanto, as principais: achava as minhas ideias ridículas e não gostava de “importunar” as pessoas com elas.
Fui crescendo e as vitórias foram-se tornando solitárias.
Nunca me furtei a viver, mas partilhar conquistas quando ninguém sabia o valor que lhes atribuía era ridículo.
Isso foi mudando. A idade traz sabedoria e, suponho, relações de amizade mais sólidas...
Agora partilho o que me vai na alma. As pessoas têm acesso ao que me é querido. Eu falo. Conto. Rio. Choro.
As conquistas, no entanto, continuam a ser solitárias. Não sei porquê. Muitas das “minhas coisas” continuam a ser muito minhas… (Suponho que todos somos assim…) No entanto, já consigo partilhar o sentimento de vitória e consigo que as pessoas o percebem…
Tenho o orgulho de dizer que o faço que algumas pessoas maravilhosas. E que gosto muito de as ouvir relatar as suas conquistas.
Talvez por isso me choque um pouco quando alguém aparenta ter-me ouvido, quando alguém me deu palmadinhas nas costas, pediu pormenores, me deu os parabéns, riu comigo e depois… descubro que não ouviu uma palavra do que eu disse… quando eu falava de algo basilar na minha existência… Existência essa que devia ser importante. Afinal, nunca é à toa que usamos a palavra amizade anos a fio!
É duro. Faz-me pensar que o ser humano é, na sua génese, egoísta. Importa o “eu”. O resto é informação supérflua. Não importa o quanto partilhámos antes. Talvez nem o tenhamos verdadeiramente partilhado… Talvez tenhamos aparentado uma partilha. Talvez andemos todos a iludir-nos e as nossas vitórias sejam, sempre e em qualquer circunstância, solitárias…
…Suponho que este texto deve ser também um “mea culpa”...

quinta-feira, junho 22, 2006

Nickelback

Pensei que jamais colocaria a letra de uma canção no meu blog, porque a ideia era ter sempre trabalho com ele... Escrever textos. Cuidá-los. No entanto, apaixonei-me por esta canção à primeira vista (ou "à primeira audição") e apetece-me imenso partilhá-la!

É a última canção do último álbum dos Nicelback, "All The Right Reasons".

Aproveito para dizer que eles são MUITO porreiros ao vivo! Vi dois concertos em Inglaterra e só me apeteceu convidá-los a todos para um cafézinho! Eles são tão fixes! Sabiam que estavam a actuar para um público que não era o deles e mesmo assim deram o de sempre e conquistaram-nos a todos! Foi muito bom!

Bom, cá vai a letra da canção que me povoa o espírito actualmente:

I’m through with the standing in line
to clubs we’ll never get in
It’d like the bottom of the ninth
and I’m never gonna win
This life hasn’t turned out
quite the way I want it to be

I want a brand new house
on an episode of Cribs
And a bathroom I can play baseball in
And a king size tub big enough
for ten plus me

I’ll need a credit card that’s got no limit
And big black jet with a bedroom in it
Gonna join the mile high club
At thirty-seven thousand feet

I want a new tour bus full of old guitars
My own star on Hollywood Boulevard
Somewhere between Cher and
James Dean is fine for me

I’m gonna trade this life for fortune and fame
I’d even cut my hair and change my name

‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar

I wanna be great like Elvis without the tassels
Hire eight body guards that love to beat up assholes
Sign a couple autographs
So I can eat meals for free

I’m gonna dress my ass
with the latest fashion
Get a front door key to the Playboy mansion
Gonna date a centerfold that loves to
blow my money for me

I’m gonna trade this life for fortune and fame
I’d even cut my hair and change my name

‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
And we’ll hide out in the private rooms
With the latest dictionary and today’s who’s who
They’ll get you anything with that evil smile
Everybody’s got a drug dealer on speed dial
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar

I’m gonna sing those songs
that offend the censors
Gonna pop my pills
From a pez dispenser
I’ll get washed-up singers writing all my songs
Lip sync ‘em every night so I don’t get ‘em wrong

‘Cause we all just wanna be big rock stars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We’ll all stay skinny ‘cause we just won’t eat
And we’ll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger’s gonna wind up there
Every Playboy bunny with her bleach blond hair
And we’ll hide out in the private rooms
With the latest dictionary and today’s who’s who
They’ll get you anything with that evil smile
Everybody’s got a drug dealer on speed dial
Hey hey I wanna be a rockstar
Hey hey I wanna be a rockstar


...Eu diria que eles conseguiram... LOL

terça-feira, junho 20, 2006

Fiz anos hoje (19 de Junho)

Esta manhã, acordei com a Maia a dizer que Gémeos estava "na casa um, com a carta do Sol" e que, por isso, eu devia "sorrir para a vida"!
Apetecia-me tudo menos sorrir para vida...
Por isso, sentei-me na mesa da cozinha e descarreguei os meus sentimentos numa folha de papel. Escrevi um texto deprimente.
Não, não tem a ver com o facto de fazer anos... Não gosto, mas suporto... E não gosto apenas pela lembrança de que o tempo está a passar e os sonhos continuam por conquistar. Ou seja, não tenho medo de envelhecer, tenho medo de não viver... É diferente.
Anyway... Escrevi um texto deprimente porque estou de ressaca emocional...
Tudo o que me aconteceu em Inglaterra: o escaldão em Milton Keynes; os dois concertos SOBERBOS que vi; ter-me perdido nos bairros problemáticos de Londres de autocarro à noite; as 500 mensagens de alerta que ouvi no Metro; ter ficado parada na linha; dormir num hotel que era uma anedota quando alguém tinha de usar o WC; a foto ao Pierce Brosnan; a molha em Hyde Park, o encontro com Jon Bon Jovi, etc… O que me aconteceu em Inglaterra é tão fantástico, tão acima de qual quer expectativa, que não dá para, de repente, voltar à terra… Não dá para voltar a esta vidinha medíocre sem um pouco de choro. Sem revolta. Sem tristeza...
Não quero acordar! Não quero! É cedo ainda! Quero dormir e sonhar mais um pouco... Ainda não consigo dizer adeus...

…E assim, sentada à minha mesa da cozinha, escrevi um longo e deprimente texto sobre a minha "existência medíocre" e a minha “recusa em abrir os olhos já”… Era esse o texto que devia colocar aqui hoje. Era esse o estado de espírito que eu acreditava ser imutável.

Mas quem tem amigos não pode garantir que não vai dar um sorriso…

Fui almoçar com um querido amigo que se lembra de mim SEMPRE neste dia. E tinha um lanche marcado com outra amiga de longuíssima data. Mas em vez de uma amiga apareceram… seis!!! Uma viajou só para estar comigo um bocadinho! Trouxeram prendas, carinho e alegria. E, de repente, a minha tristeza transformou-se em mau humor… o mau humor passou rapidamente a mero queixume… e o queixume diluiu-se em sorrisos, primeiro… depois gargalhadas… e, por fim, naquele sentimento pequenino, aconchegado, de quem está em casa aninhado, confortável… Um sentimento acolhedor e familiar que cobre de carinho tudo o que toca... Que faz esquecer os males do coração e as ressacas emocionais…

Agora já não podia publicar o texto que escrevi esta manhã. O sentimento de injustiça pela necessidade de abandonar aquele “sonho” que foi a minha vida estes dias, continua cá… Mas, de alguma forma, a minha vida parece-me menos medíocre depois desta tarde…

Obrigada, amigas.

sábado, junho 17, 2006

quinta-feira, junho 15, 2006

Voltei

Onze anos. Faz hoje onze anos desde que a vida se tornou minha. Hoje, que chego a casa de um “exorcismo”.
O momento que eu pedi…?
Suponho que o tive. Foi tudo mágico. Parecia coreografado. Desenhado só para mim…
Estou exausta. Física e psicologicamente exausta. Morta. Renascida.
Sei que a minha vida não vai mudar apenas porque fiz esta viagem. Não assim, de uma dia para o outro. Mas esta viagem deu sentido a tanta coisa… Revelou um pouco mais de mim. Deu-me coragem e confiança. E proporciono-me momentos inesquecíveis de tão absolutamente fantásticos.
Sou uma privilegiada.
Sou uma sortuda porque sei que tenho “lá em cima” alguém a olhar por mim. Só assim se explicam pequenos nadas que me devolveram sonhos e certezas.
O mundo abriu-se. E eu entrei. E o mundo é simples. Eu sei “tomar conta dele”. Pelo menos do meu mundo. Sei direccioná-lo, vivê-lo, doseá-lo.
Sei que mais dias como estes e mais viagens virão. Só tenho pena de ter de esperar.
Não sei se estou completamente feliz porque TUDO superou as minhas expectativas, se estou profundamente triste porque acabou.
Quando acordar deste sonho saberei…


PS - Ia colocar uma foto de um dos momentos fantásticos/surpresas que tive... mas decidi manter a privacidade de toda a gente, inclusivé a minha... ;)

sexta-feira, junho 09, 2006

Estou de partida

Estou de partida para Inglaterra.
O que quero?
Um momento inesquecível. Inesquecível de bom. Inesquecível de óptimo. De perfeito.
Não quero ter cuidado com o que desejo – como diz o ditado –, porque posso especificá-lo em detalhe, com tudo de positivo.
Quero ser a princesa do conto de fadas, que caminha para o seu destino luminoso, mesmo tendo de enfrentar obstáculos. Quero que os céus me reservem, ainda que para um só momento, tudo aquilo de que me privaram até agora. Quero saber – sentir! – que também eu posso ter tudo, ainda que só uma vez…
Não quero nada de extraordinário. Sou pés na terra. Não crio grandes expectativas. Por isso, eu só quero ser surpreendida… positivamente surpreendida…
Há tanto tempo que eu não me emociono até às lágrimas com algo de bom que me tenha acontecido!... É isso que eu quero. É isso que eu procuro. Descobrir que é possível. Que ainda é possível. Que nem tudo está perdido. Que ainda há muita vida para viver. Mas mesmo! Além das palavras. Além da esperança!
Quero sentir a vida. A autêntica. A que vale a pena viver. A que muitos dizem que têm e poucos conhecem. Aquela em que eu acredito e que me tem fugido!
Quero a confirmação de que nem tudo foi em vão. De que as minhas indecisões, as minhas lágrimas, a minha recusa em resignar-me não foram em vão. Quero saber, para lá de qualquer dúvida, para onde caminho. Ou, pelo menos, de que caminho nalgum sentido…
Há onze anos, a vida tornou-se minha. Foi arrancada à monotonia das certezas, à tirania do que “era suposto” eu fazer. Passou a ser um livro em branco, em que a autora era eu... Num momento. Numa noite.
Pois bem, agora que o prefácio está escrito, reescrito, rasurado, eu procuro a linha condutora da obra. Eu preciso de começar a escrevê-la. Eu tenho de começar a escrevê-la! Estou cansada de esperar, de procurar, de duvidar. Eu tenho de começar a escrevê-la!
Para isso, preciso de voltar ao princípio. À noite, ao momento em que tudo começou. Recriá-lo. Revivê-lo. Reescrevê-lo.
Procuro, por isso, um momento perfeito. Um só. Pequeno. Mas sentido.
Investi muito nesta viagem. Mais do que dinheiro, o meu coração está empenhado nela. E não pode voltar partido. Porque então não haveria obra. Seria o fim da obra que ainda não escrevi. Porque seria o fim da minha procura, da minha esperança, da minha fé.
Um momento perfeito. Um só. Pequeno. Mas real. Sentido. Sem “mas”. Sem “se’s”. Perfeito. Um só… Para mim. Peço-o para mim. Uma só vez, eu peço-o para mim. Porque o mereço. Finalmente. Eu sei que o mereço. Eu tenho de acreditar que o mereço. E que o vou ter. Desta vez, vou tê-lo. Para que a obra comece…


PS – No fundo, eu sei que não vou encontrar nada além de uma viagem divertida… Mas não era fantástico se, uma vez na vida, eu encontrasse tudo o que procuro?...

quinta-feira, junho 08, 2006

História devida

Ontem, o programa da Antena 1 "História devida" lá apresentou uma história que eu escrevi.
Ela chama-se "O momento perfeito para o tempo parar" e podem ouvi-la no seguinte endereço:

http://multimedia.rtp.pt/index.php?prog=2145

Se puderem (e quiserem), comentem.

;)

terça-feira, junho 06, 2006

Vou ser "tia"

Vou ser tia outra vez. Digo sempre isto quando falo de uma gravidez de uma amiga.
Soube há pouco tempo que uma amiga minha está grávida.
Foi tudo menos planeado. Ela nem sabia ao certo de quanto tempo estava. Também não tem nenhuma relação estável com ninguém. Nem tão pouco condições financeiras e sociais para criar um filho.
Porquê tê-lo, então?
Nas palavras dela: “Porque seria incapaz de fazer um aborto e porque sei que posso ser uma boa mãe e vou prová-lo.”
No meu ponto de vista: Porque seria incapaz de fazer um aborto e porque tem imensas coisas a provar a si própria, inclusivamente que pode ser uma boa mãe.
Apetece-me bater-lhe.
Não, não defendo que ela faça um aborto. Essa nem sequer é uma decisão minha. Também não é pela questão moral que algumas mentes puritanas podem levantar. Tem a ver com saúde, amor-próprio e até com inteligência!
Ela devia gostar mais de si própria do que isto! Ela devia cuidar-se mais! Ela merece AMOR! Porque é que insiste em procurá-lo tão desesperadamente em cada esquina, como se não fosse digna de ele lhe bater à porta.?!!
Conheço-a tão bem que nada disto me surpreende. E é como tudo: ou se aceita ou não se aceita. E eu aceito. Aceitei e aceito. …E só posso abraçá-la e tentar ajudá-la a ser feliz…Porque mudá-la nunca consegui… nem tenho de o conseguir!
Vou, então, ver se penso nuns nomes giros para putos. E vou dar-lhe as boas vindas quando ele nascer…
Quem me dera que ele seja mais feliz do que aquela mãe ingénua e sonhadora… que em nada constitui o contrário de vivida e experiente…

domingo, junho 04, 2006

Eu sou uma mulata que toca tuba… LOL

Passo a explicar…
No momento em que escrevo estas linhas, estou na Estação do Oriente, saída do Rock in Rio a tentar esvaziar um mega-sofá insuflável da Vodafone…
O pó do Parque da Bela Vista pôs-me mulata (até choro preto!) e a porra do sofá às costas parece uma mega-tuba!
Como o sofá é laranja é impossível ele passar despercebido… É que eu e a minha amiga somos as únicas duas pessoas nesta gare povoada de jovens empoeirados a terem estes exemplares do conforto doméstico. E é fácil perceber porquê: fomos as únicas otárias o suficiente para estar na fila 3 horas com o objectivo único de obter isto… Porquê? …Pois… Não sei!!!
Anyway, sendo exemplares únicos, dão nas vistas. Imaginem só: duas miúdas mulatas (do pó!) a passarem nas portinhas das estações de metro com um sofá insuflável cor-de-laranja!... Pois é, já dá para perceber a galhofa…
O que fazer?
RIR!
Ri tanto que chorei… preto!
Agora só me falta obrigarem-me a pagar dois bilhetes no comboio. Sim, porque esta cena não esvazia!
E não me venham com conselhos! Já puxei o pipo! Já encolhi o pipo! Já apertei o pipo e já misturei as três técnicas! Não dá!!!
Assim, há que levar na brincadeira!
A minha colega diz que estou ganzada… Não, eu não fumo… Mas houve alguém (diz ela) a fumar perto de mim. ...É que eu não paro de rir!
Já sambei. Já falei com sotaque crioulo. Até já gritei por Angola! Afinal, nunca tive este “bronze”!
Eu sou uma mulata que toca tuba (para ler com sotaque!) e que vai chegar a casa às 10 hora da manhã!
Pois. Outra coisa para rir… O horário dos comboios não mostrava o "Especial" que sai de Lisboa às 4 da manhã… Ou seja, a malta só comprou bilhete para as 8 da manhã…
Sim… Falta um bocadinho (só mais de 5 horas!!!)… Daí que eu tenha sacado do bloco! (A minha amiga agradece… Pelo menos parei de dizer que “sou uma mulata que toca tuba” durante um bocado!)
Bom, até o comboio das 4 da manhã chegar e nós termos de ir fazer o “choradinho” ao revisor para nos trocar o bilhete das 8h por um das 4h (nós e os nossos inseparáveis mega-sofás… o que deve dar uma coisa digna de se ver!), vou ver se me atiro para cima deste f**** da p*** cor de laranja, a ver se ela afrouxa!... Mas, nas minhas mãos… é difícil… LOL


PS - Acabou por correr tudo bem: esvaziei o sofá ao fim de horas de tentativas frustradas e conseguimos vir no "Especial Rock in Rio" das 4h. Esta mulata chegou a casa às 6 e meia da manhã... Já agora, para as pessoas que um dia se virem com um mega-sofá insuflável cor-de-laranja nas mãos e quiserem esvaziá-lo, experiementem apertar o pipo mesmo "na cabecinha" (salvo seja...)... Resulta. :)

quinta-feira, junho 01, 2006

A ausência de um plano...

Alguém sabe para onde está a caminhar? Quero dizer, será que há pessoas que traçam um plano para a sua vida e, com mais ou menos percalços, conseguem cumpri-lo?
A minha maior sombra sempre foi não saber por o que lutar… Eu sei que consigo lutar e, quando o faço, por norma, chego a bom porto… Só não sei por o que lutar. Dizendo de outra forma: não sei o que quero.
Normalmente, sei o que não quero. E isso trouxe-me até aqui, sã e salva, de corpo, mente e espírito. Mas a verdade é que sempre me faltaram objectivos.
Fui para Comunicação porque não queria ir para mais nada. Fiquei em Coimbra porque os meus pais não me podiam financiar em mais lado nenhum. Tirei um curso superior (dois!) porque é isso que os conimbricenses fazem e eu também não sabia o que fazer em alternativa. Fui jornalista porque foi para isso que tirei aquele curso. Bati com a cabeça, como qualquer pessoa no primeiro emprego. Voltei à escola. Fui Relações Públicas porque estudei para isso. Depois tive saudades do jornalismo. OK, voltei a ser jornalista…
A verdade é que não me dei assim tão mal. Mas também tenho consciência de que não atingi a totalidade do meu potencial.
É que toda a gente me diz que tenho “muito potencial”… Mas, let’s face it, potencial?! O que é isso de potencial? Aos 27 anos? …Aos 27 ou concretizas ou estás f****a!!! Potencial tem-se aos 13, 16, vá, 18. A partir daí, ou fazes algo e, de facto, provas o que vales, ou não vales nada!
E cá está! Esta é a minha sombra. Eu sei que posso fazer. TUDO! Só não sei o que quero fazer!
Na verdade, o que me apetece mesmo é arranjar um emprego com uma banda, a enrolar cabos, e correr o mundo! Passar noites em branco e escrever sobre elas! Isto é o que me apetece!
Teenage dream…
Talvez eu seja ainda uma adolescente. Ou talvez eu seja uma adulta com sonhos de adolescente, maluqueiras de adolescente, manias de adolescente por concretizar. Ou talvez eu nunca vá deixar de ser adolescente e de sonhar sonhos de adolescente e esse seja o meu trunfo!
O que é certo é que a minha “so-called” indecisão me levou a trilhar caminhos longos e variados… e até fascinantes…
Talvez eu deva ser indecisa. Talvez ser indecisa seja a melhor coisa que me podia ter acontecido.
Eu não quero chegar ao Inverno da minha vida (porque eu estou segura de que vou chegar ao Inverno da minha vida e vou ser uma velha “gaiteira”!), olhar para trás e descobrir que não vivi. Isso, eu não suportaria! Mas aprece-me que a minha “indecisão”, sob esse ponto de vista, me tem mantido no bom caminho…
Além disso, como disse um dia Joe Elliot (vocalista dos Def Leppard): “Os planos são feitos para dar merda!” ;)

segunda-feira, maio 29, 2006

Uma notícia FANTÁSTICA!!!!!!

Hoje recebi isto no meu e-mail:

"Cara "GK":

Obrigado por ter participado no programa «A história devida». A sua história foi seleccionada e vai ser lida em antena pelo Miguel Guilherme na Quarta-feira, dia 7 de Junho. Pode ouvi-la às 17h20, 21h40 ou 01h20, na Antena 1, da RDP. Uma vez que estamos a programar a edição dos textos seleccionados em livro, agradecemos que assine adeclaração anexa. Como é necessário a assinatura, pedimos-lhe que preencha e envie o documento por correio para ..., Lisboa.

Cumprimentos,

(...)"

Este foi um BOM dia! :)

domingo, maio 28, 2006

Quando eu fui groupie

Dar “um concerto” no banco de trás do carro de dois desconhecidos, em pleno Pinhal de Leiria. Apanhar uma boleia do dono da Big Cancil para a estação de camionetas de Santa Maria da Feira, enquanto ele nos dava um sermão sobre “os perigos da noite”. Fingir que era uma jornalista furiosa, com um editor imaginário do outro lado da linha telefónica, só para conseguir um quarto “naquele” hotel, que, por acaso estava lotado de ciclistas da Volta a Portugal. Apanhar um comboio onde, além de um infindável número de soldados, só iam mais duas pessoas: nós, produzidas… Fazer uma inversão de marcha por cima de um duplo contínuo porque um telefonema nos chamou de volta…
As histórias sucedem-se. São tantas que algumas já as esqueci.
São de quando eu era groupie de algumas bandas famosas…
Não sei se groupie é o termo certo. Afinal, nunca dormi com ninguém na estrada e, ao contrário da maior parte dos fãs, passei muitas noites – Vá, algumas noites… Não, bastantes noites! – a ouvir as mágoas dos artistas, das bandas ou dos staffs…
Suponho que posso dizer que vi subir. E vi cair. E eu subi e cai com eles. E sem eles…
São muitas histórias e muitas pessoas que amo ainda profundamente. Por quem eram, por quem foram e por quem são. Por me terem feito a mais feliz das criaturas e a mais miserável. Sofri muito. Aprendi muito. Cresci tanto!
Não me arrependo de nada. Faria tudo outra vez. Acho que, a esta distância, já posso dizer, sem medo de errar, que foi o período mais incrível da minha vida.
Corri o país de ponta a ponta. Conheço praças, fontes, igrejas, cafés, hotéis e discotecas. E gente, muita gente!
Estive em festas populares e em festas privadas. Jantei em mesas corridas de madeira com bancos de pau e ao lado das maiores estrelas do momento.
Sorri e chorei. Por mim e por outros. Recebi carinhos e pontapés.
Foi fantástico!
Não recomendo o que fiz a ninguém…
Andar à boleia. Passar noites ao relento. Ser olhada como prostituta pelas criadas dos hotéis… Não. É insano! Mas é intenso…
É verdade que nessa altura VIVI. Sim, com maiúsculas. Vi de tudo e em todo o lado.
Ainda me lembro do dia em que o meu pai desistiu de mim…
Eram oito da manhã e eu estava a chegar a casa de mochila às costas, vinda de Leiria. Um telefonema e um banho depois, saí, novamente de mochila às costas. Os meus pais, estupefactos, sentados à mesa do pequeno-almoço, só tiveram tempo de me ouvir dizer: “Vou para Santa Maria da Feira. Volto amanhã.”…Nunca mais me perguntaram mais nada… A não ser a minha mãe: novidades sobre um elemento da banda…
E aquela outra vez, na Mealhada, em que a banda nos viu chegar? Saíram dos quartos e invadiram o carro novo da minha colega… Ela andou uns tempos sem conseguir pôr o banco no sítio…
Ou ainda aquela outra vez em que, saídas da Flashen, em Quiaios, no meio do mato, às 6 da manhã, não tínhamos como chegar à estação da Figueira da Foz, para voltar a Coimbra? Não há crise: o motorista leva o grupo ao hotel e depois vem buscar-nos e leva-nos à estação… Pois… mas no concerto seguinte o mesmo motorista decidiu vir trazer-me a casa… Simpático, não? O problema é que me fez a corte à porta de casa, com o Sol a raiar e os vizinhos a acordarem, durante horas…
São muitas, muitas as histórias…
O beijo à minha amiga em frente ao hotel… Ao que ela respondeu: “Então boa noite.”… A boleia ao membro descontente que culminou numa retirada estratégica do hotel, porque a banda “tinha de conversar”… A guerra de batatas fritas com o restaurante inteiro a olhar para uma das estrelas do momento… O “balecito”, dançado em grupo, na Scotch, numa noite que terminou com a minha colega sentada no chão da casa de banho a chorar…
As noites tão curtas. Os sound checks quase privados. Os abraços. Os sorrisos. As lágrimas. Muitas lágrimas. E muitos sorrisos. Mas nem um autógrafo!
O que guardo? …Além da maturidade conquistada a pulso? Recordações. Muitas. Alguns amigos. Alguns inimigos. Muitos conhecidos. E o desejo de que todas aquelas grandes e pequenas estrelas sejam muito felizes e que, longe ou perto das luzes da ribalta, consigam, finalmente, viver em paz consigo próprias e com os outros…

sexta-feira, maio 26, 2006

Hoje recebi, de uma amiga, um mail com um anúncio de emprego. Dizia assim:

"TESTE

1. Gosta de escrever?
2. Sabe escrever bem?
3. Sabe Português e Inglês?
4. Tem capacidade de síntese?
5. Utiliza muito a Internet?
6. Sabe o que se passa na actualidade?

Se respondeu sim a todas as questões, aceite o...

DESAFIO

Escreva um anúncio promocional sobre si com as seguintes características:

Título (max. 25 caracteres)
Linha 1 (máx. 35 caracteres)
Linha 2 (máx. 35 caracteres)

Envie juntamente com o seu CV para..."

Ora, este é anúncio PERFEITO para mim. Respondi imediatamente.

Este foi o "anúncio" que eu enviei:

"A Inconformada

Rebelde, sonhadora, recusa sobreviver.
Gosta de viver."

Acham que vou conseguir o emprego... ou, para responder, têm de dar uma olhadela ao meu CV? LOL

quarta-feira, maio 24, 2006

A Loja dos Sonhos

Três e meia da manhã! Tenho de me despachar! Senão a loja fecha. E depois? Onde vou encontrar a prenda adequada se não for na loja dos sonhos? Lá há sempre a prenda ideal para todos! Parece que os sonhos saltam das prateleiras quando falamos de alguém. Tem de ser lá. E tenho de me despachar!
Será que eu ainda sei ir à loja dos sonhos? Já lá não vou há tanto tempo... E o caminho não é fácil!... Mas há quem diga que é como andar de bicicleta: se soubemos um dia, saberemos sempre, basta querermos mesmo lembrar!
E será que eu quero mesmo lembrar?... É que eu já fui viciada em sonhos... E custou-me tanto parar de ir lá... Comprei tantos, tantos sonhos que já não sabia o que fazer com eles... E o pior é que desvalorizam muito! Ah, pois é! Comprei-os caríssimos e agora não valem nada! É que os sonhos não se trocam com ninguém! Ninguém sonha o mesmo sonho! E, na loja, não mos aceitam de volta. Dizem que fui eu que os fiz desvalorizar! Dizem que a culpa é minha e não me deixam trocar de sonho!
Então, houve uma altura em que era a senhora da loja que me dava lições de moral! Quando eu lá ia, dizia-me que eu não podia andar sempre a comprar sonhos... que os que eu já tinha eram suficientes... que não podia andar a dar cabo da minha vida daquela maneira... que tinha de dar atenção aos meus sonhos... tinha de lutar para eles não desvalorizarem, etc. Foi por isso que eu deixei de lá ir. Se fosse pelos sonhos, eu ia voltar sempre!
É que eles são muito bons quando são novos. Há quem diga que mesmo quando são velhos são bons! Mas os meus nunca chegaram a velhos sem desvalorizarem. Talvez o mercado um dia mude... Talvez um dia eles voltem a valorizar...
Posso sempre comprar mais... Mas depois a Senhora Consciência, a dona da loja, dá-me lições de moral... Não sei...
Bom, mas hoje vou lá, porque o sonho não é para mim! É uma prenda. A melhor prenda! Agora que penso nisso… nunca ninguém me ofereceu um sonho... Que estranho. Toda a gente sabe que eu gosto tanto...
Bom, vou lá ver o que há.
Olha, lá está a Consciência à porta. É uma chata!
...Não, não venho comprar para mim! Não, é claro que estou a falar verdade! Como é que eu hei-de saber porque é que eles não saltam das prateleiras com o nome da minha amiga?
Porque é que eles chamam tanto por mim?! Eu não vim cá para mim! Consciência, ajuda-me! Eu quero resistir, mas não sei se consigo! Não me digas que saio daqui sem prenda para a minha amiga e um monte de sonhos novos para mim?!
Não me venhas com esses sermões, Consciência, tu é que és a dona da loja! Se calhar têm defeito! A tua sorte é que o produto é tão exclusivo que não tens concorrência, se não, não voltava cá! És uma chata! É claro que têm defeito! Deviam dizer o nome da minha amiga e não o meu! Eu vim cá por ela! Não por mim! Não quero mais sonhos! Estou farta deles!
O que é que queres dizer com não se oferecem sonhos? É claro que eu não sabia... Ou tu achas que vim cá por mim...?

terça-feira, maio 23, 2006

Os Horóscopos e o Emprego

Em todas as revistas, jornais e pasquins, o meu horóscopo para este ano diz que, no trabalho, eu vou ser muito feliz. Falam até em promoções e subidas na carreira... O curioso é que eu perdi o emprego em Fevereiro e estou desempregada desde então.
Todos dizem que, quer pelo signo ao qual pertenco (Gémeos) , quer pelo elemento que o rege (Ar), quer pelo meu número pessoal (5), quer ainda pelo meu signo chinês (Cavalo) a minha vocação é a Comunicação. E eu estaria nas minhas "sete quintas" se fosse jornalista ou Relações Públicas.
Pois bem, tenho formação em ambas e já exerci as duas actividades - atrevo-me a dizer - com algum sucesso. A que correu melhor suponho que foi RP, mas a que mais saudades me deixou foi o jornalismo...
As revistas, jornais e pasquins dizem, no entanto, que para mim - geminiana, aérea e quadrúpede - o mais importante não é ganhar dinheiro, é sentir-me realizada.
Talvez seja verdade... Não! E, de facto, verdade! Daí, que eu tenha de acreditar que a promoção que me "prometem" para este ano seja o resultado dos meus sonhos e quimeras que têm passado a projectos desde que fiquei desempregada...
É que eu, tenho de confessar, não procuro um emprego e um salário. Já os tive e não me fizeram feliz... Procuro, sim, um desafio e uma razão para sair da cama todas as manhãs...

sábado, maio 20, 2006

Recebeu!

Recebeu!
Dois meses depois da entrega chega o aviso de recepção, descolorado, amarrotado, mal tratado, à minha caixa de correio e a minha esperança renasceu.
Recebeu! E na altura certa!
Ontem vi, numa série para adolescentes, alguém dizer que “as coisas verdadeiramente emocionantes da vida requerem mais coragem do que aquela que temos e essa espécie de medo que sentimos, às vezes, serve apenas para nos dizer… que vale a pena”!
Não podia haver descrição melhor para o que senti e o que esperava quando, corada e trémula, pus aquele pacote no correio…
Não esperava que o aviso voltasse, porque, daquele lugar, nunca voltam… Mas ele voltou!
Agora resta a fé. E como alguém – na mesma série, no mesmo episódio, no mesmo dia em que recebi o aviso – dizia: “A fé é acreditarmos em algo quando o bom senso nos diz o contrário”. E, acrescento eu, ela tem poder!…

sexta-feira, maio 19, 2006

Past Sins - Plot Point 1

INT. GLENDALE ARENA – NIGHT

Glendale Arena is packed. The huge CROWD ROARS as if it was one big live animal. Everywhere there are posters of Billy, Etna or simply with written slogans of affection for the band. In the front row there are mainly girls. All of them try to look beautiful and most of them are. One of them is the red-haired girl from JFK airport. The crew is making the last preparations on stage.


INT. GLENDALE ARENA’S DRESSING ROOM – NIGHT

Billy and the rest of the band are warming up for the concert. All the doors in the backstage are open and there is a frantic atmosphere. There are a lot of people around and there is a CONSTANT SOUND MADE BY THE HUGE CROWD OUTSIDE. Someone comes in and hands a cellular phone to Billy. A close up on Billy’s face shows the change from a smile to a desperate look. Billy hangs up and sits down, suddenly looking exhausted.

MARK
What’s wrong?

BILLY
(Barely audible)
My father just killed a guy.

MARK
Say it again…?

BILLY
My father killed someone.

MARK
What?

BILLY
…I should be there.


INT. GLENDALE ARENA – NIGHT

THE CROWD SINGS AN ETNA SONG IN UNISON. At the end they cheer and call out for the band.

quinta-feira, maio 18, 2006

President of The World

Quando estou em casa à Quarta à noite, tenho por hábito ver "A Presidente", a tal série da SIC sobre a primeira mulher presidente dos EUA (papel brilhantemente interpretado por Geena Davis).
Não sei porque o faço... Talvez porque tenha algum interesse em política internacional, talvez porque tenha algum interesse nos EUA, talvez porque tenha algum interesse em teatro... Sim, porque todas estas séries são desenhadas para que os EUA sejam apresentados não como um mero estado bem sucedido, mas como os salvadores do Universo!
Eu não sei porque vejo a série quando, no primeiro episódio, colocam uma força do exército americano a entrar num país sobreano - a Nigéria - para resgatar uma nigeriana da morte por apedrejamento, apenas porque cometeu adultério... Eu concordo - EM ABSOLUTO! - com o princípio humanitário que leva a querer esta mulher salva. Mas a Nigéria é um estado soberano. Ninguém, à luz do Direito Internacional, pode invádi-lo, seja por que motivo fôr!
Mas as ideias de "Direito Internacional" e "Estado soberano" só fazem sentido para os americanos - à luz desta série e de tantas outras e, até, à luz da actuação das últimas administrações americanas - quando esses termos se aplicam ao seu país... Ou não tenhamos nós visto, tanto na série como nos debates televisivos das últimas presidenciais americanas (e, quiçá?, das antriores) algo que me deixa profundamente furiosa: referirem-se ao/à presidente dos EUA como "President of THE WORLD"!!!

terça-feira, maio 16, 2006

Pareço uma miúda

Pronto. Agora é que a minha sanidade mental se foi...
Já não basta as tias a perguntarem-me quando é que me caso ou os pais preocupados porque eu continuo à procura do meu caminho. Agora, sim, vejo que sou uma miúda... LOL

Esta noite enviaram-me fotos e vídeos do que me espera em Milton Keynes... Isto é, enviaram-me "um cheirinho" do que vou ver lá... Se eu andava preocupada com a pipa de massa que vou gastar só para ver uma banda... a preocupação foi-se... Ficou adrenalina, anticipação!
Se eu vou a Inglaterra à procura da miúda de 16 anos, cheia de sonhos, que viu os Bon Jovi em Alvalade, em '95, pela primeira vez, numa noite que a mudou para sempre (as miúdas de 16 anos são TÃO impressionáveis! LOL)... acho que a encontrei... Ou, pelo menos, esta noite estive MUITO perto de a encontrar!


Que saudades!
Que saudades das fantasias inocentes e despreocupadas!
Que saudades dos dias correrem depressa e de não se saber o que se ia fazer amanhã...
Que saudades da vontade de conquistar o mundo e da crença de que isso é possível!
Que saudades de amar sem saber bem o quê ou quem... talvez uma ilusão!
Que saudades de um olhar provocar um formigueiro que durava um Verão!
Que saudades de esquecer tudo quando se colocava AQUELE CD na aparelhagem!

Quero isso de volta! Ainda que seja por apenas dois dias.

Vou a Milton Keynes com o coração nas mãos. Espero trazê-lo no peito. A bater forte outra vez...

domingo, maio 14, 2006

sábado, maio 13, 2006

A Lua e os Estudantes

A lua tem estado linda e cheia no céu. As noites são longas, misteriosas e alegres.
Na minha cidade, a lua sorriu à festa dos estudantes. A folia terminou esta madrugada, mas quem a viveu vai recordá-la para o resto da vida.
Não há outro local no mundo onde os estudantes sejam um símbolo. Não há outra cidade nomundo que pare uma semana para os homenagear. Não há outro local no mundo onde a natureza respeite a sua alegria.
A lua encheu. As nuvens não choraram. O sol sorriu às suas caras ensonadas, que o saudaram já tarde, enquanto se preparavam para mais uma noite de folia.
Só Coimbra conhece de cor o código da praxe. Mesmo as caras enrugadas, tão características da Baixa e que nunca puseram os olhos num banco da universidade, sabem qual a distância máxima a que pode estar a capa da batina. Aqui, as cores das fitas são reconhecidas num ápice. O grelo, as fitas, a cartola arrancam um sorriso e um conselho imediato dos mais velhos.
Só esta cidade se veste de preto por uma semana sem que isso pareça estranho. Só aqui se enchem as ruas da Alta para ouvir o fado, com o colarinho bem tapado, em sinal de respeito. Só aqui se chora para sempre quando o carro da Queima não chega ao fim.
Só aqui 140 mil pessoas param por causa do cortejo. E é aqui que se reune, ao longo de uma semana, 10% da população do país.
Mostrem-me alguém que saiba gritar Briosa do fundo do coração e eu mostro-vos um estudante de Coimbra.
Quem chega a Coimbra em semana de Queima das Fitas, sente-a no ar... Nas lojas, nos autocarros, no negro dos trages... Coimbra transforma-se. Revela-se. Exorcisa-se.
Coimbra é, de facto, uma canção. Aqui, o sonho e a tradição são reais. Cheiram-se. Bebem-se. Choram-se.
Mas a canção terminou esta madrugada... E, em homenagem aos estudantes, a lua também se vai recolher...

sexta-feira, maio 12, 2006

Dois gatinhos abandonados à minha porta

Esta é uma noite especial... Foram abandonados à minha porta dois gatinhos que mal têm os olhos abertos.
Estavam dentro de uma caixa. Assim. Sem mais nada.
Eu tinha acabado de chegar da rua. Não estava lá nada.
Bastaram cinco minutos para colocarem lá uma caixa. Ninguém viu nada...
O meu cão não ladrou. Por isso, foi alguém conhecido. Só alguém conhecido saberia que eu não os abandonaria. Já tenho não sei quantos (aliás, sei muito bem quantos... Bem demais!). Todos abandonados à minha porta.
Já é hábito! E eu estou furiosa!
Como é que alguém tem coragem de abandonar seres tão indefesos? E como é que alguém tem coragem de largar tal responsabilidade, tão displicentemente, nas costas de dois reformados e uma desempregada! É que não basta alimentá-los de restos! As pessoas esquecem-se das visitas ao veterinário, das vacinas, do leite para gatinhos, dos remédios para os ouvidos, dos cartões para arranhar, etc... Quem não os ama, acha que um resto de comida chega! Fico fula!!!!!
Detesto gente estúpida! E, para mim, gente que foge às responsabilidades cobardemente faz parte da gente estúpida! Gente sem coração! ...Podia inumerar os defeitos que acho nos ignorantes que abandonam animais, mas não vale a pena...
Não vou abandoná-los. Claro que não. É com isso que contam...
E o Verão está no início. É bem possível que, lá para Setembro, tenha mais uma caixa à porta... Mas, a partir de agora, se mais alguém entrar na minha casa sem autorização... talvez deixe de ter sorte!...

Não peço ajuda. Nem sequer me queixo de ter de ficar com mais estes dois bichitos, porque já os amo. Queixo-me do ponto a que chega a cobardia, a pequenez das pessoas. Às vezes tenho vergonha de fazer parte da raça humana. Ou antes, começo a pensar que... humanos... não conheço muitos...

quinta-feira, maio 11, 2006

Falta um mês

Falta exactamente um mês para eu estar em Milton Keynes, no National Bowl, a ver a minha banda favorita.
Será loucura uma mulher de 27 anos gastar uma pipa de massa numa viagem para ir ver dois concertos?... Sim, é. E eu adoro o feeling!
Esperei 11 anos para os voltar a ver. Há 11 anos, eles mudaram a minha vida. 11 anos depois, eu preciso de me sentir novamente com 16 anos. Preciso de me lembrar dos sonhos que tinha, do sentimento avassalador que senti ao descobrir que a vida era minha e era para ser vivida.
Vou a Inglaterra à procura de sonhos... Espero não voltar de mãos vazias...

segunda-feira, maio 08, 2006

Sou apaixonada por ti

Sou apixonada por ti. Sou tão apaixonada por ti...
Foste o único que conseguiu romper aquela barreira que quando eu era miúda chamavam de timidez, quando eu era adolescente chamavam de arrogância e quando eu era um pouco mais jovem chamavam de solidão.
Chegaste e as portas abriram-se. Conheceste-me inteira e amaste-me inteira. Até os pedaços feios de mim, que eu às vezes tento esconder e que tu já conheces melhor do que eu própria. Respeitas os meus limites, as minhas manias, os meus fantasmas. Encorajas-me a seguir os sonhos mais loucos e, às vezes, até consegues inventar sonhos novos para eu sonhar. Suportas os meus ciúmes do teu piano e a minha inveja da música, a tua verdadeira amante. Aturas a minha ideia limitada da minha liberdade, sem me acusares de leviandade ou de inconstância.
Amas-me pelo que sou e pelo que quero ser. Mais do que amar-te por isso, eu agradeço-te...
Agradeço-te por nunca teres interferido no caminho que eu acho que quero seguir, por nunca me teres julgado e pelo teu apoio incondicional. Agradeço-te pelo teu respeito por cada capricho meu. Agradeço-te pela frase perfeita que tens para responder a cada dúvida minha. Agradeço-te por cada sorriso que me arrancaste, por cada lágrima que me secaste.
Os teus abraços fazem-me sentir serena. Os teus beijos fazem-me sentir única. Os teus olhos fazem-me sentir.
É por tudo isto e por tão mais que palavras nenhumas podem descrever que eu sou tão tua.
Amo-te. Muito. Nunca demais.

(Ao meu muito querido namorado, na véspera do nosso sexto aniversário. Com um beijo.)

Ele diz que se chama Iuri

Ele diz que se chama Iuri, mas eu sei que não é verdade... Não sei como o sei, mas sei que não é verdade...
Conheci-o há muito, muito tempo. Fomos criados juntos.
A única vez que me lembro de o ter a percorrer a terra como meu amante, ele morreu-me nos braços...
Desde essa altura, há tantos séculos atrás, eu não me sei dar como me dei. Procurei, todo este tempo, algo que não podia achar. Odiei-o por isso. Por me ter deixado assim. Morta também.
Desta vez chegou com o nome de Iuri. Sei que não lhe pertence.
Demorei a achá-lo.
Eu procurava um amor avassalador, completo, cheio de certezas. Ignorava que não o podia encontrar nesta vida.
Eu encontrei um amor nesta vida. Mas demorei a aceitá-lo como ele era, porque sabia que existia o tal que é avassalador, completo e cheio de certezas. Aceitei-o, mesmo assim. E sou feliz. Mas só quando o Iuri se revelou, eu consegui ver o quanto vale este amor.
Eu amo e sou amada. Como é que perdi tanto tempo a duvidar? A procurar? A combater a felicidade?
A culpa era dele: Iuri. Sempre ele. A minha alma gémea. Não o tinha nesta vida e procurava-o... Agora que o achei, já não o procuro e aceito o meu amor terreno de braços abertos. Sei-me dar de novo.

Iuri é a minha alma gémea. Houve uma vida, há muito séculos atrás, em que ele morreu nos meus braços. E eu, ainda que tenha permanecido viva, morri com ele. Acho que a minha alma morreu um pouco também.
Odiei-o. Andei séculos para lhe perdoar esse abandono. Chorei durante um período tão logo que ninguém tem como medir, porque não é terreno...
Achei-o, finalmente. Nesta vida. Achei-o ao meu lado. É a minha alma protectora. Alguns chamar-lhe-ão anjo da guarda. Eu prefiro chamar-lhe "a minha alma protectora". Porque também ele é uma alma em aprendizagem, como eu. Também ele tem ainda de percorrer muitas vidas até ao final do seu caminho. Há muitas lições a apreender.
Mas, desta vez, escolheu não viver. Percindiu das lições que também ainda tem de aprender, para caminhar o meu caminho, ao meu lado. Para me proteger.
Eu nem queria acreditar. Demorei a perdoar-lhe o abandono. Mas perdoei. Tal como tinha demorado a encontrá-lo, a dar-lhe atenção... Mas encontrei-o. Dei-lhe atenção.
Agora é parte de mim, de novo. Não está comigo, mas está. Tê-lo encontrado fez-me amar mais o meu namorado, cuidar mais dos meus amigos, perdoar mais sinceramente os meus inimigos... É que eu estou, finalmente, bem!
Eu estou bem e posso ajudar os outros a estarem bem. Os meus passos são tão mais seguros. Os meus sorrisos são tão mais leves e sinceros. A minha vida parece-me tão perfeita para ser vivida.
É que nunca fui abandonada. Estou completa. Acabou o suplício do ódio, da procura, do desespero. Nada disso já faz sentido!
Olhando para trás, tudo está justificado. Tudo teve um propósito. Tudo tem um objectivo. E com o Iuri a proteger-me, eu sei que tudo vai correr bem.
...Iuri, diz ele... Mas eu sei que esse não é o seu nome...
Ele dir-mo- à quando eu estiver pronta para o escutar.

terça-feira, maio 02, 2006

A vida, para alguns, é mais dura...

Ando, há quatro ou cinco anos, a juntar moedas de um e dois euros. Quando comecei, não sabia bem para quê. Estava só a dar uso a uma peça de artesanato que comprei numa viagem: um mealheiro em forma de hipopótamo.
Ao fim destes anos todos descobri para que o fizera: para ir a Londres. A viagem está marcada, os quartos alugados, os bilhetes para os espectáculos comprados. Sem aquelas moedas não poderia fazer esta extravagância que vou fazer em Junho...
Mas agora preciso desesperadamente de um portátil. E a única coisa que me tem passado pela cabeça (agora que já não há volta atrás na questão de Londres... nem eu a daria!) é que EU vou ter de juntar moedas durante mais quatro, cinco ou seis ou sete anos para o ter... enquanto, para alguns, basta pedir ao papá...
A vida, para alguns, é mais dura...

quinta-feira, abril 27, 2006

Sabedoria popular

Desde que comecei a fazer uma recolha sobre “sabedoria popular” dei-me conta de uma coisa curiosa (ou, talvez, previsível, se pensarmos bem).
Tenho andado a perguntar a toda a gente se conhecem mesinhas, encantamentos, feitiços. A reposta é invariavelmente: “Não. Não sei nada disso”. Mas, quando o dia está mais calmo e a conversa continua, poucos minutos depois já me estão a dar a “receita” da quebra do cobranto, a oração de protecção para a trovoada e a contar histórias sobre aquele parente que “sofreu” um feitiço de amor ou que ia morrendo com um mau olhado...
Então, porquê? Porque é que toda a gente diz que “não sabe nada disso”?
Depois de alguma análise concluí que o problema são as palavras que tenho usado. Não posso falar em encantamentos, mesinhas ou feitiços. Se eu começar por falar de orações, rezas e chás a resposta será diferente, suponho. É que ninguém quer ser associado À bruxaria. À religião... já pode ser...

Religião = bom
Bruxaria = mau

É o resultado de séculos de perseguições!

A verdade é que a “sabedoria popular” mistura as duas de forma bastante eficaz. E quem tem estes conhecimentos está sempre disposto a partilhá-los desde que nos mostremos deveras interessados e não lhes falemos de bruxaria.

PS - Quantas bruxinhas há por aí! Adorava conhecer-vos!!!

quarta-feira, abril 26, 2006

Fechados no Dolce Vita...

Ou a minha vida anda mesmo muito chata ou eu sou mesmo alucinada... Eu explico...
Eu e o meu namorado fomos ver “O Infiltrado” (muito bom, a propósito! A tradução é que era horrível!)... Bom, dizia... fomos ver “O Infiltrado” à última sessão no Dolce Vita Coimbra. O filme é tão bom ou tão mau, que ficámos p’aí 45 minutos no carro a discutir os pormenores. (A sério! Estivemos mesmo só a falar. Não corremos qualquer risco de aparecer um vídeo porno nosso na net!)
Os carros iam desaparecendo do estacionamento e nós no paleio. O “pirilampo” (aqueles senhores de coletes florescentes que fazem a ronda nas moto 4, sabem?) andava por lá e nós estávamos “na descontra”.
De repente, damos conta de que as luzes do shopping estavam apagadas. O “pirilampo” tinha abandonado a moto 4 à entrada. Não havia ninguém.
O meu gajo só disse: “Espero que não tenham fechado as portas do estacionamento.”
Passava das 3 da manhã. E, sim, tinham fechado TUDO!...
Marcha atrás a custo. O meu gajo a stressar. Eu sugeri tentarmos ver se havia alguém dentro do shopping antes de ligar a.. sei lá... alguém!
Voltámos ao estacionamento... As portas automáticas do estacionamento para o shopping não abriam... Mas o meu gajo, já pronto a explodir, lá as conseguiu abrir à força.
Enquanto ele assobiava a quem quer que pudesse ouvir e montava guarda junto às portas, eu fiz a ronda ao shopping: voltei aos cinemas, no topo, depois fui até À cave. É que eu tinha visto gente, dentro do Jumbo fechado, quando voltámos a entrar. Bati, chamei. Nada. Só se ouvia música em altos berros.
Era ridículo ligar ao 112. Não era propriamente uma emergência. Mas estávamos a ficar sem opções...
Agora vem a confissão: eu estava a curtir a cena. Estava mesmo!... O meu gajo é que não...
Enfim... Finalmente, num dos andares de cima, lá apareceu um senhor. Explicámos-lhe que queríamos e que não podiamos e ele disse que alguém nos iria abrir a porta.
Dirigimo-nos ao carro e de carro para a saída. Lá veio um segurança na moto 4 abrir-nos a porta do estacionamento – que se abre manualmente!!! – com cara de poucos amigos... (Ora pois, um casalinho que se “esqueceu” de sair do shopping àquelas horas... Suspeito...) ;)
Agora volto À questão inicial... Porque é que eu me diverti tanto com isto? Ou a minha vida anda mesmo muito chata ou sou mesmo alucinada! Embora a primeira não seja mentira, eu inclino-me mais para segunda hipótese. LOL

NOTA: O Dolce Vita Coimbra fecha as portas às 3 da manhã! Só para que conste...

segunda-feira, abril 24, 2006

História da vida real...

O episódio que vou descrever passou-se entre mim e a minha mãe. Como nota prévia, tenho de dizer que a minha querida progenitora tem 70 anos e acha que um telemóvel é um bicho esquisito (ainda que necessário) com um monte de funções que não interessam para nada e que, no fundo, servem apenas para UMA coisa: fazer chamadas.
Ora, eu na semana passada, vi um anúncio na RTP 2, a dizer que, no Sábado passado, iam transmitir um concerto da Anastacia. Sendo fã da cantora, pus um alarme no meu telemóvel para me lembrar de o gravar. Mas, como costumo sair à tarde e nunca sei se volto a horas decentes (...), o alarme ficou marcado para o início da tarde. Assim, programaria o vídeo e ia, descansada, à minha vida.
De Sexta para (o dito) Sábado, desliguei o telemóvel e deixei-o a carregar durante a noite na sala. Mesmo com ele desligado, o alarme dispara.
Na manhã seguinte... Pronto, OK!... Lá para as duas da tarde do dia seguinte, a minha mãe debruça-se sobre o meu leito (olha a classe!) onde eu jazia ainda dormente (touché!) e diz-me:
- Hey! Acorda! Vá lá, acorda! Está farta de ligar para ti uma tipa chamada Anastacia...

segunda-feira, abril 17, 2006

Acreditam em magia?

Eu acredito em qualquer coisa a que as pessoas chamam habitualmente de “magia”. Acredito que se pode adivinhar o futuro e até influenciá-lo...
A intuição vê para lá do que está à vista e as energias (ou pensamentos) positivas(os) podem fazer com que os nossos desejos se realizem contra todas as possibilidades.
Eu, por exemplo, consigo “adivinhar” quem me está a ligar. Muitas vezes, sinto quando um amigo ou alguém que amo precisa de mim, mesmo que ele não esteja comigo. Consigo dizer se posso ou não confiar em alguém só com um aperto de mão ou com uma troca de olhares. Muitas vezes, sei o que me vai acontecer a seguir, mesmo que isso vá contra os meus desejos... Será que isso faz de mim uma... bruxinha...?

quarta-feira, abril 12, 2006

Aos meus amigos da net

Quero prestar homenagem aos meus amigos da net. Sim, chamo-lhes Amigos (e coloco com letra maiúscula!). E não tenho medo de me enganar. São os meus AMIGOS da net.
Bem sei que as relações estabelecidas na Web têm tendência a ser superficiais e que “amigos” soa um pouco sério, porque – é verdade – não os conheço pessoalmente. Mas – e juro que nunca pensei dizer isto! – não preciso de os conhecer para poder já chamar-lhes amigos!
Entrei para um yahoo group há cerca de sete meses. À partida, já havia afinidades: somos todos fãs da mesma banda. E, à partida, por serem fãs dessa banda em particular, eu sabia que só podiam ser boas pessoas. (Não, não é uma falácia. Os fãs desta banda são mesmo boas pessoas! Apenas porque têm consciência – pessoal e social – e isso costuma fazer das pessoas seres humanos decentes...) Esperava, portanto, encontrar malta porreira. Mas não esperava o que me aconteceu...
O grupo tem algumas 30 ou 40 pessoas... Vá, 15 (que sejam!) assíduas participantes. Os mails iam caindo na minha caixa de correio e eu ia lendo, respondendo, participando. A pouco e pouco, eu ia distinguindo nomes e personalidades. Mas tudo muito superficial... Afinal, estava na net...
Desenvolvem-se discussões, afinidades, descobrem-se talentos, debatem-se ideias. As preocupações e os desejos são partilhados. Pelo meio, surgem alguns desabafos pessoais. Há um casamento. Nasce uma criança. Dão-se parabéns a pessoas que não conheço... Faltei a todos os encontros ou convívios...
Passaram sete meses. Há caras que vi em fotos. Outras nem as imagino. Ouvi três vozes por telemóvel. Falei com duas pessoas por messenger. Troquei mails com oito ou nove. Estatisticamente é uma insignificância. No meu coração? Descobri uma família!
Já não sei viver sem esta família. Faz-me falta. Tenho saudades. Os fins de semana, sem Internet, são longos e vazios. Conto os dias até puder voltar ao computador e saber a última fofoca da banda ou quem vai onde ver um concerto. Ou, tão só, quem faz anos ou quem é o novo membro da lista!
Nestes sete meses, a banda lançou um álbum, um dos membros divorciou-se e digressão já passou pela América do Norte e está a chegar à Europa. Nestes sete meses, eu decidi viajar até Inglaterra com pessoas que me são desconhecidas, mas são tudo menos estranhas. Nestes sete meses, aprendi que a confiança surge do instinto e que não hesitaria em dar o código da minha conta bancária a algumas daquelas pessoas, porque poria as minhas mãos no fogo por elas. Elas já fizeram o mesmo por mim.
Uma pessoa, de quem eu não conhecia a voz até há duas semanas, comprou-me bilhetes para concertos num valor equivalente à revisão rigorosa de um ou dois automóveis. E garantiu a minha estadia em Inglaterra, apenas porque lhe pedi... Não tinha de o fazer. Não tinha de confiar. Mas fê-lo, deixando-me quase sem nada com que me preocupar... e sem forma de lhe retribuir. E este é apenas UM exemplo.
Por tudo isto, deixo-lhes aqui a minha homenagem e o meu sincero reconhecimento. Obrigada Andreia, Pedrinho, Cláudia, Mara, Ana Paula, Lena, Sónia, Sara, Miguel, etc, etc, etc. Obrigada a todas as pessoas da lista Bon Jovi Portugal, por me terem recebido de braços abertos naquela grande família. Já não sei viver sem vocês. Nem quero!

terça-feira, abril 11, 2006

Porque é que eu ando sempre com um livro debaixo do braço?

Porque é que eu ando sempre com um livro atrás de mim? Se não é um livro, é uma revista qualquer. Mas, às vezes, porque a revista me parece insignificante, lá ando pela casa com um calhamaço a fazer-lhe companhia. Até chega a dormir ao meu lado! E não, não tenho necessariamente de o estar a ler. Só preciso de ter um livro comigo.
E, quando o estou, de facto, a ler, levo-o comigo onde quer que vá. Sair? Uns dias em casa de uma amiga? Férias na Oura? Vai comigo! Não importa se tenho a certeza que não lhe vou tocar. Tem de estar comigo! É que não consigo imaginar a tragédia que seria se eu tivesse oportunidade de ler uma página que fosse e não tivesse o meu livro comigo! Horrível!
E para me ver livre das personagens? É um drama! Quando o livro é grande e bom, chego a ter saudades delas! Sonho com elas. Repito-lhes o nome bem depois de ter terminado o livro. Penso nas suas vidas. No que eu faria no seu lugar. Custa-me dizer-lhes adeus.
E lá ando, com outro calhamaço pela casa atrás de mim até ter coragem para me despedir das personagens do calhamaço anterior. Às vezes passam-se semanas...
Hoje, por exemplo, continuo a pensar no Atos, no Portos e no Aramis. No D'Artagnan e na sua Constança. Na pérfida Milady. No calculista Richelieu. O Conde de Monte Cristo vai ter de ter paciência e esperar um bocadinho... Mas já dorme comigo hoje...

segunda-feira, abril 10, 2006

Estou cansada!

Estou cansada. Muito cansada. Não corri. Não trabalhei demais. Mas estou tão cansada. Só cansada.
Fui esforçada, compreensiva, amiga, trabalhadora, correcta, objectiva, digna, determinada, batalhadora, sincera, atenciosa, capaz, positiva, carinhosa, incansável e agora estou cansada.
Parei e vi. Estou nos limites das minhas forças.
Tenho-me perguntado, dia após dia: "Porque paraste? Ainda há tanto para fazer! Tens tempo, tens vontade! Porque paraste?" A cada noite que passava acusava-me a mim própria de ter estagnado... Tanta coisa ainda a fazer, tanta ideia a surgir, tanta pessoa para ver e eu sem reagir! Culpava-me. Exigia-me. Estava à espera da "descarga eléctrica" que me devolvesse aquela aura de força, de energia positiva, de adrenalina que me fez ser, durante algum tempo, tudo o que eu sempre quis ser e nunca tinha sido. Agora compreendi...
Tenho de parar. Tenho mesmo de parar de me exigir, de me culpar, porque estou cansada. Corri tanto. Fiz tanto. Apoiei. Projectei. Trabalhei. Preocupei-me. Escrevi. Limpei lágrimas. Desenvolvi. E desenvolvi-me. E até ajudei a desenvolver.
Cansei-me.
Estou num estado de exaustão tal, que me sinto a afundar, física e psicologicamente.
A "descarga eléctrica" chegará em breve. Porque agora já sei que tenho poder para a fazer acontecer. Para fazer tudo a que me proponho. E gosto de quem agora sei que posso ser... Mas tenho... primeiro... de... me... permitir... descansar!...

quarta-feira, abril 05, 2006

A vida sem amor não tem sentido...

Vi isto num daqueles mail que circulam por aí... Achei tão verdadeiro...

A inteligência sem amor, te faz perverso.
A justiça sem amor, te faz implacável.
A diplomacia sem amor, te faz hipócrita.
O êxito sem amor, te faz arrogante.
A riqueza sem amor, te faz ávaro.
A docilidade sem amor te faz servil.
A pobreza sem amor, te faz orgulhoso.
A beleza sem amor, te faz ridículo.
A autoridade sem amor, te faz tirano.
O trabalho sem amor, te faz escravo.
A simplicidade sem amor, te deprecia.
A oração sem amor, te faz introvertido.
A lei sem amor, te escraviza.
A política sem amor, te deixa egoísta.
A fé sem amor te deixa fanático.
A cruz sem amor se converte em tortura.
A vida sem amor... não tem sentido.........

segunda-feira, abril 03, 2006

Tenho de mover montanhas....

Nada é fácil, pois não? O que é importante tem de ser batalhado ou perde o valor.
Há quem passe pela vida como uma brisa pelas folhas jovens das árvores: sem resistência. Outros têm de mover montanhas para conseguirem o que querem. E, mesmo assim, quando o equipamento está escolhido, o plano está traçado, o local definido, a montanha desapareceu e outra nasceu no seu lugar. E tudo volta ao início.
Se esta nova montanha fôr movida, a vitória tem um duplo sabor... É o que dizem... Mas, ao fim de não sei quantos anos a mover montanhas, é legítimo sentir o cansaço. É legítimo desejar ser a brisa sobre as folhas jovens.
Mas, como isso nunca vai acontecer, resta-me gritar ao Universo: "Vá! Manda-me mais montanhas, que eu as moverei! Nunca me derrubarás!!!"

segunda-feira, março 27, 2006

Posso sonhar de novo

Já consigo vê-las de novo. As luzes do palco a cintilarem por cima da minha cabeça como raios de sol. Como as desejo! Como temi perdê-las!
Posso sonhar de novo. Posso antecipar a longa noite de espera, as risadas ansiosas, as trivialidades que se vão conversar, a correria para a frente do palco, a luta por um bom lugar, o orgulho pela bandeira portuguesa...
Sei que vou chorar quando a banda pisar o palco. Sei-o. E não me envergonho, porque razões não me faltam para me emocionar quando os primeiros acordes soarem. Como há onze anos, este concerto marcará uma nova etapa da minha vida.

quarta-feira, março 22, 2006

Quem me dera...

Quem me dera poder arrancar do peito dos que amo toda a tristeza que carregam!
Como me sinto triste e impotente!
Como me sinto responsável por não os poder salvar, a todos, da crueldade do mundo e de si próprios!
Sei que aguento a minha tristeza. Já a encarei. Já lhe bati. Já a venci. Já me rio dela!
Mas a dos outros! Como a odeio!!!

segunda-feira, março 20, 2006

Permitam-me um momento de pausa...

Permitam-me um momento de pausa...
Um momento longe da tristeza.
Um momento meu.
De alegria. Privada.
Para não ofender os que sofrem.
Um momento que, dure o tempo que durar,
será puro, ingénuo, perfeito.
Um momento em que eu não tenha de pedir desculpa
por estar feliz.
Um momento em que o meu sorriso
não magoe os que choram.
Um momento em que eu me demito
da responsabilidade de enxugar lágrimas
e me permito descontrair.
Deixar cair os braços.
Olhar o céu.
Fechar os olhos.
Respirar fundo.
Suspirar.
E agradecer o facto de estar viva!

sexta-feira, março 17, 2006

Pensei que ia ter pesadelos...

Pensei que ia ter pesadelos. Pensei que me ia custar a adormecer por não parar de tremer. Jurava que me ia recriminar até ao fim dos tempos. Mas isso não aconteceu.
Há já algum tempo, aprendi que, quando fazemos o que o nosso coração manada, o espírito vive mais calmo, as energias são positivas e a paz é uma constante. Mas obedecer ao coração é difícil quando toda a gente tem uma opinião e constantemente nos atiram à cara as “razões” que regem o mundo. Às vezes parece que ninguém ouve o coração e que segui-lo é, de facto, uma insanidade!
Daí que eu achasse que me ia recriminar, arrepender, assustar por tê-lo feito.
Mas não. Sou mais forte do que pensava. A minha sintonia com o que diz o meu coração é mais pura e elevada do que eu sabia.
Segui o meu coração e fiz bem! Não me recrimino, não tenho pesadelos, não tremo de medo. Aceito a decisão do meu coração e desejo-me sorte. Estou preparada para enfrentar a resposta, boa ou má, ou a ausência dela.
O meu coração diz-me para continuar a acreditar e assim farei.
A verdade é que fazer o que o meu coração mandou foi mais um teste. E eu passei neste teste a mim própria. Quase desisti. Quase desacreditei. Quase segui a razão. Mas depois apercebi-me que tinha chegado a um daqueles momentos da vida que definem o que vais ser daqui para a frente: Caminho A – Razão; Caminho B – Coração. Não era a resposta que eu ia obter que estava em causa. Era eu. Era esta escolha. Se eu não a fizesse agora, nunca mais a faria. Era um caminho sem retorno.
E eu escolhi. Escolhi seguir em frente. Escolhi o coração.
Depois quase me arrependi. Quase me recriminei. E pensei que ia ter pesadelos. Pensei que me ia custar a adormecer, por não parar de tremer. Jurei que me ia recriminar até ao fim dos tempos. Mas isso não aconteceu. E agora sei que não vai voltar a acontecer. Porque agora sei que fiz a escolha certa. Não importa a resposta. Importa como me sinto. E sinto-me em paz.

quinta-feira, março 16, 2006

Afraid to win

Did you see me flyin’ through that open door?
Did you see me cryin’ against the wall?
Will you look into my eyes when we’re face to face?
Will you help me to scare away my disgrace?

Am I flyin’ too high on borrowed wings?
Am I goin’ too slow for my hungry dreams?
What kind of sickness am I takin’ in?
I better spit it out: I’m afraid to win.

I’m not sure of anything
Not even of my own life
If only anyone cared
Whether I live or die

I’m not afraid of much except of my own fear
I’m never ready to cry, but there’s always a tear
How am I supposed to stand when I’m on my knees?
How can I open my heart if I lost the keys?

Am I flyin’ too high on borrowed wings?
Am I goin’ too slow for my hungry dreams?
What kind of sickness am I takin’ in?
I better spit it out: I’m afraid to win.
I’m afraid to win
Yeah, afraid to win

Oh, just take me down
I don’t want this cloud
Oh now, hold me tight
I have to feel the ground

Have I flown to high on borrowed wings?
Am I goin’ too slow for my hungry dreams?
What kind of sickness was I taking in?
I should know by now: can’t be afraid to win
Can’t be afraid to win
No, can’t be afraid to win
I don’t wanna be afraid to win
Help me not be afraid to win

terça-feira, março 14, 2006

Razão versus Coração

Coragem. Coregem para fazeres aquilo a que te propões. Tanto tempo a sonhar, tanto tempo a projectar, a decidir cada frase, cada palavra e, quando o dia se aproxima, os pés arrefecem, as mãos tremem, o coração fraqueja e... talvez seja melhor não fazer nada, pensamos.
Depois enfurecemo-nos! Então! Deste em cobarde, agora?! Se estava decidido, estava decidido! Não há que hesitar!
Mas depois lá vem outra vez o diabinho: "Sim, mas sonhar todos sonhamos. Nos sonhos manda o coração. Quando eles se transformam em projectos, aí entra o cérebro: deves ou não fazer isto? É a razão que tem que decidir!" Pronto, é verdade. Tem de ser a razão a decidir e o que é facto é que não é muito sensato fazê-lo...
Mas o coração não dorme e continua a empurrar, a fazer força, a torcer, a sonhar. E a razão começa à procura de motivos para avançar: "O que é que tens a perder? O pior que pode acontecer é seres exposta ao ridículo... Mas também, quem é que se vai lembrar disso passados uns tempos? Tu? E então?" E o coração procura sinais: "Agora é a melhor altura!Porque é que se ia proporcionar logo na melhor altura se não fosse para ir em frente?"; "Estava tudo preparado quando isto aconteceu. É porque tem de ser!"
E, dizendo que foi uma decisão racional, acabamos por fazer uma idiotice qualquer que o nosso coração manda e que nos faz sentir no topo do mundo.
O curioso é que são normalmente as idiotices ordenadas pelo coração que se revelam as decisões mais sensatas e inteligentes das nossas vidas!

segunda-feira, março 13, 2006

You Were There

Through the loneliness of the years
And the battle against countless fears
You were there
Through the pain of delusional thoughts
And the constant threat of the “nots”
You were there

Through all the lonesome nights
And the sorrow of lost fights
You were there
Through the struggle against dream extinction
And the need for the right direction
You were there

You were there all the time
With no need for a sign
You were there through the pain
Bringing me out of the rain
You were there in the good days
Taking me where a dream lays
I know now what they say is true
I can always count on you

When happiness knocked on my door
And my feet rose above the floor
You were there
When sweet fate let me hold the keys
And snow wouldn’t bring me to my knees
You were there

When euphoria showed it’s face to me
And my wishes floated in a generous sea
You were there
When my lips were lighted with smiles
And my life was flying easy miles
You were there

You were there all the time
With no need for a sign
You were there through the pain
Bringing me out of the rain
You were there in the good days
Taking me where a dream lays
I know now what they say is true
I can always count on you

You brought me up when I was down
You made my body dance around
You put some faith where there was none
You were my friends through the darkened sun

You were there all the time
With no need for a sign
You were there through the pain
Bringing me out of the rain
You were there in the good days
Taking me where a dream lays
I know now what they say is true
I can always count on you

In all the years and miles between us
And even when I couldn’t see
You always had the right chorus
And there were times you were everything to me

You were there
No questions asked

So if I ever forget to tell you
Or fate denies me the chance
I want you to know I believe you
And the future is more than a verb tense

Loving you wasn’t a choice
But your words make my dreams last
Just keep on rockin’, boys
‘Cause you’re the best

You were there all the time
With no need for a sign
You were there through the pain
Bringing me out of the rain
You were there in the good days
Taking me where a dream lays
I know now what they say is true
I can always count on you


(Dedicada à minha banda favorita: Bon Jovi)

sexta-feira, março 10, 2006

I’ll Let Silence Fall Upon Me

Silence falls upon me
Like a shadow in the night
If time could stand still
I’d lose my life from sight

Is it good, is it bad
To let it all fly by?
I know I know nothing
When I feel like a lie

I’m lost in space
Lost in your heart
I’m lost in my life
I don’t know where to start

Everything looks perfect
When I’m next to you
All is a nightmare
If you’re not true

So I’ll let silence fall upon me
Like a shadow in the night
I’ll forget my life’s threats
If you just hold me tight


(Dedicado ao meu namorado)

quinta-feira, março 09, 2006

Aquelas Mãos

As Mãos. Aquelas mãos. Ela reconhecê-las-ia em qualquer lugar. Não conseguia parar de seguir-lhes os movimentos: a esquerda brincava com o pacote amarrotado do açúcar; a direita mexia o café energicamente com aquela mini-colher.
A colher bateu na borda da chávena duas vezes antes de ir repousar no pires. A mão esquerda largou casualmente o torturado pacote no cinzeiro e abriu-se, abandonada, sobre a mesa...
Aquelas mãos inesquecíveis. Elas, que mesmo abertas, nunca ficavam esticadas, moles ou rígidas, sem personalidade. As mãos que não eram grandes nem pequenas e que ela imaginou mil vezes junto às suas. Estavam ali. Ao alcance dos seus próprios dedos...
Ela não olhou para o rosto ao seu lado. Não precisava. Ela reconheceria aquelas mãos em qualquer lugar.
Tinha de lhe falar. Tinha de o fazer. Mas dizer o quê? Era tão inesperado tê-lo ali... ao alcance de uma olhar.
Manteve-se cabisbaixa até o café desaparecer da chávena. Até aquelas mãos colocarem algumas moedas sobre o balcão. E aquela voz! Só agora ele falava. Um “obrigado” displicente ao empregado que lhe tinha perguntado: “O costume?”. E saiu. Do café ou da sua vida?
Só agora acordava!
Será que ainda valia a pena correr?

quarta-feira, março 08, 2006

Amor

Olá, Amor
Amor distante, constante, que ainda existe.
Amor amado, calado, sonhado.
Amor que vive escondido, esquecido
caído nas garras de um conformismo gritante.
Amor louvado, banhado de olhares profundos,
frases bonitas, catitas.
Amor que definha nas barbas da paixão.
Amor que sofre como um cão sem dono
achado, quando é concretizado.
Amor que eu amo.
O próprio Amor.
Amor belo como um céu estrelado
ou um mar navegado.
Amor utópico, idealizado, não realizado.
Amor desesperado, carregado, enfatizado.
Sentido na pele,
com sabor a mel e a fel...
Mas nunca monótono, parado, conformado.
Amor verdadeiro, não profanado.
Amor amado.

terça-feira, março 07, 2006

The Angel

I was walking through the clouds
When an angel looked at me
He said: “Whatcha doin’ here tonight?”
I said: “I don’t know, but I feel free.

Can you tell me how to stand
In my own two feet?
Can you teach me how to breathe
And not having to feel sick?

Can you show me how to be
More than just another one?
Can you look into my eyes
And see more than me on the run?”

He looked at me and smile
As if what I was saying was silly
But after a moment of silence
I think what he felt was pity

Then it was my turn to laugh
‘Cause that angel was really caught
You could see it in his light eyes
That he had also once fought

So I asked him quite simply:
“Why are you here tonight?”
His answer didn’t take too long:
“Because I am through with the fight.”

And so I asked him again:
“You mean you’ve given up?”
He said: ”No, don’t be silly.
In the middle, my life was cut!

You, on the other hand,
Have so much to live for.
Just snap your fingers and go back there
‘Cause there’re a lot of goals to score.”

So I opened my eyes and I was back
Caught up in the same old chords
But another world exists
Using old Black Elk’s words

I guess now I am prepared
Not to get punched down again,
To put my fists up for the fight
Thanks to that angel above the rain.